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Mosteiro dos Jerónimos: o monumento que a pimenta pagou para agradecer a Vasco da Gama

Fachada do Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, Lisboa

Foto: Wikimedia Commons

Antes de gastar um único escudo com pedra ou entalhe, D. Manuel I já sabia como pagaria a conta: um imposto de 5% sobre tudo o que os navios portugueses trouxessem da África e do Oriente. Batizada de "Vintena da Pimenta", a taxa rendia por volta de 70 quilos de ouro por ano aos cofres reais — dinheiro suficiente para erguer, ao longo de um século, um dos monumentos mais ambiciosos da Europa: o Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, Lisboa.

Um voto para agradecer a Vasco da Gama

A obra nasceu de uma promessa. Em 1497, antes de zarpar rumo à Índia, Vasco da Gama teria orado numa pequena ermida à beira do Tejo, erguida décadas antes por ordem do infante D. Henrique. Quando a expedição voltou, em 1499, com a rota marítima para o Oriente enfim aberta, D. Manuel I decidiu substituir a ermida por um mosteiro grandioso, dedicado à Virgem de Belém e entregue aos monges da Ordem de São Jerónimo. A primeira pedra foi lançada em 6 de janeiro de 1501, e as obras se estenderiam, com avanços e pausas, por praticamente cem anos.

Cem anos de canteiro, dois grandes mestres

O projeto inicial coube a Diogo de Boitaca, arquiteto que ajudou a criar a linguagem que hoje chamamos de manuelino — um estilo genuinamente português, que mistura o gótico tardio com motivos ligados ao mar: cordas entalhadas em pedra, corais, esferas armilares e a cruz da Ordem de Cristo se espalham por portais e colunas. A partir de 1517, o espanhol João de Castilho assumiu o canteiro e conduziu a obra para um vocabulário mais próximo do Renascimento, sem romper com o desenho original. O claustro de dois andares, com seus arcos rendilhados, só ficou pronto em 1544, quando nenhum dos dois arquitetos originais já trabalhava ali.

Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, com arcos manuelinos de dois andares

O claustro de dois andares, concluído em 1544, reúne o gótico tardio de Boitaca ao vocabulário renascentista trazido por João de Castilho.

Sob o coro alto da igreja estão dois túmulos que resumem por que o edifício importa tanto para Portugal: o de Vasco da Gama, o navegador que abriu caminho para a Índia, e o de Luís de Camões, o poeta que transformou essa viagem em epopeia n'Os Lusíadas. Nenhum dos dois foi sepultado ali originalmente — os restos de Gama só chegaram ao mosteiro no século XIX, já como símbolo nacional dos Descobrimentos.

Terremoto, exílio e museus

O mosteiro atravessou o terremoto de 1755, que destruiu boa parte de Lisboa, com danos relativamente pequenos — os historiadores atribuem a sorte ao terreno arenoso de Belém, distante do centro mais castigado da cidade. O golpe mais duro veio depois, em 1833 e 1834, quando um decreto liberal extinguiu as ordens religiosas em Portugal. Os monges jerónimos, que viviam ali havia mais de três séculos, deixaram o mosteiro, e o edifício foi entregue à Real Casa Pia de Lisboa, que abrigou órfãos e crianças carentes em suas dependências até 1940. A igreja, por sua vez, passou a funcionar como paróquia de Santa Maria de Belém, função que mantém até hoje.

Túmulo de Vasco da Gama na igreja do Mosteiro dos Jerónimos

O túmulo de Vasco da Gama, sob o coro alto da igreja, junto ao de Luís de Camões.

Em 1983, a UNESCO declarou o Mosteiro dos Jerónimos Patrimônio Mundial, num mesmo reconhecimento que incluiu a vizinha Torre de Belém. Hoje o antigo dormitório dos monges abriga o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu de Marinha, enquanto a igreja segue aberta para missas e visitas.

Algumas curiosidades ajudam a entender por que o lugar segue despertando fascínio:

  • A "Vintena da Pimenta" tornou o mosteiro um dos raros grandes monumentos europeus pagos quase inteiramente com receita do comércio internacional, e não com impostos gerais da Coroa.
  • Em 16 de outubro de 1985, no cinquentenário de sua morte, os restos do poeta Fernando Pessoa foram trasladados para a ala norte do claustro — mas, segundo relatos de época, seu túmulo acabou ficando praticamente vazio, já que grande parte de seus ossos não pôde ser identificada com certeza no antigo jazigo de família.
  • A fachada sul da igreja, voltada para o rio, tem mais de 40 metros de largura e é considerada um dos maiores exemplares contínuos de escultura manuelina do mundo.

Onde fica

  • Mosteiro dos Jerónimos Histórico
    Mosteiro dos Jerónimos, Praça do Império, Lisboa, Portugal

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O que fazer em Siem Reap: 5 paradas escolhidas

Fachada branca do Blue Pumpkin em Siem Reap

Foto: Wikimedia Commons

Um roteiro com 5 paradas em Siem Reap, Camboja: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Banteay Srei
  2. Kampong Phluk
  3. Malis
  4. Blue Pumpkin
  5. Elephant Bar (Raffles Grand Hotel d'Angkor)

O que visitar

1. Banteay Srei

Torres de arenito rosa entalhado do templo Banteay Srei
Foto: Pierre André Leclercq / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Erguido no século 10, o Banteay Srei é pequeno perto de Angkor Wat, mas é considerado a peça mais refinada da arte khmer, com relevos entalhados em arenito rosa. Fica a cerca de 35 km do centro, meio caminho que vale o passeio.

Endereço: Banteay Srei, Siem Reap, Camboja

2. Kampong Phluk

Casas em palafitas na vila de Kampong Phluk, no Tonlé Sap
Foto: Krzysztof Golik / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A cerca de 30 km de Siem Reap, Kampong Phluk é formada por casas erguidas em palafitas de até 10 metros de altura, que acompanham a variação do nível do Tonlé Sap. Um passeio de barco pela vila mostra o dia a dia de quem vive da pesca no maior lago do Sudeste Asiático.

Endereço: Kampong Phluk, Siem Reap, Camboja

Onde comer

3. Malis

Amok de peixe, prato tradicional khmer servido no Malis
Foto: LittleT889 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Em um jardim tropical na Pokambor Avenue, o Malis eleva a cozinha khmer tradicional sem perder a autenticidade. O amok de peixe, cozido no vapor dentro de folha de bananeira, é o prato mais pedido.

Endereço: Malis Restaurant, Pokambor Avenue, Siem Reap, Camboja

Onde tomar café

4. Blue Pumpkin

Fachada branca do Blue Pumpkin em Siem Reap
Foto: chee.hong / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Num casarão colonial branco a poucos passos do Old Market, o Blue Pumpkin serve pães, sorvetes caseiros e café forte desde 2000. É parada clássica pra começar o dia antes de encarar os templos.

Endereço: Blue Pumpkin, Hospital Street, Siem Reap, Camboja

Onde beber

5. Elephant Bar (Raffles Grand Hotel d'Angkor)

Fachada do Raffles Grand Hotel d'Angkor, sede do Elephant Bar
Foto: Wikimedia Commons

Dentro do Raffles Grand Hotel d'Angkor, aberto desde 1932, o Elephant Bar guarda a maior coleção de uísques e bourbons do Camboja. O nome vem da época em que hóspedes chegavam ao hotel montados em elefantes.

Endereço: Raffles Grand Hotel d'Angkor

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Blue Pumpkin — foto: chee.hong / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
  • Banteay Srei — foto: Pierre André Leclercq / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Malis — foto: LittleT889 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
  • Kampong Phluk — foto: Krzysztof Golik / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Elephant Bar (Raffles Grand Hotel d'Angkor) — foto: Wikimedia Commons

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📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

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📍 Cidade do Cabo
📍 Dica rápida

Truth Coffee: a cafeteria steampunk mais premiada da Cidade do Cabo

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A Truth Coffee ocupa um prédio de 1902 na Buitenkant Street e já foi eleita uma das cafeterias mais bonitas do mundo, com máquinas de época, engrenagens de bronze e um torrador Probat dos anos 1940 como peça central.

Além da estética, o café é torrado na casa e é ótimo ponto de partida pra um dia de passeio pelo centro histórico.

Fachada histórica do prédio da Truth Coffee na Buitenkant Street, Cidade do Cabo

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Um café verdadeiro em Cidade do Cabo? [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Truth Coffee Cafeteria
    Truth Coffee, Buitenkant Street, Cidade do Cabo, África do Sul
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Conjunto Moderno da Pampulha: a igreja que a Igreja Católica recusou por 14 anos

Vista da Igreja de São Francisco de Assis com a Lagoa da Pampulha ao fundo, em Belo Horizonte

Foto: Paulo SP/ Wikimedia / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Oscar Niemeyer: Uma Arquitetura da Sedução
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Por 14 anos, uma das igrejas mais fotografadas do Brasil ficou sem poder celebrar batizados, casamentos ou missas regulares. O motivo não foi falta de fiéis nem de padres: foi um cachorro pintado por Cândido Portinari em um afresco ao lado de São Francisco de Assis, considerado inaceitável demais para a arquidiocese de Belo Horizonte consagrar o templo.

Uma aposta modernista às margens da lagoa

A história começa em 1940, quando o prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, decidiu transformar as margens de uma lagoa artificial recém-criada na região da Pampulha em um polo de lazer e arquitetura de vanguarda. Para desenhar os edifícios, JK chamou um arquiteto de 33 anos ainda pouco conhecido: Oscar Niemeyer. O paisagismo ficou com Roberto Burle Marx, os painéis decorativos com Cândido Portinari e parte das esculturas com Alfredo Ceschiatti.

O conjunto foi inaugurado em 16 de maio de 1943, com a presença do presidente Getúlio Vargas e do governador de Minas Gerais, Benedito Valadares. Quatro construções ao redor da lagoa formam o núcleo do projeto:

  • o Cassino da Pampulha, hoje Museu de Arte da Pampulha;
  • a Casa do Baile, um salão de festas sobre uma pequena ilha;
  • o Iate Tênis Clube;
  • a Igreja de São Francisco de Assis, conhecida como "Igrejinha da Pampulha".

Do jogo proibido à arte

O Cassino da Pampulha nasceu como point da elite mineira, com noites de jogatina e festas que atraíam visitantes de outros estados. A festa durou pouco: em 30 de abril de 1946, o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu os jogos de azar em todo o país, e o cassino fechou as portas apenas três anos depois de inaugurado. O prédio de curvas livres e painéis de vidro ficou fechado por mais de uma década até que, em 1957, reabriu como Museu de Arte da Pampulha, sob direção do arquiteto Sylvio de Vasconcellos.

Fachada do Museu de Arte da Pampulha, antigo Cassino da Pampulha, em Belo Horizonte

O antigo Cassino da Pampulha, fechado em 1946, reabriu como museu de arte em 1957.

A igreja que dividiu a cidade

Enquanto o cassino driblava a lei do jogo, a pequena igreja curva enfrentava outro tipo de resistência. O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Antônio Santos Cabral, recusou-se a consagrar o templo, classificando a obra como "inteiramente particular, na qual o clero não teve a mínima participação". As formas ousadas de Niemeyer e, sobretudo, o painel de Portinari em que um cão aparece ao lado do santo — lido por críticos da época como referência a um lobo, animal ligado à lenda de São Francisco — foram tratados como afronta ao bom gosto religioso.

Sem consagração, a Igrejinha da Pampulha funcionou por 14 anos apenas como capela aberta à visitação, sem celebrar os sacramentos que dependem desse rito. A situação só mudou em 1959, quando Dom Antônio Santos Cabral foi sucedido por Dom João Resende Costa, que autorizou a consagração pouco depois de assumir a arquidiocese.

Fachada curva da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, Belo Horizonte

As curvas de concreto armado da Igreja de São Francisco de Assis, projeto de 1943 de Oscar Niemeyer.

De obra controversa a patrimônio da humanidade

Décadas depois da polêmica, o julgamento mudou de sinal. Em 16 de julho de 2016, durante a 40ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, em Istambul, o Conjunto Moderno da Pampulha foi reconhecido como Patrimônio Mundial — o primeiro bem cultural do planeta a receber o título na categoria de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno. O próprio Niemeyer, que viveu até os 104 anos e assinou obras como o Palácio do Planalto e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, chegou a considerar a Pampulha um dos capítulos mais importantes de sua carreira: foi ali que testou, pela primeira vez em escala real, as curvas livres de concreto que se tornariam sua marca registrada.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Uma boa caminhada na beira da lagoa, com muita história.

Onde fica

  • Conjunto Moderno da Pampulha Histórico
    Pampulha

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