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📍 Brasília

Praça dos Três Poderes: a capital que Juscelino Kubitschek ergueu em menos de quatro anos

Casa de Chá na Praça dos Três Poderes, em Brasília

Foto: Wikimedia Commons

Em 1922, para celebrar o centenário da independência, uma comitiva oficial cravou uma pedra fundamental no meio do cerrado goiano, perto do arraial de Planaltina. Era o marco simbólico de uma capital que a Constituição de 1891 já previa erguer no Planalto Central. E então, nada aconteceu. A pedra ficou ali, isolada, por 34 anos, enquanto o Rio de Janeiro seguia sendo a sede do governo brasileiro. Foi só com um presidente recém-eleito e uma promessa de campanha que aquele pedaço de chão viraria a Praça dos Três Poderes, o coração político do Brasil.

Uma promessa de campanha vira decreto

Juscelino Kubitschek assumiu a Presidência em 1956 com o lema "cinquenta anos em cinco" e incluiu a mudança da capital como uma das metas de seu governo. Em 19 de setembro daquele ano, a Lei nº 2.874 criou a Novacap — a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil — e definiu oficialmente o nome da cidade que ainda não existia: Brasília. Onze dias depois, em 30 de setembro de 1956, saiu no Diário Oficial o edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital, convocando urbanistas de todo o país a desenhar a cidade do zero.

Fachada do Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro em Brasília

Palácio do Planalto, projetado por Oscar Niemeyer

Em março de 1957, um júri internacional — do qual participava o próprio Oscar Niemeyer — escolheu o projeto do urbanista carioca Lúcio Costa, batizado de Plano Piloto. A Niemeyer coube o desenho dos principais edifícios públicos; ao engenheiro Joaquim Cardozo, os cálculos estruturais que tornaram possíveis as formas curvas e as colunas finas que Niemeyer imaginava. As obras começaram ainda em 1957, tocadas por milhares de trabalhadores vindos principalmente do Nordeste, os chamados candangos, que primeiro se instalaram num povoado provisório conhecido como Cidade Livre — hoje o bairro de Núcleo Bandeirante.

O desenho de Lúcio Costa organizava a cidade em torno de dois eixos que se cruzam, lembrando a silhueta de um avião: no eixo Monumental ficariam os prédios do governo, terminando na própria Praça dos Três Poderes; no eixo Rodoviário-Residencial, em curva, as superquadras onde a população viveria. Foi um desenho pensado para uma cidade nova, sem o traçado orgânico das capitais que cresceram ao longo de séculos — e por isso mesmo, décadas depois, ainda seria estudado como um dos maiores experimentos de urbanismo modernista do mundo.

Marcos de uma construção em tempo recorde

  • 19/09/1956 — Lei nº 2.874 cria a Novacap e batiza a cidade de Brasília
  • 30/09/1956 — publicado o edital do Concurso Nacional do Plano Piloto
  • Março de 1957 — júri escolhe o projeto de Lúcio Costa
  • 1957 — início das obras e chegada dos primeiros candangos
  • 21/04/1960 — inauguração oficial de Brasília

Em menos de quatro anos, o que era um planalto vazio ganhou avenidas, o Palácio da Alvorada, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e a praça que reuniria, lado a lado, as sedes dos três poderes da República — daí o nome que ficaria: Praça dos Três Poderes.

21 de abril de 1960: o dia da inauguração

A data não foi escolhida ao acaso. Kubitschek entregou a nova capital no Dia de Tiradentes, símbolo da luta republicana brasileira. Diante de uma multidão, ele hasteou pela primeira vez a bandeira nacional na praça recém-erguida e declarou: "Declaro, sob a proteção de Deus, inaugurada a cidade de Brasília, capital dos Estados Unidos do Brasil". Seguiram-se missa, desfiles, bailes e fogos de artifício — tudo isso cercado por prédios que, em muitos casos, ainda estavam sendo terminados enquanto a festa acontecia.

Congresso Nacional do Brasil, com suas duas torres e as cúpulas do Senado e da Câmara

Congresso Nacional, um dos edifícios que compõem a Praça dos Três Poderes

Hoje, a praça reúne o Palácio do Planalto (Poder Executivo), o Congresso Nacional (Poder Legislativo) e o Supremo Tribunal Federal (Poder Judiciário), além de monumentos como o Panteão da Pátria e a escultura "A Justiça", de Alfredo Ceschiatti. Em 1987, aos 27 anos de idade, Brasília se tornou o primeiro bem do século XX a ser reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade — um símbolo raro entre as cidades premiadas, quase todas construções seculares. A pedra de 1922 acabou esquecida em Planaltina, a poucos quilômetros dali — enquanto a praça que a substituiu como símbolo se tornou o palco de todas as posses presidenciais do Brasil desde então.

Onde fica

  • Praça dos Três Poderes Histórico
    Praça dos Três Poderes, Brasília - DF

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Itaipu: como um tratado de 1973 criou a usina que já foi a maior do mundo

Vista aérea da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai

Foto: Wikimedia Commons

Itaipu usou mais concreto do que o Canal do Panamá — cerca de 12,3 milhões de metros cúbicos, volume suficiente para erguer uma cidade inteira de arranha-céus. Esse único número já dá a medida da usina hidrelétrica erguida na fronteira entre Brasil e Paraguai, perto de Foz do Iguaçu, que chegou a ser a maior do planeta em capacidade instalada e ainda hoje disputa com a chinesa Três Gargantas o posto de maior geradora de energia elétrica do mundo.

Um tratado entre dois países para represar um rio

A história de Itaipu começa oficialmente em 26 de abril de 1973, quando os governos do Brasil e do Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, documento que definiu o aproveitamento hidrelétrico do trecho do rio Paraná que separa os dois países. O nome vem do tupi-guarani e significa algo como "a pedra que canta", referência a uma formação rochosa que existia no leito do rio, próxima ao ponto escolhido para erguer a barragem. Pelo acordo, a usina seria binacional: metade brasileira, metade paraguaia, com a energia dividida igualmente entre os dois países — mesmo o Paraguai, com população e consumo elétrico muito menores, usando historicamente só uma fração da própria cota e vendendo o excedente ao Brasil. As obras começaram efetivamente em janeiro de 1975, dando início a uma década de construção que mobilizaria dezenas de milhares de pessoas dos dois lados da fronteira.

Vista aérea da barragem de Itaipu sobre o rio Paraná

A barragem vista do alto, na fronteira entre Foz do Iguaçu (Brasil) e Hernandarias (Paraguai)

O maior canteiro de obras do mundo

Para erguer a usina, foi preciso primeiro desviar o curso do Paraná, um dos rios mais caudalosos da América do Sul. Um canal de desvio de quase 2 km de extensão foi escavado para que o leito original secasse e a barragem principal pudesse ser construída em terra firme. No auge das obras, cerca de 40 mil operários trabalhavam simultaneamente no canteiro, atraídos de várias regiões do Brasil e do Paraguai pela oferta de emprego. Alguns números resumem a escala do projeto:

  • Mais de 12,3 milhões de m³ de concreto usados na construção;
  • 20 unidades geradoras, cada uma com 700 megawatts de capacidade, somando 14 mil MW de potência instalada;
  • Rede elétrica sincronizada para atender ao mesmo tempo o sistema de 50 Hz do Paraguai e o de 60 Hz do Brasil, solução técnica rara no mundo;
  • Em 1994, a Sociedade Americana de Engenheiros Civis elegeu Itaipu uma das sete maravilhas modernas de engenharia do planeta, ao lado do Canal do Panamá e da Torre Eiffel.

Sete Quedas: a cachoeira que desapareceu debaixo d'água

Antes de Itaipu, o trecho represado do rio Paraná abrigava o Salto de Sete Quedas, um conjunto de quedas d'água que muitos brasileiros da época consideravam ainda mais imponente que as Cataratas do Iguaçu, rio abaixo. Em outubro de 1982, com o canal de desvio fechado, o novo reservatório começou a se formar rapidamente: em pouco mais de duas semanas, a água cobriu por completo as quedas, apagando do mapa um dos maiores acidentes geográficos do continente e alagando também comunidades ribeirinhas que precisaram ser realocadas. O Congresso brasileiro chegou a rebaixar formalmente o antigo Parque Nacional de Sete Quedas em 1981 para permitir o alagamento — uma perda lamentada até hoje por quem conheceu o lugar antes da usina.

Vista geral da Usina Hidrelétrica de Itaipu e seu reservatório no rio Paraná

O reservatório de Itaipu represa hoje o trecho do rio Paraná onde ficava o Salto de Sete Quedas

A primeira das 20 turbinas entrou em operação em 5 de maio de 1984, e novas unidades foram ligadas ao longo da década seguinte até a usina atingir a capacidade total. A rivalidade histórica com Três Gargantas, que assumiu o posto de maior hidrelétrica em capacidade instalada a partir de 2012, não tirou de Itaipu o título de recordista em produtividade: em 2016, a usina bateu o recorde mundial de geração anual de energia por uma única planta, com mais de 103 milhões de MWh produzidos em doze meses — energia suficiente para abastecer boa parte do consumo elétrico do Paraguai e uma fatia expressiva do Brasil ao mesmo tempo, mais de quatro décadas depois de um tratado assinado por dois países que dividiam um rio.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Itaipu — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Itaipu Binacional Histórico
    Itaipu Binacional, Foz do Iguaçu - Paraná

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📍 Budapeste
📍 Dica rápida

Gerbeaud, Budapeste: a confeitaria de 1858 que a família comprou de volta do Estado

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A confeitaria abriu em 1858, na praça que hoje se chama Vörösmarty tér, no coração de Pest. Quem a fundou foi Henrik Kugler, terceiro filho de uma dinastia de confeiteiros, que antes de assumir o negócio da família passou por onze capitais europeias — Paris incluída — aprendendo o ofício.

Kugler não teve herdeiros. Em 1883, convidou o jovem confeiteiro suíço Émile Gerbeaud para ser seu sócio, e acabou lhe vendendo a casa. Gerbeaud ampliou o salão, modernizou a produção e transformou o lugar numa das confeitarias mais respeitadas da Europa. A imperatriz Elisabeth — a Sissi, rainha da Hungria — parava ali sempre que estava em Budapeste.

Depois veio a parte que quase apagou o nome. Sob o regime comunista, o Estado tomou a casa e a rebatizou de Café Vörösmarty, pela praça, para eliminar o sobrenome do dono. Só em 1984 a família Gerbeaud conseguiu comprar de volta a confeitaria e devolver-lhe o nome original.

O salão continua o mesmo tipo de coisa: lustres, madeira escura, mármore e vitrines de doce. O item da casa é a fatia que leva o nome dela — o zserbó, camadas de massa com noz moída e geleia de damasco cobertas de chocolate. Um café e uma fatia na varanda que dá para a praça é um dos programas mais antigos da cidade que ainda funciona.

Onde fica: Vörösmarty tér 7-8, distrito V, no fim da rua de pedestres Váci utca. Dica: a fila de balcão anda muito mais rápido que a fila de mesa.

Fachada do Café Gerbeaud na praça Vörösmarty, em Budapeste

Foto: Norbert Aepli (Noebu), CC BY 2.5, via Wikimedia Commons

Onde fica

  • Café Gerbeaud Cafeteria
    Vörösmarty tér 7-8, 1051 Budapeste, Hungria
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Bandeira de Viena Viena

Café Central: o salão de Viena onde Trótski jogava xadrez todas as tardes

Salão interno do Café Central, em Viena

Foto: Dietmar Rabich / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Instalado desde 1876 no térreo do Palais Ferstel, um dos prédios mais imponentes do centro histórico de Viena, o Café Central é um dos maiores símbolos da tradicional cultura cafeeira vienense, reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural imaterial. Suas abóbadas neogóticas, colunas de mármore e pé-direito elevado transformaram o espaço num dos salões mais fotografados da cidade, mas sua fama vai muito além da arquitetura.

Point da intelectualidade europeia

No fim do século XIX e início do XX, o Café Central se tornou point fixo de escritores, artistas e pensadores que viviam ou passavam por Viena, entre eles Sigmund Freud, o escritor Peter Altenberg e o arquiteto Adolf Loos. O café funcionava quase como uma extensão de escritório para muitos desses frequentadores, que passavam horas lendo jornais internacionais disponibilizados pela casa e debatendo ideias nas mesas de mármore.

A lenda de Trótski

Uma das histórias mais contadas sobre o Café Central envolve o revolucionário russo Leon Trótski, que viveu em Viena entre 1907 e 1914 e frequentava o café quase diariamente para jogar xadrez. Conta-se que, ao ser informado sobre a Revolução Russa de 1917, um ministro austríaco teria reagido com ceticismo dizendo "e quem vai liderar essa revolução, o senhor Trótski, do Café Central?" — anedota que, comprovada ou não, ajudou a consolidar o mito do café como point de conspiradores e intelectuais.

Abóbadas neogóticas do Café Central em Viena

As abóbadas neogóticas do salão remetem à arquitetura palaciana de Viena do século XIX.

Uma figura de cera na porta

Uma curiosidade do café é a estátua em tamanho real do escritor Peter Altenberg, sentado a uma mesa perto da entrada — homenagem a um dos frequentadores mais assíduos da casa, que chegou a receber correspondências endereçadas diretamente ao café, tamanha era sua presença constante no local.

Mesas do Café Central, em Viena

As mesas de mármore do salão principal recebem visitantes desde o século XIX.

Dicas para a visita

O Café Central fica no centro histórico de Viena, próximo à Herrengasse, e costuma formar filas nos horários de maior movimento, especialmente na hora do café da manhã e no fim da tarde. Vale experimentar a tradicional Sachertorte ou o Apfelstrudel acompanhados de um Melange, a versão vienense do cappuccino, seguindo o costume local de ficar horas à mesa lendo ou conversando, sem pressa para liberar o lugar.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Café Central — Wikipédia

Foto: Dietmar Rabich / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Elegante, Grandioso e Inesquecível

Onde fica

  • Café Central Cafeteria
    Herrengasse 14, Viena, Áustria

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