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📍 Orlando

Walt Disney World: o segredo por trás da compra do terreno na Flórida

Castelo da Cinderela no Magic Kingdom, no Walt Disney World Resort, em Orlando

Foto: Wikimedia Commons

Em 1965, jornalistas do Orlando Sentinel passaram meses tentando descobrir quem estava comprando, silenciosamente, dezenas de fazendas e pântanos no centro da Flórida através de empresas com nomes genéricos como "Reedy Creek Ranch Corporation" e "Ayefour Corporation". A resposta, quando veio, explicava tudo: era a Walt Disney Productions, e o comprador misterioso mudaria para sempre o mapa turístico dos Estados Unidos.

Um segredo bem guardado

Depois do sucesso da Disneylândia na Califórnia, aberta em 1955, Walt Disney percebeu um problema: o parque tinha pouco espaço para crescer, e hotéis e atrações concorrentes brotavam ao redor sem que a empresa lucrasse com eles. Para o novo projeto, batizado internamente de "Florida Project", Walt queria terreno de sobra — e comprou com discrição justamente para evitar que a especulação imobiliária disparasse os preços antes da hora.

A estratégia funcionou por um bom tempo: a Disney adquiriu cerca de 11 mil hectares a valores que chegavam a apenas 90 dólares o hectare. Quando o Orlando Sentinel publicou a manchete revelando a empresa por trás das compras, em outubro de 1965, o preço da terra na região disparou da noite para o dia. Um mês depois, em 15 de novembro de 1965, Walt Disney e seu irmão Roy anunciaram oficialmente o projeto ao lado do governador da Flórida, Haydon Burns.

Walt Disney em coletiva de imprensa apresentando os planos da Flórida

Walt Disney apresentou o projeto da Flórida a jornalistas nos anos 1960.

Da cidade do amanhã ao Reino Mágico

O sonho original de Walt ia muito além de um parque temático. Ele imaginava a EPCOT — sigla para "Experimental Prototype Community of Tomorrow" — como uma cidade de verdade, habitada por 20 mil moradores, com centro urbano coberto, transporte público que dispensaria carros e um design radial inspirado nas ideias urbanísticas mais avançadas da época. Walt chegou a gravar um filme de 25 minutos explicando o projeto aos investidores, em outubro de 1966. Dois meses depois, em 15 de dezembro de 1966, ele morreu de câncer no pulmão, aos 65 anos, sem ver nenhuma pá de terra revirada na Flórida.

Coube ao irmão mais velho, Roy O. Disney, adiar a própria aposentadoria para tocar a obra adiante. Roy simplificou o projeto: a cidade-conceito de Walt se tornaria, décadas depois, o parque Epcot, enquanto a prioridade imediata virou um parque de diversões nos moldes da Disneylândia. Em maio de 1967, o estado da Flórida criou o Reedy Creek Improvement District, um distrito especial que deu à Disney poderes quase municipais sobre suas próprias terras — de zoneamento a serviços públicos. A construção começou em 1967, e o Castelo da Cinderela, símbolo do futuro Magic Kingdom, só ficou pronto três meses antes da inauguração, em 1º de outubro de 1971.

De um parque a quatro portões

O Magic Kingdom foi só o começo. Nas décadas seguintes, o resort ganhou mais três parques temáticos:

  • Epcot (1982) — a versão final, e bem diferente da original, do sonho urbano de Walt, com a esfera geodésica Spaceship Earth como ícone.
  • Disney-MGM Studios (1989), renomeado Disney's Hollywood Studios em 2008 — dedicado ao cinema e à televisão.
  • Disney's Animal Kingdom (1998) — parque de conservação e vida selvagem, o maior dos quatro em área.

Hoje o Walt Disney World Resort ocupa cerca de 100 quilômetros quadrados em Orlando e Lake Buena Vista — uma área maior do que a ilha de Manhattan, em Nova York — com dezenas de hotéis, dois parques aquáticos e um distrito de compras e entretenimento.

Vista aérea de área do Walt Disney World Resort em Orlando, Flórida

O resort hoje ocupa uma área maior do que a ilha de Manhattan.

Foi Roy quem decidiu, pouco antes da inauguração, que o parque não se chamaria apenas "Disney World", mas "Walt Disney World" — para que ninguém esquecesse de quem tinha sido aquele sonho. Roy dedicou o resort ao irmão em uma cerimônia em outubro de 1971 e morreu menos de três meses depois, em 20 de dezembro daquele ano, encerrando pessoalmente o capítulo que Walt não viveu para ver completo.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Um segredo que virou magia e atrai milhões de pessoas por ano.

Onde fica

  • Walt Disney World Resort (Magic Kingdom) Histórico
    Walt Disney World Resort, Orlando, Flórida, Estados Unidos

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Le Train Bleu: o restaurante Belle Époque escondido dentro de uma estação de trem em Paris

Salão decorado do restaurante Le Train Bleu, em Paris

Foto: Wikimedia Commons

É comum pensar em estações de trem como espaços puramente funcionais, mas a Gare de Lyon, em Paris, guarda uma exceção notável dentro de suas próprias paredes. No andar superior da estação funciona o Le Train Bleu, um restaurante monumental inaugurado em 1901 para a Exposição Universal de Paris, com tetos pintados, dourados e mais de quarenta afrescos que fazem dele um dos interiores Belle Époque mais bem preservados da cidade.

Construído para uma exposição universal

Originalmente batizado de "Buffet de la Gare de Lyon", o restaurante foi encomendado pela companhia ferroviária PLM (Paris-Lyon-Méditerranée) para impressionar visitantes da Exposição Universal de 1900, que trouxe à cidade inovações como a primeira linha do metrô parisiense. O nome atual, Le Train Bleu, é uma homenagem ao lendário trem de luxo que ligava Paris à Riviera Francesa, símbolo de elegância e viagens de luxo no início do século XX.

Quarenta e um afrescos e nomes de destinos

Os afrescos que cobrem o teto e as paredes do salão principal retratam cidades atendidas pelas antigas linhas da PLM — de Marselha a Nice — pintados por artistas premiados da época, contratados especialmente para o projeto. Essa combinação de escala monumental e riqueza artística levou o governo francês a tombar o interior do restaurante como monumento histórico em 1972, um reconhecimento raro para um espaço comercial em funcionamento.

Afrescos no teto do restaurante Le Train Bleu

Os afrescos do teto retratam destinos atendidos pela antiga companhia ferroviária PLM.

Cenário de cinema

A grandiosidade do salão chamou a atenção de cineastas ao longo das décadas: o restaurante aparece em filmes como "Mr. Bean's Holiday" e "Nikita", de Luc Besson, além de ter recebido nomes como Coco Chanel, Salvador Dalí e Jean Cocteau entre seus frequentadores históricos.

Interior ornamentado do Le Train Bleu

O tombamento do interior como monumento histórico ocorreu em 1972.

Dicas para a visita

Como fica dentro da própria Gare de Lyon, é possível conhecer o restaurante mesmo sem embarcar em nenhum trem — vale reservar uma mesa com antecedência, já que o salão é procurado tanto por viajantes quanto por parisienses e turistas que vão especificamente para ver a decoração. Chegar com um pouco de antecedência para apreciar os detalhes do teto antes da refeição é uma boa estratégia.

Onde fica

  • Le Train Bleu Restaurante
    Gare de Lyon, Place Louis-Armand, Paris, França

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📍 Dica rápida

Livraria Lello: a livraria centenária que virou point turístico do Porto

Aberta desde 1906, é considerada uma das livrarias mais bonitas do mundo — escadaria vermelha em curva, vitrais coloridos e teto neogótico entalhado à mão. Fila garantida na porta.

Fachada da Livraria Lello, no Porto

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Quem aí curte Harry Potter?

Onde fica

  • Livraria Lello Ponto Turístico
    R. das Carmelitas 144, 4050-161 Porto, Portugal
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Harry's New York Bar: o esconderijo de Hemingway que inventou o Bloody Mary

Letreiro neon do Harry's New York Bar, em Paris

Foto: Wikimedia Commons

Numa rua estreita perto da Ópera de Paris, um bar batizado com um nome que soa mais Manhattan do que Rive Droite guarda uma das histórias mais curiosas da coquetelaria mundial. O Harry's New York Bar foi aberto em 1911 pelo barman escocês Harry MacElhone, que comprou um bar americano desmontado em Nova York e o remontou peça por peça em Paris — dando início a mais de um século de história como point de expatriados americanos, jornalistas e escritores.

O berço de coquetéis famosos

O Harry's é frequentemente citado como o local de criação de pelo menos dois clássicos da coquetelaria: o Bloody Mary, feito com vodca e suco de tomate, e o Sidecar, à base de conhaque, Cointreau e suco de limão. A autoria de clássicos assim costuma ser disputada entre vários bares e bartenders ao redor do mundo, mas o Harry's guarda esse capítulo como parte central da sua identidade — e ainda serve as duas receitas praticamente como eram feitas há um século.

Interior do Harry's New York Bar

O balcão de madeira escura é praticamente o mesmo desde a fundação em 1911.

Point de Hemingway na Paris dos anos 1920

Durante os chamados "anos loucos" (années folles) em Paris, o Harry's se tornou reduto de uma geração de escritores americanos expatriados, com Ernest Hemingway como o nome mais lembrado. Reza a tradição da casa que Hemingway não só era cliente frequente como ajudou a popularizar o bar entre outros nomes da chamada "Geração Perdida", grupo de escritores americanos que viveu em Paris entre guerras. O clima de esconderijo americano no meio de Paris, com jornais e revistas dos Estados Unidos disponíveis no balcão, ajudou a consolidar essa fama.

Mais de um século no mesmo endereço

Diferente de muitos bares históricos que mudaram de endereço ou perderam a decoração original, o Harry's mantém até hoje boa parte do visual de bar americano clássico: bandeirinhas de faculdades americanas penduradas no teto, fotos antigas nas paredes e um piano no porão, onde also funcionava um piano-bar frequentado por músicos de jazz ao longo do século XX.

Fachada do Harry's New York Bar em Paris

A fachada discreta esconde mais de cem anos de história na coquetelaria.

Dicas para a visita

O Harry's fica bem próximo da Ópera Garnier e da Place Vendôme, o que facilita incluir o bar num roteiro a pé pelo centro de Paris. Vale ir ao fim da tarde para conseguir lugar no balcão, onde os bartenders costumam compartilhar histórias sobre a origem dos coquetéis servidos ali há mais de cem anos.

Onde fica

  • Harry's New York Bar Bar
    5 Rue Daunou, 75002 Paris, França

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