O Greyfriars Kirkyard foi aberto em agosto de 1562, no terreno de um convento franciscano dissolvido, e desde então acumulou histórias que dariam para várias cidades. Foi ali, em 1638, que se assinou o Pacto Nacional escocês — o cemitério servia porque era um dos poucos lugares onde a lei permitia reunião pública livre.
Quatro décadas depois o mesmo terreno virou prisão. Após a batalha de Bothwell Bridge, em 1679, cerca de 1.200 prisioneiros covenanters foram mantidos num cercado improvisado ao sul do cemitério. Quando aquela área foi incorporada ao camposanto, por volta de 1700, o nome ficou: Covenanters' Prison.
Há ainda os mortsafes, gaiolas de ferro sobre os túmulos. Não eram enfeite: no início do século XIX, os ladrões de cadáveres abasteciam a escola de medicina de Edimburgo, e as famílias trancavam os mortos. Estão enterrados ali o geólogo James Hutton e o químico Joseph Black.
Mas o túmulo mais procurado é o de um vigia noturno da polícia chamado John Gray, morto em 15 de fevereiro de 1858 — e o motivo é o cachorro dele. Greyfriars Bobby, nascido em 4 de maio de 1855, teria passado 14 anos junto ao túmulo do dono, até morrer em 14 de janeiro de 1872. A raça é discutida: Skye terrier, dizia a tradição; um livro de 2022 defende que era mais provavelmente um Dandie Dinmont, porque havia mais criadores dessa raça em Edimburgo na época.
Em 1867, o lorde reitor Sir William Chambers — que também era diretor da sociedade escocesa de proteção aos animais — pagou do próprio bolso a licença de cão de Bobby e mandou fazer uma coleira para ele. A coleira está hoje no Museu de Edimburgo.
A estátua veio no ano da morte do cachorro: foi esculpida por William Brodie em 1872 e paga pela baronesa Burdett-Coutts. Fica no cruzamento da George IV Bridge com a Candlemaker Row, a poucos passos do portão do cemitério, e tem um título curioso — é a menor estrutura tombada de Edimburgo. O cemitério inteiro, com seus monumentos, é tombado na categoria A.






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