Um roteiro com 5 paradas em Budapeste, Hungria: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.
As paradas
- New York Café
- Café Gerbeaud
- Szimpla Kert
- Széchenyi Gyógyfürdő (Termas Széchenyi)
- Nagyvásárcsarnok (Mercado Central)
Onde tomar café
1. New York Café

A companhia de seguros New York encomendou o palácio em 1894, sobre projeto de Alajos Hauszmann — o mesmo arquiteto que redesenhou o Castelo de Buda — com Flóris Korb e Kálmán Giergl. No térreo abriu um café que, em pouco tempo, era chamado de o mais bonito do mundo: colunas retorcidas, mármore, lustres e um teto coberto de afrescos que faz qualquer um entrar olhando para cima.
O que fez a fama não foi só o ouro. O New York virou a sala de estar da literatura húngara. Redações funcionavam nas mesas, escritores passavam o dia ali, e o café mantinha um "prato do escritor" barato para quem ainda não tinha vendido nada. A lenda mais repetida é a de que Ferenc Molnár, autor de Os Meninos da Rua Paulo, jogou as chaves do estabelecimento no Danúbio para que ele nunca fechasse.
Vale saber que a história provavelmente não aconteceu assim: em 1894 Molnár ainda era um adolescente em idade escolar, e o rio fica a quilômetros dali. Uma versão alternativa situa o episódio em 1927, na reabertura após uma reforma. Verdade ou não, a lenda pegou: em 2014 os novos administradores repetiram o gesto e atiraram chaves no Danúbio — com a ressalva de que garantiam o café aberto pelos próximos 120 anos, não para sempre.
O prédio passou por décadas difíceis no período comunista e foi comprado pelo grupo italiano Boscolo, que devolveu o café ao esplendor original e reabriu em 2006, agora no térreo de um hotel cinco estrelas. Hoje é ponto turístico com fila na porta e preço de ponto turístico. Ainda assim, poucos lugares no mundo servem um expresso sob um teto assim.
Onde fica: Erzsébet körút 9-11, no distrito VII. Dica: a fila costuma ser menor no meio da tarde, entre os almoços e o fim de expediente.
Endereço: Erzsébet körút 9-11, 1073 Budapeste, Hungria
2. Café Gerbeaud

A confeitaria abriu em 1858, na praça que hoje se chama Vörösmarty tér, no coração de Pest. Quem a fundou foi Henrik Kugler, terceiro filho de uma dinastia de confeiteiros, que antes de assumir o negócio da família passou por onze capitais europeias — Paris incluída — aprendendo o ofício.
Kugler não teve herdeiros. Em 1883, convidou o jovem confeiteiro suíço Émile Gerbeaud para ser seu sócio, e acabou lhe vendendo a casa. Gerbeaud ampliou o salão, modernizou a produção e transformou o lugar numa das confeitarias mais respeitadas da Europa. A imperatriz Elisabeth — a Sissi, rainha da Hungria — parava ali sempre que estava em Budapeste.
Depois veio a parte que quase apagou o nome. Sob o regime comunista, o Estado tomou a casa e a rebatizou de Café Vörösmarty, pela praça, para eliminar o sobrenome do dono. Só em 1984 a família Gerbeaud conseguiu comprar de volta a confeitaria e devolver-lhe o nome original.
O salão continua o mesmo tipo de coisa: lustres, madeira escura, mármore e vitrines de doce. O item da casa é a fatia que leva o nome dela — o zserbó, camadas de massa com noz moída e geleia de damasco cobertas de chocolate. Um café e uma fatia na varanda que dá para a praça é um dos programas mais antigos da cidade que ainda funciona.
Onde fica: Vörösmarty tér 7-8, distrito V, no fim da rua de pedestres Váci utca. Dica: a fila de balcão anda muito mais rápido que a fila de mesa.
Endereço: Vörösmarty tér 7-8, 1051 Budapeste, Hungria
Onde beber
3. Szimpla Kert

Existe uma categoria de bar que Budapeste inventou e o resto do mundo copiou: o romkocsma, o "bar em ruínas". O primeiro deles foi o Szimpla Kert, aberto em 2002 por um grupo de estudantes no pátio interno de um prédio velho, a alguns quarteirões de onde está hoje.
A mudança que fez história veio em 2004. Um terreno na Kazinczy utca 14, no antigo bairro judeu, tinha sido moradia e depois fábrica de fogões, estava arruinado e estava marcado para demolição. Os quatro donos do Szimpla decidiram ocupar o lugar em vez de deixá-lo cair. Não reformaram: mantiveram as paredes descascadas, o reboco caindo e os vãos abertos, e encheram tudo de móveis desencontrados, luminárias improvisadas, bicicletas penduradas no teto e um Trabant — o carro do período comunista — transformado em mesa.
O modelo funcionou tão bem que virou gênero. Depois do Szimpla, dezenas de bares em ruínas abriram no distrito VII, e o bairro que ia ser demolido virou a área de vida noturna mais movimentada da cidade. O próprio Szimpla se espalhou pelo prédio inteiro, com vários ambientes, telão de cinema e programação de música ao vivo.
Se a ideia de disputar espaço com centenas de turistas na madrugada não anima, vá de manhã: aos domingos o mesmo pátio funciona como feira de produtores, com queijo, mel, pão e legumes das redondezas — a mesma arquitetura arruinada, com luz do dia e sem fila no bar.
Onde fica: Kazinczy utca 14, distrito VII. Dica: é bar, não restaurante — a comida ali é acessória.
Endereço: Kazinczy utca 14, 1075 Budapeste, Hungria
Vale a parada
4. Széchenyi Gyógyfürdő (Termas Széchenyi)

A história começa com um homem cavando um buraco. Em 1868, o engenheiro de minas Vilmos Zsigmondy começou a perfurar o Parque da Cidade atrás de água termal. Passou dez anos sem achar nada. Só em 1878, a 970 metros de profundidade, encontrou a fonte quente artesiana que procurava. Uma casa de banhos provisória abriu no local em 1881.
O complexo definitivo demorou mais. O projeto neobarroco é de Győző Czigler, desenhado em 1903; quando a obra enfim começou, em 1909, o arquiteto já havia morrido, e Ede Dvorák e Kálmán Gerster tocaram a construção seguindo o desenho dele. As termas abriram em 16 de junho de 1913 e receberam mais de 200 mil visitantes só no primeiro ano. Hoje a água medicinal chega à superfície pelo segundo poço mais profundo de Budapeste, de 1.246 metros, e o Széchenyi é a maior casa de banhos medicinais da Europa.
O que todo mundo fotografa, porém, não estava no projeto de ninguém: os homens jogando xadrez dentro da piscina externa, com o tabuleiro flutuando sobre a água a 38 graus. O costume começou nos anos 1960, quando as termas eram um dos poucos lugares de convívio livre da Hungria comunista, e os frequentadores precisavam ocupar a cabeça durante sessões longas de imersão. Não é encenação para turista: é gente da casa, jogando a sério, inclusive no inverno, com a névoa subindo da água.
Onde fica: Állatkerti körút 9-11, no Városliget (Parque da Cidade), com estação de metrô Széchenyi fürdő na porta. Dica: leve chinelo e toalha própria — alugar no local sai caro.
Endereço: Állatkerti körút 9-11, 1146 Budapeste, Hungria
5. Nagyvásárcsarnok (Mercado Central)

A ideia partiu de Károly Kamermayer, o primeiro prefeito de Budapeste, e virou resolução da assembleia municipal em 1891. Seis anos depois, em 15 de fevereiro de 1897, ele mesmo participou da inauguração do Nagyvásárcsarnok — o Grande Mercado Coberto, projetado por Samu Pecz.
São cerca de 10 mil metros quadrados cobertos por uma estrutura de aço, num desenho que mistura neogótico e neorrenascentista. O detalhe que salta aos olhos de fora é o telhado, revestido de cerâmica colorida Zsolnay, a porcelana de Pécs que também aparece nos telhados da Igreja Matias e do Museu de Artes Aplicadas. A Segunda Guerra danificou o prédio seriamente, e ele passou décadas se deteriorando; a restauração completa só veio em 1991.
Hoje o mercado funciona em três andares com lógica clara. O térreo é o dos húngaros de verdade: açougues, peixarias, hortifrúti, e as fileiras de páprica — em molhos pendurados, em latas, doce e defumada — que são o souvenir comestível mais honesto da Hungria, junto do salame e do vinho Tokaji. O primeiro andar é o de artesanato e bordado, mais turístico, com uma fileira de balcões de comida onde se come lángos, a massa frita coberta de creme azedo e queijo. O subsolo tem peixe, conservas e um supermercado.
Onde fica: Vámház körút 1-3, na praça Fővám, no fim da rua Váci utca e ao pé da Ponte da Liberdade. Dica: fecha aos domingos e fecha cedo aos sábados — vá em dia útil pela manhã, quando ainda é mercado e não passarela.
Endereço: Vámház körút 1-3, 1093 Budapeste, Hungria
A história por trás desses lugares
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Fontes e créditos
Imagens e links oficiais de cada parada:
- New York Café — foto: Asif Masimov, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons
- Szimpla Kert — foto: Yelkrokoyade, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
- Café Gerbeaud — foto: Norbert Aepli (Noebu), CC BY 2.5, via Wikimedia Commons
- Széchenyi Gyógyfürdő (Termas Széchenyi) — foto: Slyronit, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
- Nagyvásárcsarnok (Mercado Central) — foto: P. Hughes (Indies1), CC BY 4.0, via Wikimedia Commons
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