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Itaipu: como um tratado de 1973 criou a usina que já foi a maior do mundo

Vista aérea da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai

Foto: Wikimedia Commons

Itaipu usou mais concreto do que o Canal do Panamá — cerca de 12,3 milhões de metros cúbicos, volume suficiente para erguer uma cidade inteira de arranha-céus. Esse único número já dá a medida da usina hidrelétrica erguida na fronteira entre Brasil e Paraguai, perto de Foz do Iguaçu, que chegou a ser a maior do planeta em capacidade instalada e ainda hoje disputa com a chinesa Três Gargantas o posto de maior geradora de energia elétrica do mundo.

Um tratado entre dois países para represar um rio

A história de Itaipu começa oficialmente em 26 de abril de 1973, quando os governos do Brasil e do Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu, documento que definiu o aproveitamento hidrelétrico do trecho do rio Paraná que separa os dois países. O nome vem do tupi-guarani e significa algo como "a pedra que canta", referência a uma formação rochosa que existia no leito do rio, próxima ao ponto escolhido para erguer a barragem. Pelo acordo, a usina seria binacional: metade brasileira, metade paraguaia, com a energia dividida igualmente entre os dois países — mesmo o Paraguai, com população e consumo elétrico muito menores, usando historicamente só uma fração da própria cota e vendendo o excedente ao Brasil. As obras começaram efetivamente em janeiro de 1975, dando início a uma década de construção que mobilizaria dezenas de milhares de pessoas dos dois lados da fronteira.

Vista aérea da barragem de Itaipu sobre o rio Paraná

A barragem vista do alto, na fronteira entre Foz do Iguaçu (Brasil) e Hernandarias (Paraguai)

O maior canteiro de obras do mundo

Para erguer a usina, foi preciso primeiro desviar o curso do Paraná, um dos rios mais caudalosos da América do Sul. Um canal de desvio de quase 2 km de extensão foi escavado para que o leito original secasse e a barragem principal pudesse ser construída em terra firme. No auge das obras, cerca de 40 mil operários trabalhavam simultaneamente no canteiro, atraídos de várias regiões do Brasil e do Paraguai pela oferta de emprego. Alguns números resumem a escala do projeto:

  • Mais de 12,3 milhões de m³ de concreto usados na construção;
  • 20 unidades geradoras, cada uma com 700 megawatts de capacidade, somando 14 mil MW de potência instalada;
  • Rede elétrica sincronizada para atender ao mesmo tempo o sistema de 50 Hz do Paraguai e o de 60 Hz do Brasil, solução técnica rara no mundo;
  • Em 1994, a Sociedade Americana de Engenheiros Civis elegeu Itaipu uma das sete maravilhas modernas de engenharia do planeta, ao lado do Canal do Panamá e da Torre Eiffel.

Sete Quedas: a cachoeira que desapareceu debaixo d'água

Antes de Itaipu, o trecho represado do rio Paraná abrigava o Salto de Sete Quedas, um conjunto de quedas d'água que muitos brasileiros da época consideravam ainda mais imponente que as Cataratas do Iguaçu, rio abaixo. Em outubro de 1982, com o canal de desvio fechado, o novo reservatório começou a se formar rapidamente: em pouco mais de duas semanas, a água cobriu por completo as quedas, apagando do mapa um dos maiores acidentes geográficos do continente e alagando também comunidades ribeirinhas que precisaram ser realocadas. O Congresso brasileiro chegou a rebaixar formalmente o antigo Parque Nacional de Sete Quedas em 1981 para permitir o alagamento — uma perda lamentada até hoje por quem conheceu o lugar antes da usina.

Vista geral da Usina Hidrelétrica de Itaipu e seu reservatório no rio Paraná

O reservatório de Itaipu represa hoje o trecho do rio Paraná onde ficava o Salto de Sete Quedas

A primeira das 20 turbinas entrou em operação em 5 de maio de 1984, e novas unidades foram ligadas ao longo da década seguinte até a usina atingir a capacidade total. A rivalidade histórica com Três Gargantas, que assumiu o posto de maior hidrelétrica em capacidade instalada a partir de 2012, não tirou de Itaipu o título de recordista em produtividade: em 2016, a usina bateu o recorde mundial de geração anual de energia por uma única planta, com mais de 103 milhões de MWh produzidos em doze meses — energia suficiente para abastecer boa parte do consumo elétrico do Paraguai e uma fatia expressiva do Brasil ao mesmo tempo, mais de quatro décadas depois de um tratado assinado por dois países que dividiam um rio.

Onde fica

  • Itaipu Binacional Histórico
    Itaipu Binacional, Foz do Iguaçu - Paraná

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Vista da área verde do Bosque da Ciência do INPA em Manaus

Foto: Wikimedia Commons

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Acrópole de Atenas: por dentro do berço da democracia e da arquitetura clássica

Vista do Partenon no alto da Acrópole de Atenas

Foto: Wikimedia Commons

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No alto de uma colina rochosa que domina a paisagem de Atenas, um conjunto de templos de mármore branco resume boa parte do que se entende hoje por civilização clássica ocidental. A Acrópole de Atenas — literalmente "cidade no alto" em grego — reúne construções erguidas principalmente no século V a.C., durante o chamado Século de Péricles, período em que Atenas viveu seu auge político, cultural e artístico.

O Partenon e a era de Péricles

O monumento mais famoso do conjunto é o Partenon, templo dedicado à deusa Atena, padroeira da cidade, construído entre 447 e 432 a.C. sob o comando do estadista ateniense Péricles. A obra foi coordenada pelo escultor Fídias e pelos arquitetos Ictino e Calícrates, e é considerada um dos exemplos mais perfeitos da arquitetura dórica grega, com proporções matemáticas cuidadosamente calculadas para parecerem harmônicas mesmo à distância.

Templos, guerras e transformações

Além do Partenon, a Acrópole abriga o Erecteion, templo conhecido pelas esculturas de mulheres (cariátides) que substituem colunas tradicionais, e os Propileus, o portão monumental de entrada do conjunto. Ao longo de mais de dois mil anos, os templos serviram a diferentes propósitos — incluindo igreja cristã e mesquita otomana — e o Partenon chegou a ser usado como paiol de pólvora no século XVII, quando uma explosão durante um cerco veneziano destruiu boa parte do telhado e de colunas originais.

Fachada leste do Partenon

As colunas dóricas do Partenon são um dos símbolos mais reconhecíveis da arquitetura clássica.

A polêmica dos Mármores do Partenon

No início do século XIX, o diplomata britânico Lord Elgin removeu boa parte das esculturas originais do Partenon e as levou para o Reino Unido, onde estão expostas até hoje no Museu Britânico como os chamados "Mármores de Elgin". A Grécia reivindica formalmente a devolução das peças há décadas, e o debate segue sem solução — um dos casos mais conhecidos de disputa internacional sobre repatriação de patrimônio cultural.

Trabalho de restauração em andamento no Partenon

Obras de restauração no Partenon são praticamente contínuas desde a década de 1970.

Dicas para a visita

A subida até a Acrópole é feita por caminhos de pedra que podem ficar escorregadios e bastante cheios em alta temporada — ir logo na abertura, pela manhã, ajuda a evitar tanto o calor quanto as multidões. Vale complementar a visita com o Museu da Acrópole, aos pés da colina, que exibe peças originais e explica em detalhes a história e as técnicas de construção do conjunto.

Onde fica

  • Acrópole de Atenas Histórico
    Atenas, Grécia

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