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Rio Minho: o restaurante mais antigo do Rio de Janeiro ainda serve a sopa criada por um embaixador

Praça XV de Novembro, no Centro do Rio de Janeiro, onde fica o restaurante Rio Minho

Foto: Estela Neto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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São seis da tarde na Praça XV, no Centro do Rio, e um cheiro de caldo de peixe escapa por uma porta de madeira na Rua do Ouvidor. Do lado de dentro, garçons de paletó branco circulam entre toalhas engomadas e paredes com azulejos portugueses, servindo o mesmo prato que ambientava as mesas ali há mais de cem anos. É o Rio Minho, considerado o restaurante mais antigo em atividade ininterrupta da cidade, funcionando no mesmo endereço desde 1884.

Um sobrevivente da Rua do Ouvidor

O Rio Minho foi inaugurado por comerciantes portugueses no número 1 da Rua do Ouvidor — endereço que, com a renumeração da rua ao longo do século XX, corresponde hoje ao número 10, na esquina com a Praça XV de Novembro. Batizado em homenagem à província do Minho, no norte de Portugal, de onde vieram muitos de seus fundadores, o restaurante já teve diferentes donos ao longo de mais de 140 anos, mas nunca deixou de funcionar como restaurante — um recorde raro em uma região do Centro do Rio que viu desaparecer boa parte do comércio da era imperial e republicana.

A especialidade da casa sempre foi peixes e frutos do mar, num cardápio que atravessou o Império, a Proclamação da República e todas as reformas urbanas que remodelaram a Rua do Ouvidor — via que, no fim do século XIX, era o centro da vida elegante, política e boêmia da capital do país.

A sopa que virou lenda

Nenhum prato está mais associado ao Rio Minho do que a Sopa Leão Veloso. A receita nasceu no início do século XX a partir da experiência do diplomata Pedro Leão Velloso Neto (1887–1947), que, durante uma viagem à França, provou a bouillabaisse marselhesa e trouxe a ideia para o Rio de Janeiro. Adaptada pela cozinha do Rio Minho com peixes e frutos do mar locais, a sopa cremosa e encorpada recebeu o nome do embaixador e virou um clássico da gastronomia carioca, servida até hoje praticamente sem alterações na receita.

Retrato do Barão do Rio Branco, diplomata que frequentava o Rio Minho

O Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, tinha mesa cativa no Rio Minho.

Mesa de diplomatas e intelectuais

Por sua localização a poucos passos do antigo Ministério das Relações Exteriores e dos prédios públicos que cercavam a Praça XV, o Rio Minho tornou-se ponto de encontro de figuras da política e das letras desde o início do século XX. Entre os frequentadores mais célebres estão:

  • O Barão do Rio Branco, considerado o patrono da diplomacia brasileira, que tinha mesa cativa no restaurante e ali recebia colegas de trabalho e amigos;
  • O filólogo e lexicógrafo Antônio Houaiss, um dos frequentadores assíduos nas décadas seguintes;
  • Gerações de diplomatas do Itamaraty, que fizeram do salão uma extensão informal de suas reuniões de trabalho.
Sopa de peixes no estilo bouillabaisse, base da receita da Sopa Leão Veloso

A bouillabaisse marselhesa inspirou a criação da Sopa Leão Veloso.

O prédio onde o restaurante funciona também guarda parte dessa memória: o salão principal preserva móveis, azulejaria e uma atmosfera que remetem diretamente ao Rio de Janeiro do fim do século XIX, quando a Rua do Ouvidor concentrava confeitarias, livrarias e redações de jornal — um circuito que hoje sobrevive quase só em fotografias e nas paredes do Rio Minho. Reconhecido como parte do patrimônio histórico e cultural do Centro do Rio, o restaurante segue como um dos poucos elos ainda em funcionamento entre a cidade de hoje e a que existia antes das grandes reformas urbanas do início do século XX — prova de que, na culinária carioca, tradição e permanência também podem ser servidas à mesa.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Fundado em 1884, e ainda é o melhor lugar pra comer frutos do mar. A sopa leão veloso foi inventada lá.

Onde fica

  • Rio Minho Restaurante
    R. do Ouvidor, 10 - Centro, Rio de Janeiro - RJ, 20010-150

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Casa Batlló: a fachada ondulante de Gaudí no Passeig de Gràcia

No Passeig de Gràcia, a Casa Batlló impressiona com sua fachada ondulante, os balcões em forma de máscara e o telhado que lembra o dorso de um dragão. É uma das visitas mais marcantes do modernismo de Gaudí em Barcelona.

Fachada da Casa Batlló no Passeig de Gràcia, Barcelona

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Casa Batlló Ponto Turístico
    Passeig de Gràcia, 43, Barcelona, Espanha
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📍 Florença
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Trattoria Sostanza: a bistecca alla fiorentina que Florença serve desde 1869

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Fundada em 1869 por Pasquale Campolmi como taverna, adega e casa de secos e molhados, a Trattoria Sostanza está nas mãos da mesma família desde 1977 e preserva um ambiente que parece parado nos anos 1950, com móveis de madeira e mármore branco e paredes cobertas de fotos antigas.

Depois de 150 anos, a casa ainda é conhecida em Florença pelo apelido "Il Troia", herdado de um antigo cozinheiro, Guido Campolmi. É um dos últimos lugares da cidade onde a bistecca alla fiorentina é grelhada como era feita antigamente, e o outro prato mais pedido é o pollo al burro — peito de frango na manteiga, servido com uma torta de alcachofra.

Bistecca alla fiorentina, prato típico servido na Trattoria Sostanza

Foto: Thomas Oboe Lee, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Onde fica

  • Trattoria Sostanza Restaurante
    Via del Porcellana, 25r, 50123 Firenze FI, Itália
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📍 Bruges

O campanário de Bruges: 366 degraus, 47 sinos e 19 metros perdidos

O campanário medieval de Bruges visto da praça Markt

Foto: CEphoto, Uwe Aranas / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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Quem chega à Markt, a praça central de Bruges, encontra uma torre de tijolo que não disfarça nada do que passou. O campanário — Belfort, em neerlandês — está ali desde cerca de 1240. Desde então, perdeu a flecha duas vezes, encolheu dezenove metros e entortou 87 centímetros para leste. Não são defeitos escondidos por trás de um restauro caprichado: é a biografia da cidade escrita em altura.

A torre era o cofre da cidade

O campanário não foi construído como ornamento nem como mirante. Era, ao mesmo tempo, o alarme e o cofre de Bruges. Nos andares altos ficava a sala do tesouro, e o que ela guardava não era ouro: eram as cartas e os selos que provavam os privilégios comerciais da cidade. No século XIII, Bruges era uma das praças mercantis mais ricas da Europa, e esse direito existia em pergaminho. Perder os documentos era perder o direito de ser o que se era.

Foi quase o que aconteceu em 1280, quando um incêndio destruiu a metade superior da torre e consumiu o arquivo da cidade. A sala do tesouro sobreviveu como cômodo e hoje faz parte do percurso de visita, ao lado de cartas e selos medievais, do tambor de música e do teclado do carrilhão.

Duas flechas perdidas e nenhuma reposta

A torre foi crescendo em etapas. Entre 1483 e 1487 ganhou o andar octogonal que hoje remata o conjunto — a parte mais leve e mais rendilhada, visivelmente de outra época que a base maciça de tijolo. Em cima dele havia uma flecha de madeira.

Em 1493, um raio derrubou essa flecha e destruiu os sinos. Foi reconstruída, e a nova durou cerca de dois séculos e meio, até 1741, quando outro incêndio a consumiu. Dessa vez ninguém reergueu nada. Em 1822 acrescentaram no topo um parapeito de pedra vazada, em estilo neogótico, e a torre ficou assim: 83 metros, contra os 102 que já teve. Os dezenove metros que faltam são exatamente a altura das flechas que Bruges desistiu de repor.

Os 47 sinos

O carrilhão chegou no século XVI, e a partir de 1604 há registro do emprego anual de um carrilhonista — um cargo público, pago pela cidade, que existe até hoje. Em 1675 o instrumento tinha 35 sinos fundidos por Melchior de Haze. O incêndio de 1741 levou esse conjunto embora, e a reposição coube a Joris Dumery; 26 dos sinos que ele fundiu continuam em uso.

O carrilhão atual reúne 47 sinos, cerca de 27,5 toneladas de bronze no alto de uma torre que já se inclina para leste. Vão de peças de menos de um quilo ao bourdon, chamado Maria — também conhecido como Triomfklok —, que balança e toca em datas específicas, entre elas o aniversário do rei. Não é gravação nem automatismo: há alguém tocando um teclado de madeira com os punhos e os pés. Quem quiser ouvir, o carrilhão é tocado às quartas, aos sábados e aos domingos, das 11h ao meio-dia.

366 degraus

A subida é por uma escada em espiral estreita, de 366 degraus, sem elevador e sem atalho. No caminho passa-se pela antiga sala do tesouro e pela sala do mecanismo, onde o tambor de música gira e aciona os martelos. Lá em cima, a recompensa é a planta de Bruges inteira — a malha medieval, os canais, os telhados de tijolo — e, se a hora ajudar, os 47 sinos tocando a poucos metros da cabeça.

O campanário entrou na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1999, como parte do conjunto "Campanários da Bélgica e da França"; no ano seguinte, o centro histórico de Bruges foi inscrito como um todo. Para o público mais recente, porém, a torre é sobretudo o cenário do filme Na Mira do Chefe (2008), que se passa quase inteiro na cidade e termina onde era de esperar: nos 366 degraus.

Perguntas frequentes

Quantos degraus tem o campanário de Bruges? São 366 degraus até o topo, por uma escada em espiral estreita. Não há elevador.

Qual é a altura da torre? Hoje 83 metros. Antes de perder a última flecha, no incêndio de 1741, chegava a 102 metros.

Dá para ouvir o carrilhão sem subir? Dá. Os concertos são tocados às quartas, sábados e domingos, das 11h ao meio-dia, e ouvem-se da própria Markt.

A torre está mesmo torta? Está: a inclinação medida é de 87 centímetros para leste.

Onde fica

  • Belfort van Brugge (Campanário de Bruges) Ponto Turístico
    Markt 7, 8000 Brugge, Bélgica

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