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Jemaa el-Fnaa: a praça que virou Patrimônio Imaterial da UNESCO

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Por volta das cinco da tarde, a praça Jemaa el-Fnaa começa a se transformar. Barracas de comida se multiplicam, tambores de músicos gnawa começam a tocar e contadores de histórias reúnem plateias em círculo, como fazem há séculos. É a praça mais movimentada do Marrocos — e uma das poucas do mundo reconhecidas pela UNESCO não por seus prédios, mas pelo que acontece nela.

Do "assembleia dos mortos" ao patrimônio da UNESCO

A praça existe desde o século XI, fundada junto com a própria Marrakech pela dinastia almorávida. Seu nome, segundo a explicação mais aceita, remete a "assembleia dos mortos" ou "assembleia do nada" — uma referência ao passado da praça como local de execuções públicas. Em 2001, a UNESCO declarou o espaço Obra-Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, reconhecendo não a arquitetura ao redor, mas as tradições vivas que a praça ainda abriga.

Mais de 50 barracas de comida ao anoitecer

Durante o dia, a praça funciona como mercado e ponto de encontro. À noite, vira um imenso restaurante a céu aberto: mais de 50 barracas de comida se instalam lado a lado, servindo desde tagines e espetinhos até caracóis cozidos e sopa harira, em meio à fumaça e ao barulho dos vendedores anunciando os pratos.

Contadores de histórias, músicos e encantadores de serpentes

Ao redor das barracas, artistas de rua mantêm vivo um tipo de entretenimento que já foi comum em praças de todo o mundo árabe e hoje sobrevive quase só aqui: os hekayati (contadores de histórias) narram lendas locais para plateias que se formam em círculo, enquanto músicos berberes, dançarinos gnawa e encantadores de serpentes disputam a atenção de moradores e visitantes.

Vista geral da praça Jemaa el-Fnaa em Marrakech

Foto: Jakub Hałun / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Onde fica

  • Praça Jemaa el-Fnaa Ponto Turístico
    Jemaa el-Fnaa, Marrakech 40000, Marrocos
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Chelsea Market: o mercado histórico na antiga fábrica da Nabisco

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Instalado na antiga fábrica da Nabisco — onde o biscoito Oreo foi criado —, o Chelsea Market reúne mais de 50 lojas de comida entre corredores industriais preservados, no bairro de Chelsea.

Entrada do Chelsea Market em Nova York

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Chelsea Market Ponto Turístico
    Chelsea Market, 75 9th Ave, New York, Estados Unidos
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Palácio Real de Madrid: como um incêndio de quatro dias criou a maior residência real da Europa

Fachada do Palácio Real de Madrid vista da Plaza de Oriente

Foto: Carlos Delgado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Em poucas horas dá para percorrer os salões mais famosos do Palácio Real de Madrid — mas para dormir uma noite em cada um dos 3.418 cômodos do prédio, seriam necessários quase dez anos. Com 135 mil metros quadrados, ele é hoje a maior residência real em uso da Europa, à frente até do Palácio de Versalhes em número de salas. E só existe porque o palácio anterior, o Alcázar dos Áustrias, virou cinzas numa véspera de Natal.

O incêndio que mudou a história de Madri

Na noite de 24 de dezembro de 1734, um incêndio começou no Alcázar Real de Madrid, a antiga fortaleza de origem mourisca que os reis da Casa de Áustria haviam transformado em palácio ao longo de séculos. As chamas se alastraram pelas galerias de madeira do edifício e levaram quatro dias para serem controladas, destruindo boa parte do acervo artístico da coroa espanhola — entre as perdas estão obras de Velázquez, Ticiano e Rubens que nunca puderam ser recuperadas. O rei Felipe V, que estava com a corte no Palácio de El Pardo quando recebeu a notícia, decidiu não reconstruir o Alcázar no mesmo estilo: no mesmo terreno, encomendou um palácio novo, maior e, sobretudo, incombustível.

Fachada do Palácio Real de Madrid, construído no mesmo terreno do antigo Alcázar

O palácio ocupa o mesmo terreno onde ficava o antigo Alcázar dos Áustrias, destruído pelo fogo em 1734.

Uma reconstrução pensada para nunca mais pegar fogo

O primeiro projeto do novo palácio ficou a cargo do arquiteto italiano Filippo Juvarra, convidado pessoalmente por Felipe V, mas ele morreu em 1736 antes de a obra sequer começar. Seu discípulo, o também italiano Giovanni Battista Sacchetti, assumiu o projeto com um desenho mais contido que o original e lançou a primeira pedra em 6 de abril de 1738. Para evitar uma tragédia como a de 1734, Sacchetti eliminou a madeira da estrutura sempre que possível: as paredes foram erguidas em granito da serra de Guadarrama e pedra branca de Colmenar, e os tetos ganharam abóbadas de alvenaria em vez de vigas de madeira. O material só aparece em portas, janelas e na armação do telhado. A obra levou 17 anos e ficou tecnicamente concluída em 1755, embora o palácio só fosse efetivamente ocupado quase uma década mais tarde.

  • 3.418 cômodos distribuídos em 135.000 m² de área construída
  • 17 anos de obra, entre o lançamento da primeira pedra em 1738 e a conclusão em 1755
  • Estrutura erguida quase inteiramente em pedra e tijolo, sem madeira nas paredes e tetos
  • Considerado o maior palácio real em uso da Europa em número de salas, à frente de Versalhes

De residência real a palco de cerimônias

O primeiro monarca a efetivamente morar no novo palácio foi Carlos III, filho de Felipe V, que o inaugurou em 1º de dezembro de 1764 e se tornou seu primeiro morador oficial. Dali em diante, o edifício foi residência da família real espanhola por mais de um século e meio, até 14 de abril de 1931, quando o rei Afonso XIII deixou o país às pressas após a proclamação da Segunda República Espanhola — episódio que marcou o fim do uso do palácio como moradia efetiva de um monarca. Com a restauração da monarquia em 1975, o rei Juan Carlos I optou por não voltar a residir ali, instalando-se no mais modesto Palácio da Zarzuela, na periferia de Madri, decisão mantida até hoje pelo rei Felipe VI.

Área interna do Palácio Real de Madrid

Hoje o palácio não tem moradores: é usado apenas para cerimônias oficiais do Estado espanhol.

Hoje o Palácio Real de Madrid não abriga nenhum morador: é usado exclusivamente para cerimônias de Estado, recepções a chefes de governo estrangeiros e eventos oficiais da coroa espanhola, enquanto a maior parte de suas salas — incluindo a Armaria Real e a Farmácia Real, ambas remontando ao século 18 — permanece aberta à visitação pública. Menos de dois séculos depois de ter sido erguido para nunca mais queimar, o palácio que nasceu das cinzas de um incêndio se tornou um dos maiores museus vivos da monarquia europeia.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Palácio Real de Madrid — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

Onde fica

  • Palacio Real de Madrid Histórico
    Palacio Real de Madrid

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El Floridita: o bar de Havana que criou o daiquiri moderno e virou point de Hemingway

Fachada do bar El Floridita, em Havana

Foto: Gorupdebesanez / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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Na esquina das ruas Obispo e Monserrate, na Havana Velha, um bar de fachada rosada é conhecido entre bartenders do mundo inteiro como a "catedral do daiquiri". El Floridita abriu no início do século XIX, mas foi só a partir da década de 1930, sob o comando do bartender catalão Constantino Ribalaigua Vert, que o bar desenvolveu a receita que ajudaria a popularizar o daiquiri globalmente.

A receita que virou clássico

Constantino, ou "Constante", como era chamado, aperfeiçoou uma versão do daiquiri batida com gelo — diferente da receita original mais simples criada décadas antes em Santiago de Cuba — dando origem ao que hoje é conhecido como "daiquiri natural" ou "Floridita daiquiri". A técnica de bater o drinque com gelo picado, hoje padrão em bares do mundo todo, tem esse bar cubano como um dos pontos de origem mais reconhecidos.

Hemingway e o "Papa Doble"

Ernest Hemingway se tornou cliente assíduo do Floridita durante os anos em que viveu em Cuba, e o bar até hoje mantém uma versão sem açúcar e com o dobro de rum do daiquiri clássico batizada de "Papa Doble" em sua homenagem — já que Hemingway era conhecido pelo apelido "Papa". Uma estátua de bronze em tamanho real do escritor, apoiada no balcão, marca até hoje o local onde ele costumava sentar.

Interior do bar El Floridita em Havana

O balcão vermelho e a decoração remetem à Havana dos anos 1930 e 1940.

Point da Havana pré-revolucionária

Nas décadas de 1940 e 1950, o Floridita atraía celebridades internacionais, políticos e escritores durante o período em que Havana era um destino badalado do Caribe, antes da Revolução Cubana de 1959. O bar sobreviveu às mudanças políticas e econômicas seguintes e continua operando no mesmo endereço histórico até hoje.

Daiquiri servido no El Floridita

O daiquiri batido com gelo é a bebida mais pedida da casa.

Dicas para a visita

O Floridita costuma ter música ao vivo e um ambiente mais formal do que outros bares de Havana, o que se reflete também nos preços, mais altos que a média local. Vale ir num horário mais tranquilo para conseguir lugar perto do balcão e da estátua de Hemingway, ponto mais disputado para fotos.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

El Floridita — Wikipédia

Foto: Gorupdebesanez / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Onde fica

  • El Floridita Bar
    Obispo 557, Havana, Cuba

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