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La Mamounia: o hotel-jardim onde Churchill pintou seu único quadro da Segunda Guerra

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Poucos hotéis do mundo podem dizer que hospedaram Winston Churchill o suficiente para ganhar um bar com o nome dele. O La Mamounia, erguido sobre um jardim do século XVIII no coração de Marrakech, é assim: um hotel que atravessou quase um século sendo cenário de política internacional, cinema e, num episódio específico de 1943, de arte.

Um jardim de sultão que virou hotel Art Déco

O terreno onde o hotel fica foi presenteado no século XVIII pelo sultão Mohammed ben Abdallah a seu filho, Moulay Mamoun — de quem vem o nome "Mamounia". O projeto do hotel foi concebido em 1923 pelos arquitetos Henri Prost e Antoine Marchisio, combinando arquitetura marroquina tradicional com o estilo Art Déco então em voga. O hotel abriu as portas em 1929.

O bar batizado em homenagem a Churchill

Ao longo do século XX, o La Mamounia recebeu hóspedes como Charlie Chaplin, Francis Ford Coppola e Yves Saint Laurent — mas foi Winston Churchill quem se tornou seu visitante mais associado ao hotel, a ponto de chamá-lo de "o lugar mais adorável do mundo inteiro". Em sua homenagem, o hotel batizou um de seus bares de Churchill Bar, decorado como um vagão-salão de trem da era Pullman. O diretor Alfred Hitchcock também filmou cenas de "O Homem Que Sabia Demais" no hotel, o que ajudou a atrair ainda mais celebridades para Marrakech nas décadas seguintes.

A única pintura de Churchill na Segunda Guerra

Em janeiro de 1943, hospedado no La Mamounia após a Conferência de Casablanca, Churchill convenceu Franklin Roosevelt a passar por Marrakech antes de retornar aos Estados Unidos. Depois que a delegação americana partiu, Churchill ficou mais um dia e pintou a torre da Mesquita Koutoubia vista do jardim do hotel — a única pintura que fez durante toda a guerra. Deu o quadro de presente a Roosevelt; décadas depois, ele foi vendido em leilão pela então proprietária Angelina Jolie por US$ 11,5 milhões.

Fachada do hotel La Mamounia, em Marrakech

Foto: muffinn / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Onde fica

  • La Mamounia Local
    Avenue Bab Jdid, 40040 Marrakech, Marrocos
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Angkor Wat: o templo hindu que virou o maior monumento religioso do mundo

Torres de Angkor Wat refletidas na água ao amanhecer, em Siem Reap, Camboja

Foto: Wikimedia Commons

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Cerca de 500 mil metros quadrados de pedra arenito, erguidos sem argamassa, sem roldanas modernas e sem uma única página de projeto que tenha sobrevivido até hoje — esse é o ponto de partida de Angkor Wat, no Camboja. O templo é, ainda hoje, o maior monumento religioso já construído no planeta, com 162,6 hectares dentro de seu perímetro fortificado.

Um templo-funerário para um rei-deus

A construção começou na primeira metade do século 12, sob o reinado de Suryavarman II, que governou o Império Khmer entre aproximadamente 1113 e 1150. O projeto levou cerca de três décadas e mobilizou dezenas de milhares de trabalhadores e artesãos. Diferente da maioria dos templos khmer, voltados para o leste, Angkor Wat foi orientado para o oeste — um detalhe que os pesquisadores associam à sua função como templo funerário, já que o oeste é tradicionalmente ligado à morte na cosmologia hindu.

O templo foi dedicado principalmente a Vishnu, e não a Shiva, divindade mais cultuada pelos reis khmer anteriores. Suas cinco torres centrais, dispostas em quincôncio, representam os picos do Monte Meru, a montanha sagrada que, segundo a mitologia hindu, fica no centro do universo e é morada dos deuses. Um fosso de 190 metros de largura, com cerca de 5,5 km de perímetro, cerca todo o complexo — uma representação em pedra e água dos oceanos que, na cosmologia hindu, envolvem o Meru.

Baixo-relevo esculpido em pedra em Angkor Wat retratando uma batalha entre devas e asuras da mitologia hindu

Baixo-relevo na galeria externa retrata episódios da mitologia hindu, como a batalha entre devas e asuras.

As galerias de baixo-relevo

A galeria externa do templo, com cerca de 800 metros de extensão, é coberta por baixos-relevos esculpidos diretamente na pedra. Entre as cenas mais conhecidas estão a Batalha de Kurukshetra do Mahabharata, o cortejo militar de Suryavarman II e a Batalha entre Devas e Asuras — episódios da mitologia hindu que os artesãos khmer transformaram em narrativas contínuas de dezenas de metros de comprimento, sem os cortes ou molduras típicos da arte ocidental da mesma época.

De templo hindu a santuário budista

Em 1177, o povo cham, vindo do que hoje é o Vietnã, saqueou Angkor. O novo rei, Jayavarman VII, atribuiu o desastre ao abandono dos deuses hindus e passou a promover o budismo mahayana, construindo uma nova capital fortificada, Angkor Thom, nas proximidades. Angkor Wat sobreviveu à mudança de fé: ao longo dos séculos seguintes, tornou-se um santuário budista, e muitas imagens hindus originais foram substituídas ou complementadas por estátuas de Buda. O templo nunca chegou a ser completamente abandonado pela população local — ao contrário de boa parte do restante da antiga capital de Angkor, que foi engolida pela floresta.

As torres centrais de Angkor Wat vistas de perto, representando os picos do Monte Meru

As cinco torres centrais simbolizam os picos do Monte Meru, morada dos deuses na cosmologia hindu.

A redescoberta europeia e o Camboja moderno

Embora nunca tenha sido totalmente esquecido pelos cambojanos, foi o naturalista francês Henri Mouhot quem, após visitar o local em 1859-1860, publicou relatos e desenhos detalhados que despertaram o interesse do público europeu por Angkor. Esses textos, publicados postumamente no início da década de 1860, ajudaram a consolidar a imagem do templo no imaginário ocidental como uma “cidade perdida” — apesar de a região nunca ter sido de fato desconhecida dos khmers.

Em 1992, a UNESCO declarou o Parque Arqueológico de Angkor Patrimônio Mundial, incluindo-o também, na ocasião, na lista de Patrimônio Mundial em Perigo, devido aos danos da guerra civil cambojana e ao risco de saques. O templo é hoje o símbolo máximo do Camboja: sua silhueta de cinco torres estampa a bandeira nacional desde 1863, atravessando monarquias, o período colonial francês, o regime do Khmer Vermelho e a república atual — o único monumento a permanecer na bandeira do país ao longo de todas essas mudanças de governo.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Angkor Wat — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Angkor Wat Histórico
    Angkor Wat, Siem Reap, Camboja

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Gramado: da parada dos tropeiros à cidade que reinventou o Natal no Brasil

Vista panorâmica noturna do centro de Gramado, no Rio Grande do Sul

Foto: Felipe Valduga from Porto Alegre, Brazil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Guinness World Records confirmou: o Natal Luz de Gramado é o festival natalino mais longo do planeta, com quase três meses de programação todos os anos. Difícil imaginar que tudo começou com tropeiros cansados procurando um lugar macio para descansar o gado no topo da Serra Gaúcha.

Uma pausa na serra que virou nome de cidade

Antes de qualquer colonizador, a região era ocupada pelos índios caingangues. A partir da segunda metade do século 19, tropeiros — muitos deles descendentes de açorianos vindos de cidades como Lages — passaram a cruzar a serra conduzindo gado entre o litoral e os campos de cima da serra. No alto do trajeto, encontravam um trecho plano coberto de grama macia, cercado de árvores e nascentes de água: um gramado, no sentido literal da palavra, que servia de pouso para homens e animais exaustos. Foi esse pedaço de capim que deu nome ao lugar.

O povoamento efetivo, porém, é mais recente. Foi somente a partir de 1913 que descendentes de imigrantes alemães e italianos — que já ocupavam colônias mais antigas do Rio Grande do Sul, como São Leopoldo — começaram a se instalar na região, atraídos pelo clima frio e pela terra fértil da serra. Eram essas famílias teuto e ítalo-brasileiras que, nas décadas seguintes, dariam a Gramado sua identidade arquitetônica e cultural, hoje um dos maiores atrativos da cidade.

Igreja Matriz São Pedro, construída em pedra basáltica no centro de Gramado

Igreja Matriz São Pedro, erguida com 78 mil pedras basálticas no centro de Gramado.

Pedra por pedra: a igreja que uniu a colônia

Em 29 de junho de 1917, dia de São Pedro, o arcebispo Dom João Becker instituiu a Paróquia de São Pedro de Gramado, então servida por uma singela capela de madeira. Com o crescimento da colônia, a comunidade decidiu erguer um templo à altura: em 1943 começou a construção da igreja de pedra que hoje domina o centro da cidade, com cerca de 78 mil pedras basálticas extraídas de pedreiras próximas e transportadas em carroças puxadas por bois. A obra, de inspiração românica, levou cerca de oito anos para ficar pronta, com torre de 46 metros e vitrais que retratam cenas da vida do apóstolo Pedro, pintados pelo artista alemão Pedro Dobmeier.

A igreja não foi só um marco religioso: virou o centro simbólico de uma cidade que ainda nem existia oficialmente. Gramado seguia sendo distrito do município vizinho de Taquara, sem autonomia administrativa própria, mesmo já reunindo uma comunidade organizada em torno da paróquia, da lavoura e do comércio de estrada.

De distrito de Taquara a capital do turismo de montanha

A emancipação política só veio décadas depois: pela Lei estadual 2.522, de 15 de dezembro de 1954, Gramado deixou de ser distrito de Taquara e tornou-se município autônomo. Mesmo assim, ainda faltava o que transformaria a pequena cidade de colonização europeia em destino turístico nacional.

Isso aconteceu em 1986, quando o então secretário de turismo Luciano Peccin voltou de uma viagem à Disney encantado com a decoração natalina dos parques americanos e decidiu recriar algo parecido em Gramado. Em 26 de dezembro daquele ano, mais de 700 cantores e 20 "Papais Noéis" desfilaram pelas ruas à luz de velas, com concerto da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre sob regência do maestro Eleazar de Carvalho. Nascia o Natal Luz.

  • Séc. 19: tropeiros batizam o "gramado" que dá nome à futura cidade
  • 1913: início da colonização por descendentes de alemães e italianos
  • 1917: criação da Paróquia de São Pedro, ainda numa capela de madeira
  • 1943: começa a construção da atual Igreja Matriz, em pedra basáltica
  • 1954: Gramado se emancipa de Taquara e vira município
  • 1986: primeira edição do Natal Luz
Lago Negro, um dos cartões-postais de Gramado

O Lago Negro, hoje um dos símbolos do turismo que transformou a economia da cidade.

Menos de quatro décadas depois daquela primeira procissão de velas, o evento que nasceu como aposta de um secretário de turismo bateu recorde reconhecido pelo Guinness como o Natal mais longo do mundo. A mesma cidade que um dia foi apenas um ponto de descanso na rota dos tropeiros — e, por muito tempo, nem sequer teve autonomia para governar a si mesma — hoje vive majoritariamente do turismo que aquela decisão de 1986 ajudou a criar.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Gramado — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

Onde fica

  • Gramado Histórico
    Gramado, Rio Grande do Sul
  • Igreja Matriz São Pedro Histórico
    Igreja Matriz São Pedro, Gramado - Rio Grande do Sul

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📍 Wiltshire

O que fazer em Wiltshire: 5 paradas escolhidas

Pedras do círculo neolítico de Avebury, em Wiltshire, na Inglaterra

Foto: Pavlo Boyko / Wikimedia Commons

Um roteiro com 5 paradas em Wiltshire, Reino Unido: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Avebury Stone Circle
  2. Salisbury Cathedral
  3. The Haunch of Venison
  4. Fisherton Mill
  5. The Cloisters

O que visitar

1. Avebury Stone Circle

Pedras do círculo neolítico de Avebury, em Wiltshire, na Inglaterra
Foto: Bo&Ko / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Maior que Stonehenge e livre para caminhar entre as pedras a qualquer hora, o círculo de Avebury cerca literalmente a vila e faz parte do mesmo Patrimônio Mundial da UNESCO. Uma boa forma de começar o dia por Wiltshire, sem as filas do vizinho mais famoso.

Endereço: Avebury Stone Circle, High Street, Avebury, United Kingdom

2. Salisbury Cathedral

Fachada e torre da Catedral de Salisbury, em Wiltshire, na Inglaterra
Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Com 123 metros, a torre da Catedral de Salisbury é a mais alta da Inglaterra e guarda uma das quatro cópias originais da Magna Carta de 1215. O relógio mecânico do interior, de 1386, está entre os mais antigos ainda funcionando no mundo.

Endereço: Salisbury Cathedral, 33 Bishop's Walk, Salisbury, United Kingdom

Onde comer

3. The Haunch of Venison

Fachada de vigas de madeira do pub The Haunch of Venison, em Salisbury
Foto: Chris Talbot / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Perto da Catedral de Salisbury, este pub de vigas de carvalho remonta à década de 1320 e guarda curiosidades como uma mão mumificada exposta numa parede. Bom lugar para um almoço tradicional inglês em ambiente histórico, tombado como Grade II*.

Endereço: The Haunch of Venison

Onde tomar café

4. Fisherton Mill

Fachada do café e galeria Fisherton Mill, em Salisbury
Foto: Ian Capper / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Um moinho de grãos do século 19 transformado em café e galeria, com espaço para artistas residentes. Vale parar para um café da tarde enquanto se passeia pelas obras de artesãos locais expostas pelos corredores.

Endereço: Fisherton Mill, 108 Fisherton Street, Salisbury, United Kingdom

Onde beber

5. The Cloisters

Fachada do pub histórico The Cloisters, em Salisbury
Foto: Jaggery / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A dois minutos a pé da Catedral de Salisbury, este pub ocupa um prédio tombado de cerca de 1350. Ambiente descontraído e boa seleção de cervejas para fechar o dia depois de caminhar por Wiltshire.

Endereço: The Cloisters, 83 Catherine Street, Salisbury, United Kingdom

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Avebury Stone Circle — foto: Bo&Ko / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
  • Salisbury Cathedral — foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • The Haunch of Venison — foto: Chris Talbot / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
  • Fisherton Mill — foto: Ian Capper / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
  • The Cloisters — foto: Jaggery / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

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