Tem Café Aí Tem Café Aí Guia de destinos, sabores e histórias
Bandeira de Estados Unidos Estados Unidos
Bandeira de Nova York Nova York

Katz's Delicatessen: o templo do sanduíche de pastrami que virou ícone de Nova York

Fachada da Katz's Delicatessen, em Nova York

Foto: Frank Schulenburg / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Faca Serrilhada para Pão e Bolos
📦 Recomendação RadarCompraFaca Serrilhada para Pão e BolosR$ 22,99Ver no RadarCompra →

No cruzamento da Houston Street com a Ludlow Street, no Lower East Side de Manhattan, uma delicatessen judaica aberta em 1888 se tornou um dos restaurantes mais fotografados de Nova York. A Katz's Delicatessen nasceu para atender a onda de imigrantes judeus da Europa Oriental que se estabeleceu no bairro no fim do século XIX, e mais de 130 anos depois segue servindo pastrami cortado à mão praticamente do mesmo jeito.

Pastrami cortado à mão, sem pressa

O sanduíche mais famoso da casa leva fatias generosas de pastrami defumado, curado e cozido no vapor por um processo que pode levar dias — uma técnica trazida por imigrantes judeus da Europa Oriental e preservada quase sem alterações. Diferente da maioria das delicatessens modernas, o corte na Katz's ainda é feito manualmente por açougueiros experientes atrás do balcão, à vista dos clientes.

"I'll have what she's having"

A fama internacional do restaurante deu um salto em 1989, quando uma cena do filme "Harry e Sally — Feitos um para o Outro" foi gravada numa das mesas da Katz's, com a frase "vou querer o que ela está tomando" se tornando uma das falas mais citadas da comédia romântica americana. A própria mesa onde a cena foi filmada é sinalizada até hoje dentro do restaurante, atraindo fãs do filme décadas depois do lançamento.

Vista externa da Katz's Delicatessen

A fachada e o letreiro clássico mudaram pouco ao longo de mais de um século.

Tradição de apoio às tropas americanas

Durante a Segunda Guerra Mundial, a família dona do restaurante começou a enviar salame para parentes servindo nas forças armadas, criando o slogan "Send a salami to your boy in the army" (mande um salame para o seu rapaz no exército) — frase que até hoje aparece pintada na parede do restaurante como parte da sua identidade visual e histórica.

Letreiro clássico da Katz's Delicatessen

O letreiro amarelo é um dos mais reconhecíveis do Lower East Side.

Dicas para a visita

O sistema da casa funciona por senhas: ao entrar, o cliente recebe um tíquete que é carimbado a cada pedido no balcão, e o pagamento é feito na saída com base nesse tíquete — perdê-lo pode gerar uma taxa extra, então vale guardar bem. Filas são comuns em horários de almoço e jantar, especialmente aos fins de semana.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Katz's Delicatessen — Wikipédia

Foto: Frank Schulenburg / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Me avisem se acharem um sanduiche de pastrami melhor que o da Katz's.

Onde fica

  • Katz's Delicatessen Restaurante
    205 E Houston St, Nova York, Estados Unidos

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Continue explorando Nova York


Continue lendo

Bandeira de Portugal Portugal
Bandeira de Lisboa Lisboa
📍 Dica rápida

Pavilhão Chinês: o bar-curiosidades que vive atrás de uma porta vermelha

Aberto em 1986 numa antiga mercearia do início do século 20, o Pavilhão Chinês esconde vários salões lotados de bonecos, brinquedos antigos e curiosidades reunidas pelo próprio dono. A entrada é por uma porta vermelha, tocando a campainha, no Príncipe Real.

Interior decorado do bar Pavilhão Chinês em Lisboa

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Pavilhão Chinês Bar
    Rua Dom Pedro V, Lisboa, Portugal
— (0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Espanha Espanha
📍 Sevilha
📍 Dica rápida

Torre del Oro: a torre almóada que fechava o rio com uma corrente

Enfeite Decorativo de Navio em Madeira (20cm)
📦 Recomendação RadarCompraEnfeite Decorativo de Navio em Madeira (20cm)R$ 65,97Ver no RadarCompra →

A Torre del Oro foi construída entre 1220 e 1221, no fim do domínio almóada, por ordem do governador Abu l-Ula, para vigiar o Guadalquivir, a porta de entrada de Sevilha pelo rio. Dela partia uma grande corrente que podia bloquear a passagem dos barcos. O nome, "Torre do Ouro", viria do brilho dourado que ela refletia na água, por causa do material da construção: argamassa, cal e palha prensada.

Três andares, três épocas

A torre é um resumo de história em camadas. O primeiro corpo, de doze lados, é o original almóada. O segundo, octogonal, foi acrescentado no século XIV por Pedro I de Castela, o mesmo do palácio mudéjar do Alcázar. O terceiro, circular, foi refeito em 1760 pelo engenheiro militar Sebastián Van der Borcht, depois dos estragos do terremoto de Lisboa de 1755. Ao longo dos séculos, ela também serviu de prisão. Hoje abriga um pequeno museu naval, com instrumentos náuticos e documentos, e em 1992, durante a Expo de Sevilha, foi irmanada com a Torre de Belém, em Lisboa.

Torre del Oro às margens do rio Guadalquivir, em Sevilha

Foto: Benjamin Smith / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • Torre del Oro Histórico
    Paseo de Cristóbal Colón, s/n, 41001 Sevilha, Espanha
— (0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Portugal Portugal
Bandeira de Lisboa Lisboa

Café A Brasileira: a casa de 1905 no Chiado que ensinou Lisboa a beber bica

Fachada histórica do Café A Brasileira, no Chiado, em Lisboa

Foto: VDT2021 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Conjunto 12 Xícaras de Café Expresso em Porcelana (dourado)
📦 Recomendação RadarCompraConjunto 12 Xícaras de Café Expresso em Porcelana (dourado)R$ 69,90 R$ 99,00Ver no RadarCompra →

Em 19 de novembro de 1905, um comerciante chamado Adriano Telles abriu as portas de uma loja na Rua Garrett, no Chiado, para vender "café genuinamente brasileiro" trazido de Minas Gerais. Para atrair fregueses, Telles oferecia uma xícara grátis a quem comprasse um quilo do grão moído — e foi ali, nesse balcão, que Lisboa provou pela primeira vez a bica: uma dose curta e forte de café, servida na época acompanhada de leite de cabra fresco vindo das quintas vizinhas. Mais de um século depois, o Café A Brasileira segue no mesmo endereço, um dos três cafés mais antigos da cidade ainda em atividade.

Um emigrante entre Portugal e Minas Gerais

Antes de virar dono de café em Lisboa, Adriano Soares Telles do Valle (1859-1932), natural de Alvarenga, embarcou para o Brasil em 1872, ainda adolescente. Lá se casou com a filha de um dos maiores produtores de café de Minas Gerais e prosperou como agricultor e comerciante, chegando a fundar uma rede de lojas batizada "Ao Preço Fixo", que reunia desde casa de câmbio a comércio geral. A doença da esposa o trouxe de volta a Portugal; ela não resistiu, mas Telles ficou e transformou a experiência mineira em negócio: passou a importar café brasileiro em grande escala e, a partir da loja do Chiado — que antes vendia camisas —, expandiu a marca A Brasileira também para Coimbra, Braga, Porto e Sevilha, sempre com a mesma isca comercial: café grátis por xícara a quem comprasse o produto embalado.

Do balcão de venda ao salão Art Nouveau

O projeto original da fachada e da decoração interior ficou a cargo do arquiteto Manuel Norte Júnior, que seguiu o gosto parisiense então em voga — espelhos, painéis de madeira trabalhada e uma atmosfera de outra época. Décadas depois, uma reforma assinada pelo arquiteto José Pacheco deu ao espaço contornos Art Déco: entrada em verde e dourado, paredes espelhadas, ferragens em latão, um longo balcão de carvalho e reservados de madeira que até hoje estruturam o salão. Em 1997, o imóvel foi classificado como imóvel de interesse público, reconhecimento formal do papel que ocupa na paisagem urbana de Lisboa.

Interior decorado do Café A Brasileira, com espelhos e detalhes em madeira

O salão interior preserva espelhos, madeira trabalhada e ferragens de latão de sucessivas reformas.

O ponto de encontro de Fernando Pessoa

Foi nesse salão que o café se tornou palco de tertúlias literárias e artísticas nas primeiras décadas do século XX. Fernando Pessoa era cliente frequente, ao lado de nomes como Jorge Barradas e Almada Negreiros, discutindo poesia e modernismo entre uma bica e outra. A associação entre o poeta e a casa ficou tão forte que, em 1988, foi inaugurada na calçada em frente uma estátua em bronze de Pessoa, obra do escultor Lagoa Henriques: o poeta sentado a uma mesa de esplanada, chapéu na cabeça, mão pousada sobre o tampo e olhar perdido no horizonte. A escultura se tornou um dos pontos mais fotografados do Chiado, disputando espaço com turistas que se sentam ao lado para uma foto.

De onde vem o nome "bica"

A origem exata do termo ainda divide os lisboetas. Uma explicação liga o nome ao jato de café caindo da máquina para a xícara, como uma bica d'água ou fonte. Outra, mais popular e provavelmente lendária, defende que "bica" seria um acrônimo de "beba isto com açúcar", frase que Telles teria usado para convencer os primeiros clientes a experimentar a bebida forte e amarga vinda do Brasil. Seja qual for a origem real, o nome pegou e se espalhou por Lisboa muito além das paredes do Chiado, virando sinônimo local de café expresso.

Ambiente do Café A Brasileira no Chiado, Lisboa

O Café A Brasileira permanece em atividade no mesmo endereço da Rua Garrett desde 1905.

Mais de cem anos depois de Adriano Telles servir a primeira bica no balcão da Rua Garrett, o Café A Brasileira segue como um dos endereços mais visitados de Lisboa — não apenas pelo café, mas pelo peso simbólico de ter sido, por décadas, o escritório informal de um dos maiores poetas da língua portuguesa.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Café A Brasileira — Wikipédia

Foto: VDT2021 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Famoso pelo pastel de belém ou pastel de nata?

Onde fica

  • Café A Brasileira Cafeteria
    Café A Brasileira, Rua Garrett, Lisboa, Portugal

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Carregando mais destinos…