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Bar Luiz: o clássico alemão que resiste no centro do Rio desde 1887

Interior histórico do Bar Luiz, no centro do Rio de Janeiro

Foto: Monica Kaneko / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

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Na Rua da Carioca, uma das ruas mais movimentadas do centro histórico do Rio de Janeiro, um letreiro discreto marca a entrada de um dos bares mais antigos da cidade ainda em funcionamento. Fundado em 1887 por imigrantes alemães — inicialmente com outro nome, batizado de Bar Luiz só depois, em homenagem a um de seus proprietários —, o bar atravessou mais de 130 anos sem perder a essência: mesas de mármore, garçons de colete e uma cozinha que ainda lembra a origem germânica da casa.

Herança alemã no cardápio

O prato mais pedido até hoje é o eisbein, joelho de porco defumado e cozido lentamente, tradicionalmente servido com chucrute e purê — uma receita que atravessou gerações praticamente sem alterações. Salsichas artesanais, salada de batata e tábuas de frios completam um cardápio que remete diretamente à colônia alemã que se estabeleceu no Rio de Janeiro no fim do século XIX, muito antes de bairros como a Ilha do Governador ou Petrópolis se tornarem os destinos mais lembrados dessa imigração.

Chope gelado servido no Bar Luiz

O chope gelado é tradição na casa desde o século XIX.

Chope servido do jeito certo

Além da comida, o Bar Luiz é conhecido entre os cariocas por levar a sério o ritual do chope: a bebida é servida em canecas de vidro geladas, com uma técnica de tiragem que os frequentadores mais antigos costumam comentar como diferencial da casa. Não é incomum ver filas na porta em dias de calor, especialmente no fim da tarde, quando funcionários do entorno do centro saem do trabalho.

Um pedaço de história viva

Sobreviver a mais de um século no centro do Rio não foi trivial: o bairro passou por reformas urbanas, mudanças de perfil comercial e, mais recentemente, esvaziamento nos fins de semana, quando o centro financeiro fica mais silencioso. Ainda assim, o Bar Luiz manteve o mesmo endereço na Rua da Carioca, tornando-se um símbolo de resistência e um point tradicional de rodas de chorinho e encontros de fim de expediente.

Roda de chorinho em frente ao Bar Luiz

Rodas de chorinho são comuns na calçada em frente ao bar.

Dicas para a visita

O Bar Luiz funciona principalmente durante a semana, no horário comercial e início da noite, já que fica numa região do centro do Rio mais movimentada em dias úteis. Vale combinar a visita com um passeio pelo centro histórico, aproveitando para conhecer outros clássicos da região, como a Confeitaria Colombo, que fica a poucos minutos a pé.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Bar Luiz — Wikipédia

Foto: Monica Kaneko / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).

Onde fica

  • Bar Luiz Bar
    Rua da Carioca, 39, Centro, Rio de Janeiro - RJ

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Dishoom Covent Garden: café bombaim inspirado nos irani cafés

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A rede Dishoom recria o clima dos cafés irani de Bombaim do início do século 20, com decoração de época e cardápio indiano. A unidade de Covent Garden é uma das mais movimentadas, e pratos como o bacon naan roll e o black daal viraram clássicos entre os londrinos.

Interior de um restaurante Dishoom, com decoração de café irani de Bombaim

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Dishoom Covent Garden Restaurante
    Dishoom Covent Garden, 12 Upper St Martin's Lane, London, Reino Unido
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Café Konditorei Fürst: a confeitaria que inventou a Mozartkugel em 1890 e nunca pediu patente

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Paul Fürst nasceu em 1856 em Sierning, no interior da Áustria, e passou onze anos aprendendo confeitaria fora de casa — Viena, Budapeste, Paris e Nice. Em 1884 abriu a própria loja na Brodgasse 13, num prédio que funcionava como padaria da corte desde 1391. Seis anos depois, em 1890, depois de muitas tentativas, apresentou o doce que chamou de "Mozart-Bonbon": uma bola de marzipã de pistache, envolta numa camada de nougat e mergulhada em chocolate amargo.

O palito que faz a bola

O segredo do formato está num palito de madeira: cada bola é espetada nele para ser banhada no chocolate, o que garante a esfera perfeita. O embrulho é o que se reconhece de longe: papel prateado com o retrato de Mozart em azul. Em 1905 o doce ganhou diploma de honra e medalha numa exposição internacional em Paris. Até 2024 a produção era toda manual, cerca de 2,75 milhões de unidades por ano; com a fábrica nova em Elsbethen, parte do trabalho passou para uma linha de produção. A receita segue a do caderno escrito à mão por Paul Fürst em 1915, e a casa está na quinta geração, comandada por Martin Fürst desde 2015.

Por que existe "Mozartkugel" em todo lugar

Fürst nunca patenteou a invenção, e "Mozartkugel" virou nome genérico — qualquer fabricante pode usar. O que ficou exclusivo, por decisão judicial de 1996, é a expressão "Original Salzburger Mozartkugel". Há até regra de formato: entre as industriais, só as da Mirabell podem ser totalmente redondas; as outras precisam ter um lado achatado.

Mozartkugeln da Konditorei Fürst embrulhadas em papel prateado com o retrato de Mozart em azul

Foto: Panoramafotos.net / Wikimedia Commons (CC BY 2.5)

Onde fica

  • Café Konditorei Fürst Cafeteria
    Brodgasse 13, 5020 Salzburgo, Áustria
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Armação dos Búzios: como o verão de Brigitte Bardot em 1964 transformou uma vila de pescadores

Vista da orla de Armação dos Búzios, no litoral do Rio de Janeiro

Foto: Ignacio Urruty / Wikimedia Commons (CC0)

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Muito antes de virar sinônimo de charme e badalação no litoral fluminense, Armação dos Búzios era uma península de pescadores conhecida havia séculos pelos indígenas tupinambás, isolada do resto do estado e vivendo quase exclusivamente da pesca artesanal. A história do lugar mudou de rumo em dois momentos separados por quase quatrocentos anos: a instalação de uma armação baleeira no século 17 e a chegada inesperada de uma atriz francesa em pleno verão de 1964.

A armação que deu nome à península

O topônimo Búzios vem justamente dessa vocação pesqueira antiga. No século 17, colonizadores portugueses instalaram na região uma "armação" — estrutura de terra usada para o abate e processamento de baleias, atividade econômica relevante na costa fluminense da época. Por gerações, a península seguiu como terceiro distrito do vizinho município de Cabo Frio, sem infraestrutura urbana ou comercial digna de nota, num cenário que a imprensa descreveria décadas depois como um verdadeiro "paraíso secreto".

O verão de 1964 que mudou tudo

Foi justamente esse isolamento que atraiu, em 1964, a atriz Brigitte Bardot, então um dos maiores símbolos do cinema europeu e perseguida por fotógrafos no mundo todo. Ela esteve na região duas vezes naquele ano: em janeiro, quando passou cerca de quatro meses hospedada no bairro de Manguinhos ao lado do produtor Bob Zagury, e em dezembro, numa segunda estadia que atraiu muito mais atenção da imprensa. A circulação de Bardot pelas praias e o contato direto com os moradores chamaram a atenção de jornalistas e fotógrafos estrangeiros, e a repercussão internacional tirou Búzios do anonimato quase da noite para o dia — um fenômeno que a imprensa da época comparou ao que Saint-Tropez havia vivido na França.

Monumento aos Três Pescadores, em Armação dos Búzios, referência à origem da cidade como vila de pescadores

Monumento aos Três Pescadores relembra a origem de Búzios como vila de pescadores

De distrito pesqueiro a município independente

O crescimento turístico acelerou uma outra transformação: a busca por autonomia política. O movimento pela emancipação de Búzios em relação a Cabo Frio ganhou força entre os moradores a partir de 1980 e chegou pela primeira vez à Câmara de Cabo Frio em 1985. O primeiro plebiscito sobre a separação ocorreu em 30 de junho de 1991; um segundo, realizado em 12 de novembro de 1995, confirmou a vontade popular com 96% dos votos favoráveis à emancipação. Armação dos Búzios tornou-se município independente, com a primeira legislatura de sua Câmara Municipal funcionando entre 1997 e 2000.

Praia Brava, em Armação dos Búzios, uma das praias que passaram a atrair turistas a partir da década de 1960

A Praia Brava é uma das praias que ajudaram a consolidar a fama turística de Búzios

A orla que carrega o nome da atriz

A cidade não deixou a memória daquele verão de 1964 se apagar. Em 1999, a prefeitura inaugurou a Orla Bardot, na região central de Búzios, com uma escultura em bronze da atriz assinada pela artista Christina Motta — a obra retrata Bardot sentada, descalça, em pose relaxada, integrada à paisagem da orla. A própria atriz, porém, acompanhou a transformação do lugar com sentimentos contraditórios: anos depois da visita, chegou a lamentar publicamente que o lado selvagem que a havia seduzido tinha dado lugar a algo bem diferente do que conheceu em 1964. Ainda assim, mais de sessenta anos depois daquele verão, a Orla Bardot segue sendo um dos principais cartões-postais e ferramentas de promoção turística da cidade que a atriz ajudou, sem querer, a colocar no mapa do mundo.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Armação dos Búzios — Wikipédia

Foto: Ignacio Urruty / Wikimedia Commons (CC0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): a "Saint-Tropez brasileira"

Onde fica

  • Orla Bardot Histórico
    Av. José Bento Ribeiro Dantas, 100 - Centro, Armação dos Búzios - RJ, 28950-000

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