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📍 Dica rápida

Café New York, Budapeste: o café que um escritor teria jogado a chave no Danúbio

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A companhia de seguros New York encomendou o palácio em 1894, sobre projeto de Alajos Hauszmann — o mesmo arquiteto que redesenhou o Castelo de Buda — com Flóris Korb e Kálmán Giergl. No térreo abriu um café que, em pouco tempo, era chamado de o mais bonito do mundo: colunas retorcidas, mármore, lustres e um teto coberto de afrescos que faz qualquer um entrar olhando para cima.

O que fez a fama não foi só o ouro. O New York virou a sala de estar da literatura húngara. Redações funcionavam nas mesas, escritores passavam o dia ali, e o café mantinha um "prato do escritor" barato para quem ainda não tinha vendido nada. A lenda mais repetida é a de que Ferenc Molnár, autor de Os Meninos da Rua Paulo, jogou as chaves do estabelecimento no Danúbio para que ele nunca fechasse.

Vale saber que a história provavelmente não aconteceu assim: em 1894 Molnár ainda era um adolescente em idade escolar, e o rio fica a quilômetros dali. Uma versão alternativa situa o episódio em 1927, na reabertura após uma reforma. Verdade ou não, a lenda pegou: em 2014 os novos administradores repetiram o gesto e atiraram chaves no Danúbio — com a ressalva de que garantiam o café aberto pelos próximos 120 anos, não para sempre.

O prédio passou por décadas difíceis no período comunista e foi comprado pelo grupo italiano Boscolo, que devolveu o café ao esplendor original e reabriu em 2006, agora no térreo de um hotel cinco estrelas. Hoje é ponto turístico com fila na porta e preço de ponto turístico. Ainda assim, poucos lugares no mundo servem um expresso sob um teto assim.

Onde fica: Erzsébet körút 9-11, no distrito VII. Dica: a fila costuma ser menor no meio da tarde, entre os almoços e o fim de expediente.

Salão dourado do Café New York, em Budapeste, com colunas e afrescos no teto

Foto: Asif Masimov, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Onde fica

  • New York Café Cafeteria
    Erzsébet körút 9-11, 1073 Budapeste, Hungria
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📍 Dublin

O que fazer em Dublin: 5 paradas escolhidas

Fachada do pub The Brazen Head, em Dublin

Foto: Matthewvetter / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Um roteiro com 5 paradas em Dublin, Irlanda: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Bewley's Café Grafton Street
  2. The Brazen Head
  3. The Long Hall
  4. Davy Byrnes
  5. Old Library, Trinity College Dublin

Onde tomar café

1. Bewley's Café Grafton Street

Fachada do Bewley's Café na Grafton Street, em Dublin
Foto: Eric Jones / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A família Bewley importava chá e café para a Irlanda desde meados do século XIX quando, em 1927, Ernest Bewley abriu o café da Grafton Street, o endereço mais movimentado de Dublin. O terreno já havia abrigado a Whyte's Academy, escola onde estudaram Robert Emmet e o futuro duque de Wellington.

O cartão de visitas do salão são os seis vitrais encomendados a Harry Clarke, o dublinense considerado o maior mestre do vitral da Irlanda. Clarke trabalhou com motivos clássicos e da natureza sobre vidro claro, para deixar a luz entrar, e concluiu as peças pouco antes de morrer, em 1931. Os vitrais só saíram do lugar duas vezes: guardados durante a Segunda Guerra e para restauro em 1998.

Depois de uma reforma milionária e das interrupções da pandemia, o Bewley's voltou a funcionar na Grafton Street e segue servindo café da própria torra, pães e o clássico sticky bun sob os vitrais. É o tipo de parada que muitos dublinenses associam à infância.

Endereço: 78-79 Grafton Street, Dublin 2, D02 F268, Irlanda

Onde beber

2. The Brazen Head

Fachada do pub The Brazen Head, em Dublin
Foto: Matthewvetter / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na Bridge Street, a poucos metros do rio Liffey, o The Brazen Head se apresenta como o pub mais antigo da Irlanda, com a data de 1198 estampada na fachada. A rigor, o prédio atual é de 1754, e o registro mais antigo de licença para vender cerveja no endereço é de 1661. Mas há séculos existe alguma hospedaria funcionando naquele ponto, que fica na área onde a Dublin medieval começou.

O pub aparece na história política irlandesa mais de uma vez. Frequentadores como Robert Emmet, Wolfe Tone e Daniel O'Connell são citados em relatos dos séculos XVIII e XIX, e a tradição local conta que Emmet usava um quarto com vista para a porta da frente para vigiar quem se aproximava enquanto planejava a revolta de 1803. James Joyce cita o Brazen Head em Ulysses.

Hoje o Brazen Head vive de música tradicional irlandesa ao vivo todas as noites e de jantares com contação de histórias sobre folclore e literatura do país. O pátio interno, cheio de mesas, costuma lotar no fim de semana. Vale saber que o título de pub mais antigo é disputado: o Sean's Bar, em Athlone, apresenta documentação que remonta a datas ainda mais recuadas.

Endereço: 20 Lower Bridge Street, Usher's Quay, Dublin 8, D08 WC64, Irlanda

3. The Long Hall

Fachada vermelha do pub The Long Hall, em Dublin
Foto: Rossographer / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Na South Great George's Street, o The Long Hall tem licença para vender bebida desde 1766, o que o coloca entre os pubs mais antigos de Dublin. Mas o que impressiona quem entra é o interior de 1881: naquele ano, o proprietário Patrick Dolan concluiu uma reforma no estilo vitoriano que sobrevive quase intacta, com madeira entalhada à mão, espelhos de bordas biseladas, balcão de mogno, folha de ouro no teto e um relógio antigo no fundo do salão.

O nome vem do formato: um corredor comprido e estreito que leva do balcão da frente até a sala dos fundos. Na década de 1860, antes da reforma, o bar era ponto de encontro de fenianos, o movimento republicano irlandês, e relatos da época dizem que a fracassada revolta de 1867 foi articulada ali, até que agentes britânicos se infiltraram e o local foi fechado por um tempo.

Hoje o Long Hall é parada quase obrigatória de quem procura um pub tradicional no centro, sem música alta nem telas de TV, uma raridade cada vez maior na área.

Endereço: 51 South Great George's Street, Dublin 2, D02 X199, Irlanda

4. Davy Byrnes

Atores no Bloomsday em frente ao pub Davy Byrnes, em Dublin
Foto: Flapdragon / Wikimedia Commons (domínio público)

Na Duke Street, a um quarteirão da Grafton Street, o Davy Byrnes foi aberto em 1889 pelo dono que lhe deu o nome, vindo do condado de Wicklow. Virou ponto de escritores nas primeiras décadas do século XX, mas a fama mundial veio de um único episódio de ficção.

No capítulo 8 de Ulysses, de James Joyce, publicado em 1922, o personagem Leopold Bloom entra no Davy Byrnes por volta das duas da tarde de 16 de junho de 1904 e pede um sanduíche de gorgonzola com mostarda e uma taça de vinho borgonha. Bloom pensa consigo que aquele é um pub moral: o dono não fica de papo. A cena é curta, mas fixou o bar no mapa literário de Dublin.

Desde então, no Bloomsday, 16 de junho, data em que se passa o romance, leitores do mundo todo fazem fila no Davy Byrnes para repetir o pedido de Bloom: gorgonzola e uma taça de vinho. O sanduíche está no cardápio o ano inteiro.

Endereço: 21 Duke Street, Dublin 2, D02 K380, Irlanda

Vale a parada

5. Old Library, Trinity College Dublin

Interior do Long Room, a Biblioteca Antiga do Trinity College, em Dublin
Foto: David Iliff (Diliff) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Biblioteca Antiga do Trinity College, em Dublin, foi construída entre 1712 e 1732 com projeto de Thomas Burgh. Seu andar principal, o Long Room, é um salão abobadado de 65 metros de comprimento, forrado de estantes de carvalho e bustos de mármore de filósofos e escritores. Guarda cerca de 200 mil dos livros mais antigos do acervo.

O teto curvo que impressiona hoje não é o original: até a década de 1850 o Long Room tinha forro plano e um só nível de estantes. Como o Trinity passou a ter direito a uma cópia gratuita de todo livro publicado na Irlanda e no Reino Unido, o espaço ficou pequeno, e em 1860 o telhado foi levantado para abrir a galeria superior.

No mesmo complexo fica o Livro de Kells, manuscrito dos Evangelhos produzido por monges por volta do ano 800, com iluminuras que são um marco da arte medieval europeia. É um dos objetos mais visitados da Irlanda: a mostra reúne o manuscrito e leva o público em seguida ao Long Room.

Endereço: Trinity College Dublin

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • The Brazen Head — foto: Matthewvetter / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • The Long Hall — foto: Rossographer / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
  • Davy Byrnes — foto: Flapdragon / Wikimedia Commons (domínio público)
  • Bewley's Café Grafton Street — foto: Eric Jones / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
  • Old Library, Trinity College Dublin — foto: David Iliff (Diliff) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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📍 Dica rápida

Chocolatería San Ginés: churros com chocolate desde 1894

Escondida numa passagem perto da Puerta del Sol, a Chocolatería San Ginés é parada obrigatória para provar o clássico chocolate con churros madrilenho. Funciona 24 horas por dia e atrai tanto turistas quanto madrilenhos voltando da noitada.

Fachada da Chocolatería San Ginés em Madri

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Chocolatería San Ginés Cafeteria
    Chocolatería San Ginés, Pasadizo de San Ginés 5, Madrid, Espanha
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📍 Cidade do Cabo

Robben Island: a ilha-prisão que guardou Nelson Mandela por 18 anos

Farol de Robben Island visto a partir de um mirante próximo à estrada, na Baía da Mesa, Cidade do Cabo

Foto: Wikimedia Commons

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Robben Island tem menos de 8 quilômetros quadrados — pouco maior que o bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro — mas concentra quase quatro séculos de histórias de isolamento, banimento e resistência. Localizada na Baía da Mesa, a cerca de 7 km da costa da Cidade do Cabo, na África do Sul, a ilha é hoje um dos símbolos mais fortes da luta contra o apartheid e um Patrimônio Mundial da UNESCO.

Quase 400 anos de isolamento

Desde meados do século XVII, quando colonos holandeses começaram a usar a ilha para confinar escravizados, condenados e membros do povo khoikhoi que resistiam ao domínio colonial, Robben Island funcionou como um lugar para onde a sociedade mandava quem não queria por perto. Em 1846, o governo colonial britânico transformou o local em colônia de leprosos, somando um hospital para doentes crônicos e uma ala psiquiátrica feminina. Por quase um século, pessoas isoladas por doença viveram em barracos de pedra espalhados pela ilha, num regime que só terminou em 1931, quando o assentamento médico foi finalmente desativado.

Corredor de celas da Seção B da Prisão de Segurança Máxima de Robben Island

Seção B da Prisão de Segurança Máxima, onde Nelson Mandela cumpriu parte de sua pena.

A prisão que tentou calar o apartheid

Em 1961, o governo sul-africano converteu Robben Island em presídio de segurança máxima para opositores políticos do regime racista do apartheid. Ao longo das três décadas seguintes, mais de 3 mil prisioneiros políticos ligados ao Congresso Nacional Africano (ANC), ao Congresso Pan-Africanista e a outros movimentos foram enviados para lá, obrigados a trabalhos forçados em uma pedreira de calcário sob o sol implacável.

Nelson Mandela foi um deles: passou 18 dos seus 27 anos de prisão na ilha, entre 1964 e 1982, confinado na cela número 5 da Seção B — um espaço de apenas 2,4 por 2,1 metros, mobiliado com uma esteira fina para dormir e um balde como sanitário. Mandela não estava sozinho. Outros nomes centrais da resistência ao apartheid também foram presos ali, entre eles:

  • Walter Sisulu, um dos fundadores da Liga da Juventude do ANC;
  • Govan Mbeki, dirigente do Partido Comunista Sul-Africano e pai do futuro presidente Thabo Mbeki;
  • Ahmed Kathrada, condenado ao lado de Mandela no Julgamento de Rivonia;
  • Robert Sobukwe, fundador do Congresso Pan-Africanista, mantido em isolamento por anos além do fim de sua sentença.

De prisão a Patrimônio Mundial

Os últimos presos políticos deixaram a ilha em 1991, e o presídio foi definitivamente fechado em 1996, já no fim do regime do apartheid. No ano seguinte, em 1997, o governo sul-africano transformou o complexo no Robben Island Museum e o declarou monumento nacional. Em 1999, a UNESCO inscreveu a ilha na Lista do Patrimônio Mundial, descrevendo-a como um símbolo do "triunfo do espírito humano sobre a adversidade, o sofrimento e a injustiça".

Pátio interno da Seção B da Prisão de Segurança Máxima de Robben Island

Pátio da Seção B, onde Mandela cultivava um pequeno jardim entre os muros da prisão.

Hoje a visita começa no Nelson Mandela Gateway, no V&A Waterfront, área portuária revitalizada da Cidade do Cabo. Dali, uma balsa leva os visitantes em cerca de 30 minutos até a ilha, cruzando as mesmas águas que isolaram gerações de prisioneiros, leprosos e exilados — com a Table Mountain encolhendo no horizonte atrás do barco. Ex-prisioneiros políticos costumam atuar como guias, narrando em primeira pessoa o cotidiano atrás das grades. O passeio completo, incluindo o trajeto de ida e volta, dura em torno de três horas e meia — tempo suficiente para caminhar pela pedreira de calcário onde os presos trabalhavam sob sol forte, pela ala de celas e pelo pátio onde Mandela cultivava, escondido, um pequeno jardim de tomates e pimentões entre os muros da prisão.

Além do complexo prisional, a ilha ainda guarda vestígios de suas outras vidas: o cemitério dos internos da colônia de leprosos, a pequena escola primária erguida para os filhos dos guardas e funcionários, e um farol de 18 metros erguido em 1864 no ponto mais alto da ilha, convertido para eletricidade em 1938 e ainda em funcionamento — o único farol da costa sul-africana a operar com luz intermitente em vez de giratória. É esse conjunto de camadas — colônia penal, hospital, presídio político, farol, escola e, por fim, museu — que faz da pequena Robben Island um dos lugares mais densos de história de todo o continente africano.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Ilha Robben — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Da mesma forma que, ao visitar San Francisco, visita-se Alcatraz, quem vai a Cidade do Cabo visita Robben Island. O museu conta mais um pouco da história. Vale a visita. [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Robben Island Histórico
    Robben Island, Cidade do Cabo, África do Sul

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