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João Pessoa: a cidade que já teve cinco nomes e nasceu de um tratado de paz

Vista do Centro Histórico de João Pessoa, com casarões e arquitetura colonial

Foto: Wikimedia Commons

Poucas capitais brasileiras podem dizer que já usaram cinco nomes diferentes em pouco mais de três séculos — e que devem o nome atual a um crime passional que ajudou a derrubar um presidente da República. Por trás do cartão-postal de praias e coqueiros, João Pessoa carrega uma das histórias de fundação mais movimentadas do país.

Um tratado de paz funda a cidade

A capital paraibana nasceu em 5 de agosto de 1585, às margens do rio Sanhauá, com o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves. A mesma data marca o dia em que o capitão-mor Frutuoso Barbosa, ao lado de Martim Leitão e João Tavares, selou um tratado de paz com o cacique tabajara Piragibe, consolidando a conquista portuguesa do território depois de anos de resistência indígena e da presença de comerciantes franceses na costa. Com essa fundação, a cidade tornou-se a terceira mais antiga do Brasil, atrás apenas de Salvador (1549) e do Rio de Janeiro (1565).

De Filipeia a Frederica: a disputa holandesa

Em 1588, a povoação ganhou um novo nome, Filipeia de Nossa Senhora das Neves, em homenagem a Filipe II, que reinava sobre Portugal e Espanha unidos sob a União Ibérica. O nome duraria menos de cinquenta anos: em 26 de dezembro de 1634, tropas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais tomaram a cidade e a rebatizaram Frederikstadt, ou Frederica, em homenagem a Frederico Henrique, príncipe de Orange. Sob domínio holandês — que se estendeu por vinte anos —, a cidade chegou a ter cerca de 1.500 habitantes e 18 engenhos de açúcar em funcionamento, tornando-se um dos maiores núcleos da Nova Holanda ao lado de Mauritsstad, a atual Recife.

Fachada do Convento de Santo Antônio, hoje Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa

Iniciado em 1589, o Convento de Santo Antônio sobreviveu à ocupação holandesa e guarda hoje a Capela Dourada.

Parahyba do Norte e as marcas do período colonial

A reconquista portuguesa, em 1º de fevereiro de 1654, apagou o nome holandês: a cidade passou a se chamar Parahyba, referência ao rio que sempre foi sua principal via de acesso, grafia que depois se firmaria como Paraíba. É desse longo período colonial que restam os principais monumentos do atual Centro Histórico. O Convento de Santo Antônio, iniciado em 1589 — apenas quatro anos após a fundação —, teve a construção interrompida por conflitos internos, foi atingido pela ocupação holandesa, que expulsou os frades franciscanos em 1636, e só ficou plenamente restaurado em 1661. Tombado pelo Iphan em 1952, o conjunto reúne a igreja de São Francisco e a Capela Dourada, coberta de talha barroca do início do século 18. Não muito longe dali, a Igreja de São Frei Pedro Gonçalves completa o conjunto de templos que testemunharam cada uma das trocas de bandeira da cidade.

Um crime passional muda o nome de novo

O quinto e último nome veio de uma tragédia nacional. Em 26 de julho de 1930, o então presidente do estado da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, foi assassinado a tiros na Confeitaria Glória, no Recife, por João Dantas, num crime motivado por uma disputa pessoal envolvendo cartas íntimas e não por rivalidade política. Ainda assim, a morte foi usada pela Aliança Liberal, de Getúlio Vargas, como estopim da Revolução de 1930, que depôs o presidente Washington Luís e impediu a posse do recém-eleito Júlio Prestes. Em homenagem ao líder morto, a capital da Paraíba adotou seu nome ainda em 1930, batismo que permanece até hoje.

  • 1585 — Cidade Real de Nossa Senhora das Neves
  • 1588 — Filipeia de Nossa Senhora das Neves
  • 1634 — Frederica (Frederikstadt)
  • 1654 — Parahyba (depois Paraíba)
  • 1930 — João Pessoa
Igreja de São Frei Pedro Gonçalves, templo colonial do Centro Histórico de João Pessoa

A Igreja de São Frei Pedro Gonçalves integra o conjunto de templos coloniais do Centro Histórico.

Caminhar hoje pelas ruas estreitas do Centro Histórico, entre sobrados coloniais e igrejas barrocas, é atravessar cada uma dessas camadas: a aldeia tabajara, a vila da União Ibérica, o posto holandês e, por fim, a capital que carrega até hoje o nome de um político morto num crime que, sem nenhuma intenção política, ajudou a mudar os rumos da própria história do Brasil.

Onde fica

  • Convento de Santo Antônio (Centro Cultural São Francisco) Histórico
    Ladeira São Francisco, S/N - Centro, João Pessoa - PB, 58010-650
  • Igreja de São Frei Pedro Gonçalves Histórico
    Praça Sao Francisco

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Russ & Daughters: o bagel com lox mais tradicional de Nova York

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Aberta desde 1914 e no mesmo endereço da Houston Street desde 1920, a Russ & Daughters é uma das casas mais tradicionais do Lower East Side. O pedido clássico é o bagel com cream cheese, salmão curado na casa e alcaparras.

Fachada da Russ & Daughters com letreiro de neon no Lower East Side, Nova York

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Russ & Daughters Restaurante
    Russ & Daughters, 179 E Houston St, New York
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Coliseu de Roma: o anfiteatro que ainda impressiona quase 2 mil anos depois

Vista externa panorâmica do Coliseu de Roma

Foto: Wikimedia Commons

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Não existe imagem mais associada à Roma Antiga do que a silhueta oval do Coliseu. Construído entre os anos 70 e 80 d.C., durante os reinados dos imperadores Vespasiano e Tito, o anfiteatro foi erguido no local onde antes havia um lago artificial pertencente ao extravagante palácio de Nero, a Domus Aurea. A escolha simbolizava devolver ao povo romano um terreno que havia sido privatizado por um imperador impopular — e o resultado foi a maior estrutura do gênero já construída pelos romanos.

Uma arena para até 80 mil espectadores

Com capacidade estimada entre 50 e 80 mil espectadores, o Coliseu tinha quatro níveis externos e um sistema de acesso tão eficiente que permitia esvaziar completamente a arena em poucos minutos — algo que engenheiros modernos ainda estudam como referência. Por baixo do piso da arena, hoje parcialmente visível, ficava o hypogeum: um labirinto subterrâneo de câmaras e elevadores manuais usados para erguer animais e cenários diretamente para o centro da ação, surpreendendo o público.

Coliseu iluminado à noite

À noite, o monumento recebe iluminação especial em datas e causas específicas.

Gladiadores, caçadas e naumaquias

A inauguração, em 80 d.C., foi marcada por cem dias seguidos de espetáculos, incluindo combates de gladiadores, caçadas de animais exóticos trazidos de diferentes províncias do império e, segundo relatos históricos, até simulações de batalhas navais nos primeiros anos, quando a arena podia ser inundada. Os combates de gladiadores, o espetáculo mais associado ao monumento, envolviam regras, categorias de lutadores e um público que reconhecia técnicas específicas — muito diferente da imagem de caos que o cinema costuma mostrar.

Da decadência à preservação

Com o fim dos jogos, por volta do século VI, o Coliseu passou por séculos de abandono, terremotos e uso como pedreira: boa parte do revestimento de mármore e das pedras da estrutura original foi retirada ao longo da Idade Média e do Renascimento para construir outros monumentos de Roma, incluindo parte da Basílica de São Pedro. Foi apenas a partir do século XVIII, quando a Igreja Católica declarou o local um espaço sagrado em memória dos mártires cristãos, que teve início um esforço mais sério de preservação.

Coliseu e Fórum Romano

O Coliseu faz parte do mesmo conjunto arqueológico do Fórum Romano e do Monte Palatino.

Visitando o Coliseu hoje

Atualmente o Coliseu integra, junto com o Fórum Romano e o Monte Palatino, um único parque arqueológico administrado pelo Estado italiano, e um ingresso combinado dá acesso às três atrações. Por ser um dos monumentos mais visitados do mundo, comprar o ingresso com antecedência pela internet é praticamente obrigatório para evitar filas de horas na entrada, especialmente entre a primavera e o fim do verão europeu. Desde o ano 2000, o monumento também ganhou um significado contemporâneo: por iniciativa da Comunidade de Sant'Egidio, ele é iluminado em tons dourados sempre que uma pena de morte é comutada ou abolida em algum lugar do mundo, transformando um símbolo da Roma Antiga em um símbolo atual contra a pena capital.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Se você busca uma verdadeira viagem no tempo, o Coliseu de Roma é uma experiência impressionante. Lá, você encontra fragmentos e peças originais com quase 2 mil anos de história, expostos praticamente diante dos seus olhos. E, ao chegar ao nível superior da visita, entre esculturas e representações de grandes figuras da Roma Antiga, chama a atenção o imponente busto de Júlio César. É difícil não parar por alguns segundos e pensar em toda a história que passou por aquele lugar.

Onde fica

  • Colosseo Ponto Turístico
    Piazza del Colosseo, 1, 00184 Roma RM, Itália

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Peter Luger Steak House: a lenda das steakhouses de Nova York

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Fundado em 1887 no Brooklyn, o Peter Luger é considerado uma das melhores steakhouses dos Estados Unidos. Ambiente simples, carne excelente e tradição de mais de um século.

Fachada do Peter Luger Steak House em Williamsburg, Brooklyn

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Peter Luger Steak House Restaurante
    Peter Luger Steak House, 178 Broadway, Brooklyn, New York, Estados Unidos
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