Quem chega a Salzburgo vê a fortaleza antes de ver qualquer outra coisa. Ela ocupa o topo do Festungsberg, acima do centro histórico, e se estende por 250 metros de comprimento e até 150 de largura — é considerada um dos maiores castelos medievais da Europa e, segundo o turismo oficial da cidade, o maior castelo totalmente preservado da Europa Central. Mais de um milhão de pessoas sobem até lá por ano, o que a torna a atração mais visitada da Áustria fora de Viena.
Um arcebispo com medo do imperador
A construção começou em 1077, por ordem do arcebispo Gebhard. Era o auge da Querela das Investiduras, a disputa entre o papa e o imperador sobre quem nomeava bispos, e Gebhard estava do lado do papa. Salzburgo era governada por príncipes-arcebispos, que acumulavam poder religioso e político, e precisavam se proteger. A primeira fortificação era modesta: uma torre residencial cercada por um muro de madeira.
Nos séculos seguintes, cada arcebispo acrescentou alguma coisa — muralhas, torres, bastiões. A fortaleza ganhou a aparência que tem hoje por volta de 1500, sob Leonhard von Keutschach, que governou de 1495 a 1519. Ele foi quem mais deixou marcas no lugar, literalmente: seu brasão, um nabo branco sobre fundo preto, aparece até 58 vezes pelas paredes da fortaleza. A lenda local diz que, quando menino, ele ia mal na escola e um tio atirou um nabo nele; e o nabo acabou no brasão.
O único cerco, e a rendição sem luta
Em mais de 900 anos, a fortaleza foi sitiada uma única vez. Em 1525, durante a Guerra dos Camponeses, camponeses e mineiros revoltados cercaram o príncipe-arcebispo Matthäus Lang lá dentro de 5 de julho a 31 de agosto. Não conseguiram entrar. A frase que se repete em Salzburgo — "nunca foi tomada" — precisa de um asterisco: nas Guerras Napoleônicas, a guarnição entregou a fortaleza às tropas francesas sem lutar. Tomada à força, de fato, nunca foi.
Essa segurança ajudou a preservar o interior. Os aposentos do príncipe foram montados a partir de 1498. A sala mais famosa é a Goldene Stube, a "sala dourada", com o teto de madeira em caixotões salpicado de botões dourados que representam as estrelas do céu.
Um touro de 1502 e um trem de 1460
Keutschach também encomendou, em 1502, o Salzburger Stier, o "touro de Salzburgo": um órgão mecânico de tubos. O acorde em fá maior soa como um touro mugindo, e daí veio o nome. É o instrumento musical mecânico mais antigo ainda tocado com regularidade, segundo o turismo de Salzburgo. Ele toca todos os dias logo depois das 7h, 11h e 18h, em sequência ao carrilhão da cidade velha, e tem melodias compostas por Johann Eberlin e por Leopold Mozart, o pai de Wolfgang.
Outra peça rara é o Reisszug, um elevador de carga sobre trilhos que puxa mercadorias encosta acima. Matthäus Lang o descreveu em 1515, mas vestígios arqueológicos indicam que ele já existia por volta de 1460. É apontado como o funicular mais antigo preservado do mundo e ainda funciona, só para carga — visitante não sobe nele. Para os visitantes existe a FestungsBahn, inaugurada em 1892: são 191 metros de trilho, 99 metros de desnível e rampa de até 62%. Quem preferir pode subir a pé pela trilha que sai da cidade velha, em 15 a 20 minutos.
Lá em cima ficam ainda três museus: o da fortaleza, o de marionetes e o do Regimento Rainer, dedicado ao antigo regimento da cidade.
Perguntas frequentes
Quanto custa visitar a Fortaleza de Hohensalzburg? O ingresso básico custa € 14,20 e o completo, com todas as áreas internas, € 17,80. A fortaleza abre todos os dias do ano.
Precisa pegar o funicular? Não. A subida a pé leva de 15 a 20 minutos a partir do centro histórico. O funicular poupa a ladeira.
Quando ouvir o Salzburger Stier? Logo depois das 7h, 11h e 18h, dá para ouvir de vários pontos da cidade velha.



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