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Banzeiro: o restaurante que colocou tambaqui e tucupi no mapa da alta gastronomia amazônica

Casarão histórico em Manaus, cidade onde fica o restaurante Banzeiro

Foto: Wikimedia Commons

Numa casa adaptada na Rua Libertador, no bairro Nossa Senhora das Graças, o Banzeiro abriu as portas em 2009 com uma proposta que, até então, quase ninguém tentava em Manaus: transformar os ingredientes do rio e da mata amazônica em cozinha autoral, sem abrir mão da técnica. O nome vem de um termo usado pelos ribeirinhos para descrever o movimento agitado da água causado pela passagem de embarcações grandes — uma imagem que resume bem a mistura de tradição e agitação criativa que o restaurante propõe.

Do Direito para a cozinha amazônica

Por trás do Banzeiro está o chef Felipe Schaedler, nascido em Maravilha, Santa Catarina, e criado desde os 15 anos em Itacoatiara, no interior do Amazonas, para onde a família se mudou em 2004. Schaedler chegou a cursar Direito antes de abandonar a faculdade para seguir gastronomia, formando-se pelo Ciesa (Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas) em 2008 e completando depois uma pós-graduação em Gastronomia e Cozinha Autoral pela PUC-RS. Um ano depois de se formar, já estava à frente da cozinha do próprio restaurante — hoje reconhecido como uma das referências que ajudaram a colocar a culinária amazônica contemporânea no radar nacional.

Tambaqui, peixe de água doce típico da Amazônia

O tambaqui, peixe de água doce abundante nos rios amazônicos, é a base de vários pratos do cardápio.

Um cardápio construído sobre peixes de rio e ingredientes da floresta

O cardápio do Banzeiro gira em torno de peixes como o tambaqui — servido, por exemplo, com sal de flores e arroz negro, ou grelhado na folha de bananeira com molho de tucupi, farofa de banana e massa de mandioca — e o pirarucu, que aparece em versões como a moqueca defumada com leite de coco. Há também pratos que reinterpretam clássicos da mesa amazonense, como o tacacá preparado na brasa com camarão grelhado e espuma de jambu, e o arroz arbóreo com tucupi, camarão, jambu e pimenta biquinho. A equipe do restaurante trabalha diretamente com produtores locais para garantir ingredientes como flores comestíveis, cogumelos e frutas regionais, muitas vezes pouco conhecidos fora do Norte do país.

Flores de jambu, planta amazônica usada em pratos do Banzeiro

O jambu, planta que provoca um leve formigamento na boca, aparece em pratos como o tacacá do restaurante.

Reconhecimento dentro e fora da Amazônia

Schaedler foi eleito Chef do Ano entre 2011 e 2013 pela revista Veja Manaus Comer & Beber, e o Banzeiro levou por cinco anos consecutivos, a partir de 2010, o título de melhor cozinha regional da cidade pela mesma publicação. Em 2012, o chef recebeu a Ordem do Mérito Cultural, e em 2014 entrou na lista da Forbes dos 30 brasileiros com menos de 30 anos mais influentes do país. O restaurante também integra o circuito "El Espíritu de América Latina", ligado ao ranking Latin America's 50 Best Restaurants, que descreve o Banzeiro como o restaurante âncora do trabalho de Schaedler em Manaus. Desde 2019, a marca também tem uma unidade em São Paulo, levando o cardápio amazônico para o maior polo gastronômico do país — mas é na casa original da Rua Libertador que a proposta nasceu, a poucos passos do Rio Negro, na cidade que segue sendo a porta de entrada da floresta.

Onde fica

  • Banzeiro Restaurante
    Banzeiro, Rua Libertador, 102, Manaus - AM