Em 1895, um confeiteiro chamado Jan Apolinary Michalik abriu na rua Floriańska, em Cracóvia, um estabelecimento que registrou como Cukiernia Lwowska — a Confeitaria de Lviv. O nome oficial não pegou. O que pegou foi o apelido, porque no começo Michalik só tinha dinheiro para alugar uma única sala nos fundos, sem nenhuma janela. Os fregueses passaram a chamar aquilo de Jama Michalika: a Toca do Michalik. É assim que a casa se chama até hoje.
A localização era estratégica: a poucos passos ficava a Academia de Belas-Artes. Michalik teve então a ideia que definiria o lugar — convidou os estudantes a comer de graça, em troca de pequenos trabalhos deles. Os alunos pagavam a conta em desenhos, caricaturas, painéis. O café foi se cobrindo por dentro com o que os artistas deixavam, e o que era um arranjo de sobrevivência virou acervo.
Em 1905, o salão recebeu o cabaré Zielony Balonik — o Balão Verde —, que se apresentou regularmente ali até 1912 e esporadicamente até 1915. Foi um dos pontos altos do movimento Młoda Polska, a Jovem Polônia, e um dos raros espaços em que a boemia local pôde satirizar quase tudo à vontade.
O interior continua sendo o argumento principal. É Art Nouveau de verdade, com peças de artistas como Karol Frycz e Kazimierz Sichulski: espelhos ornamentados, vitrais, luminárias de época, marcenaria escura. Boa parte da atmosfera é a mesma do início dos anos 1900.
Vá pelo salão antigo, não pela parte da frente. E aceite que aqui o café custa o preço de um endereço histórico — o que você está comprando, além da bebida, é uma sala que nunca foi redecorada.






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