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Armação dos Búzios: como o verão de Brigitte Bardot em 1964 transformou uma vila de pescadores

Vista da orla de Armação dos Búzios, no litoral do Rio de Janeiro

Foto: Ignacio Urruty / Wikimedia Commons (CC0)

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Muito antes de virar sinônimo de charme e badalação no litoral fluminense, Armação dos Búzios era uma península de pescadores conhecida havia séculos pelos indígenas tupinambás, isolada do resto do estado e vivendo quase exclusivamente da pesca artesanal. A história do lugar mudou de rumo em dois momentos separados por quase quatrocentos anos: a instalação de uma armação baleeira no século 17 e a chegada inesperada de uma atriz francesa em pleno verão de 1964.

A armação que deu nome à península

O topônimo Búzios vem justamente dessa vocação pesqueira antiga. No século 17, colonizadores portugueses instalaram na região uma "armação" — estrutura de terra usada para o abate e processamento de baleias, atividade econômica relevante na costa fluminense da época. Por gerações, a península seguiu como terceiro distrito do vizinho município de Cabo Frio, sem infraestrutura urbana ou comercial digna de nota, num cenário que a imprensa descreveria décadas depois como um verdadeiro "paraíso secreto".

O verão de 1964 que mudou tudo

Foi justamente esse isolamento que atraiu, em 1964, a atriz Brigitte Bardot, então um dos maiores símbolos do cinema europeu e perseguida por fotógrafos no mundo todo. Ela esteve na região duas vezes naquele ano: em janeiro, quando passou cerca de quatro meses hospedada no bairro de Manguinhos ao lado do produtor Bob Zagury, e em dezembro, numa segunda estadia que atraiu muito mais atenção da imprensa. A circulação de Bardot pelas praias e o contato direto com os moradores chamaram a atenção de jornalistas e fotógrafos estrangeiros, e a repercussão internacional tirou Búzios do anonimato quase da noite para o dia — um fenômeno que a imprensa da época comparou ao que Saint-Tropez havia vivido na França.

Monumento aos Três Pescadores, em Armação dos Búzios, referência à origem da cidade como vila de pescadores

Monumento aos Três Pescadores relembra a origem de Búzios como vila de pescadores

De distrito pesqueiro a município independente

O crescimento turístico acelerou uma outra transformação: a busca por autonomia política. O movimento pela emancipação de Búzios em relação a Cabo Frio ganhou força entre os moradores a partir de 1980 e chegou pela primeira vez à Câmara de Cabo Frio em 1985. O primeiro plebiscito sobre a separação ocorreu em 30 de junho de 1991; um segundo, realizado em 12 de novembro de 1995, confirmou a vontade popular com 96% dos votos favoráveis à emancipação. Armação dos Búzios tornou-se município independente, com a primeira legislatura de sua Câmara Municipal funcionando entre 1997 e 2000.

Praia Brava, em Armação dos Búzios, uma das praias que passaram a atrair turistas a partir da década de 1960

A Praia Brava é uma das praias que ajudaram a consolidar a fama turística de Búzios

A orla que carrega o nome da atriz

A cidade não deixou a memória daquele verão de 1964 se apagar. Em 1999, a prefeitura inaugurou a Orla Bardot, na região central de Búzios, com uma escultura em bronze da atriz assinada pela artista Christina Motta — a obra retrata Bardot sentada, descalça, em pose relaxada, integrada à paisagem da orla. A própria atriz, porém, acompanhou a transformação do lugar com sentimentos contraditórios: anos depois da visita, chegou a lamentar publicamente que o lado selvagem que a havia seduzido tinha dado lugar a algo bem diferente do que conheceu em 1964. Ainda assim, mais de sessenta anos depois daquele verão, a Orla Bardot segue sendo um dos principais cartões-postais e ferramentas de promoção turística da cidade que a atriz ajudou, sem querer, a colocar no mapa do mundo.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Armação dos Búzios — Wikipédia

Foto: Ignacio Urruty / Wikimedia Commons (CC0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): a "Saint-Tropez brasileira"

Onde fica

  • Orla Bardot Histórico
    Av. José Bento Ribeiro Dantas, 100 - Centro, Armação dos Búzios - RJ, 28950-000

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📍 Praga

O que fazer em Praga: 9 paradas escolhidas

Relógio Astronômico de Praga (Orloj) na fachada da Prefeitura da Cidade Velha

Foto: Foto: AlfvanBeem / Wikimedia Commons (CC0)

Um roteiro com 9 paradas em Praga, República Tcheca: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Relógio Astronômico de Praga (Orloj) — Prefeitura da Cidade Velha
  2. Ponte Carlos (Karlův most)
  3. Torre de Petřín (Petřínská rozhledna)
  4. Casa Dançante (Tančící dům)
  5. U Pinkasů
  6. Café Slavia
  7. Café Louvre
  8. U Fleků
  9. U Zlatého Tygra

O que visitar

1. Relógio Astronômico de Praga (Orloj) — Prefeitura da Cidade Velha

Relógio Astronômico de Praga (Orloj) na fachada da Prefeitura da Cidade Velha
Foto: Foto: AlfvanBeem / Wikimedia Commons (CC0)

Na parede sul da Prefeitura da Cidade Velha de Praga, um mostrador de bronze e madeira entalhada mede o tempo do jeito que os astrônomos medievais entendiam o universo — com a Terra parada no centro e o Sol girando ao redor dela. É o Orloj, o relógio astronômico mais antigo do mundo ainda em funcionamento, instalado em 1410.

O mecanismo original saiu das mãos do relojoeiro Mikuláš de Kadaň, com projeto do professor de matemática e astronomia Jan Šindel, da Universidade Carolina. Décadas depois, por volta de 1490, ganhou o calendário na parte inferior e os relevos góticos que hoje decoram a fachada; as 12 estatuetas dos apóstolos, que desfilam em uma pequena janela a cada hora cheia, só foram incorporadas entre 1787 e 1791.

Existe uma lenda sombria ligada ao relógio: contam que os conselheiros da cidade, temendo que o relojoeiro construísse uma obra igual para outra cidade, mandaram cegá-lo assim que terminou o trabalho — sem qualquer registro histórico que confirme a história, que segue repetida por guias turísticos até hoje.

A cada hora, entre 9h e 21h, o mostrador ganha vida: a Morte, representada por um esqueleto, puxa uma corda para tocar um sino, enquanto os apóstolos desfilam na janelinha acima do relógio — um espetáculo mecânico que atrai multidões na Praça da Cidade Velha há séculos.

Endereço: Staroměstské náměstí 1/3, 110 00 Praha 1, República Tcheca · site oficial

2. Ponte Carlos (Karlův most)

Ponte Carlos sobre o rio Vltava, em Praga
Foto: Foto: Peter K Burian / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Trinta estátuas de santos, a maioria em estilo barroco, acompanham quem atravessa a pé os 516 metros da Ponte Carlos sobre o rio Vltava. É a mais antiga ponte de pedra de Praga ainda de pé, erguida entre 1357 e 1402 por ordem do imperador Carlos IV para substituir a antiga Ponte Judith, danificada por uma enchente.

O projeto ficou a cargo do arquiteto Petr Parler — o mesmo responsável por boa parte da Catedral de São Vito, dentro do Castelo de Praga. Segundo a tradição, os astrólogos da corte escolheram a data e a hora exatas do início da obra, 9 de julho de 1357 às 5h31, por formar um palíndromo numérico (1-3-5-7-9-7-5-3-1) que Carlos IV, apaixonado por numerologia, acreditava dar força estrutural à construção.

As estátuas começaram a ser instaladas só a partir do fim do século XVII, quando guildas de artesãos de Praga passaram a financiar esculturas de seus santos padroeiros para exibição pública na ponte. A partir de 1965, a cidade começou a substituir gradualmente os originais por réplicas, preservando as peças autênticas no Museu Nacional.

Fechada para carros desde 1978, a ponte liga o Bairro Pequeno (Malá Strana), aos pés do castelo, ao centro histórico da Cidade Velha — hoje tomada por artistas de rua e vendedores, mas ainda o principal caminho a pé entre as duas margens do Vltava.

Endereço: Karlův most, 110 00 Praha 1, República Tcheca · site oficial

3. Torre de Petřín (Petřínská rozhledna)

Torre de Petřín vista de baixo, estrutura metálica em Praga
Foto: Wikimedia Commons

Construída em 1891 e inspirada na Torre Eiffel, a Torre de Petřín tem 63,5 metros e fica no topo da colina de mesmo nome, acessível por um bondinho. Do topo, dá para ver os telhados do centro histórico e o Castelo de Praga ao longe.

Endereço: Petřínské sady 633, 118 00

4. Casa Dançante (Tančící dům)

Casa Dançante (Tančící dům) às margens do rio Vltava em Praga
Foto: Wikimedia Commons

Concluída em 1996 por Frank Gehry e Vlado Milunić, a Casa Dançante é o exemplo mais famoso de arquitetura moderna em Praga, com duas torres curvas que lembram um casal dançando — por isso o apelido "Fred e Ginger". Fica às margens do rio Vltava, num contraste marcante com os prédios históricos ao redor.

Endereço: Jiráskovo nám. 1981/6, 120 00

Onde comer

5. U Pinkasů

Fachada do restaurante U Pinkasů em Praga
Foto: Wikimedia Commons

Fundado em 1843 por Jakub Pinkas, o U Pinkasů foi o primeiro restaurante de Praga a servir Pilsner Urquell de barril. Espalhado por três andares perto da Praça Venceslau, serve pratos clássicos da cozinha tcheca como svíčková e joelho de porco.

Endereço: U Pinkasů, Jungmannovo náměstí, Praha, República Tcheca

Onde tomar café

6. Café Slavia

Fachada do Café Slavia, em Praga, no Palácio Lažanský
Foto: Foto: DIMSFIKAS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

De frente para o Teatro Nacional e o rio Vltava, o Café Slavia funciona desde 30 de agosto de 1884, quando reabriu sob o nome atual num espaço que já operava como café dois anos antes. Ao longo do século XX, virou o ponto de encontro fixo de escritores, poetas e dramaturgos de Praga — entre os frequentadores registrados estão Franz Kafka e Rainer Maria Rilke.

O cliente mais famoso do Slavia, porém, foi o dramaturgo — e futuro presidente da Tchecoslováquia e da República Tcheca — Václav Havel, que tinha uma mesa reservada no canto do salão, com vista para o prédio onde morava. Quando o café fechou as portas em 1993, já como presidente, Havel interveio pessoalmente para reabri-lo, o que aconteceu em 1997.

O salão, de linhas art déco dentro do Palácio Lažanský — que também abriga a célebre escola de cinema FAMU —, preserva a decoração da época e a vista privilegiada para a Ponte da Legião e o Castelo de Praga ao longe.

Endereço: Smetanovo nábřeží 1012/2, 110 00 Praha 1, República Tcheca · site oficial

7. Café Louvre

Interior do Café Louvre em Praga, com mesas e salão histórico
Foto: Wikimedia Commons

O Café Louvre ocupa o primeiro andar de um prédio na Národní třída desde 1902, com salões amplos, mesas de mármore e um salão de bilhar que já recebeu Albert Einstein e Franz Kafka. É parada certa para um café da manhã com vista para a rua movimentada do centro de Praga.

Endereço: Café Louvre, Národní 22, Praha, República Tcheca

Onde beber

8. U Fleků

Fachada e pátio interno da cervejaria U Fleků, em Praga
Foto: Foto: Dietmar Rabich / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em Nova Praga, a poucos passos do Teatro Nacional, um complexo de salões de madeira escura serve, desde antes de Colombo chegar às Américas, a mesma cerveja escura de receita praticamente inalterada. A U Fleků é a única cervejaria da Europa Central que nunca parou de produzir — mais de 500 anos de atividade contínua, sobrevivendo a incêndios, guerras e nacionalização.

A primeira menção documental à cerveja produzida no local é de 1499, quando a casa foi comprada por Vít Skřemenec. O nome atual — "U Fleků", algo como "na casa dos Flek" — só surgiu em 1762, quando a propriedade foi adquirida por Jakub Flekovský. Ao longo do século XVIII, o que era um único prédio de dois andares foi crescendo até formar o pátio interno que os visitantes atravessam hoje.

No cardápio, uma única cerveja: a Flekovský ležák, um lager escuro de 13°, feito com ingredientes naturais e servido sem concorrência de outras marcas — a casa nunca vendeu cerveja de terceiros. Em dias de movimento, o salão chega a servir cerca de 2.000 canecas por dia.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a cervejaria foi nacionalizada pelo governo comunista; voltou às mãos privadas só depois da Revolução de Veludo, em 1989.

Endereço: Křemencova 11, 110 00 Praha 1, República Tcheca · site oficial

9. U Zlatého Tygra

Fachada do boteco U Zlatého Tygra na rua Husova, Praga
Foto: Wikimedia Commons

O U Zlatého Tygra ("No Tigre Dourado") é um dos botecos mais tradicionais de Praga, na rua Husova, na Cidade Velha. Ficou famoso pelas visitas do escritor Bohumil Hrabal e por servir uma das melhores Pilsner Urquell da cidade num ambiente de madeira escura que muda pouco há décadas.

Endereço: U Zlatého Tygra, Husova 17, Praha, República Tcheca

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Relógio Astronômico de Praga (Orloj) — Prefeitura da Cidade Velha — foto: Foto: AlfvanBeem / Wikimedia Commons (CC0) · site oficial
  • U Fleků — foto: Foto: Dietmar Rabich / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) · site oficial
  • Ponte Carlos (Karlův most) — foto: Foto: Peter K Burian / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) · site oficial
  • Café Slavia — foto: Foto: DIMSFIKAS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0) · site oficial
  • Café Louvre — foto: Wikimedia Commons
  • Torre de Petřín (Petřínská rozhledna) — foto: Wikimedia Commons
  • U Pinkasů — foto: Wikimedia Commons
  • Casa Dançante (Tančící dům) — foto: Wikimedia Commons
  • U Zlatého Tygra — foto: Wikimedia Commons

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Foto: Adriel Marcos / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • Centro Cultural Palácio Rio Negro Ponto Turístico
    Avenida Sete de Setembro, 1546, Centro, Manaus, AM
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