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Estádio do Maracanã: da corrida contra o tempo em 1950 ao maior trauma do futebol brasileiro

Vista aérea do Estádio do Maracanã a partir de um mirante no Rio de Janeiro

Foto: Wikimedia Commons

Poucos torcedores que cantam o hino do Flamengo ou do Fluminense nas arquibancadas sabem que o nome oficial do estádio não é Maracanã. Desde outubro de 1966, a praça esportiva mais famosa do Brasil se chama, no papel, Estádio Jornalista Mário Filho — uma homenagem ao jornalista pernambucano que passou anos defendendo publicamente a construção de um grande estádio no Rio de Janeiro e morreu de ataque cardíaco em 17 de setembro daquele ano, um mês antes de dar nome ao próprio monumento que ajudou a erguer.

Uma obra contra o relógio

A história do Maracanã começa em 2 de agosto de 1948, quando as máquinas entraram no terreno do antigo Derby Club, um hipódromo desativado na zona norte do Rio. O Brasil havia sido escolhido para sediar a Copa do Mundo de 1950, a primeira disputada no país, e precisava de um estádio à altura do evento. O projeto vencedor reuniu sete arquitetos — Waldir Ramos, Raphael Galvão, Miguel Feldman, Oscar Valdetaro, Orlando Azevedo, Pedro Paulo Bernardes Bastos e Antônio Dias Carneiro — e a obra avançou em ritmo acelerado, com milhares de operários trabalhando simultaneamente. Ainda inacabado, o estádio foi inaugurado em 16 de junho de 1950 com um amistoso entre as seleções do Rio de Janeiro e de São Paulo, vencido pelos paulistas por 3 a 1.

O Maracanaço

Um mês depois, em 16 de julho de 1950, o Maracanã foi palco da partida decisiva daquela Copa: o Brasil precisava apenas de um empate contra o Uruguai para ser campeão mundial em casa. Friaça abriu o placar para os brasileiros logo no início do segundo tempo, mas os uruguaios Juan Alberto Schiaffino e Alcides Ghiggia viraram o jogo, selando a vitória por 2 a 1. O número oficial da FIFA registra 173.850 pagantes — recorde de público em uma final de Copa do Mundo até hoje —, enquanto estimativas de público total, somando não pagantes, chegam a quase 200 mil pessoas nas arquibancadas. O resultado ficou conhecido como "Maracanaço" e é tratado até hoje como um dos episódios mais traumáticos da história esportiva brasileira.

Fotografia histórica de jogo no Estádio do Maracanã antes da Copa do Mundo de 1950

O Maracanã lotado às vésperas da Copa do Mundo de 1950

Treze anos depois, em 15 de dezembro de 1963, o estádio bateu outro recorde que jamais poderá ser repetido: 194.603 pessoas presentes, sendo 177.020 pagantes, assistiram ao clássico Flamengo 0 x 0 Fluminense pela decisão do Campeonato Carioca — até hoje considerado o maior público já registrado em uma partida entre clubes de futebol no mundo.

De templo do futebol a palco olímpico

Entre 2010 e 2013, o Maracanã passou por uma reforma completa para a Copa do Mundo de 2014, sob responsabilidade do escritório Fernandes Arquitetos Associados em parceria com a empresa alemã Schlaich Bergermann und Partner, que desenhou a nova cobertura em membrana. O projeto trocou as arquibancadas populares por assentos numerados, reduzindo a capacidade máxima para 78.838 lugares — o preço definitivo da era dos grandes públicos de outrora. Em 2016, o estádio ganhou um novo capítulo ao sediar as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio, em 5 e 21 de agosto, com direção artística de nomes como Fernando Meirelles e Deborah Colker.

Ao longo de mais de sete décadas, o gramado e as arquibancadas do Maracanã viram muito além de futebol:

  • Em 19 de novembro de 1969, Pelé marcou seu milésimo gol oficial, de pênalti contra o Vasco, diante de 65.157 torcedores;
  • Em 21 de abril de 1990, Paul McCartney reuniu 184 mil pessoas em um único show, recorde mundial do Guinness Book que durou 27 anos;
  • Os Rolling Stones se apresentaram no local em duas noites, 2 e 4 de fevereiro de 1995;
  • O Papa João Paulo II celebrou missas multitudinárias no estádio em 1980 e 1997.
Vista externa do Estádio do Maracanã nos dias atuais

O Maracanã hoje, após a reforma para a Copa de 2014

Mais que um estádio, o Maracanã se tornou um personagem da história recente do Brasil — testemunha de uma tragédia esportiva que ainda ecoa no imaginário nacional e, ao mesmo tempo, palco de alguns dos maiores momentos de celebração coletiva do país.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Ponto de referência do Rio de Janeiro

Onde fica

  • Estádio do Maracanã Histórico
    Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro - RJ

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Harry's Bar Veneza: o bar que inventou o Bellini e o carpaccio

Fachada do Harry's Bar à beira do Canal Grande, em Veneza

Foto: Wikimedia Commons

Perto da Piazza San Marco, com vista para o Canal Grande, um bar discreto fundado em 1931 por Giuseppe Cipriani deu origem a dois clássicos que hoje fazem parte do repertório gastronômico mundial: o coquetel Bellini e o prato carpaccio. O Harry's Bar nasceu depois que Cipriani, então barman num hotel de Veneza, recebeu ajuda financeira de um cliente americano chamado Harry Pickering para abrir seu próprio negócio — daí o nome do bar.

O nascimento do Bellini

Em 1948, Cipriani criou o Bellini, coquetel feito com purê de pêssego branco e prosecco, batizado em homenagem ao pintor renascentista veneziano Giovanni Bellini, cujas obras tinham tons de rosa parecidos com a cor da bebida. O drinque se popularizou rapidamente e hoje é servido em bares do mundo inteiro, sempre remetendo à receita original criada em Veneza.

O carpaccio: carne crua que virou clássico

Em 1950, Cipriani criou o carpaccio para uma cliente que precisava seguir uma dieta sem carne cozida: finas fatias de carne bovina crua servidas com um molho à base de maionese. O nome é uma homenagem ao pintor Vittore Carpaccio, cujas obras estavam em exibição em Veneza na época e usavam tons de vermelho e branco parecidos com os do prato. Hoje o carpaccio é servido — com variações de carne, peixe e até frutas — em restaurantes ao redor do mundo.

Vista externa do Harry's Bar em Veneza

O bar fica a poucos passos da Piazza San Marco, à beira do Canal Grande.

Hemingway e o cinema em Veneza

Assim como em Cuba, Ernest Hemingway também frequentou o Harry's Bar durante temporadas em Veneza, e o local aparece mencionado em sua obra "Do Outro Lado do Rio, Entre as Árvores". Outros nomes célebres associados ao bar incluem Charlie Chaplin, Orson Welles e Truman Capote, reforçando a reputação do espaço como point internacional de artistas e escritores ao longo do século XX.

Carpaccio, prato criado no Harry's Bar

O carpaccio criado por Cipriani se tornou um clássico da gastronomia mundial.

Dicas para a visita

Por ser um dos bares mais famosos do mundo, os preços do Harry's Bar são consideravelmente altos para os padrões venezianos — muitos visitantes optam por tomar apenas um Bellini como forma de vivenciar a experiência sem um grande investimento. Vale reservar mesa com antecedência, especialmente em temporada alta de turismo.

Onde fica

  • Harry's Bar Bar
    Calle Vallaresso 1323, Veneza, Itália

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📍 Orlando

Walt Disney World: o segredo por trás da compra do terreno na Flórida

Castelo da Cinderela no Magic Kingdom, no Walt Disney World Resort, em Orlando

Foto: Wikimedia Commons

Em 1965, jornalistas do Orlando Sentinel passaram meses tentando descobrir quem estava comprando, silenciosamente, dezenas de fazendas e pântanos no centro da Flórida através de empresas com nomes genéricos como "Reedy Creek Ranch Corporation" e "Ayefour Corporation". A resposta, quando veio, explicava tudo: era a Walt Disney Productions, e o comprador misterioso mudaria para sempre o mapa turístico dos Estados Unidos.

Um segredo bem guardado

Depois do sucesso da Disneylândia na Califórnia, aberta em 1955, Walt Disney percebeu um problema: o parque tinha pouco espaço para crescer, e hotéis e atrações concorrentes brotavam ao redor sem que a empresa lucrasse com eles. Para o novo projeto, batizado internamente de "Florida Project", Walt queria terreno de sobra — e comprou com discrição justamente para evitar que a especulação imobiliária disparasse os preços antes da hora.

A estratégia funcionou por um bom tempo: a Disney adquiriu cerca de 11 mil hectares a valores que chegavam a apenas 90 dólares o hectare. Quando o Orlando Sentinel publicou a manchete revelando a empresa por trás das compras, em outubro de 1965, o preço da terra na região disparou da noite para o dia. Um mês depois, em 15 de novembro de 1965, Walt Disney e seu irmão Roy anunciaram oficialmente o projeto ao lado do governador da Flórida, Haydon Burns.

Walt Disney em coletiva de imprensa apresentando os planos da Flórida

Walt Disney apresentou o projeto da Flórida a jornalistas nos anos 1960.

Da cidade do amanhã ao Reino Mágico

O sonho original de Walt ia muito além de um parque temático. Ele imaginava a EPCOT — sigla para "Experimental Prototype Community of Tomorrow" — como uma cidade de verdade, habitada por 20 mil moradores, com centro urbano coberto, transporte público que dispensaria carros e um design radial inspirado nas ideias urbanísticas mais avançadas da época. Walt chegou a gravar um filme de 25 minutos explicando o projeto aos investidores, em outubro de 1966. Dois meses depois, em 15 de dezembro de 1966, ele morreu de câncer no pulmão, aos 65 anos, sem ver nenhuma pá de terra revirada na Flórida.

Coube ao irmão mais velho, Roy O. Disney, adiar a própria aposentadoria para tocar a obra adiante. Roy simplificou o projeto: a cidade-conceito de Walt se tornaria, décadas depois, o parque Epcot, enquanto a prioridade imediata virou um parque de diversões nos moldes da Disneylândia. Em maio de 1967, o estado da Flórida criou o Reedy Creek Improvement District, um distrito especial que deu à Disney poderes quase municipais sobre suas próprias terras — de zoneamento a serviços públicos. A construção começou em 1967, e o Castelo da Cinderela, símbolo do futuro Magic Kingdom, só ficou pronto três meses antes da inauguração, em 1º de outubro de 1971.

De um parque a quatro portões

O Magic Kingdom foi só o começo. Nas décadas seguintes, o resort ganhou mais três parques temáticos:

  • Epcot (1982) — a versão final, e bem diferente da original, do sonho urbano de Walt, com a esfera geodésica Spaceship Earth como ícone.
  • Disney-MGM Studios (1989), renomeado Disney's Hollywood Studios em 2008 — dedicado ao cinema e à televisão.
  • Disney's Animal Kingdom (1998) — parque de conservação e vida selvagem, o maior dos quatro em área.

Hoje o Walt Disney World Resort ocupa cerca de 100 quilômetros quadrados em Orlando e Lake Buena Vista — uma área maior do que a ilha de Manhattan, em Nova York — com dezenas de hotéis, dois parques aquáticos e um distrito de compras e entretenimento.

Vista aérea de área do Walt Disney World Resort em Orlando, Flórida

O resort hoje ocupa uma área maior do que a ilha de Manhattan.

Foi Roy quem decidiu, pouco antes da inauguração, que o parque não se chamaria apenas "Disney World", mas "Walt Disney World" — para que ninguém esquecesse de quem tinha sido aquele sonho. Roy dedicou o resort ao irmão em uma cerimônia em outubro de 1971 e morreu menos de três meses depois, em 20 de dezembro daquele ano, encerrando pessoalmente o capítulo que Walt não viveu para ver completo.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Um segredo que virou magia e atrai milhões de pessoas por ano.

Onde fica

  • Walt Disney World Resort (Magic Kingdom) Histórico
    Walt Disney World Resort, Orlando, Flórida, Estados Unidos

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Tour d'Argent: o restaurante parisiense famoso pelo pato numerado desde 1890

Fachada do Tour d'Argent, vista do Rio Sena, em Paris

Foto: Wikimedia Commons

Às margens do Rio Sena, com vista privilegiada para a Catedral de Notre-Dame, o Tour d'Argent é um dos restaurantes mais tradicionais de Paris, com uma história que a casa remonta a uma estalagem do século XVI, embora o restaurante como se conhece hoje tenha se consolidado ao longo do século XIX. Ao longo de sua história, recebeu chefes de estado, membros de realeza e escritores, tornando-se um dos endereços mais associados ao imaginário da alta gastronomia francesa.

O pato numerado

Desde 1890, o Tour d'Argent ficou conhecido por sua especialidade, o canard au sang (pato ao sangue), servido com um cartão numerado que registra a contagem sequencial de cada pato preparado na casa desde aquele ano — um sistema de numeração que já passou de um milhão de unidades e se tornou uma tradição símbolo do restaurante, com clientes ilustres recebendo cartões-lembrança de sua refeição.

Um método próprio de preparo

O prato é preparado com um dispositivo de prensagem próprio, criado especialmente para extrair o suco da carcaça do pato e finalizar o molho servido à mesa, técnica que se tornou marca registrada da casa e é executada tradicionalmente diante do próprio cliente, no salão do restaurante.

Entrada do restaurante Tour d'Argent em Paris

A entrada discreta do Tour d'Argent, às margens do Sena.

Hóspedes ilustres

Ao longo de sua história, o restaurante recebeu nomes como Ernest Hemingway, membros de famílias reais europeias e diversos chefes de estado, consolidando sua reputação como um dos endereços gastronômicos mais prestigiados da capital francesa. A vista do salão principal para Notre-Dame, do outro lado do Sena, é considerada um dos grandes atrativos da experiência, especialmente à noite, quando a catedral é iluminada.

Vista externa do Tour d'Argent, em Paris

O restaurante fica no Quai de la Tournelle, às margens do Sena.

Dicas para a visita

O Tour d'Argent exige reserva com bastante antecedência e traje social, condizente com o padrão da casa, e costuma ser mais concorrido nos horários de jantar, quando a vista noturna para Notre-Dame fica ainda mais valorizada. Para quem busca uma experiência mais acessível sem abrir mão do endereço, a casa também mantém uma boutique de produtos gastronômicos no térreo do prédio.

Onde fica

  • Tour d'Argent Restaurante
    15-17 Quai de la Tournelle, Paris, França

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