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Casa de Santos Dumont: a Encantada, onde a escada obriga você a começar com o pé certo

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Em 1918, Alberto Santos Dumont construiu em Petrópolis uma casa pequena, numa encosta, com a ajuda do engenheiro Eduardo Pederneiras. Ele a chamou de A Encantada, e a rua acabou virando Rua do Encanto. É a casa de um inventor, e isso aparece em cada detalhe.

A mais famosa é a escada. Os degraus são recortados de forma alternada: na escada externa, só dá para começar a subir com a perna direita; na interna, com a esquerda. Não tem corrimão que salve quem erra o primeiro passo.

O chuveiro de água quente, aquecido a álcool, é descrito como o único do Brasil na época. Cozinha não havia: as refeições vinham do restaurante do Palace Hotel. São três pavimentos sem divisórias internas e, no telhado, um mirante para observar o céu.

Depois da morte do inventor, os sobrinhos doaram a casa à Prefeitura de Petrópolis para preservar a memória dele. O imóvel foi tombado pelo IPHAN em 14 de julho de 1952 e reaberto como museu depois de uma reforma em 2023. Funciona de terça a domingo, das 10h às 17h.

A Encantada, casa de Santos Dumont em Petrópolis

Foto: Alexandre Filho / Wikimedia Commons (domínio público)

Onde fica

  • Museu Casa de Santos Dumont (A Encantada) Ponto Turístico
    Rua do Encanto, 22 - Centro, Petrópolis - RJ
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El Floridita: o bar de Havana que criou o daiquiri moderno e virou point de Hemingway

Fachada do bar El Floridita, em Havana

Foto: Gorupdebesanez / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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Na esquina das ruas Obispo e Monserrate, na Havana Velha, um bar de fachada rosada é conhecido entre bartenders do mundo inteiro como a "catedral do daiquiri". El Floridita abriu no início do século XIX, mas foi só a partir da década de 1930, sob o comando do bartender catalão Constantino Ribalaigua Vert, que o bar desenvolveu a receita que ajudaria a popularizar o daiquiri globalmente.

A receita que virou clássico

Constantino, ou "Constante", como era chamado, aperfeiçoou uma versão do daiquiri batida com gelo — diferente da receita original mais simples criada décadas antes em Santiago de Cuba — dando origem ao que hoje é conhecido como "daiquiri natural" ou "Floridita daiquiri". A técnica de bater o drinque com gelo picado, hoje padrão em bares do mundo todo, tem esse bar cubano como um dos pontos de origem mais reconhecidos.

Hemingway e o "Papa Doble"

Ernest Hemingway se tornou cliente assíduo do Floridita durante os anos em que viveu em Cuba, e o bar até hoje mantém uma versão sem açúcar e com o dobro de rum do daiquiri clássico batizada de "Papa Doble" em sua homenagem — já que Hemingway era conhecido pelo apelido "Papa". Uma estátua de bronze em tamanho real do escritor, apoiada no balcão, marca até hoje o local onde ele costumava sentar.

Interior do bar El Floridita em Havana

O balcão vermelho e a decoração remetem à Havana dos anos 1930 e 1940.

Point da Havana pré-revolucionária

Nas décadas de 1940 e 1950, o Floridita atraía celebridades internacionais, políticos e escritores durante o período em que Havana era um destino badalado do Caribe, antes da Revolução Cubana de 1959. O bar sobreviveu às mudanças políticas e econômicas seguintes e continua operando no mesmo endereço histórico até hoje.

Daiquiri servido no El Floridita

O daiquiri batido com gelo é a bebida mais pedida da casa.

Dicas para a visita

O Floridita costuma ter música ao vivo e um ambiente mais formal do que outros bares de Havana, o que se reflete também nos preços, mais altos que a média local. Vale ir num horário mais tranquilo para conseguir lugar perto do balcão e da estátua de Hemingway, ponto mais disputado para fotos.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

El Floridita — Wikipédia

Foto: Gorupdebesanez / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Onde fica

  • El Floridita Bar
    Obispo 557, Havana, Cuba

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Basílica do Sacré-Cœur: a cúpula branca que vigia Paris do alto de Montmartre

Erguida entre 1875 e 1914 no ponto mais alto de Paris, a Basílica do Sacré-Cœur tem cúpulas brancas visíveis de quase toda a cidade e um imenso mosaico de Cristo sobre o altar.

A escadaria e o funicular que sobem a colina de Montmartre terminam num terraço com vista de quase 360 graus sobre os telhados parisienses.

Fachada branca da Basílica do Sacré-Cœur no alto de Montmartre, em Paris

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Basílica do Sacré-Cœur Ponto Turístico
    Basílica do Sacré-Cœur
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Bandeira de Estados Unidos Estados Unidos
📍 Nova Orleans
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Preservation Hall: a sala de Nova Orleans que toca jazz sem microfone desde 1961

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O Preservation Hall não tem bar, não tem microfone e não tem cadeira confortável. Quem entra encontra uma sala pequena, bancos de madeira, chão gasto e uma banda tocando jazz tradicional a poucos metros do rosto. É exatamente esse o projeto, e ele tem uma origem quase acidental.

Nos anos 1950, o espaço era uma galeria de arte tocada por Larry Borenstein, um marchand vindo de Milwaukee. Para atrair público, ele passou a convidar músicos locais de jazz para tocar entre os quadros. As sessões ficaram mais concorridas que as exposições.

Em 1961, Allan e Sandra Jaffe passaram por Nova Orleans em lua de mel querendo ouvir jazz tradicional. Ele era tubista formado em administração pela Wharton; ela vinha de uma agência de publicidade. Borenstein perguntou se o casal queria tocar o lugar. Eles assumiram em setembro daquele ano, e o Preservation Hall nasceu com uma missão declarada: proteger e perpetuar o jazz de Nova Orleans.

A parte que costuma ficar de fora do folheto é a mais importante. Nos anos 1960, os músicos negros e crioulos que haviam inventado aquele som não encontravam mais trabalho na própria cidade. A sala virou, na prática, uma fonte de renda e de palco para essa geração — preservação no sentido concreto de pagar cachê a quem estava sendo esquecido.

A regra da acústica pura continua. São mais de 350 noites de concerto por ano, sem amplificação, com um coletivo de mais de cem músicos da cidade se revezando. A fila se forma na calçada da St. Peter Street bem antes da hora, e vale entrar sabendo o que se compra: uma hora de música sem intermediação elétrica nenhuma.

Fachada do Preservation Hall, na St. Peter Street, no French Quarter de Nova Orleans

Foto: Cory Doctorow, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Onde fica

  • Preservation Hall Local
    726 St Peter St, New Orleans, LA 70116, Estados Unidos
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