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Torre de Londres: a fortaleza que guarda as Joias da Coroa e uma lenda de corvos

Vista da Torre de Londres às margens do rio Tâmisa

Foto: Wikimedia Commons

Sete corvos vivem hoje dentro dos muros da Torre de Londres, alimentados e cuidados por um funcionário com o cargo oficial de Ravenmaster. Segundo a lenda, se os corvos deixarem a fortaleza, ela cairá — e o reino junto com ela. Na Segunda Guerra Mundial, um bombardeio alemão matou quase todas as aves, deixando apenas uma viva, e Winston Churchill teria ordenado que o grupo fosse reposto às pressas. É só uma história entre as centenas que essa construção de quase mil anos acumulou.

Uma fortaleza normanda no coração de Londres

A Torre de Londres começou a ser erguida pouco depois da conquista normanda de 1066, quando Guilherme, o Conquistador, precisava deixar clara sua autoridade sobre uma cidade recém-subjugada. Por volta de 1078, ele ordenou a construção da Torre Branca (White Tower), o núcleo original do complexo, com blocos de pedra calcária trazidos de Caen, na Normandia. A torre chega a cerca de 27 metros de altura e, por séculos, foi a estrutura mais imponente e ameaçadora que os londrinos podiam ver do outro lado do rio Tâmisa.

Ao longo dos séculos seguintes, monarcas sucessivos expandiram o complexo, que passou a ocupar cerca de 12 acres às margens do rio. A Torre de Londres nunca teve uma única função: foi residência real, arsenal, casa da moeda (Royal Mint), zoológico real (menagerie) com leões e ursos polares recebidos como presentes diplomáticos, e, principalmente, prisão de estado.

Entrada da exposição das Joias da Coroa na Torre de Londres

Entrada da exposição das Joias da Coroa, guardadas na Torre desde o século 17

Prisioneiros, rainhas e execuções

Nenhuma outra construção na Inglaterra concentra tantas histórias de queda de poder. Quatro rainhas inglesas foram presas na Torre, e três delas foram decapitadas ali mesmo, na Tower Green: Ana Bolena, segunda esposa de Henrique VIII, executada em 1536 sob acusações de adultério e traição hoje consideradas fabricadas; Catarina Howard, quinta esposa do mesmo rei; e Jane Grey, que reinou por apenas nove dias em 1553. Outros nomes famosos passaram pelas celas da Torre, como o estadista Thomas More, o explorador Sir Walter Raleigh e Guy Fawkes, capturado após a tentativa de explodir o Parlamento em 1605.

As Joias da Coroa e o status atual

Depois da Restauração da monarquia em 1660, um novo conjunto de Joias da Coroa foi criado em 1661 — as peças originais haviam sido derretidas ou vendidas durante o período republicano de Oliver Cromwell. Esse conjunto, com peças como a Coroa de Santo Eduardo e a Coroa Imperial do Estado, reúne hoje 23.578 pedras preciosas e continua guardado na Torre, protegido dentro da Waterloo Barracks. Em 1988, a Torre de Londres foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO, que destacou o conjunto como um dos exemplos mais completos de arquitetura militar normanda ainda em pé.

Um dos corvos que vivem na Torre de Londres

Os corvos residentes são cuidados por um Yeoman Warder com o título oficial de Ravenmaster

Quase mil anos depois de Guilherme ordenar as primeiras pedras, a Torre de Londres segue como um símbolo ambíguo: ao mesmo tempo palácio e masmorra, tesouro e cadafalso. Poucos monumentos no mundo carregam de forma tão literal a história de um país inteiro dentro dos próprios muros.

Onde fica

  • Torre de Londres Histórico
    Torre de Londres, Tower Hill, Londres, Reino Unido

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Fachada da Livraria Lello, no Porto

Foto: Wikimedia Commons

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Onde fica

  • Livraria Lello Ponto Turístico
    R. das Carmelitas 144, 4050-161 Porto, Portugal
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Vista da área verde do Bosque da Ciência do INPA em Manaus

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Bosque da Ciência (INPA) Ponto Turístico
    Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, Amazonas, Brasil
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📍 Pequim

Muralha da China: mais de dois mil anos construindo a maior estrutura defensiva do mundo

Trecho de Badaling da Muralha da China

Foto: Wikimedia Commons

Diferente do que muita gente imagina, a Muralha da China não foi construída de uma só vez nem por uma única dinastia — é, na verdade, um conjunto de muralhas erguidas, reformadas e conectadas ao longo de mais de dois mil anos, começando ainda no século VII a.C. e ganhando a forma mais conhecida hoje durante a dinastia Ming, entre os séculos XIV e XVII. Estima-se que a extensão total de todos os trechos já construídos ultrapasse 21 mil quilômetros.

Unificada pelo primeiro imperador

O primeiro grande esforço de unificação de muralhas já existentes aconteceu sob o comando de Qin Shi Huang, o primeiro imperador de uma China unificada, no século III a.C. Nesse período, trechos construídos separadamente por diferentes reinos em guerra foram conectados numa linha defensiva contra invasões de povos nômades do norte, com um custo humano altíssimo — registros históricos indicam que centenas de milhares de trabalhadores, muitos deles forçados, morreram durante a construção.

Badaling, o trecho mais visitado

O trecho de Badaling, a cerca de 70 quilômetros de Pequim, foi reconstruído durante a dinastia Ming como parte do sistema defensivo mais próximo da capital e é hoje o segmento mais visitado por turistas, tanto pela proximidade com Pequim quanto pelo bom estado de conservação. As torres de vigia espaçadas ao longo do trajeto eram usadas para comunicação por sinais de fumaça, permitindo alertar rapidamente sobre movimentações inimigas ao longo de toda a extensão da muralha.

Torres de vigia ao longo da Muralha da China

As torres de vigia serviam para comunicação por sinais de fumaça entre diferentes pontos da muralha.

Um mito sobre visibilidade do espaço

Uma das lendas mais repetidas sobre a Muralha da China é a de que ela seria visível a olho nu do espaço — informação hoje desmentida por astronautas e pela própria Nasa, já que a largura da estrutura é pequena demais para ser distinguida a olho nu de órbita, mesmo sendo tão extensa em comprimento.

Vista da Muralha da China serpenteando pelas montanhas

A muralha acompanha o relevo montanhoso ao norte da China por milhares de quilômetros.

Dicas para a visita

Badaling costuma ficar extremamente cheio nos fins de semana e feriados chineses — trechos alternativos como Mutianyu, um pouco mais distantes de Pequim, costumam ser opções mais tranquilas para quem prioriza uma experiência menos concorrida. Vale levar água e protetor solar, já que boa parte do trajeto não tem sombra e envolve subidas íngremes por escadas de pedra.

Onde fica

  • Muralha da China (Badaling) Histórico
    Badaling, Pequim, China

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