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Museu Imperial: o palácio de verão de Dom Pedro II que guarda a coroa de 639 diamantes

Fachada rosa e branca do Museu Imperial de Petrópolis

Foto: Guilherme Tonelli / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Petrópolis é uma cidade que nasceu por decreto. Em 16 de março de 1843, Dom Pedro II assinou o documento que criava uma povoação na serra, em terras da Fazenda Imperial, e entregou a tarefa de desenhá-la ao major Julius Friedrich Koeler, engenheiro alemão a serviço do Império. O plano previa ruas, lotes para colonos, a maioria vinda da Alemanha, e, no centro de tudo, um palácio para o imperador fugir do calor do Rio de Janeiro no verão.

Dezessete anos de obra

O palácio começou a subir em 1845 e só ficou pronto em 1862. O projeto era de Koeler, mas ele morreu antes de ver a obra concluída, e o italiano Cristóforo Bonini assumiu a construção, alterando o desenho original. Outros nomes passaram pelo canteiro, como Joaquim Cândido Guillobel, José Maria Jacinto Rebelo e Manuel de Araújo Porto Alegre. O resultado é o edifício neoclássico, de fachada rosa e janelas brancas, que ainda hoje domina o centro da cidade.

Durante o Segundo Reinado, a corte praticamente se mudava para a serra nos meses quentes. Com a Proclamação da República, em 1889, a família imperial partiu para o exílio e o palácio perdeu a função para a qual tinha sido feito.

De residência a museu

A virada veio no governo de Getúlio Vargas. O Decreto-Lei nº 2.096, de 29 de março de 1940, criou o Museu Imperial, instalado no antigo palácio. A inauguração foi em 16 de março de 1943, exatamente cem anos depois do decreto que fundou Petrópolis. O primeiro diretor foi Alcindo de Azevedo Sodré, figura central na montagem do acervo.

Hoje o museu reúne perto de 300 mil itens, entre mobiliário, objetos de uso cotidiano da família imperial, esculturas, joias, prataria, uma biblioteca de cerca de 50 mil volumes e mais de 250 mil documentos. Nas paredes estão obras como a Fala do Trono, de Pedro Américo, e o Juramento da Princesa Isabel, de Victor Meirelles.

A coroa que nunca saiu de lá

A peça mais famosa é a coroa de Dom Pedro II, feita em 1841 pelo ourives da Casa Imperial Carlos Marin para a coroação do imperador, então com 15 anos. Ela tem 639 diamantes e 77 pérolas e pesa cerca de 1,955 kg. Parte dos diamantes e o fio de pérolas vieram da coroa de seu pai, Dom Pedro I, que também está no acervo.

Depois da República, a coroa ficou guardada no Tesouro Nacional. Em 1943 foi transferida para o recém-criado Museu Imperial e, desde então, não saiu mais de lá.

Perguntas frequentes

Onde fica o Museu Imperial? Na Rua da Imperatriz, 220, no Centro de Petrópolis.

Dá para ver a coroa? Ela faz parte do acervo exposto do museu. Vale conferir no site oficial se alguma sala está fechada para manutenção antes de ir.

Quem projetou o palácio? O major Julius Friedrich Koeler, com a obra concluída por Cristóforo Bonini depois da morte dele.

Onde fica

  • Museu Imperial Histórico
    Rua da Imperatriz, 220 - Centro, Petrópolis - RJ

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📍 Brasília

Praça dos Três Poderes: a capital que Juscelino Kubitschek ergueu em menos de quatro anos

Casa de Chá na Praça dos Três Poderes, em Brasília

Foto: Wikimedia Commons

Em 1922, para celebrar o centenário da independência, uma comitiva oficial cravou uma pedra fundamental no meio do cerrado goiano, perto do arraial de Planaltina. Era o marco simbólico de uma capital que a Constituição de 1891 já previa erguer no Planalto Central. E então, nada aconteceu. A pedra ficou ali, isolada, por 34 anos, enquanto o Rio de Janeiro seguia sendo a sede do governo brasileiro. Foi só com um presidente recém-eleito e uma promessa de campanha que aquele pedaço de chão viraria a Praça dos Três Poderes, o coração político do Brasil.

Uma promessa de campanha vira decreto

Juscelino Kubitschek assumiu a Presidência em 1956 com o lema "cinquenta anos em cinco" e incluiu a mudança da capital como uma das metas de seu governo. Em 19 de setembro daquele ano, a Lei nº 2.874 criou a Novacap — a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil — e definiu oficialmente o nome da cidade que ainda não existia: Brasília. Onze dias depois, em 30 de setembro de 1956, saiu no Diário Oficial o edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital, convocando urbanistas de todo o país a desenhar a cidade do zero.

Fachada do Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro em Brasília

Palácio do Planalto, projetado por Oscar Niemeyer

Em março de 1957, um júri internacional — do qual participava o próprio Oscar Niemeyer — escolheu o projeto do urbanista carioca Lúcio Costa, batizado de Plano Piloto. A Niemeyer coube o desenho dos principais edifícios públicos; ao engenheiro Joaquim Cardozo, os cálculos estruturais que tornaram possíveis as formas curvas e as colunas finas que Niemeyer imaginava. As obras começaram ainda em 1957, tocadas por milhares de trabalhadores vindos principalmente do Nordeste, os chamados candangos, que primeiro se instalaram num povoado provisório conhecido como Cidade Livre — hoje o bairro de Núcleo Bandeirante.

O desenho de Lúcio Costa organizava a cidade em torno de dois eixos que se cruzam, lembrando a silhueta de um avião: no eixo Monumental ficariam os prédios do governo, terminando na própria Praça dos Três Poderes; no eixo Rodoviário-Residencial, em curva, as superquadras onde a população viveria. Foi um desenho pensado para uma cidade nova, sem o traçado orgânico das capitais que cresceram ao longo de séculos — e por isso mesmo, décadas depois, ainda seria estudado como um dos maiores experimentos de urbanismo modernista do mundo.

Marcos de uma construção em tempo recorde

  • 19/09/1956 — Lei nº 2.874 cria a Novacap e batiza a cidade de Brasília
  • 30/09/1956 — publicado o edital do Concurso Nacional do Plano Piloto
  • Março de 1957 — júri escolhe o projeto de Lúcio Costa
  • 1957 — início das obras e chegada dos primeiros candangos
  • 21/04/1960 — inauguração oficial de Brasília

Em menos de quatro anos, o que era um planalto vazio ganhou avenidas, o Palácio da Alvorada, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e a praça que reuniria, lado a lado, as sedes dos três poderes da República — daí o nome que ficaria: Praça dos Três Poderes.

21 de abril de 1960: o dia da inauguração

A data não foi escolhida ao acaso. Kubitschek entregou a nova capital no Dia de Tiradentes, símbolo da luta republicana brasileira. Diante de uma multidão, ele hasteou pela primeira vez a bandeira nacional na praça recém-erguida e declarou: "Declaro, sob a proteção de Deus, inaugurada a cidade de Brasília, capital dos Estados Unidos do Brasil". Seguiram-se missa, desfiles, bailes e fogos de artifício — tudo isso cercado por prédios que, em muitos casos, ainda estavam sendo terminados enquanto a festa acontecia.

Congresso Nacional do Brasil, com suas duas torres e as cúpulas do Senado e da Câmara

Congresso Nacional, um dos edifícios que compõem a Praça dos Três Poderes

Hoje, a praça reúne o Palácio do Planalto (Poder Executivo), o Congresso Nacional (Poder Legislativo) e o Supremo Tribunal Federal (Poder Judiciário), além de monumentos como o Panteão da Pátria e a escultura "A Justiça", de Alfredo Ceschiatti. Em 1987, aos 27 anos de idade, Brasília se tornou o primeiro bem do século XX a ser reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade — um símbolo raro entre as cidades premiadas, quase todas construções seculares. A pedra de 1922 acabou esquecida em Planaltina, a poucos quilômetros dali — enquanto a praça que a substituiu como símbolo se tornou o palco de todas as posses presidenciais do Brasil desde então.

Onde fica

  • Praça dos Três Poderes Histórico
    Praça dos Três Poderes, Brasília - DF

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📍 Dica rápida

The High Line: parque elevado sobre os trilhos antigos

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A High Line transformou trilhos abandonados em um parque suspenso com jardins, arte e vistas de Manhattan. Um passeio tranquilo e cheio de fotos bonitas.

Vista do parque The High Line em Nova York

Foto: King of Hearts / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • The High Line Ponto Turístico
    The High Line, Gansevoort St, New York, Estados Unidos
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📍 Filadélfia

Independence Hall: a sala onde nasceram a Declaração de Independência e a Constituição dos EUA

Fachada de tijolos vermelhos e torre branca do Independence Hall, na Filadélfia

Foto: Mys 721tx / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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Na esquina da Chestnut Street com a Quinta Avenida, no centro histórico da Filadélfia, um edifício georgiano de tijolos vermelhos e torre branca guarda, atrás de portas simples de madeira, a sala onde dois dos documentos mais influentes da história moderna foram debatidos, votados e assinados. É ali, no Independence Hall, que nasceram tanto a Declaração de Independência dos Estados Unidos quanto a Constituição americana — dois textos separados por apenas onze anos, redigidos sob o mesmo teto e, segundo o relato de um dos presentes, sob o mesmo sol entalhado numa cadeira de espaldar alto.

De sede do governo colonial a palco da ruptura com a Inglaterra

O prédio não nasceu como monumento: foi erguido entre 1732 e 1756 para abrigar a Assembleia da Província da Pensilvânia. O conceito arquitetônico partiu do advogado Andrew Hamilton, então presidente da Assembleia, enquanto o mestre-de-obras Edmund Woolley desenhou os detalhes do estilo georgiano que o edifício mantém até hoje. Por quase quatro décadas, o chamado Pennsylvania State House cumpriu função burocrática comum, até que a tensão entre as treze colônias e a coroa britânica o transformou em palco de história.

A partir de maio de 1775, o Segundo Congresso Continental passou a se reunir na sala leste do térreo. Foi ali que, em 2 de julho de 1776, os delegados votaram pela ruptura formal com a Grã-Bretanha — e dois dias depois, em 4 de julho, aprovaram o texto final da Declaração de Independência, redigido majoritariamente por Thomas Jefferson. A data virou o feriado nacional americano, ainda que a assinatura do documento pela maioria dos delegados só tenha se completado em agosto daquele ano.

Fachada de tijolos vermelhos do Independence Hall, na Filadélfia

Independence Hall, na Filadélfia, sede da Declaração de Independência e da Constituição dos EUA

1787: os debates que resultaram na Constituição dos Estados Unidos

Onze anos depois de declarar a independência, o mesmo salão recebeu outro capítulo decisivo. Entre maio e setembro de 1787, delegados dos treze estados se reuniram na Convenção Constitucional para revisar os frágeis Artigos da Confederação — e acabaram redigindo, do zero, a Constituição dos Estados Unidos. George Washington presidiu as sessões, realizadas a portas fechadas e janelas trancadas para impedir vazamentos, num verão notoriamente quente na Filadélfia. O texto final foi assinado em 17 de setembro de 1787 por 39 dos 55 delegados presentes, estabelecendo os três poderes e o sistema de freios e contrapesos que o país usa até hoje.

Ao final dos trabalhos, o inventor e delegado Benjamin Franklin comentou sobre a cadeira usada por Washington durante os debates, decorada com um sol meio encoberto no horizonte. Segundo o registro de James Madison, Franklin disse que, ao longo da convenção, olhara várias vezes para aquele sol sem saber se nascia ou se punha — e que, com a Constituição assinada, finalmente sabia tratar-se de um sol nascente.

Marcos que transformaram o prédio em patrimônio da humanidade

  • 1732–1756: construção do edifício como sede da Assembleia da Pensilvânia.
  • 1776: aprovação da Declaração de Independência na sala leste do térreo.
  • 1787: assinatura da Constituição dos Estados Unidos, sob a presidência de George Washington.
  • 1948: criação do Independence National Historical Park pelo governo federal, incorporando o prédio e seu entorno.
  • 1979: Independence Hall se torna o primeiro local ligado à história dos Estados Unidos a integrar a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO.
Visitantes em frente ao Independence Hall, na Filadélfia

Fila de visitantes em frente ao Independence Hall

Hoje o acesso ao interior só é permitido em visitas guiadas gratuitas organizadas pelo National Park Service, com ingressos de horário marcado por causa da fila diária de visitantes em frente à fachada. Ao lado do prédio, no Liberty Bell Center, está exposto o outro símbolo do local: o sino que teria tocado para anunciar a primeira leitura pública da Declaração e que hoje exibe a rachadura que o silenciou de vez em 1846, depois de décadas de uso em cerimônias oficiais. É uma coincidência simbólica que o sino da liberdade tenha emudecido justamente quando o país que ajudou a anunciar já caminhava para sua maior crise interna, a Guerra Civil, que estourou quinze anos depois.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Independence Hall — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Aqui foi proclamada a independência de país mais poderoso do planeta.

Onde fica

  • Independence Hall Histórico
    Independence Hall, Chestnut Street, Filadélfia, Estados Unidos

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