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El Floridita: o bar de Havana que criou o daiquiri moderno e virou point de Hemingway

Fachada do bar El Floridita, em Havana

Foto: Gorupdebesanez / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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Na esquina das ruas Obispo e Monserrate, na Havana Velha, um bar de fachada rosada é conhecido entre bartenders do mundo inteiro como a "catedral do daiquiri". El Floridita abriu no início do século XIX, mas foi só a partir da década de 1930, sob o comando do bartender catalão Constantino Ribalaigua Vert, que o bar desenvolveu a receita que ajudaria a popularizar o daiquiri globalmente.

A receita que virou clássico

Constantino, ou "Constante", como era chamado, aperfeiçoou uma versão do daiquiri batida com gelo — diferente da receita original mais simples criada décadas antes em Santiago de Cuba — dando origem ao que hoje é conhecido como "daiquiri natural" ou "Floridita daiquiri". A técnica de bater o drinque com gelo picado, hoje padrão em bares do mundo todo, tem esse bar cubano como um dos pontos de origem mais reconhecidos.

Hemingway e o "Papa Doble"

Ernest Hemingway se tornou cliente assíduo do Floridita durante os anos em que viveu em Cuba, e o bar até hoje mantém uma versão sem açúcar e com o dobro de rum do daiquiri clássico batizada de "Papa Doble" em sua homenagem — já que Hemingway era conhecido pelo apelido "Papa". Uma estátua de bronze em tamanho real do escritor, apoiada no balcão, marca até hoje o local onde ele costumava sentar.

Interior do bar El Floridita em Havana

O balcão vermelho e a decoração remetem à Havana dos anos 1930 e 1940.

Point da Havana pré-revolucionária

Nas décadas de 1940 e 1950, o Floridita atraía celebridades internacionais, políticos e escritores durante o período em que Havana era um destino badalado do Caribe, antes da Revolução Cubana de 1959. O bar sobreviveu às mudanças políticas e econômicas seguintes e continua operando no mesmo endereço histórico até hoje.

Daiquiri servido no El Floridita

O daiquiri batido com gelo é a bebida mais pedida da casa.

Dicas para a visita

O Floridita costuma ter música ao vivo e um ambiente mais formal do que outros bares de Havana, o que se reflete também nos preços, mais altos que a média local. Vale ir num horário mais tranquilo para conseguir lugar perto do balcão e da estátua de Hemingway, ponto mais disputado para fotos.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

El Floridita — Wikipédia

Foto: Gorupdebesanez / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Onde fica

  • El Floridita Bar
    Obispo 557, Havana, Cuba

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Truth Coffee: a cafeteria steampunk mais premiada da Cidade do Cabo

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A Truth Coffee ocupa um prédio de 1902 na Buitenkant Street e já foi eleita uma das cafeterias mais bonitas do mundo, com máquinas de época, engrenagens de bronze e um torrador Probat dos anos 1940 como peça central.

Além da estética, o café é torrado na casa e é ótimo ponto de partida pra um dia de passeio pelo centro histórico.

Fachada histórica do prédio da Truth Coffee na Buitenkant Street, Cidade do Cabo

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Um café verdadeiro em Cidade do Cabo? [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Truth Coffee Cafeteria
    Truth Coffee, Buitenkant Street, Cidade do Cabo, África do Sul
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João Pessoa: a cidade que já teve cinco nomes e nasceu de um tratado de paz

Vista do Centro Histórico de João Pessoa, com casarões e arquitetura colonial

Foto: Marcos Elias de Oliveira Júnior / Wikimedia Commons (CC0)

Poucas capitais brasileiras podem dizer que já usaram cinco nomes diferentes em pouco mais de três séculos — e que devem o nome atual a um crime passional que ajudou a derrubar um presidente da República. Por trás do cartão-postal de praias e coqueiros, João Pessoa carrega uma das histórias de fundação mais movimentadas do país.

Um tratado de paz funda a cidade

A capital paraibana nasceu em 5 de agosto de 1585, às margens do rio Sanhauá, com o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves. A mesma data marca o dia em que o capitão-mor Frutuoso Barbosa, ao lado de Martim Leitão e João Tavares, selou um tratado de paz com o cacique tabajara Piragibe, consolidando a conquista portuguesa do território depois de anos de resistência indígena e da presença de comerciantes franceses na costa. Com essa fundação, a cidade tornou-se a terceira mais antiga do Brasil, atrás apenas de Salvador (1549) e do Rio de Janeiro (1565).

De Filipeia a Frederica: a disputa holandesa

Em 1588, a povoação ganhou um novo nome, Filipeia de Nossa Senhora das Neves, em homenagem a Filipe II, que reinava sobre Portugal e Espanha unidos sob a União Ibérica. O nome duraria menos de cinquenta anos: em 26 de dezembro de 1634, tropas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais tomaram a cidade e a rebatizaram Frederikstadt, ou Frederica, em homenagem a Frederico Henrique, príncipe de Orange. Sob domínio holandês — que se estendeu por vinte anos —, a cidade chegou a ter cerca de 1.500 habitantes e 18 engenhos de açúcar em funcionamento, tornando-se um dos maiores núcleos da Nova Holanda ao lado de Mauritsstad, a atual Recife.

Fachada do Convento de Santo Antônio, hoje Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa

Iniciado em 1589, o Convento de Santo Antônio sobreviveu à ocupação holandesa e guarda hoje a Capela Dourada.

Parahyba do Norte e as marcas do período colonial

A reconquista portuguesa, em 1º de fevereiro de 1654, apagou o nome holandês: a cidade passou a se chamar Parahyba, referência ao rio que sempre foi sua principal via de acesso, grafia que depois se firmaria como Paraíba. É desse longo período colonial que restam os principais monumentos do atual Centro Histórico. O Convento de Santo Antônio, iniciado em 1589 — apenas quatro anos após a fundação —, teve a construção interrompida por conflitos internos, foi atingido pela ocupação holandesa, que expulsou os frades franciscanos em 1636, e só ficou plenamente restaurado em 1661. Tombado pelo Iphan em 1952, o conjunto reúne a igreja de São Francisco e a Capela Dourada, coberta de talha barroca do início do século 18. Não muito longe dali, a Igreja de São Frei Pedro Gonçalves completa o conjunto de templos que testemunharam cada uma das trocas de bandeira da cidade.

Um crime passional muda o nome de novo

O quinto e último nome veio de uma tragédia nacional. Em 26 de julho de 1930, o então presidente do estado da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, foi assassinado a tiros na Confeitaria Glória, no Recife, por João Dantas, num crime motivado por uma disputa pessoal envolvendo cartas íntimas e não por rivalidade política. Ainda assim, a morte foi usada pela Aliança Liberal, de Getúlio Vargas, como estopim da Revolução de 1930, que depôs o presidente Washington Luís e impediu a posse do recém-eleito Júlio Prestes. Em homenagem ao líder morto, a capital da Paraíba adotou seu nome ainda em 1930, batismo que permanece até hoje.

  • 1585 — Cidade Real de Nossa Senhora das Neves
  • 1588 — Filipeia de Nossa Senhora das Neves
  • 1634 — Frederica (Frederikstadt)
  • 1654 — Parahyba (depois Paraíba)
  • 1930 — João Pessoa
Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, templo colonial do Centro Histórico de João Pessoa

A Igreja de São Frei Pedro Gonçalves integra o conjunto de templos coloniais do Centro Histórico.

Caminhar hoje pelas ruas estreitas do Centro Histórico, entre sobrados coloniais e igrejas barrocas, é atravessar cada uma dessas camadas: a aldeia tabajara, a vila da União Ibérica, o posto holandês e, por fim, a capital que carrega até hoje o nome de um político morto num crime que, sem nenhuma intenção política, ajudou a mudar os rumos da própria história do Brasil.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

João Pessoa — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Um verdadeiro paraíso com muita história pra contar.

Onde fica

  • Convento de Santo Antônio (Centro Cultural São Francisco) Histórico
    Ladeira São Francisco, S/N - Centro, João Pessoa - PB, 58010-650
  • Igreja de São Frei Pedro Gonçalves Histórico
    Praça Sao Francisco

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📍 Dica rápida

Mercado Municipal Adolpho Lisboa: arquitetura de Eiffel e sabores da Amazônia

Cesto Organizador em Palha Trançada Artesanal
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Erguido em 1883 com estrutura de ferro fundido projetada por Gustave Eiffel, o Mercado Adolpho Lisboa é parada obrigatória no Centro Histórico de Manaus, às margens do Rio Negro.

Entre bancas de peixe, especiarias, farinha e artesanato indígena, dá pra sentir o pulso da cidade em uma manhã de passeio.

Interior do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, em Manaus

Foto: Ridiculopathy / Wikimedia Commons (CC0)

Onde fica

  • Mercado Municipal Adolpho Lisboa Ponto Turístico
    Rua dos Barés, 46, Centro, Manaus, Brasil
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