Sobre a porta de um sobrado da Praça Principal de Cracóvia está gravada uma data: 1364. É o ano em que, segundo a tradição, o rico comerciante Mikołaj Wierzynek ofereceu ali um banquete em nome do rei Casimiro III, o Grande — a ocasião era o casamento de uma neta do rei com Carlos IV de Luxemburgo, e à mesa teriam se sentado, entre outros, o rei Luís da Hungria, Valdemar IV da Dinamarca e Pedro de Chipre.
É a festa mais famosa da história polonesa. E é justo dizer o que a maioria dos folhetos omite: a única fonte que a descreve é uma crônica de Jan Długosz, escrita cerca de um século depois do evento. O banquete pode muito bem ter acontecido; provado documentalmente, na acepção estrita, ele não está. Vale também não confundir as coisas — o restaurante atual não funciona ininterruptamente desde o século XIV. O que ele herdou foi o endereço, o nome e a história.
Se a lenda ganhou vida própria, boa parte do crédito é de Jan Matejko, que em 1877 pintou Uczta u Wierzynka, "O Banquete em Wierzynek", em óleo sobre painel — a imagem que fixou a cena na cabeça de gerações de poloneses.
A casa de hoje ocupa quatro andares, com capacidade para cerca de 200 pessoas distribuídas em oito salas de nomes próprios: os Salões Pompeianos italianos, a Sala Tatra, a Sala do Relógio, a Sala dos Cavaleiros, a Câmara da Imaginação. A cozinha é polonesa de tradição, com apresentação contemporânea.
Reserve com antecedência e peça uma sala específica ao reservar — a diferença entre os ambientes é grande, e é para isso que se vai a um lugar que decidiu vender 660 anos de história junto com o jantar.



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