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Rules: dentro do restaurante mais antigo de Londres, aberto desde 1798

Fachada do restaurante Rules, em Covent Garden, Londres

Foto: Ewan-M / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

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Perto do movimentado mercado de Covent Garden, um restaurante de fachada discreta guarda mais de 225 anos de história gastronômica londrina. O Rules abriu em 1798, fundado por Thomas Rule, e reivindica o título de restaurante mais antigo de Londres ainda em funcionamento — atravessou o reinado de nove monarcas britânicos sem nunca fechar as portas definitivamente.

Point de escritores e realeza

Ao longo de mais de dois séculos, o Rules acumulou uma lista de frequentadores ilustres: os escritores Charles Dickens e Arthur Conan Doyle eram clientes (o restaurante aparece, inclusive, em histórias de Sherlock Holmes), assim como o futuro rei Eduardo VII, que se encontrava reservadamente no restaurante com a atriz Lillie Langtry no fim do século XIX, numa sala que até hoje leva o nome do relacionamento discreto.

Tradição em caça e pratos britânicos

O Rules é especialmente conhecido por servir caça (game) — carnes como veado, lebre e diferentes aves silvestres — trazida de uma propriedade rural própria no norte da Inglaterra durante a temporada de caça britânica, que vai tipicamente de agosto a fevereiro. Pratos como torta de rim e carne (steak and kidney pie) e pudim completam um cardápio que preserva receitas clássicas da culinária britânica raramente encontradas com esse nível de tradição em outros restaurantes da capital.

Praça de Covent Garden, em Londres

O Rules fica a poucos passos da movimentada praça de Covent Garden.

Decoração de outra época

O interior do restaurante preserva paredes cobertas de caricaturas, pinturas de caça e fotografias de mais de um século, criando um ambiente que parece intencionalmente parado no tempo eduardiano. A decoração por si só já é considerada parte da experiência, funcionando quase como uma pequena galeria histórica dentro do próprio restaurante.

Movimento na praça de Covent Garden

A região de Covent Garden combina teatros, lojas e restaurantes históricos.

Dicas para a visita

Por ficar numa das áreas mais turísticas de Londres, reservar com antecedência é recomendado, especialmente durante a temporada de caça (agosto a fevereiro), quando o cardápio de pratos sazonais atrai ainda mais clientes. Vale aproveitar a proximidade com os teatros do West End para combinar o jantar com um espetáculo.

Onde fica

  • Rules Restaurant Restaurante
    35 Maiden Lane, Londres, Reino Unido

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📍 Dica rápida

Casa de Santos Dumont: a Encantada, onde a escada obriga você a começar com o pé certo

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Em 1918, Alberto Santos Dumont construiu em Petrópolis uma casa pequena, numa encosta, com a ajuda do engenheiro Eduardo Pederneiras. Ele a chamou de A Encantada, e a rua acabou virando Rua do Encanto. É a casa de um inventor, e isso aparece em cada detalhe.

A mais famosa é a escada. Os degraus são recortados de forma alternada: na escada externa, só dá para começar a subir com a perna direita; na interna, com a esquerda. Não tem corrimão que salve quem erra o primeiro passo.

O chuveiro de água quente, aquecido a álcool, é descrito como o único do Brasil na época. Cozinha não havia: as refeições vinham do restaurante do Palace Hotel. São três pavimentos sem divisórias internas e, no telhado, um mirante para observar o céu.

Depois da morte do inventor, os sobrinhos doaram a casa à Prefeitura de Petrópolis para preservar a memória dele. O imóvel foi tombado pelo IPHAN em 14 de julho de 1952 e reaberto como museu depois de uma reforma em 2023. Funciona de terça a domingo, das 10h às 17h.

A Encantada, casa de Santos Dumont em Petrópolis

Foto: Alexandre Filho / Wikimedia Commons (domínio público)

Onde fica

  • Museu Casa de Santos Dumont (A Encantada) Ponto Turístico
    Rua do Encanto, 22 - Centro, Petrópolis - RJ
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📍 Munique

Hofbräuhaus: a cervejaria que um duque criou em 1589 para parar de pagar caro pela cerveja de Einbeck

Fachada do Hofbräuhaus am Platzl, em Munique

Foto: Dr. Frank Gaeth, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

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O salão de cerveja mais famoso do mundo nasceu de uma planilha de custos. No fim do século 16, a corte da Baviera bebia cerveja trazida de Einbeck, cidade hanseática no norte da Alemanha, ou comprada de cervejarias privadas. Era caro. Em 27 de setembro de 1589, o duque Guilherme V decidiu que Munique teria a própria cervejaria da corte, a Hofbräuhaus, para abastecer só o palácio e cortar a despesa.

De cervejaria da corte a taverna do povo

O endereço atual veio logo depois. Maximiliano I, sucessor de Guilherme V, construiu em 1607 uma segunda cervejaria na praça Platzl, dedicada à cerveja de trigo, e no ano seguinte a produção de cerveja escura também foi para lá. É sobre essas fundações que o Hofbräuhaus está até hoje.

A saudade da cerveja de Einbeck continuou. Em 1612, a corte chamou de lá o mestre cervejeiro Elias Pichler para reproduzir em Munique a "Ainpöckisch Bier", a cerveja forte do norte. O nome, pronunciado à bávara, acabou virando "Bock", o estilo que existe até hoje.

Por mais de dois séculos, porém, aquilo não era um bar. A virada veio em 1828, quando o rei Luís I autorizou o Hofbräuhaus a vender cerveja e servir o público. Em 1852, Maximiliano II passou a propriedade da coroa para o Estado da Baviera, que continua dono do lugar.

O prédio de 1897

No fim do século 19, a cervejaria já não cabia no centro da cidade. Em 22 de maio de 1896 se fez a última brassagem na Platzl, e em agosto do mesmo ano a produção começou num prédio novo em Haidhausen, do outro lado do rio Isar. O velho edifício foi demolido em setembro, e a construtora Heilmann & Littmann, com projeto do arquiteto Max Littmann, ergueu o salão em estilo neorrenascentista que se vê hoje. A Schwemme, o salão do térreo, abriu em 9 de fevereiro de 1897; a reinauguração oficial foi em 22 de setembro de 1897. A obra custou 819 mil marcos-ouro.

O tamanho impressiona até hoje: a Schwemme recebe cerca de mil pessoas em mesas de madeira, o salão de festas do andar de cima, com abóbada de 9 metros, cerca de 1.500, e as outras salas somam mais de mil lugares. Em dias cheios passam por ali até 35 mil visitantes. A cerveja sai na Maß, a caneca de um litro, e frequentadores antigos guardam a própria caneca em cofres com cadeado dentro do salão.

A noite de 1920 e a guerra

O prédio carrega também um capítulo sombrio. Em 24 de fevereiro de 1920, diante de cerca de 2 mil pessoas, Adolf Hitler apresentou ali o programa de 25 pontos do partido nazista, o NSDAP. Os bombardeios aliados da Segunda Guerra destruíram quase tudo; só a Schwemme sobreviveu. A reconstrução terminou em 1958, quando o salão de festas foi reaberto a tempo dos 800 anos de Munique.

Desde 2004, a casa é administrada pelos irmãos Wolfgang e Michael Sperger, arrendatários do Estado.

Perguntas frequentes

O Hofbräuhaus ainda produz cerveja no próprio prédio?
Não. A produção saiu da Platzl em 1896. A cerveja Hofbräu é feita hoje numa cervejaria estatal fora do centro.

Quem é o dono do Hofbräuhaus?
O Estado Livre da Baviera, desde 1852. A operação do salão é arrendada.

Onde fica?
Na praça Platzl, número 9, a poucos minutos a pé da Marienplatz, no centro histórico de Munique.

Onde fica

  • Hofbräuhaus am Platzl Bar
    Platzl 9, 80331 Munique, Alemanha

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📍 Brasília

Catedral Metropolitana de Brasília: as 16 colunas de Niemeyer que formam uma coroa de espinhos

Vista externa da Catedral Metropolitana de Brasília com suas colunas hiperboloides na Esplanada dos Ministérios

Foto: Adeilton O. de Souza / Wikimedia Commons (CC0)

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De longe, antes mesmo de qualquer porta ou fachada, o que se vê é uma coroa. Dezesseis colunas de concreto branco se curvam para cima e se afinam na ponta, como se alguém tivesse cravado espinhos gigantes na Esplanada dos Ministérios. Não há torre, não há nave visível, não há o desenho que qualquer brasileiro reconheceria como "igreja" — e é exatamente por isso que a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida se tornou, para muita gente, o símbolo mais forte de Brasília.

Uma estrutura pensada de baixo para cima

O projeto é de Oscar Niemeyer, mas a obra só existe de pé graças ao engenheiro Joaquim Cardozo, responsável pelo cálculo estrutural que tornou possível erguer pilares de seção parabólica em formato hiperboloide — uma curva que, até então, quase nenhuma construção no mundo tinha ousado em escala tão grande. A pedra fundamental foi lançada em 12 de setembro de 1958, ainda nos primeiros meses de construção da nova capital. Em 1960, quando Brasília foi inaugurada, a estrutura das dezesseis colunas — cada uma pesando 90 toneladas — já estava de pé, formando uma área circular de 70 metros de diâmetro, mas sem vidro, sem acabamento, praticamente um esqueleto exposto ao céu do Planalto Central.

A catedral só ficaria pronta dez anos depois. A inauguração oficial aconteceu em 31 de maio de 1970, já com os painéis de vidro colocados entre as colunas — translúcidos o bastante para deixar a luz entrar e transformar o interior num só ambiente aberto, sem paredes internas dividindo o espaço.

Detalhe das colunas de concreto curvo da Catedral Metropolitana de Brasília

As dezesseis colunas hiperboloides, de 90 toneladas cada, sustentam toda a estrutura sem paredes internas.

A passagem pelo túnel escuro

Poucas igrejas no mundo pensam a chegada do visitante como um percurso dramático, mas a Catedral de Brasília faz exatamente isso. Não se entra pela frente: o acesso à nave é feito por uma rampa que desce ao subsolo, atravessando um túnel escuro e baixo. É só depois desse trecho de penumbra que o espaço se abre repentinamente para cima, inundado pela luz colorida dos vitrais assinados pela artista franco-brasileira Marianne Peretti — um contraste que Niemeyer projetou de propósito, quase como uma travessia entre a terra e o céu. Na entrada, quatro esculturas de bronze representando os Evangelistas, também de autoria de Alfredo Ceschiatti, recebem quem chega.

Os três anjos suspensos

Dentro da nave, presos por cabos de aço quase invisíveis, pairam os anjos mais fotografados do Brasil. São três esculturas de fibra de vidro criadas por Alfredo Ceschiatti, cada uma representando um arcanjo:

  • São Miguel — a maior, com 4,45 metros e cerca de 300 quilos
  • São Gabriel — intermediária, com 3,40 metros e 200 quilos
  • São Rafael — a menor, com 2,20 metros e 100 quilos

Vistos de baixo, contra o fundo azul e amarelo dos vitrais de Marianne Peretti, os anjos parecem flutuar sem apoio algum — efeito que se tornou uma das imagens mais reproduzidas da arquitetura brasileira do século 20.

Os anjos suspensos de Alfredo Ceschiatti no interior da Catedral de Brasília

Os três anjos de fibra de vidro, suspensos por cabos de aço, representam os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

Niemeyer nunca escondeu que a forma da catedral admite mais de uma leitura: para uns, as colunas erguidas lembram mãos postas em oração; para outros, é a coroa de espinhos de Cristo desenhada em concreto contra o céu do Planalto. O próprio arquiteto preferia deixar a ambiguidade em aberto — prova de que, mais de meio século depois de pronta, a catedral continua sendo menos uma resposta e mais uma pergunta em forma de arquitetura.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Catedral Metropolitana de Brasília — Wikipédia

Foto: Adeilton O. de Souza / Wikimedia Commons (CC0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Vá pela experiência sensorial proporcionada pelo teto de vidro.

Onde fica

  • Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida Ponto Turístico
    Catedral Metropolitana de Brasília, Esplanada dos Ministérios, Brasília, Distrito Federal

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