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Antiga Confeitaria de Belém: a receita secreta do pastel de nata original, guardada desde 1837

Pastéis de Belém, o doce original criado na Antiga Confeitaria de Belém

Foto: Wikimedia Commons

No bairro de Belém, à beira do rio Tejo em Lisboa, uma confeitaria aberta em 1837 guarda uma das receitas mais bem protegidas de Portugal. A Antiga Confeitaria de Belém é a única autorizada a produzir o "pastel de Belém" original — o antecessor direto do que hoje o mundo inteiro conhece genericamente como pastel de nata, mas que só ganha esse nome específico quando feito fora da receita original da casa.

Uma receita nascida num mosteiro

A história do doce remonta ao vizinho Mosteiro dos Jerónimos, onde monges produziam pastéis de ovos como forma de aproveitar as gemas sobrando da clara usada para engomar hábitos religiosos — prática comum em conventos portugueses antes da extinção das ordens religiosas em 1834. Com o fechamento dos conventos, a receita foi vendida a um empresário local, que abriu a confeitaria bem ao lado do mosteiro em 1837.

Segredo guardado a sete chaves

A receita exata do pastel de Belém é conhecida por apenas um pequeno grupo de funcionários da "oficina do segredo", área da produção onde o creme é preparado sem a presença de outros trabalhadores ou visitantes. Essa tradição de sigilo, mantida por quase dois séculos, é parte do que diferencia oficialmente o pastel de Belém do pastel de nata genérico — todo pastel de Belém é um pastel de nata, mas nem todo pastel de nata pode se chamar pastel de Belém.

Pastéis de nata recém-assados em Belém

A massa folhada e o creme são preparados seguindo a receita original de 1837.

Milhares de pastéis por dia

A confeitaria produz atualmente milhares de pastéis por dia para dar conta da demanda de moradores locais e turistas, com fornos à vista que permitem observar parte do processo de produção, mesmo sem revelar os detalhes exatos da receita. O espaço combina diversos salões decorados com azulejos portugueses tradicionais, capazes de acomodar centenas de clientes simultaneamente.

Pastéis de Belém servidos com canela e açúcar

Tradicionalmente, o pastel é polvilhado com canela e açúcar de confeiteiro à mesa.

Dicas para a visita

As filas para levar pastéis para viagem costumam ser grandes, mas normalmente andam rápido; para comer no local, os salões internos raramente têm fila tão longa. O bairro de Belém também abriga o Mosteiro dos Jerónimos e o Padrão dos Descobrimentos, tornando fácil combinar a parada na confeitaria com um roteiro histórico mais amplo.

Onde fica

  • Antiga Confeitaria de Belém Cafeteria
    Rua de Belém 84-92, Lisboa, Portugal

Demel: a confeitaria imperial de Viena que disputou a receita da Sachertorte por décadas

Fachada da confeitaria Demel, em Viena

Foto: Wikimedia Commons

Na elegante Kohlmarkt, rua que leva diretamente ao Palácio de Hofburg, sede do poder dos Habsburgo em Viena, uma confeitaria fundada em 1786 carrega o título histórico de "Hofzuckerbäcker" — fornecedora oficial de doces da corte imperial austríaca. A Demel serviu gerações da família imperial e, mais de duzentos anos depois, segue sendo uma das confeitarias mais tradicionais da capital austríaca.

Fornecedora da corte dos Habsburgo

O título de fornecedora imperial, concedido formalmente no século XIX, significava que a Demel produzia doces diretamente para a corte, incluindo encomendas especiais para a imperatriz Elisabeth da Áustria, a famosa Sissi, que segundo relatos históricos apreciava especialmente as violetas cristalizadas produzidas pela casa.

A batalha judicial da Sachertorte

Um dos capítulos mais conhecidos da história da Demel envolve a Sachertorte, o bolo de chocolate com geleia de damasco criado por Franz Sacher em 1832. Após décadas de disputa sobre qual estabelecimento tinha direito ao título de "Original Sachertorte" — a Demel ou o Hotel Sacher —, um processo judicial que se arrastou por sete anos nas décadas de 1950 e 1960 finalmente decidiu a favor do Hotel Sacher, deixando a Demel autorizada a vender sua versão apenas como "Demel's Sachertorte", sem o termo "original".

Café da manhã servido na Demel

O café da manhã vienense clássico segue sendo uma das especialidades da casa.

Tradição da confeitaria vienense

A cultura das confeitarias e cafés vienenses, à qual a Demel pertence, foi reconhecida pela Unesco em 2011 como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, reconhecendo o papel histórico desses espaços como pontos de encontro social, artístico e intelectual na capital austríaca desde o século XIX.

Registro histórico da confeitaria Demel

A confeitaria mantém registros visuais de sua longa história desde o século XIX.

Dicas para a visita

Vale observar a vitrine de doces artesanais decorados à mão, uma tradição que a Demel preserva até hoje, com confeiteiros trabalhando à vista dos clientes em determinados horários. A proximidade com o Palácio de Hofburg e a Kohlmarkt, uma das ruas de compras mais elegantes de Viena, facilita incluir a parada num roteiro histórico pelo centro da cidade.

Onde fica

  • Demel Cafeteria
    Kohlmarkt 14, Viena, Áustria

Café Tortoni: o salão de 1858 que virou point de Borges e do tango em Buenos Aires

Interior histórico do Café Tortoni, em Buenos Aires

Foto: Wikimedia Commons

Na Avenida de Mayo, uma das ruas mais importantes do centro histórico de Buenos Aires, o Café Tortoni abriu em 1858 e reivindica o título de café mais antigo ainda em funcionamento na cidade. Inspirado nos grandes cafés parisienses do século XIX — inclusive batizado em homenagem a um café de Paris —, o Tortoni se tornou ao longo de mais de 160 anos um dos símbolos culturais mais importantes da capital argentina.

Point da vida intelectual portenha

Desde o início do século XX, o Tortoni atraiu escritores, pintores, músicos e políticos, consolidando-se como point central da vida cultural de Buenos Aires. O escritor Jorge Luis Borges, um dos nomes mais importantes da literatura argentina e mundial, era frequentador assíduo, assim como o poeta e diplomata mexicano Alfonso Reyes e diversos outros nomes da chamada geração literária do início do século XX.

Carlos Gardel e o tango

O Tortoni também tem ligação direta com a história do tango: Carlos Gardel, o mais célebre cantor do gênero, frequentava o café, e hoje o subsolo do estabelecimento abriga apresentações regulares de tango ao vivo, mantendo viva essa conexão entre o café e um dos símbolos culturais mais reconhecidos da Argentina no mundo.

Salão principal do Café Tortoni

O salão principal preserva vitrais, mármore e mobiliário de fins do século XIX.

Academia Nacional do Tango

No andar superior do prédio funciona a Academia Nacional del Tango, instituição dedicada a preservar e estudar a história do gênero musical — mais uma camada da relação profunda entre o Tortoni e a identidade cultural argentina, que vai muito além de simplesmente servir café e doces.

Interior decorado do Café Tortoni

Estátuas de bronze de frequentadores históricos, como Borges, decoram o salão.

Dicas para a visita

Vale reservar com antecedência para os espetáculos de tango no subsolo, que costumam esgotar rapidamente, especialmente em alta temporada turística. A localização na Avenida de Mayo facilita combinar a visita com um passeio até a Casa Rosada e a Plaza de Mayo, ambas a poucos minutos a pé.

Onde fica

  • Café Tortoni Cafeteria
    Avenida de Mayo 825, Buenos Aires, Argentina

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