Em 1397, o xógum aposentado Ashikaga Yoshimitsu comprou uma antiga vila de campo da família Saionji, no sopé das colinas de Kitayama, ao norte de Quioto. Ele a transformou em residência de retiro e mandou revestir os dois andares superiores de um pavilhão à beira de um lago com folhas de ouro. Quando Yoshimitsu morreu, em 1408, seu testamento determinou que a propriedade virasse um templo zen — e foi assim que o Kinkaku-ji, oficialmente chamado Rokuon-ji, nasceu.
Um pavilhão sobre um lago-espelho
O prédio tem três andares, cada um num estilo arquitetônico diferente: o térreo segue a arquitetura residencial do período Heian, o segundo andar imita um santuário samurai, e o terceiro segue o estilo de um templo zen chinês, coroado por uma fênix dourada. Os dois andares superiores são cobertos por folhas de ouro, e o conjunto se reflete no Kyoko-chi, o "lago-espelho" que cerca o pavilhão — um projeto paisagístico decorado com ilhotas e pedras dispostas para representar lendas budistas e taoistas.

O pavilhão dourado refletido no Kyoko-chi, o "lago-espelho" que o cerca.
O incêndio de 1950
Em 2 de julho de 1950, um monge noviço de 21 anos chamado Hayashi Yoken ateou fogo ao pavilhão, destruindo a estrutura original — construída havia mais de 550 anos — e uma estátua de Yoshimitsu guardada dentro dela. Investigações posteriores revelaram que o motivo não foi político nem religioso: Hayashi, segundo relatos, vinha alimentando uma obsessão psicológica com a beleza do templo, a ponto de considerá-la uma afronta insuportável num mundo imperfeito. Ele tentou se matar logo depois do incêndio e foi condenado a sete anos de prisão em dezembro daquele ano, mas foi solto antes do fim da pena por causa de tuberculose e problemas mentais graves; morreu poucos anos depois.
A reconstrução e o romance que ela inspirou
O pavilhão foi reconstruído entre 1952 e 1955, como uma réplica fiel da estrutura original — com uma diferença: a camada de ouro aplicada na reforma de 1955 é, segundo registros do templo, cerca de cinco vezes mais espessa que a original, o que faz o Kinkaku-ji atual brilhar mais do que o que Yoshimitsu conheceu no século 14. O incêndio e a psicologia por trás dele inspiraram o escritor Yukio Mishima a escrever o romance "O Pavilhão de Ouro" (1956), uma de suas obras mais conhecidas fora do Japão. Hoje o templo integra a lista de Monumentos Históricos da Antiga Quioto, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial em 1994.
Perguntas frequentes
O prédio que se vê hoje é o original?
Não. É uma reconstrução de 1955, feita após o incêndio de 1950 que destruiu a estrutura erguida no século 14.
Dá para entrar no pavilhão?
Não — a visitação é externa, ao longo de um caminho que circula o lago e os jardins, sem acesso ao interior do prédio.





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