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Angkor Wat: o templo hindu que virou o maior monumento religioso do mundo

Torres de Angkor Wat refletidas na água ao amanhecer, em Siem Reap, Camboja

Foto: Wikimedia Commons

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Cerca de 500 mil metros quadrados de pedra arenito, erguidos sem argamassa, sem roldanas modernas e sem uma única página de projeto que tenha sobrevivido até hoje — esse é o ponto de partida de Angkor Wat, no Camboja. O templo é, ainda hoje, o maior monumento religioso já construído no planeta, com 162,6 hectares dentro de seu perímetro fortificado.

Um templo-funerário para um rei-deus

A construção começou na primeira metade do século 12, sob o reinado de Suryavarman II, que governou o Império Khmer entre aproximadamente 1113 e 1150. O projeto levou cerca de três décadas e mobilizou dezenas de milhares de trabalhadores e artesãos. Diferente da maioria dos templos khmer, voltados para o leste, Angkor Wat foi orientado para o oeste — um detalhe que os pesquisadores associam à sua função como templo funerário, já que o oeste é tradicionalmente ligado à morte na cosmologia hindu.

O templo foi dedicado principalmente a Vishnu, e não a Shiva, divindade mais cultuada pelos reis khmer anteriores. Suas cinco torres centrais, dispostas em quincôncio, representam os picos do Monte Meru, a montanha sagrada que, segundo a mitologia hindu, fica no centro do universo e é morada dos deuses. Um fosso de 190 metros de largura, com cerca de 5,5 km de perímetro, cerca todo o complexo — uma representação em pedra e água dos oceanos que, na cosmologia hindu, envolvem o Meru.

Baixo-relevo esculpido em pedra em Angkor Wat retratando uma batalha entre devas e asuras da mitologia hindu

Baixo-relevo na galeria externa retrata episódios da mitologia hindu, como a batalha entre devas e asuras.

As galerias de baixo-relevo

A galeria externa do templo, com cerca de 800 metros de extensão, é coberta por baixos-relevos esculpidos diretamente na pedra. Entre as cenas mais conhecidas estão a Batalha de Kurukshetra do Mahabharata, o cortejo militar de Suryavarman II e a Batalha entre Devas e Asuras — episódios da mitologia hindu que os artesãos khmer transformaram em narrativas contínuas de dezenas de metros de comprimento, sem os cortes ou molduras típicos da arte ocidental da mesma época.

De templo hindu a santuário budista

Em 1177, o povo cham, vindo do que hoje é o Vietnã, saqueou Angkor. O novo rei, Jayavarman VII, atribuiu o desastre ao abandono dos deuses hindus e passou a promover o budismo mahayana, construindo uma nova capital fortificada, Angkor Thom, nas proximidades. Angkor Wat sobreviveu à mudança de fé: ao longo dos séculos seguintes, tornou-se um santuário budista, e muitas imagens hindus originais foram substituídas ou complementadas por estátuas de Buda. O templo nunca chegou a ser completamente abandonado pela população local — ao contrário de boa parte do restante da antiga capital de Angkor, que foi engolida pela floresta.

As torres centrais de Angkor Wat vistas de perto, representando os picos do Monte Meru

As cinco torres centrais simbolizam os picos do Monte Meru, morada dos deuses na cosmologia hindu.

A redescoberta europeia e o Camboja moderno

Embora nunca tenha sido totalmente esquecido pelos cambojanos, foi o naturalista francês Henri Mouhot quem, após visitar o local em 1859-1860, publicou relatos e desenhos detalhados que despertaram o interesse do público europeu por Angkor. Esses textos, publicados postumamente no início da década de 1860, ajudaram a consolidar a imagem do templo no imaginário ocidental como uma “cidade perdida” — apesar de a região nunca ter sido de fato desconhecida dos khmers.

Em 1992, a UNESCO declarou o Parque Arqueológico de Angkor Patrimônio Mundial, incluindo-o também, na ocasião, na lista de Patrimônio Mundial em Perigo, devido aos danos da guerra civil cambojana e ao risco de saques. O templo é hoje o símbolo máximo do Camboja: sua silhueta de cinco torres estampa a bandeira nacional desde 1863, atravessando monarquias, o período colonial francês, o regime do Khmer Vermelho e a república atual — o único monumento a permanecer na bandeira do país ao longo de todas essas mudanças de governo.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Angkor Wat — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Angkor Wat Histórico
    Angkor Wat, Siem Reap, Camboja

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📍 Edimburgo

Castelo de Edimburgo: 26 cercos em cima de um vulcão de 350 milhões de anos

O Castelo de Edimburgo visto da esplanada

Foto: Daniel Kraft, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

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O Castelo de Edimburgo não foi construído numa colina: foi construído em cima de um vulcão. A rocha que sustenta as muralhas é um plugue vulcânico que se formou há cerca de 350 milhões de anos, no Carbonífero inferior, e cujo cume está a 130 metros acima do nível do mar. Tudo o que aconteceu ali em cima nos últimos mil anos aconteceu porque aquele bloco de basalto era, simplesmente, o lugar mais difícil de tomar em toda a região.

Difícil não quer dizer impossível. Uma pesquisa concluída em 2014 identificou 26 cercos ao castelo ao longo de seus 1.100 anos de história — o que o torna, provavelmente, o lugar mais sitiado da Grã-Bretanha e um dos mais sitiados do mundo.

A capela que sobreviveu a tudo

De todo o conjunto, o edifício mais antigo é também o menor: a Capela de Santa Margarida, do início do século XII, é considerada a construção mais antiga de Edimburgo. Ela atravessou incólume séculos de demolições, reconstruções e bombardeios que apagaram quase tudo o que havia em volta.

O resto do castelo é uma colagem de séculos diferentes. A Torre de David começou a ser erguida por volta de 1367, ainda estava incompleta quando David II morreu em 1371, e foi terminada por Roberto II ao longo daquela década. O Grande Salão já existia em 1458 e ganhou sua forma final no começo do século XVI, sob Jaime IV. E a Bateria Meia-Lua, o paredão curvo que qualquer visitante fotografa hoje, foi levantada depois do chamado Cerco Longo (1571–1573), por ordem do regente Morton — os historiadores a descrevem como uma fortificação de artilharia ineficaz e já desatualizada quando ficou pronta.

Também está ali Mons Meg, o canhão medieval entregue a Edimburgo em 1457. Ele passou décadas fora da Escócia e só foi devolvido pela Torre de Londres em 1829.

As joias que ninguém abriu por um século

A história mais estranha do castelo é a das Honras da Escócia — a coroa, o cetro e a espada de estado, as insígnias reais mais antigas ainda existentes nas Ilhas Britânicas. Depois da união dos parlamentos, elas foram guardadas numa sala do castelo, a Crown Room, que foi lacrada e simplesmente esquecida. Correu por gerações o boato de que os ingleses as tinham levado embora.

Em 1818, o escritor Walter Scott obteve autorização para arrombar a sala. As joias estavam lá, intactas, dentro de um baú. Foram postas em exposição pública logo depois, com ingresso de um xelim — e continuam em exibição no mesmo lugar até hoje.

O tiro da uma hora

Todo dia, às 13h, um disparo ecoa pela cidade. O One O'Clock Gun começou a ser disparado em 7 de junho de 1861 — no início, da Bateria Meia-Lua — como sinal sonoro de hora para a navegação no estuário do Forth. A ideia foi de um empresário de Edimburgo, John Hewat, que tinha ouvido um canhão parecido numa visita a Paris.

O tiro nasceu como remendo de um problema anterior. Desde 1852, uma bola de tempo no Monumento a Nelson, em Calton Hill, era baixada às 13h para que os navios acertassem seus cronômetros. Só que Edimburgo vive sob o haar, a névoa espessa que sobe do mar e some com a cidade por horas — e, no nevoeiro, a bola era invisível. O som resolvia o que a vista não alcançava. Um cabo de cerca de 1.280 metros ligava Calton Hill ao castelo para que os dois sinais fossem dados no mesmo instante. Hoje o canhão é disparado da Bateria de Mills Mount, seis dias por semana.

Perguntas frequentes

Qual é a construção mais antiga do castelo? A Capela de Santa Margarida, do início do século XII, tida como o edifício mais antigo de Edimburgo.

Quantas vezes o castelo foi sitiado? Vinte e seis vezes, segundo levantamento de 2014 que cobriu 1.100 anos de história do lugar.

É muito visitado? Sim. Em 2025 recebeu 2.044.963 visitantes, o que o coloca como a segunda atração mais visitada da Escócia.

Onde fica

  • Castelo de Edimburgo Histórico
    Castlehill, Edimburgo EH1 2NG, Escócia, Reino Unido

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O que fazer em Petrópolis: 4 paradas escolhidas

A Encantada, casa de Santos Dumont em Petrópolis

Foto: Alexandre Filho / Wikimedia Commons (domínio público)

Um roteiro com 4 paradas em Petrópolis, RJ, Brasil: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Museu Casa de Santos Dumont (A Encantada)
  2. Palácio Quitandinha (Sesc Quitandinha)
  3. Palácio de Cristal
  4. Cervejaria Bohemia

O que visitar

1. Museu Casa de Santos Dumont (A Encantada)

A Encantada, casa de Santos Dumont em Petrópolis
Foto: Alexandre Filho / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 1918, Alberto Santos Dumont construiu em Petrópolis uma casa pequena, numa encosta, com a ajuda do engenheiro Eduardo Pederneiras. Ele a chamou de A Encantada, e a rua acabou virando Rua do Encanto. É a casa de um inventor, e isso aparece em cada detalhe.

A mais famosa é a escada. Os degraus são recortados de forma alternada: na escada externa, só dá para começar a subir com a perna direita; na interna, com a esquerda. Não tem corrimão que salve quem erra o primeiro passo.

O chuveiro de água quente, aquecido a álcool, é descrito como o único do Brasil na época. Cozinha não havia: as refeições vinham do restaurante do Palace Hotel. São três pavimentos sem divisórias internas e, no telhado, um mirante para observar o céu.

Depois da morte do inventor, os sobrinhos doaram a casa à Prefeitura de Petrópolis para preservar a memória dele. O imóvel foi tombado pelo IPHAN em 14 de julho de 1952 e reaberto como museu depois de uma reforma em 2023. Funciona de terça a domingo, das 10h às 17h.

Endereço: Rua do Encanto, 22 - Centro, Petrópolis - RJ

2. Palácio Quitandinha (Sesc Quitandinha)

Palácio Quitandinha e o lago em Petrópolis
Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0)

O empresário Joaquim Rolla abriu o Quitandinha em 1944 para ser o maior hotel-cassino da América Latina. Os números acompanham a ambição: 50 mil metros quadrados, seis andares, 440 apartamentos e 13 grandes salões com pé-direito de até 10 metros. Na frente, um lago com o formato do mapa do Brasil.

A decoração ficou a cargo da americana Dorothy Draper, uma das designers de interiores mais conhecidas do século XX, que escolheu cores, tecidos e móveis inspirados em cenários de Hollywood. O prédio, por fora, segue um estilo normando.

O cassino não durou. Em 30 de maio de 1946, o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu o jogo no Brasil, e o empreendimento perdeu seu principal motor apenas dois anos depois de abrir.

Em 2007 o Sesc Rio comprou a parte administrativa, com salões e áreas de lazer (os apartamentos continuam particulares). É o Sesc que hoje abre o palácio para visitação. O ponto alto é o Salão Mauá, cuja cúpula tem 30 metros de altura e 50 de diâmetro, e é apontada como a maior cúpula de concreto do mundo.

Endereço: Avenida Joaquim Rolla, 2 - Quitandinha, Petrópolis - RJ

História

3. Palácio de Cristal

Palácio de Cristal de Petrópolis
Foto: Rafael Henrique Serra / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Apesar do nome, o Palácio de Cristal não é de cristal: é de vidro, sobre uma estrutura de ferro fundido. A peça veio pré-fabricada da França, das oficinas da Société Anonyme de Saint-Sauveur, em Arras, encomendada pelo Conde d'Eu como presente para a esposa, a Princesa Isabel, que queria um lugar para cultivar plantas. A inspiração eram os palácios de cristal de Londres e do Porto. Foi inaugurado em 1884.

O prédio entrou para a história da abolição. No Domingo de Páscoa de 1888, o palácio foi enfeitado com uma grande cruz de ramos e flores com a frase "Viva a liberdade", e a princesa, o Conde d'Eu e os filhos entregaram ali 127 cartas de alforria a pessoas escravizadas da cidade. Semanas depois, em 13 de maio, Isabel assinaria a Lei Áurea.

O IPHAN protegeu o palácio provisoriamente em 1960 e o tombou em definitivo em 1967. Fica num pequeno parque no Centro e a entrada é gratuita. Para quem gosta de jardim, vale reparar nos vidros coloridos e imaginar o espaço como ele foi pensado: uma estufa para exposições de plantas.

Endereço: Rua Alfredo Pachá

Onde beber

4. Cervejaria Bohemia

Cervejaria Bohemia em Petrópolis
Foto: Joalpe / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Bohemia nasceu em Petrópolis em 1853, fundada por imigrantes alemães, entre eles Henrique Kremer. Tinha a cidade certa para isso: uma colônia recém-criada, cheia de famílias vindas da Alemanha e com clima de serra. A marca se apresenta como a primeira cervejaria do país.

A história depois segue a da indústria brasileira de cerveja. Em 1960 a empresa foi comprada pela Companhia Antarctica Paulista e hoje pertence à Ambev. A produção principal saiu da cidade, mas em 2012 a fábrica de Petrópolis reabriu remodelada, funcionando como uma espécie de museu da cerveja.

A visita é guiada e tem mais de um formato, do tour interativo básico a versões com degustação e harmonização. No fim do percurso há bar, restaurante e loja. Não precisa reservar: dá para comprar o ingresso no site ou na recepção.

Fica na Rua Alfredo Pachá, a mesma do Palácio de Cristal, o que facilita juntar as duas visitas numa tarde.

Endereço: Rua Alfredo Pachá, 166 - Centro, Petrópolis - RJ · site oficial

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Museu Casa de Santos Dumont (A Encantada) — foto: Alexandre Filho / Wikimedia Commons (domínio público)
  • Cervejaria Bohemia — foto: Joalpe / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) · site oficial
  • Palácio Quitandinha (Sesc Quitandinha) — foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0)
  • Palácio de Cristal — foto: Rafael Henrique Serra / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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📍 Montevidéu
📍 Dica rápida

Baar Fun Fun: o bar de tango de 1895 cujo nome, diz a história da casa, saiu de uma gagueira

Tango: a Música de uma Cidade — Mauro Mendes Braga (Editora UFMG)
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O Baar Fun Fun existe desde 1895, quando o imigrante galego Augusto López o abriu junto ao antigo Mercado Central de Montevidéu. A explicação para o nome é a que a casa conta até hoje: o dono gaguejava e, quando duvidavam que o bar daria certo, respondia que ele ia "fun-fun-cionar". O "Baar" com dois "a" faz parte da marca.

A especialidade é a uvita, a bebida da casa, uma mistura de vinhos com açúcar que só se toma ali. A outra é o tango: num palco minúsculo, há música ao vivo. Segundo a história do bar, Carlos Gardel passou por lá em 1933, provou a uvita e cantou de improviso para quem estava no salão.

O bar mudou de endereço mais de uma vez ao longo dos anos e hoje funciona na rua Ciudadela, na Ciudad Vieja, a uma quadra do Teatro Solís. As paredes cheias de fotos, recortes e lembranças fazem dele quase um pequeno museu. Confira a programação antes de ir, porque os shows têm dia e horário.

Interior do Baar Fun Fun, em Montevidéu

Foto: Ezarate / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • Baar Fun Fun Bar
    Ciudadela 1229, Ciudad Vieja, Montevidéu, Uruguai
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