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📍 Dica rápida

Largo de São Sebastião: a praça de pedras portuguesas ao lado do Teatro Amazonas

Inaugurado em 1901 com pedras portuguesas, o Largo de São Sebastião é uma das praças mais bonitas do Centro Histórico de Manaus, com o Monumento à Abertura dos Portos no meio e o Teatro Amazonas logo ao lado. Ao redor ficam casarões antigos, museus e bares.

É parada obrigatória pra quem já está caminhando pelo Centro Histórico — vale ir no fim da tarde, quando o movimento na praça aumenta.

Largo de São Sebastião com calçamento português e o Teatro Amazonas ao fundo, em Manaus

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Largo de São Sebastião Ponto Turístico
    Rua 10 de Julho - Centro, Manaus - AM, 69010-060
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Ver-o-Peso: o maior mercado a céu aberto da América Latina e vitrine da culinária amazônica

Vista do mercado Ver-o-Peso, em Belém do Pará

Foto: Wikimedia Commons

À beira da Baía do Guajará, onde os barcos de pescadores e produtores rurais atracam desde o período colonial, o mercado Ver-o-Peso é considerado o maior mercado a céu aberto da América Latina em funcionamento contínuo. O nome vem da época colonial, quando a Coroa portuguesa mantinha ali uma casa de pesagem para cobrar impostos sobre as mercadorias que chegavam por via fluvial — literalmente, o lugar onde se ia "ver o peso" das cargas.

Origem no século XVII

O comércio no local remonta a 1625, quando os portugueses instalaram o posto de fiscalização, mas a estrutura de ferro que hoje abriga o Mercado de Ferro, um dos principais pavilhões do complexo, foi trazida da Europa e montada em 1901, seguindo a mesma técnica de importação de estruturas metálicas usada em outros mercados históricos do Brasil no início do século XX.

A porta de entrada da culinária amazônica

Mais do que um mercado comum, o Ver-o-Peso funciona como uma vitrine viva da culinária paraense: ali é possível encontrar desde peixes de água doce típicos da Amazônia, como o filhote e a pirarucu, até ervas e raízes usadas em pratos tradicionais como o tacacá e o pato no tucupi. A área de barracas de comida, conhecida por servir refeições feitas na hora com esses ingredientes regionais, atrai tanto a população local quanto turistas em busca de sabores que dificilmente encontram em outras regiões do país.

Bancas de peixe e frutas no Ver-o-Peso

Peixes amazônicos e frutas regionais são a base do comércio no mercado.

Feira das ervas e a cultura popular paraense

Um dos setores mais peculiares do Ver-o-Peso é a chamada Feira das Ervas, dedicada a plantas medicinais, banhos de cheiro e itens ligados a práticas populares e religiosas da região amazônica — um espaço que reflete a mistura de tradições indígenas, africanas e europeias que forma a cultura paraense.

Movimento no mercado Ver-o-Peso

O mercado funciona desde muito cedo, quando os barcos de pesca chegam com o produto do dia.

Dicas para a visita

O movimento começa de madrugada, quando os barcos de pesca atracam, e o ideal é chegar cedo pela manhã para ver o mercado no auge da atividade. Vale provar o tacacá servido nas barracas próximas e caminhar com atenção redobrada aos pertences pessoais, já que é uma área bastante movimentada e popular da cidade.

Onde fica

  • Mercado Ver-o-Peso Restaurante
    Boulevard Castilho França, Belém, Pará

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Bar Luiz: o clássico alemão que resiste no centro do Rio desde 1887

Interior histórico do Bar Luiz, no centro do Rio de Janeiro

Foto: Wikimedia Commons

Na Rua da Carioca, uma das ruas mais movimentadas do centro histórico do Rio de Janeiro, um letreiro discreto marca a entrada de um dos bares mais antigos da cidade ainda em funcionamento. Fundado em 1887 por imigrantes alemães — inicialmente com outro nome, batizado de Bar Luiz só depois, em homenagem a um de seus proprietários —, o bar atravessou mais de 130 anos sem perder a essência: mesas de mármore, garçons de colete e uma cozinha que ainda lembra a origem germânica da casa.

Herança alemã no cardápio

O prato mais pedido até hoje é o eisbein, joelho de porco defumado e cozido lentamente, tradicionalmente servido com chucrute e purê — uma receita que atravessou gerações praticamente sem alterações. Salsichas artesanais, salada de batata e tábuas de frios completam um cardápio que remete diretamente à colônia alemã que se estabeleceu no Rio de Janeiro no fim do século XIX, muito antes de bairros como a Ilha do Governador ou Petrópolis se tornarem os destinos mais lembrados dessa imigração.

Chope gelado servido no Bar Luiz

O chope gelado é tradição na casa desde o século XIX.

Chope servido do jeito certo

Além da comida, o Bar Luiz é conhecido entre os cariocas por levar a sério o ritual do chope: a bebida é servida em canecas de vidro geladas, com uma técnica de tiragem que os frequentadores mais antigos costumam comentar como diferencial da casa. Não é incomum ver filas na porta em dias de calor, especialmente no fim da tarde, quando funcionários do entorno do centro saem do trabalho.

Um pedaço de história viva

Sobreviver a mais de um século no centro do Rio não foi trivial: o bairro passou por reformas urbanas, mudanças de perfil comercial e, mais recentemente, esvaziamento nos fins de semana, quando o centro financeiro fica mais silencioso. Ainda assim, o Bar Luiz manteve o mesmo endereço na Rua da Carioca, tornando-se um símbolo de resistência e um point tradicional de rodas de chorinho e encontros de fim de expediente.

Roda de chorinho em frente ao Bar Luiz

Rodas de chorinho são comuns na calçada em frente ao bar.

Dicas para a visita

O Bar Luiz funciona principalmente durante a semana, no horário comercial e início da noite, já que fica numa região do centro do Rio mais movimentada em dias úteis. Vale combinar a visita com um passeio pelo centro histórico, aproveitando para conhecer outros clássicos da região, como a Confeitaria Colombo, que fica a poucos minutos a pé.

Onde fica

  • Bar Luiz Bar
    Rua da Carioca, 39, Centro, Rio de Janeiro - RJ

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Maxim's de Paris: o bistrô de um garçom que virou templo art nouveau da Belle Époque

Fachada verde e dourada do restaurante Maxim's de Paris, na Rue Royale

Foto: Wikimedia Commons

Na esquina da Rue Royale com a Place de la Concorde, em Paris, uma fachada verde-escura emoldurada em ferro dourado esconde um dos salões mais fotografados — e menos visitados por dentro — da cidade. Passar pela porta do Maxim's é entrar numa cápsula do tempo que resume toda a extravagância da Belle Époque francesa, quando o restaurante virou sinônimo de luxo, escândalo e alta sociedade.

De bistrô de esquina a ponto de encontro da elite

O endereço 3 Rue Royale abrigava, em 1893, apenas um modesto café de bairro. Foi ali que o garçom Maxim Gaillard decidiu abrir seu próprio estabelecimento, batizando-o com o próprio nome. O pequeno bistrô ganhou popularidade rápido entre a burguesia parisiense, mas foi a virada do século que transformaria o Maxim's de simples ponto de encontro em símbolo internacional de sofisticação.

A reforma que criou um marco art nouveau

Entre 1899 e 1900, o maître d'hôtel Eugène Cornuché comprou o restaurante e contratou o arquiteto-decorador Louis Marnez para prepará-lo às pressas para a Exposição Universal de 1900. O resultado foi um dos interiores art nouveau mais completos já preservados na França: painéis de mogno, espelhos biselados, ornamentos em bronze e cobre entrelaçados em motivos florais e afrescos nas paredes assinados pelo pintor Léon Sonnier. A decoração, quase intacta até hoje, rendeu ao salão principal reconhecimento como patrimônio histórico.

Fachada do restaurante Maxim's no número 3 da Rue Royale, em Paris

A fachada do Maxim's na Rue Royale, entre a Place de la Concorde e a Madeleine.

O palco das noites mais badaladas de Paris

Ao longo da Belle Époque e das décadas seguintes, as mesas do Maxim's reuniram aristocratas, cortesãs, escritores e artistas em um ambiente reservado e badalado. Entre os frequentadores mais citados pela história do restaurante estão:

  • Marcel Proust e Jean Cocteau, que levaram o clima do salão para suas obras;
  • Salvador Dalí, com suas aparições tão extravagantes quanto seus quadros;
  • a atriz Grace Kelly, já como princesa de Mônaco;
  • a soprano Maria Callas, o cineasta Alfred Hitchcock e o artista Andy Warhol.

Foi também nesse período que o Maxim's ganhou vida na cultura popular: a personagem Chegrette e o próprio nome do restaurante aparecem na opereta "A Viúva Alegre", de Franz Lehár, estreada em 1905, ambientada justamente entre suas mesas.

De Pierre Cardin ao museu acima do salão

Em maio de 1981, o estilista Pierre Cardin comprou o Maxim's por um valor nunca revelado publicamente, estimado em mais de 20 milhões de dólares, e transformou o nome em marca internacional, com filiais em outras cidades e uma linha de produtos derivados, de porcelanas a perfumes. Colecionador de peças art nouveau havia décadas, Cardin instalou no andar acima do salão principal o Musée Art Nouveau — Maxim's, com mais de 550 objetos de nomes como Louis Majorelle, Louis Comfort Tiffany, Émile Gallé e Henri de Toulouse-Lautrec.

Retrato de Arlette Dorgère feito no verso de um menu do Maxim's em 16 de abril de 1908

Retrato feito no verso de um cardápio do Maxim's, em 16 de abril de 1908 — um dos muitos vestígios das noites boêmias do salão.

Mais de 130 anos depois de Maxim Gaillard servir seus primeiros clientes, o pequeno bistrô que ele batizou com o próprio nome continua funcionando na mesma esquina da Rue Royale — hoje como um dos raros interiores art nouveau da virada do século ainda em uso diário, servindo jantares sob os mesmos afrescos que testemunharam a Belle Époque.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Muitos dizem ser o almoço perfeito em Paris. Reserve com antecedência.

Onde fica

  • Maxim's de Paris Restaurante
    Maxim's de Paris, 3 Rue Royale, Paris, França

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