Petrópolis é uma cidade que nasceu por decreto. Em 16 de março de 1843, Dom Pedro II assinou o documento que criava uma povoação na serra, em terras da Fazenda Imperial, e entregou a tarefa de desenhá-la ao major Julius Friedrich Koeler, engenheiro alemão a serviço do Império. O plano previa ruas, lotes para colonos, a maioria vinda da Alemanha, e, no centro de tudo, um palácio para o imperador fugir do calor do Rio de Janeiro no verão.
Dezessete anos de obra
O palácio começou a subir em 1845 e só ficou pronto em 1862. O projeto era de Koeler, mas ele morreu antes de ver a obra concluída, e o italiano Cristóforo Bonini assumiu a construção, alterando o desenho original. Outros nomes passaram pelo canteiro, como Joaquim Cândido Guillobel, José Maria Jacinto Rebelo e Manuel de Araújo Porto Alegre. O resultado é o edifício neoclássico, de fachada rosa e janelas brancas, que ainda hoje domina o centro da cidade.
Durante o Segundo Reinado, a corte praticamente se mudava para a serra nos meses quentes. Com a Proclamação da República, em 1889, a família imperial partiu para o exílio e o palácio perdeu a função para a qual tinha sido feito.
De residência a museu
A virada veio no governo de Getúlio Vargas. O Decreto-Lei nº 2.096, de 29 de março de 1940, criou o Museu Imperial, instalado no antigo palácio. A inauguração foi em 16 de março de 1943, exatamente cem anos depois do decreto que fundou Petrópolis. O primeiro diretor foi Alcindo de Azevedo Sodré, figura central na montagem do acervo.
Hoje o museu reúne perto de 300 mil itens, entre mobiliário, objetos de uso cotidiano da família imperial, esculturas, joias, prataria, uma biblioteca de cerca de 50 mil volumes e mais de 250 mil documentos. Nas paredes estão obras como a Fala do Trono, de Pedro Américo, e o Juramento da Princesa Isabel, de Victor Meirelles.
A coroa que nunca saiu de lá
A peça mais famosa é a coroa de Dom Pedro II, feita em 1841 pelo ourives da Casa Imperial Carlos Marin para a coroação do imperador, então com 15 anos. Ela tem 639 diamantes e 77 pérolas e pesa cerca de 1,955 kg. Parte dos diamantes e o fio de pérolas vieram da coroa de seu pai, Dom Pedro I, que também está no acervo.
Depois da República, a coroa ficou guardada no Tesouro Nacional. Em 1943 foi transferida para o recém-criado Museu Imperial e, desde então, não saiu mais de lá.
Perguntas frequentes
Onde fica o Museu Imperial? Na Rua da Imperatriz, 220, no Centro de Petrópolis.
Dá para ver a coroa? Ela faz parte do acervo exposto do museu. Vale conferir no site oficial se alguma sala está fechada para manutenção antes de ir.
Quem projetou o palácio? O major Julius Friedrich Koeler, com a obra concluída por Cristóforo Bonini depois da morte dele.





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