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A expedição de Hiram Bingham a Machu Picchu: a “descoberta” de 1911 e o século que levou para os artefatos voltarem ao Peru

Vista panorâmica das ruínas de Machu Picchu, no Peru

Foto: Wikimedia Commons

Por quase quatrocentos anos depois da conquista espanhola, uma das cidades mais impressionantes do império inca nunca esteve, de fato, "perdida". Famílias de agricultores quéchuas cultivavam havia gerações as antigas terraças de pedra empoleiradas entre duas montanhas dos Andes peruanos. O que faltava era o resto do mundo saber que aquilo existia — e foi um professor de Yale, em 24 de julho de 1911, quem transformou esse segredo local em uma das maiores sensações arqueológicas do século 20.

Um guia, dois fazendeiros e um menino descalço

Hiram Bingham III não era arqueólogo de formação: era professor assistente de história latino-americana em Yale e vinha ao Peru em busca de outra cidade perdida, Vilcabamba, o último refúgio dos incas contra os espanhóis. Sua Yale Peruvian Expedition, financiada pela própria universidade e pela National Geographic Society, avançava pelo vale do rio Urubamba quando Bingham conheceu Melchor Arteaga, um agricultor quéchua que morava na região havia toda a vida e vendia mantimentos a viajantes.

Arteaga sabia exatamente do que Bingham falava. Cansado da subida, repassou a tarefa de guiá-lo a dois moradores que já cultivavam as terraças no alto do morro havia anos: Toribio Richarte e Anacleto Álvarez. Foram eles, por sua vez, que confiaram a missão final a Pablito, filho de Richarte, um menino descalço de cerca de oito anos, que caminhou na frente de Bingham até os muros de pedra encobertos pela vegetação. A "descoberta científica" que entraria para os livros, portanto, começou como um favor entre vizinhos.

Hiram Bingham em Machu Picchu durante expedição de 1912

Hiram Bingham durante uma das expedições de escavação em Machu Picchu, por volta de 1912.

De achado obscuro a fenômeno mundial

Bingham entendeu rapidamente o valor do que tinha diante dos olhos. Voltou ao Peru com apoio de Yale e da National Geographic Society em 1912, 1914 e 1915 para mapear, fotografar e escavar o sítio. Em abril de 1913, a revista da National Geographic Society dedicou uma edição inteira a Machu Picchu, estampando cerca de 244 fotografias da expedição — um feito editorial inédito até então para a publicação e que projetou o nome de Bingham (e o de Machu Picchu) para o mundo.

O preço dessa fama, porém, recaiu sobre o próprio sítio. Durante as escavações, milhares de peças — cerâmicas, ossos humanos, restos de animais e objetos rituais — foram catalogadas e embarcadas para os Estados Unidos, com autorização do governo peruano da época, mas sob a promessa de que seriam devolvidas depois de estudadas. A promessa demorou quase um século para ser cumprida.

A dívida que levou cem anos para ser paga

Ao longo do século 20, o acervo retirado de Machu Picchu ficou guardado no Museu Peabody de História Natural, em Yale, alimentando um dos litígios culturais mais longos entre um país latino-americano e uma universidade norte-americana. O Peru reivindicava a posse; Yale alegava ter cumprido os termos originais da autorização. A disputa só começou a se resolver em novembro de 2010, quando as duas partes fecharam um acordo histórico para a devolução integral do material.

  • Dezembro de 2011: primeiro lote de peças, incluindo fragmentos cerâmicos e ossos, retorna ao Peru.
  • 2012: Yale devolve o restante do acervo em 127 caixas, transportadas a Cusco a bordo de um avião da Força Aérea Peruana.
  • 2015: Yale e a Universidade Nacional San Antonio Abad del Cusco inauguram um centro internacional conjunto para o estudo de Machu Picchu e da cultura inca.
Hiram Bingham em ruínas incas durante a expedição peruana de 1911

Bingham entre ruínas incas durante a mesma expedição de 1911 que o levou a Machu Picchu.

Hoje, os objetos reunidos por Bingham fazem parte das coleções do Museu Machu Picchu, em Cusco, administrado pela própria UNSAAC. O nome de Bingham segue ligado para sempre ao sítio — a estrada sinuosa que leva os ônibus até a entrada das ruínas se chama Hiram Bingham Highway —, mas a história por trás da fama é mais complicada do que a palavra "descoberta" sugere: antes de virar Patrimônio Mundial da UNESCO e um dos destinos mais visitados da América do Sul, Machu Picchu já era, para quem morava ali, simplesmente casa.

Onde fica

  • Sítio Arqueológico de Machu Picchu Histórico
    Machu Picchu, Cusco, Peru

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📍 Edimburgo

Castelo de Edimburgo: 26 cercos em cima de um vulcão de 350 milhões de anos

O Castelo de Edimburgo visto da esplanada

Foto: Daniel Kraft, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

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O Castelo de Edimburgo não foi construído numa colina: foi construído em cima de um vulcão. A rocha que sustenta as muralhas é um plugue vulcânico que se formou há cerca de 350 milhões de anos, no Carbonífero inferior, e cujo cume está a 130 metros acima do nível do mar. Tudo o que aconteceu ali em cima nos últimos mil anos aconteceu porque aquele bloco de basalto era, simplesmente, o lugar mais difícil de tomar em toda a região.

Difícil não quer dizer impossível. Uma pesquisa concluída em 2014 identificou 26 cercos ao castelo ao longo de seus 1.100 anos de história — o que o torna, provavelmente, o lugar mais sitiado da Grã-Bretanha e um dos mais sitiados do mundo.

A capela que sobreviveu a tudo

De todo o conjunto, o edifício mais antigo é também o menor: a Capela de Santa Margarida, do início do século XII, é considerada a construção mais antiga de Edimburgo. Ela atravessou incólume séculos de demolições, reconstruções e bombardeios que apagaram quase tudo o que havia em volta.

O resto do castelo é uma colagem de séculos diferentes. A Torre de David começou a ser erguida por volta de 1367, ainda estava incompleta quando David II morreu em 1371, e foi terminada por Roberto II ao longo daquela década. O Grande Salão já existia em 1458 e ganhou sua forma final no começo do século XVI, sob Jaime IV. E a Bateria Meia-Lua, o paredão curvo que qualquer visitante fotografa hoje, foi levantada depois do chamado Cerco Longo (1571–1573), por ordem do regente Morton — os historiadores a descrevem como uma fortificação de artilharia ineficaz e já desatualizada quando ficou pronta.

Também está ali Mons Meg, o canhão medieval entregue a Edimburgo em 1457. Ele passou décadas fora da Escócia e só foi devolvido pela Torre de Londres em 1829.

As joias que ninguém abriu por um século

A história mais estranha do castelo é a das Honras da Escócia — a coroa, o cetro e a espada de estado, as insígnias reais mais antigas ainda existentes nas Ilhas Britânicas. Depois da união dos parlamentos, elas foram guardadas numa sala do castelo, a Crown Room, que foi lacrada e simplesmente esquecida. Correu por gerações o boato de que os ingleses as tinham levado embora.

Em 1818, o escritor Walter Scott obteve autorização para arrombar a sala. As joias estavam lá, intactas, dentro de um baú. Foram postas em exposição pública logo depois, com ingresso de um xelim — e continuam em exibição no mesmo lugar até hoje.

O tiro da uma hora

Todo dia, às 13h, um disparo ecoa pela cidade. O One O'Clock Gun começou a ser disparado em 7 de junho de 1861 — no início, da Bateria Meia-Lua — como sinal sonoro de hora para a navegação no estuário do Forth. A ideia foi de um empresário de Edimburgo, John Hewat, que tinha ouvido um canhão parecido numa visita a Paris.

O tiro nasceu como remendo de um problema anterior. Desde 1852, uma bola de tempo no Monumento a Nelson, em Calton Hill, era baixada às 13h para que os navios acertassem seus cronômetros. Só que Edimburgo vive sob o haar, a névoa espessa que sobe do mar e some com a cidade por horas — e, no nevoeiro, a bola era invisível. O som resolvia o que a vista não alcançava. Um cabo de cerca de 1.280 metros ligava Calton Hill ao castelo para que os dois sinais fossem dados no mesmo instante. Hoje o canhão é disparado da Bateria de Mills Mount, seis dias por semana.

Perguntas frequentes

Qual é a construção mais antiga do castelo? A Capela de Santa Margarida, do início do século XII, tida como o edifício mais antigo de Edimburgo.

Quantas vezes o castelo foi sitiado? Vinte e seis vezes, segundo levantamento de 2014 que cobriu 1.100 anos de história do lugar.

É muito visitado? Sim. Em 2025 recebeu 2.044.963 visitantes, o que o coloca como a segunda atração mais visitada da Escócia.

Onde fica

  • Castelo de Edimburgo Histórico
    Castlehill, Edimburgo EH1 2NG, Escócia, Reino Unido

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Café Passeio: o café centenário dentro do primeiro jardim público de Fortaleza

Inaugurado em 1912 dentro do Passeio Público (Praça dos Mártires), o Café Passeio ocupa um quiosque histórico no primeiro jardim público de Fortaleza, criado em 1864. Hoje funciona como café e restaurante à sombra de árvores centenárias, com feijoada e chorinho ao vivo nos fins de semana.

Área externa do Café Passeio, com mesas ao ar livre dentro do Passeio Público em Fortaleza

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Café Passeio Cafeteria
    Praça dos Mártires (Passeio Público), Centro, Fortaleza, Brasil
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Flatiron Building: o triângulo de aço que mudou o skyline de Nova York

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Erguido em 1902 no cruzamento da Quinta Avenida com a Broadway, o Flatiron Building foi um dos primeiros arranha-céus de estrutura de aço da cidade.

Sua forma triangular estreita é um dos ângulos mais fotografados de Nova York.

Vista do Flatiron Building na Quinta Avenida, Manhattan

Foto: Christian David / Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): A praça aos pés do Flatiron, eventualmente tem uma feira muito atraente.

Onde fica

  • Flatiron Building Ponto Turístico
    175 Fifth Avenue, New York, USA
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