No bairro da Várzea, cercado por um dos últimos fragmentos de Mata Atlântica preservada dentro do perímetro urbano de Recife, ergue-se um castelo com torres, arcos e ameias que lembra as fortalezas medievais europeias. Não é réplica de cenário nem construção antiga: o Instituto Ricardo Brennand foi inaugurado em 2002 para abrigar a coleção particular de um só homem, reunida ao longo de mais de setenta anos.
Um colecionador que começou aos sete anos
Ricardo Coimbra de Almeida Brennand nasceu em Pernambuco em 1927 e ganhou o primeiro item de sua futura coleção — um canivete — do tio, ainda criança. Formou-se engenheiro pela Universidade Federal de Pernambuco em 1949 e construiu carreira à frente de empresas da família ligadas a vidro, aço, cerâmica, cimento, porcelana e açúcar. Em 1999, após vender as fábricas de cimento do grupo, usou parte dos recursos para erguer, em terras de um antigo engenho, o instituto cultural sem fins lucrativos que hoje leva seu nome.

O conjunto arquitetônico, conhecido como Castelo Brennand, reúne museu, pinacoteca e jardim de esculturas.
Um castelo de estilo Tudor em pleno Nordeste
Batizado informalmente de Castelo Brennand, o conjunto reúne o Museu Castelo São João, a Pinacoteca, os Jardins das Esculturas e a Biblioteca José Antônio Gonsalves de Mello, todos com torres, arcos e detalhes em cerâmica que remetem ao gótico Tudor, estilo tardio da arquitetura medieval inglesa de origem galesa. A propriedade ocupa uma área de cerca de 77.600 metros quadrados, boa parte dela tomada por reserva de mata preservada — um contraste deliberado entre a arquitetura europeia e a paisagem tropical que a envolve.
Frans Post, armaduras e a espada de um rei egípcio
A Pinacoteca do instituto abriga a maior coleção particular do mundo de obras do pintor holandês Frans Post, que retratou paisagens do Brasil durante o período do domínio neerlandês sob o conde Maurício de Nassau, no século XVII. Já o acervo de armas brancas e armaduras europeias reúne entre três e quatro mil peças produzidas entre os séculos XVI e XIX, incluindo um conjunto completo de armadura maximiliana para cavalo e cavaleiro de cerca de 1515, uma espada-pistola alemã de 1590 e espadas que pertenceram ao rei Farouk, do Egito, além de armas associadas aos imperadores brasileiros Dom Pedro I e Dom Pedro II.
O portão principal dá acesso aos jardins que cercam o museu, na Várzea, zona oeste de Recife.
Visitação
O instituto funciona de terça a domingo, das 13h às 17h, com ingresso pago — na última terça-feira de cada mês, a entrada é gratuita. Hoje é tratado como um dos principais pontos turísticos e culturais de Pernambuco, citado com frequência como um dos maiores acervos particulares de armas brancas do mundo aberto ao público, e segue funcionando como espaço de pesquisa e conservação além de museu de visitação.