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Bip Bip: o bar minúsculo que é templo do samba em Copacabana

Com apenas 18 m², o Bip Bip é um dos points mais tradicionais de música ao vivo do Rio desde 1968. As rodas de samba e choro acontecem no meio dos clientes, que pegam a própria cerveja no freezer.

Roda de samba dentro do bar Bip Bip, em Copacabana

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Bip Bip Bar
    Rua Almirante Gonçalves, 50, Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil
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Café de l'Ambre: a casa de Ginza que envelhece grãos de café por décadas desde 1948

Fachada do Café de l'Ambre, tradicional casa de café em Ginza, Tóquio

Foto: Wikimedia Commons

Em 1948, em meio à reconstrução de Tóquio no pós-guerra, um ex-operador de projetores de cinema abriu uma porta discreta numa viela perto da estação de Shinbashi, a poucos passos da badalada Ginza-dori. O nome escolhido, Café de l'Ambre, remete à cor âmbar que os grãos de café ganham depois de anos de maturação — um detalhe que, décadas depois, transformou a pequena casa de Ichiro Sekiguchi em um dos endereços mais reverenciados do mundo cafeeiro.

Do balcão entre amigos a uma lenda de Ginza

Sekiguchi não tinha formação em café: trabalhava no setor de projetores de cinema, um dos ramos em expansão durante o período Showa, e preparava a bebida para os colegas nos intervalos de trabalho. O talento amador chamou tanta atenção que os próprios amigos o convenceram a abrir um estabelecimento, já que a região não tinha uma casa de café à altura do que ele servia. Assim nasceu, em plena escassez do pós-guerra, o Café de l'Ambre — parte de uma tradição que já vinha de longe: a primeira kissaten (casa de chá e café) do Japão, a Kahi Chakan, havia aberto em Ueno em 1888, e em 1911 o Café Paulista, batizado em homenagem ao café brasileiro, já servia clientes em Ginza.

Grãos que faltavam — e viraram método

A marca registrada da casa nasceu de uma limitação. Em 1948 era difícil encontrar grãos verdes frescos no Japão, e Sekiguchi conseguiu um lote cobiçado de café Sumatra Mandheling que já tinha, na época, cerca de dez anos. Em vez de descartar o café "velho", percebeu que a maturação prolongada suavizava a acidez e aprofundava o sabor. A partir daí, transformou a limitação em especialidade: passou a envelhecer deliberadamente os grãos verdes por no mínimo uma década, chegando a servir cafés com 21 e 23 anos de maturação, com lotes colombianos e cubanos guardados desde os anos 1970.

Esquina iluminada do bairro de Ginza, em Tóquio, onde fica o Café de l'Ambre

O bairro de Ginza, em Tóquio, onde o Café de l'Ambre funciona desde 1948

"Coffee only": uma casa que só serve café

Uma placa na entrada avisa: "coffee only". O cardápio, com cerca de trinta variedades de origem única, gira inteiramente em torno do grão — quente, gelado, em blends ou nas raras sobremesas à base de café, como pudins e gelatinas. Sekiguchi torrava pessoalmente os lotes em pequenas quantidades para preservar o ponto exato de maturação, e cada xícara era moída e preparada na hora, com intensidade e tamanho definidos a pedido do cliente, sempre acompanhada de um copo d'água — o ritual clássico dos kissaten, que viveram sua era de ouro no Japão do pós-guerra e chegaram a somar mais de 154 mil casas pelo país no auge, em 1981.

Rua de Ginza com uma tradicional casa de café (kissaten) japonesa

Ginza reúne diversas casas de café tradicionais, parte da mesma cultura kissaten do Café de l'Ambre

Setenta anos de continuidade

Ichiro Sekiguchi morreu em 2018, aos 104 anos, depois de décadas à frente do próprio balcão. A casa que abriu como um experimento entre amigos no pós-guerra segue funcionando no mesmo bairro de Ginza, mantendo o método artesanal de torra e maturação que a tornou referência obrigatória para quem estuda a história do café no Japão. Em meio às vitrines de luxo e às lojas de departamento que hoje dominam a região, o Café de l'Ambre permanece como um dos poucos lugares de Tóquio onde é possível provar, na mesma xícara, o sabor de décadas de espera.

Onde fica

  • Café de l'Ambre Cafeteria
    Café de l'Ambre, Ginza, Tóquio, Japão

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Confeitaria Colombo: os espelhos belle époque que testemunharam mais de 130 anos do Rio

Fachada da Confeitaria Colombo, no centro do Rio de Janeiro

Foto: Wikimedia Commons

Fundada em 1894 por dois imigrantes portugueses no centro do Rio de Janeiro, a Confeitaria Colombo é considerada uma das casas mais importantes da chamada belle époque carioca — período do início do século XX marcado pela influência de estilos europeus na arquitetura e nos costumes da elite brasileira. Mais de 130 anos depois, a confeitaria segue funcionando praticamente no mesmo espaço, com boa parte da decoração original preservada.

Espelhos belgas e jacarandá

O salão principal é dominado por grandes espelhos importados da Bélgica e móveis de jacarandá entalhados, criando um ambiente que remete diretamente ao esplendor arquitetônico do início do século XX no Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil e centro do poder político e econômico do país.

Point da elite carioca da República Velha

Durante as primeiras décadas do século XX, a Colombo se tornou point de encontro da elite política, artística e intelectual carioca, incluindo presidentes da República e escritores como Machado de Assis, que teria sido cliente frequente da casa nos últimos anos de sua vida. A localização central, perto de teatros e prédios do poder público da época, ajudou a consolidar esse status.

Interior histórico da Confeitaria Colombo

Os espelhos belgas e o mobiliário de jacarandá preservam o estilo belle époque original.

Uma filial dentro do Jardim Botânico

Além da unidade histórica no centro, a Colombo abriu décadas depois uma filial dentro do Real Gabinete Português de Leitura e, mais notavelmente, um espaço dentro do Jardim Botânico do Rio, instalado num pavilhão de vidro que reproduz o estilo arquitetônico da casa original, cercado por vegetação — uma versão mais intimista da experiência Colombo.

Vista da Confeitaria Colombo no centro do Rio

A confeitaria fica a poucos passos de outros marcos históricos do centro carioca.

Dicas para a visita

Vale reservar tempo para subir ao andar superior, onde funciona um restaurante com vista para o salão principal, e observar os detalhes arquitetônicos com calma. A Colombo fica próxima a outros pontos históricos do centro do Rio, como o Theatro Municipal e o Paço Imperial, facilitando incluir a visita num roteiro mais amplo pelo centro histórico da cidade.

Onde fica

  • Confeitaria Colombo Cafeteria
    Rua Gonçalves Dias, 32, Centro, Rio de Janeiro - RJ

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📍 Filadélfia

Independence Hall: a sala onde nasceram a Declaração de Independência e a Constituição dos EUA

Fachada de tijolos vermelhos e torre branca do Independence Hall, na Filadélfia

Foto: Wikimedia Commons

Na esquina da Chestnut Street com a Quinta Avenida, no centro histórico da Filadélfia, um edifício georgiano de tijolos vermelhos e torre branca guarda, atrás de portas simples de madeira, a sala onde dois dos documentos mais influentes da história moderna foram debatidos, votados e assinados. É ali, no Independence Hall, que nasceram tanto a Declaração de Independência dos Estados Unidos quanto a Constituição americana — dois textos separados por apenas onze anos, redigidos sob o mesmo teto e, segundo o relato de um dos presentes, sob o mesmo sol entalhado numa cadeira de espaldar alto.

De sede do governo colonial a palco da ruptura com a Inglaterra

O prédio não nasceu como monumento: foi erguido entre 1732 e 1756 para abrigar a Assembleia da Província da Pensilvânia. O conceito arquitetônico partiu do advogado Andrew Hamilton, então presidente da Assembleia, enquanto o mestre-de-obras Edmund Woolley desenhou os detalhes do estilo georgiano que o edifício mantém até hoje. Por quase quatro décadas, o chamado Pennsylvania State House cumpriu função burocrática comum, até que a tensão entre as treze colônias e a coroa britânica o transformou em palco de história.

A partir de maio de 1775, o Segundo Congresso Continental passou a se reunir na sala leste do térreo. Foi ali que, em 2 de julho de 1776, os delegados votaram pela ruptura formal com a Grã-Bretanha — e dois dias depois, em 4 de julho, aprovaram o texto final da Declaração de Independência, redigido majoritariamente por Thomas Jefferson. A data virou o feriado nacional americano, ainda que a assinatura do documento pela maioria dos delegados só tenha se completado em agosto daquele ano.

Fachada de tijolos vermelhos do Independence Hall, na Filadélfia

Independence Hall, na Filadélfia, sede da Declaração de Independência e da Constituição dos EUA

1787: os debates que resultaram na Constituição dos Estados Unidos

Onze anos depois de declarar a independência, o mesmo salão recebeu outro capítulo decisivo. Entre maio e setembro de 1787, delegados dos treze estados se reuniram na Convenção Constitucional para revisar os frágeis Artigos da Confederação — e acabaram redigindo, do zero, a Constituição dos Estados Unidos. George Washington presidiu as sessões, realizadas a portas fechadas e janelas trancadas para impedir vazamentos, num verão notoriamente quente na Filadélfia. O texto final foi assinado em 17 de setembro de 1787 por 39 dos 55 delegados presentes, estabelecendo os três poderes e o sistema de freios e contrapesos que o país usa até hoje.

Ao final dos trabalhos, o inventor e delegado Benjamin Franklin comentou sobre a cadeira usada por Washington durante os debates, decorada com um sol meio encoberto no horizonte. Segundo o registro de James Madison, Franklin disse que, ao longo da convenção, olhara várias vezes para aquele sol sem saber se nascia ou se punha — e que, com a Constituição assinada, finalmente sabia tratar-se de um sol nascente.

Marcos que transformaram o prédio em patrimônio da humanidade

  • 1732–1756: construção do edifício como sede da Assembleia da Pensilvânia.
  • 1776: aprovação da Declaração de Independência na sala leste do térreo.
  • 1787: assinatura da Constituição dos Estados Unidos, sob a presidência de George Washington.
  • 1948: criação do Independence National Historical Park pelo governo federal, incorporando o prédio e seu entorno.
  • 1979: Independence Hall se torna o primeiro local ligado à história dos Estados Unidos a integrar a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO.
Visitantes em frente ao Independence Hall, na Filadélfia

Fila de visitantes em frente ao Independence Hall

Hoje o acesso ao interior só é permitido em visitas guiadas gratuitas organizadas pelo National Park Service, com ingressos de horário marcado por causa da fila diária de visitantes em frente à fachada. Ao lado do prédio, no Liberty Bell Center, está exposto o outro símbolo do local: o sino que teria tocado para anunciar a primeira leitura pública da Declaração e que hoje exibe a rachadura que o silenciou de vez em 1846, depois de décadas de uso em cerimônias oficiais. É uma coincidência simbólica que o sino da liberdade tenha emudecido justamente quando o país que ajudou a anunciar já caminhava para sua maior crise interna, a Guerra Civil, que estourou quinze anos depois.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Aqui foi proclamada a independência de país mais poderoso do planeta.

Onde fica

  • Independence Hall Histórico
    Independence Hall, Chestnut Street, Filadélfia, Estados Unidos

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