O Castelo de Edimburgo não foi construído numa colina: foi construído em cima de um vulcão. A rocha que sustenta as muralhas é um plugue vulcânico que se formou há cerca de 350 milhões de anos, no Carbonífero inferior, e cujo cume está a 130 metros acima do nível do mar. Tudo o que aconteceu ali em cima nos últimos mil anos aconteceu porque aquele bloco de basalto era, simplesmente, o lugar mais difícil de tomar em toda a região.
Difícil não quer dizer impossível. Uma pesquisa concluída em 2014 identificou 26 cercos ao castelo ao longo de seus 1.100 anos de história — o que o torna, provavelmente, o lugar mais sitiado da Grã-Bretanha e um dos mais sitiados do mundo.
A capela que sobreviveu a tudo
De todo o conjunto, o edifício mais antigo é também o menor: a Capela de Santa Margarida, do início do século XII, é considerada a construção mais antiga de Edimburgo. Ela atravessou incólume séculos de demolições, reconstruções e bombardeios que apagaram quase tudo o que havia em volta.
O resto do castelo é uma colagem de séculos diferentes. A Torre de David começou a ser erguida por volta de 1367, ainda estava incompleta quando David II morreu em 1371, e foi terminada por Roberto II ao longo daquela década. O Grande Salão já existia em 1458 e ganhou sua forma final no começo do século XVI, sob Jaime IV. E a Bateria Meia-Lua, o paredão curvo que qualquer visitante fotografa hoje, foi levantada depois do chamado Cerco Longo (1571–1573), por ordem do regente Morton — os historiadores a descrevem como uma fortificação de artilharia ineficaz e já desatualizada quando ficou pronta.
Também está ali Mons Meg, o canhão medieval entregue a Edimburgo em 1457. Ele passou décadas fora da Escócia e só foi devolvido pela Torre de Londres em 1829.
As joias que ninguém abriu por um século
A história mais estranha do castelo é a das Honras da Escócia — a coroa, o cetro e a espada de estado, as insígnias reais mais antigas ainda existentes nas Ilhas Britânicas. Depois da união dos parlamentos, elas foram guardadas numa sala do castelo, a Crown Room, que foi lacrada e simplesmente esquecida. Correu por gerações o boato de que os ingleses as tinham levado embora.
Em 1818, o escritor Walter Scott obteve autorização para arrombar a sala. As joias estavam lá, intactas, dentro de um baú. Foram postas em exposição pública logo depois, com ingresso de um xelim — e continuam em exibição no mesmo lugar até hoje.
O tiro da uma hora
Todo dia, às 13h, um disparo ecoa pela cidade. O One O'Clock Gun começou a ser disparado em 7 de junho de 1861 — no início, da Bateria Meia-Lua — como sinal sonoro de hora para a navegação no estuário do Forth. A ideia foi de um empresário de Edimburgo, John Hewat, que tinha ouvido um canhão parecido numa visita a Paris.
O tiro nasceu como remendo de um problema anterior. Desde 1852, uma bola de tempo no Monumento a Nelson, em Calton Hill, era baixada às 13h para que os navios acertassem seus cronômetros. Só que Edimburgo vive sob o haar, a névoa espessa que sobe do mar e some com a cidade por horas — e, no nevoeiro, a bola era invisível. O som resolvia o que a vista não alcançava. Um cabo de cerca de 1.280 metros ligava Calton Hill ao castelo para que os dois sinais fossem dados no mesmo instante. Hoje o canhão é disparado da Bateria de Mills Mount, seis dias por semana.
Perguntas frequentes
Qual é a construção mais antiga do castelo? A Capela de Santa Margarida, do início do século XII, tida como o edifício mais antigo de Edimburgo.
Quantas vezes o castelo foi sitiado? Vinte e seis vezes, segundo levantamento de 2014 que cobriu 1.100 anos de história do lugar.
É muito visitado? Sim. Em 2025 recebeu 2.044.963 visitantes, o que o coloca como a segunda atração mais visitada da Escócia.




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