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Ouro Preto: a cidade barroca que guarda a obra-prima de Aleijadinho

Fachada da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto

Foto: Wikimedia Commons

Encravada nas montanhas de Minas Gerais, Ouro Preto é uma das cidades mais bem preservadas do período colonial brasileiro. Fundada no final do século XVII como Vila Rica, ela nasceu ao redor das primeiras grandes descobertas de ouro no interior do Brasil e, em poucas décadas, se tornou uma das cidades mais ricas do império português — riqueza que hoje se traduz em dezenas de igrejas barrocas, casarões coloniais e ladeiras de pedra que fizeram da cidade a primeira do Brasil a receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, em 1980.

O ciclo do ouro e a Inconfidência

Durante o auge da mineração, no século XVIII, Vila Rica chegou a ser mais populosa que muitas capitais europeias da época. Foi também nesse cenário de riqueza extrema e impostos pesados cobrados pela Coroa portuguesa que nasceu, em 1789, a Inconfidência Mineira — movimento separatista liderado por figuras como Tiradentes, que se tornaria um dos maiores símbolos da luta pela independência do Brasil. Museus e prédios históricos da cidade, como o Museu da Inconfidência, na antiga Casa de Câmara e Cadeia, contam essa história em detalhes.

A obra-prima de Aleijadinho

Nenhum nome está mais associado a Ouro Preto do que Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho — escultor e arquiteto mestiço que, mesmo enfrentando uma doença degenerativa nas mãos e pernas, produziu algumas das obras mais importantes do barroco brasileiro. Sua obra máxima é considerada a Igreja de São Francisco de Assis, construída entre 1766 e 1794. A fachada em pedra-sabão, esculpida por ele, e o teto pintado por Mestre Ataíde, outro nome fundamental da arte colonial mineira, formam um conjunto que atrai historiadores e turistas do mundo inteiro.

Detalhe da portada esculpida por Aleijadinho

Detalhe da portada em pedra-sabão esculpida por Aleijadinho.

Diferente de boa parte da arquitetura religiosa da época, marcada pela simetria rígida do barroco europeu, a fachada de São Francisco de Assis apresenta curvas ousadas e um relevo com a imagem de São Francisco recebendo os estigmas — considerado um dos pontos altos da escultura colonial nas Américas. O interior, com talha dourada e pinturas em perspectiva no forro, reforça por que a igreja é tratada como o principal exemplo do rococó mineiro.

Caminhando pelo centro histórico

Além de São Francisco de Assis, vale reservar tempo para conhecer a Igreja Nossa Senhora do Pilar, com interior coberto de ouro, e a Igreja Nossa Senhora do Carmo. As ladeiras de pedra irregular, íngremes e charmosas, conectam praças, ateliês de artesanato em pedra-sabão e mirantes com vista para os telhados coloniais — um passeio que rende horas de caminhada mesmo sem pressa para entrar em cada atração.

Vista aérea do centro histórico de Ouro Preto

O centro histórico preserva o traçado colonial de ruas e ladeiras do século XVIII.

Dicas para a visita

Como as ruas são de pedra e bastante inclinadas, calçados confortáveis fazem toda a diferença. A maior parte das igrejas cobra um pequeno ingresso e tem horários reduzidos de visitação, então vale checar o funcionamento com antecedência. Ouro Preto também é ponto de partida para conhecer outras cidades históricas próximas, como Mariana e Tiradentes, o que torna a região um dos roteiros de turismo histórico mais completos do Brasil.

Onde fica

  • Igreja de São Francisco de Assis Histórico
    Largo de Coimbra, s/n, Centro, Ouro Preto - MG, 35400-000