Cercada por casarões históricos e pela New York University, a Washington Square Park é uma das praças mais vivas de Manhattan.
O arco de mármore na entrada norte é um dos cartões-postais mais conhecidos de Greenwich Village.
Estados Unidos
Cercada por casarões históricos e pela New York University, a Washington Square Park é uma das praças mais vivas de Manhattan.
O arco de mármore na entrada norte é um dos cartões-postais mais conhecidos de Greenwich Village.
Foto: Wikimedia Commons
Espanha
Foto: Wikimedia Commons
A poucos passos da badalada Rambla, no centro de Barcelona, um bar pequeno e elegante guarda o título de coquetelaria mais antiga da cidade. O Boadas abriu em 1933, fundado por Miquel Boadas, bartender catalão que havia se formado no ofício em Cuba, trabalhando justamente no lendário El Floridita, em Havana — mesmo bar que décadas depois ficaria famoso pela relação com Ernest Hemingway.
Essa formação cubana deixou marcas diretas na filosofia do Boadas: coquetéis preparados com técnica clássica, atenção ao gelo e uma ênfase em rum e outras bases usadas tradicionalmente na coquetelaria caribenha, incorporadas ao repertório europeu de bebidas. O bar se tornou uma espécie de embaixada cultural entre as tradições cubana e catalã de fazer drinques.
Depois de Miquel Boadas, o bar passou para as mãos de sua filha, Maria Dolores Boadas, uma das primeiras mulheres a se destacar como bartender profissional na Espanha, reconhecida internacionally por sua técnica de preparar coquetéis "a duas mãos", jogando o líquido entre duas coqueteleiras sem derramar uma gota — uma habilidade que se tornou marca registrada da casa.
O balcão em formato de ferradura remete ao design original de 1933.
Ao longo do século XX, o Boadas recebeu artistas como o pintor Joan Miró e o escritor Ernest Hemingway (durante suas passagens por Barcelona), consolidando-se como point da vida boêmia e cultural catalã, num período em que a cidade vivia intensa efervescência artística entre as décadas de 1930 e 1950.

Placas e detalhes originais marcam os mais de 90 anos de história do bar.
O Boadas é pequeno e costuma ficar cheio no fim da tarde e à noite, então chegar mais cedo ajuda a garantir lugar no balcão, o melhor ponto para observar os bartenders trabalhando. A localização, bem na entrada da Rambla, torna fácil encaixar uma parada no bar antes ou depois de explorar o Bairro Gótico.
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Portugal
Lisboa
Foto: Wikimedia Commons
Em 19 de novembro de 1905, um comerciante chamado Adriano Telles abriu as portas de uma loja na Rua Garrett, no Chiado, para vender "café genuinamente brasileiro" trazido de Minas Gerais. Para atrair fregueses, Telles oferecia uma xícara grátis a quem comprasse um quilo do grão moído — e foi ali, nesse balcão, que Lisboa provou pela primeira vez a bica: uma dose curta e forte de café, servida na época acompanhada de leite de cabra fresco vindo das quintas vizinhas. Mais de um século depois, o Café A Brasileira segue no mesmo endereço, um dos três cafés mais antigos da cidade ainda em atividade.
Antes de virar dono de café em Lisboa, Adriano Soares Telles do Valle (1859-1932), natural de Alvarenga, embarcou para o Brasil em 1872, ainda adolescente. Lá se casou com a filha de um dos maiores produtores de café de Minas Gerais e prosperou como agricultor e comerciante, chegando a fundar uma rede de lojas batizada "Ao Preço Fixo", que reunia desde casa de câmbio a comércio geral. A doença da esposa o trouxe de volta a Portugal; ela não resistiu, mas Telles ficou e transformou a experiência mineira em negócio: passou a importar café brasileiro em grande escala e, a partir da loja do Chiado — que antes vendia camisas —, expandiu a marca A Brasileira também para Coimbra, Braga, Porto e Sevilha, sempre com a mesma isca comercial: café grátis por xícara a quem comprasse o produto embalado.
O projeto original da fachada e da decoração interior ficou a cargo do arquiteto Manuel Norte Júnior, que seguiu o gosto parisiense então em voga — espelhos, painéis de madeira trabalhada e uma atmosfera de outra época. Décadas depois, uma reforma assinada pelo arquiteto José Pacheco deu ao espaço contornos Art Déco: entrada em verde e dourado, paredes espelhadas, ferragens em latão, um longo balcão de carvalho e reservados de madeira que até hoje estruturam o salão. Em 1997, o imóvel foi classificado como imóvel de interesse público, reconhecimento formal do papel que ocupa na paisagem urbana de Lisboa.
O salão interior preserva espelhos, madeira trabalhada e ferragens de latão de sucessivas reformas.
Foi nesse salão que o café se tornou palco de tertúlias literárias e artísticas nas primeiras décadas do século XX. Fernando Pessoa era cliente frequente, ao lado de nomes como Jorge Barradas e Almada Negreiros, discutindo poesia e modernismo entre uma bica e outra. A associação entre o poeta e a casa ficou tão forte que, em 1988, foi inaugurada na calçada em frente uma estátua em bronze de Pessoa, obra do escultor Lagoa Henriques: o poeta sentado a uma mesa de esplanada, chapéu na cabeça, mão pousada sobre o tampo e olhar perdido no horizonte. A escultura se tornou um dos pontos mais fotografados do Chiado, disputando espaço com turistas que se sentam ao lado para uma foto.
A origem exata do termo ainda divide os lisboetas. Uma explicação liga o nome ao jato de café caindo da máquina para a xícara, como uma bica d'água ou fonte. Outra, mais popular e provavelmente lendária, defende que "bica" seria um acrônimo de "beba isto com açúcar", frase que Telles teria usado para convencer os primeiros clientes a experimentar a bebida forte e amarga vinda do Brasil. Seja qual for a origem real, o nome pegou e se espalhou por Lisboa muito além das paredes do Chiado, virando sinônimo local de café expresso.
O Café A Brasileira permanece em atividade no mesmo endereço da Rua Garrett desde 1905.
Mais de cem anos depois de Adriano Telles servir a primeira bica no balcão da Rua Garrett, o Café A Brasileira segue como um dos endereços mais visitados de Lisboa — não apenas pelo café, mas pelo peso simbólico de ter sido, por décadas, o escritório informal de um dos maiores poetas da língua portuguesa.
📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Famoso pelo pastel de belém ou pastel de nata?
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África do Sul
Foto: Wikimedia Commons
Robben Island tem menos de 8 quilômetros quadrados — pouco maior que o bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro — mas concentra quase quatro séculos de histórias de isolamento, banimento e resistência. Localizada na Baía da Mesa, a cerca de 7 km da costa da Cidade do Cabo, na África do Sul, a ilha é hoje um dos símbolos mais fortes da luta contra o apartheid e um Patrimônio Mundial da UNESCO.
Desde meados do século XVII, quando colonos holandeses começaram a usar a ilha para confinar escravizados, condenados e membros do povo khoikhoi que resistiam ao domínio colonial, Robben Island funcionou como um lugar para onde a sociedade mandava quem não queria por perto. Em 1846, o governo colonial britânico transformou o local em colônia de leprosos, somando um hospital para doentes crônicos e uma ala psiquiátrica feminina. Por quase um século, pessoas isoladas por doença viveram em barracos de pedra espalhados pela ilha, num regime que só terminou em 1931, quando o assentamento médico foi finalmente desativado.
Seção B da Prisão de Segurança Máxima, onde Nelson Mandela cumpriu parte de sua pena.
Em 1961, o governo sul-africano converteu Robben Island em presídio de segurança máxima para opositores políticos do regime racista do apartheid. Ao longo das três décadas seguintes, mais de 3 mil prisioneiros políticos ligados ao Congresso Nacional Africano (ANC), ao Congresso Pan-Africanista e a outros movimentos foram enviados para lá, obrigados a trabalhos forçados em uma pedreira de calcário sob o sol implacável.
Nelson Mandela foi um deles: passou 18 dos seus 27 anos de prisão na ilha, entre 1964 e 1982, confinado na cela número 5 da Seção B — um espaço de apenas 2,4 por 2,1 metros, mobiliado com uma esteira fina para dormir e um balde como sanitário. Mandela não estava sozinho. Outros nomes centrais da resistência ao apartheid também foram presos ali, entre eles:
Os últimos presos políticos deixaram a ilha em 1991, e o presídio foi definitivamente fechado em 1996, já no fim do regime do apartheid. No ano seguinte, em 1997, o governo sul-africano transformou o complexo no Robben Island Museum e o declarou monumento nacional. Em 1999, a UNESCO inscreveu a ilha na Lista do Patrimônio Mundial, descrevendo-a como um símbolo do "triunfo do espírito humano sobre a adversidade, o sofrimento e a injustiça".
Pátio da Seção B, onde Mandela cultivava um pequeno jardim entre os muros da prisão.
Hoje a visita começa no Nelson Mandela Gateway, no V&A Waterfront, área portuária revitalizada da Cidade do Cabo. Dali, uma balsa leva os visitantes em cerca de 30 minutos até a ilha, cruzando as mesmas águas que isolaram gerações de prisioneiros, leprosos e exilados — com a Table Mountain encolhendo no horizonte atrás do barco. Ex-prisioneiros políticos costumam atuar como guias, narrando em primeira pessoa o cotidiano atrás das grades. O passeio completo, incluindo o trajeto de ida e volta, dura em torno de três horas e meia — tempo suficiente para caminhar pela pedreira de calcário onde os presos trabalhavam sob sol forte, pela ala de celas e pelo pátio onde Mandela cultivava, escondido, um pequeno jardim de tomates e pimentões entre os muros da prisão.
Além do complexo prisional, a ilha ainda guarda vestígios de suas outras vidas: o cemitério dos internos da colônia de leprosos, a pequena escola primária erguida para os filhos dos guardas e funcionários, e um farol de 18 metros erguido em 1864 no ponto mais alto da ilha, convertido para eletricidade em 1938 e ainda em funcionamento — o único farol da costa sul-africana a operar com luz intermitente em vez de giratória. É esse conjunto de camadas — colônia penal, hospital, presídio político, farol, escola e, por fim, museu — que faz da pequena Robben Island um dos lugares mais densos de história de todo o continente africano.
📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Da mesma forma que, ao visitar San Francisco, visita-se Alcatraz, quem vai a Cidade do Cabo visita Robben Island. O museu conta mais um pouco da história. Vale a visita.
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