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📍 Cidade do Cabo

Robben Island: a ilha-prisão que guardou Nelson Mandela por 18 anos

Farol de Robben Island visto a partir de um mirante próximo à estrada, na Baía da Mesa, Cidade do Cabo

Foto: Wikimedia Commons

Robben Island tem menos de 8 quilômetros quadrados — pouco maior que o bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro — mas concentra quase quatro séculos de histórias de isolamento, banimento e resistência. Localizada na Baía da Mesa, a cerca de 7 km da costa da Cidade do Cabo, na África do Sul, a ilha é hoje um dos símbolos mais fortes da luta contra o apartheid e um Patrimônio Mundial da UNESCO.

Quase 400 anos de isolamento

Desde meados do século XVII, quando colonos holandeses começaram a usar a ilha para confinar escravizados, condenados e membros do povo khoikhoi que resistiam ao domínio colonial, Robben Island funcionou como um lugar para onde a sociedade mandava quem não queria por perto. Em 1846, o governo colonial britânico transformou o local em colônia de leprosos, somando um hospital para doentes crônicos e uma ala psiquiátrica feminina. Por quase um século, pessoas isoladas por doença viveram em barracos de pedra espalhados pela ilha, num regime que só terminou em 1931, quando o assentamento médico foi finalmente desativado.

Corredor de celas da Seção B da Prisão de Segurança Máxima de Robben Island

Seção B da Prisão de Segurança Máxima, onde Nelson Mandela cumpriu parte de sua pena.

A prisão que tentou calar o apartheid

Em 1961, o governo sul-africano converteu Robben Island em presídio de segurança máxima para opositores políticos do regime racista do apartheid. Ao longo das três décadas seguintes, mais de 3 mil prisioneiros políticos ligados ao Congresso Nacional Africano (ANC), ao Congresso Pan-Africanista e a outros movimentos foram enviados para lá, obrigados a trabalhos forçados em uma pedreira de calcário sob o sol implacável.

Nelson Mandela foi um deles: passou 18 dos seus 27 anos de prisão na ilha, entre 1964 e 1982, confinado na cela número 5 da Seção B — um espaço de apenas 2,4 por 2,1 metros, mobiliado com uma esteira fina para dormir e um balde como sanitário. Mandela não estava sozinho. Outros nomes centrais da resistência ao apartheid também foram presos ali, entre eles:

  • Walter Sisulu, um dos fundadores da Liga da Juventude do ANC;
  • Govan Mbeki, dirigente do Partido Comunista Sul-Africano e pai do futuro presidente Thabo Mbeki;
  • Ahmed Kathrada, condenado ao lado de Mandela no Julgamento de Rivonia;
  • Robert Sobukwe, fundador do Congresso Pan-Africanista, mantido em isolamento por anos além do fim de sua sentença.

De prisão a Patrimônio Mundial

Os últimos presos políticos deixaram a ilha em 1991, e o presídio foi definitivamente fechado em 1996, já no fim do regime do apartheid. No ano seguinte, em 1997, o governo sul-africano transformou o complexo no Robben Island Museum e o declarou monumento nacional. Em 1999, a UNESCO inscreveu a ilha na Lista do Patrimônio Mundial, descrevendo-a como um símbolo do "triunfo do espírito humano sobre a adversidade, o sofrimento e a injustiça".

Pátio interno da Seção B da Prisão de Segurança Máxima de Robben Island

Pátio da Seção B, onde Mandela cultivava um pequeno jardim entre os muros da prisão.

Hoje a visita começa no Nelson Mandela Gateway, no V&A Waterfront, área portuária revitalizada da Cidade do Cabo. Dali, uma balsa leva os visitantes em cerca de 30 minutos até a ilha, cruzando as mesmas águas que isolaram gerações de prisioneiros, leprosos e exilados — com a Table Mountain encolhendo no horizonte atrás do barco. Ex-prisioneiros políticos costumam atuar como guias, narrando em primeira pessoa o cotidiano atrás das grades. O passeio completo, incluindo o trajeto de ida e volta, dura em torno de três horas e meia — tempo suficiente para caminhar pela pedreira de calcário onde os presos trabalhavam sob sol forte, pela ala de celas e pelo pátio onde Mandela cultivava, escondido, um pequeno jardim de tomates e pimentões entre os muros da prisão.

Além do complexo prisional, a ilha ainda guarda vestígios de suas outras vidas: o cemitério dos internos da colônia de leprosos, a pequena escola primária erguida para os filhos dos guardas e funcionários, e um farol de 18 metros erguido em 1864 no ponto mais alto da ilha, convertido para eletricidade em 1938 e ainda em funcionamento — o único farol da costa sul-africana a operar com luz intermitente em vez de giratória. É esse conjunto de camadas — colônia penal, hospital, presídio político, farol, escola e, por fim, museu — que faz da pequena Robben Island um dos lugares mais densos de história de todo o continente africano.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Da mesma forma que, ao visitar San Francisco, visita-se Alcatraz, quem vai a Cidade do Cabo visita Robben Island. O museu conta mais um pouco da história. Vale a visita.

Onde fica

  • Robben Island Histórico
    Robben Island, Cidade do Cabo, África do Sul

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Pastéis de nata recém-assados, especialidade da Manteigaria

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Pastel de nata ou Pastel de Belém, qual o melhor? (Contém ironia)

Onde fica

  • Manteigaria Cafeteria
    R. de Sá da Bandeira 115, Porto, Portugal
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📍 Petra

Petra: a cidade cor-de-rosa que os nabateus esculpiram na rocha do deserto

Fachada de Al-Khazneh, o Tesouro de Petra, esculpida na rocha arenítica cor-de-rosa

Foto: Wikimedia Commons

No sul da Jordânia, entre montanhas de arenito que mudam de tom conforme a luz do sol, existe uma cidade inteira esculpida diretamente na rocha. Petra foi erguida pelos nabateus, um povo árabe nômade que se fixou na região por volta do século 6 a.C. e transformou o local em capital de um reino próspero. Fundada por volta de 312 a.C., a cidade cresceu graças à sua posição estratégica: ali cruzavam as rotas de caravanas que levavam incenso, especiarias e seda entre a Arábia, o Egito e a Síria. Hoje Petra é Patrimônio Mundial da UNESCO e uma das paradas mais procuradas do Oriente Médio, mas por séculos ela simplesmente desapareceu dos mapas ocidentais.

Uma cidade de mercadores no meio do deserto

Os nabateus não eram apenas comerciantes: eram também engenheiros hábeis em captar e armazenar água, o que permitiu que uma cidade de dezenas de milhares de habitantes prosperasse em pleno deserto. Represas, canais e cisternas escavados na rocha abasteciam Petra mesmo nas estações mais secas. O acesso à cidade se dá por um desfiladeiro estreito chamado Siq, uma fenda natural de mais de um quilômetro entre paredões que chegam a 80 metros de altura. É ao final desse corredor apertado que o visitante se depara de repente com Al-Khazneh, o Tesouro — a fachada mais famosa de Petra, com cerca de 40 metros de altura, esculpida diretamente na pedra arenítica rosada que dá à cidade seu apelido. Apesar do nome, o Tesouro nunca guardou riquezas: acredita-se que tenha sido construído no século 1 a.C. como mausoléu de um rei nabateu.

O Tesouro de Petra visto pela fenda estreita do Siq, o corredor de acesso à cidade

A primeira visão do Tesouro ao final do desfiladeiro do Siq

Roma chega, e a cidade começa a esvaziar

O reino nabateu manteve sua independência por séculos, negociando e às vezes enfrentando o Império Romano, até ser anexado pelos romanos em 106 d.C. e transformado na província da Arábia Pétrea. Com o tempo, as rotas comerciais marítimas passaram a competir com as caravanas terrestres, e Petra foi perdendo importância econômica. Um terremoto no século 4 e outro no século 8 danificaram estruturas da cidade, e aos poucos a população foi diminuindo até restarem apenas grupos beduínos que conheciam o local, mas mantinham sua localização em segredo dos viajantes europeus.

Redescoberta em 1812 e reconhecimento mundial

Foi só em 22 de agosto de 1812 que o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt voltou a apresentar Petra ao Ocidente. Disfarçado de viajante muçulmano e falando árabe fluentemente, ele convenceu um guia local a levá-lo até as ruínas sob o pretexto de fazer um sacrifício em um santuário próximo. O relato de Burckhardt despertou o interesse de arqueólogos e viajantes europeus, e ao longo do século 20 escavações revelaram templos, tumbas, um teatro romano esculpido na rocha para quase 4 mil espectadores e a monumental Ad-Deir, o Monastério — uma fachada ainda maior que a do Tesouro, com 45 metros de altura, situada no alto de uma trilha íngreme nas montanhas que cercam a cidade.

Fachada de Ad-Deir, o Monastério de Petra, no alto das montanhas da cidade

Ad-Deir, o Monastério, no alto das montanhas de Petra

Em 1985, a UNESCO declarou Petra Patrimônio Mundial da Humanidade, descrevendo-a como "um dos bens culturais mais preciosos do patrimônio da humanidade". Em 2007, a cidade foi eleita uma das novas Sete Maravilhas do Mundo em uma votação popular internacional. Hoje, arqueólogos estimam que apenas uma pequena fração de Petra foi escavada — a maior parte da antiga cidade nabateia ainda permanece soterrada sob a areia do deserto jordaniano, à espera de ser revelada.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Nomeada pelos Gregos, Petra é uma cidade de cair o queixo, pois foi inteiramente esculpida na pedra de cima para baixo.

Onde fica

  • Petra (Al-Khazneh e Ad-Deir) Histórico
    30°19'44" N, 35°26'41" E

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É uma experiência mais longa, pensada pra noite inteira — vale reservar com antecedência.

Interior decorado do GOLD Restaurant em Green Point, Cidade do Cabo

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Experiência cultural inesquecível.

Onde fica

  • GOLD Restaurant Restaurante
    GOLD Restaurant, Bennett Street, Green Point, Cidade do Cabo, África do Sul
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