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Palácio Real de Madrid: como um incêndio de quatro dias criou a maior residência real da Europa

Fachada do Palácio Real de Madrid vista da Plaza de Oriente

Foto: Carlos Delgado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Em poucas horas dá para percorrer os salões mais famosos do Palácio Real de Madrid — mas para dormir uma noite em cada um dos 3.418 cômodos do prédio, seriam necessários quase dez anos. Com 135 mil metros quadrados, ele é hoje a maior residência real em uso da Europa, à frente até do Palácio de Versalhes em número de salas. E só existe porque o palácio anterior, o Alcázar dos Áustrias, virou cinzas numa véspera de Natal.

O incêndio que mudou a história de Madri

Na noite de 24 de dezembro de 1734, um incêndio começou no Alcázar Real de Madrid, a antiga fortaleza de origem mourisca que os reis da Casa de Áustria haviam transformado em palácio ao longo de séculos. As chamas se alastraram pelas galerias de madeira do edifício e levaram quatro dias para serem controladas, destruindo boa parte do acervo artístico da coroa espanhola — entre as perdas estão obras de Velázquez, Ticiano e Rubens que nunca puderam ser recuperadas. O rei Felipe V, que estava com a corte no Palácio de El Pardo quando recebeu a notícia, decidiu não reconstruir o Alcázar no mesmo estilo: no mesmo terreno, encomendou um palácio novo, maior e, sobretudo, incombustível.

Fachada do Palácio Real de Madrid, construído no mesmo terreno do antigo Alcázar

O palácio ocupa o mesmo terreno onde ficava o antigo Alcázar dos Áustrias, destruído pelo fogo em 1734.

Uma reconstrução pensada para nunca mais pegar fogo

O primeiro projeto do novo palácio ficou a cargo do arquiteto italiano Filippo Juvarra, convidado pessoalmente por Felipe V, mas ele morreu em 1736 antes de a obra sequer começar. Seu discípulo, o também italiano Giovanni Battista Sacchetti, assumiu o projeto com um desenho mais contido que o original e lançou a primeira pedra em 6 de abril de 1738. Para evitar uma tragédia como a de 1734, Sacchetti eliminou a madeira da estrutura sempre que possível: as paredes foram erguidas em granito da serra de Guadarrama e pedra branca de Colmenar, e os tetos ganharam abóbadas de alvenaria em vez de vigas de madeira. O material só aparece em portas, janelas e na armação do telhado. A obra levou 17 anos e ficou tecnicamente concluída em 1755, embora o palácio só fosse efetivamente ocupado quase uma década mais tarde.

  • 3.418 cômodos distribuídos em 135.000 m² de área construída
  • 17 anos de obra, entre o lançamento da primeira pedra em 1738 e a conclusão em 1755
  • Estrutura erguida quase inteiramente em pedra e tijolo, sem madeira nas paredes e tetos
  • Considerado o maior palácio real em uso da Europa em número de salas, à frente de Versalhes

De residência real a palco de cerimônias

O primeiro monarca a efetivamente morar no novo palácio foi Carlos III, filho de Felipe V, que o inaugurou em 1º de dezembro de 1764 e se tornou seu primeiro morador oficial. Dali em diante, o edifício foi residência da família real espanhola por mais de um século e meio, até 14 de abril de 1931, quando o rei Afonso XIII deixou o país às pressas após a proclamação da Segunda República Espanhola — episódio que marcou o fim do uso do palácio como moradia efetiva de um monarca. Com a restauração da monarquia em 1975, o rei Juan Carlos I optou por não voltar a residir ali, instalando-se no mais modesto Palácio da Zarzuela, na periferia de Madri, decisão mantida até hoje pelo rei Felipe VI.

Área interna do Palácio Real de Madrid

Hoje o palácio não tem moradores: é usado apenas para cerimônias oficiais do Estado espanhol.

Hoje o Palácio Real de Madrid não abriga nenhum morador: é usado exclusivamente para cerimônias de Estado, recepções a chefes de governo estrangeiros e eventos oficiais da coroa espanhola, enquanto a maior parte de suas salas — incluindo a Armaria Real e a Farmácia Real, ambas remontando ao século 18 — permanece aberta à visitação pública. Menos de dois séculos depois de ter sido erguido para nunca mais queimar, o palácio que nasceu das cinzas de um incêndio se tornou um dos maiores museus vivos da monarquia europeia.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Palácio Real de Madrid — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

Onde fica

  • Palacio Real de Madrid Histórico
    Palacio Real de Madrid

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Madalosso: o restaurante de Curitiba que saiu de 24 lugares para 4.645 e entrou no Guinness

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O Madalosso começou em 1963 com 24 lugares. Os irmãos Severino, Carlos e Flora Madalosso serviam polenta, frango e as receitas que a família tinha trazido do Vêneto para Santa Felicidade, o bairro italiano de Curitiba. Era uma casa de vizinhança.

Hoje o mesmo endereço abriga 4.645 lugares distribuídos em 7.671 metros quadrados — números que renderam ao restaurante uma entrada no Guinness Book como o maior das Américas.

A conta de como se chega a isso é simples: o salão original, o Velho Madalosso, nunca foi demolido. Ele continua funcionando ao lado, do jeito que era. O que cresceu foi o Novo Madalosso, inaugurado em 1970, que foi ganhando anexos década após década enquanto Santa Felicidade virava destino de fim de semana da cidade inteira.

O cardápio é rodízio, e ele não mudou de identidade com o tamanho: massa feita na casa, frango frito, polenta frita, sopa de capeletti e os acompanhamentos que a colônia italiana do Paraná trata como padrão. Quem entra pela primeira vez costuma levar um susto com a escala do salão — filas de mesas até o fundo, garçons circulando com panelas.

Vale escolher o horário. No almoço de domingo, quando a cidade inteira sobe a Manoel Ribas, os 4.645 lugares são menos folga do que parecem.

Fachada do Restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, Curitiba

Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Onde fica

  • Restaurante Família Madalosso Restaurante
    Avenida Manoel Ribas, 5875 - Santa Felicidade, Curitiba - PR
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Marco das Três Fronteiras: o ponto onde Brasil, Argentina e Paraguai se encontram

No encontro dos rios Paraná e Iguaçu, o Marco das Três Fronteiras marca o ponto exato onde Brasil, Argentina e Paraguai se tocam. O mirante, com obelisco nas cores da bandeira brasileira, é um dos programas mais procurados no fim da tarde, quando o sol se põe sobre os três países.

Obelisco do Marco das Três Fronteiras à beira do rio, em Foz do Iguaçu

Foto: CLAITON LUIS MORAES / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Onde fica

  • Marco das Três Fronteiras Ponto Turístico
    Avenida General Meira, Foz do Iguaçu, Brasil
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📍 Edimburgo

O que fazer em Edimburgo: 5 paradas escolhidas

Túmulos e monumentos do Greyfriars Kirkyard, em Edimburgo

Foto: Scglossop1, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Um roteiro com 5 paradas em Edimburgo, Reino Unido: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Greyfriars Kirkyard
  2. Scott Monument
  3. Valvona & Crolla
  4. The Sheep Heid Inn
  5. Café Royal

O que visitar

1. Greyfriars Kirkyard

Túmulos e monumentos do Greyfriars Kirkyard, em Edimburgo
Foto: Scglossop1, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O Greyfriars Kirkyard foi aberto em agosto de 1562, no terreno de um convento franciscano dissolvido, e desde então acumulou histórias que dariam para várias cidades. Foi ali, em 1638, que se assinou o Pacto Nacional escocês — o cemitério servia porque era um dos poucos lugares onde a lei permitia reunião pública livre.

Quatro décadas depois o mesmo terreno virou prisão. Após a batalha de Bothwell Bridge, em 1679, cerca de 1.200 prisioneiros covenanters foram mantidos num cercado improvisado ao sul do cemitério. Quando aquela área foi incorporada ao camposanto, por volta de 1700, o nome ficou: Covenanters' Prison.

Há ainda os mortsafes, gaiolas de ferro sobre os túmulos. Não eram enfeite: no início do século XIX, os ladrões de cadáveres abasteciam a escola de medicina de Edimburgo, e as famílias trancavam os mortos. Estão enterrados ali o geólogo James Hutton e o químico Joseph Black.

Mas o túmulo mais procurado é o de um vigia noturno da polícia chamado John Gray, morto em 15 de fevereiro de 1858 — e o motivo é o cachorro dele. Greyfriars Bobby, nascido em 4 de maio de 1855, teria passado 14 anos junto ao túmulo do dono, até morrer em 14 de janeiro de 1872. A raça é discutida: Skye terrier, dizia a tradição; um livro de 2022 defende que era mais provavelmente um Dandie Dinmont, porque havia mais criadores dessa raça em Edimburgo na época.

Em 1867, o lorde reitor Sir William Chambers — que também era diretor da sociedade escocesa de proteção aos animais — pagou do próprio bolso a licença de cão de Bobby e mandou fazer uma coleira para ele. A coleira está hoje no Museu de Edimburgo.

A estátua veio no ano da morte do cachorro: foi esculpida por William Brodie em 1872 e paga pela baronesa Burdett-Coutts. Fica no cruzamento da George IV Bridge com a Candlemaker Row, a poucos passos do portão do cemitério, e tem um título curioso — é a menor estrutura tombada de Edimburgo. O cemitério inteiro, com seus monumentos, é tombado na categoria A.

Endereço: 26A Candlemaker Row, Edimburgo EH1 2QE, Escócia, Reino Unido

2. Scott Monument

O Monumento a Walter Scott, em Princes Street Gardens, Edimburgo
Foto: Daniel Kraft, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

É a coisa mais alta e mais escura dos Princes Street Gardens: 61,11 metros de arenito enegrecido, 287 degraus até o mirante do topo. O Monumento a Walter Scott é o segundo maior monumento do mundo dedicado a um escritor — perde apenas para o memorial a José Martí, em Havana.

A história de quem o desenhou é melhor que a do monumento. Depois da morte de Scott, em 1832, abriu-se um concurso. Venceu George Meikle Kemp, marceneiro e arquiteto autodidata de 45 anos, que se inscreveu sob o pseudônimo "John Morvo" por achar que a falta de formação o desclassificaria. Ganhou — e não viu a inauguração: na noite de nevoeiro de 6 de março de 1844, Kemp caiu no Union Canal e morreu afogado. A obra, iniciada em 1841, ficou pronta no outono de 1844, ao custo de pouco mais de £16.154.

A cor não é sujeira acumulada por descuido: o monumento foi erguido em arenito de Binny, extraído perto de Ecclesmachan, em West Lothian, uma pedra que escureceu com a fumaça da cidade ao longo de quase dois séculos.

Espalhadas pelos nichos das quatro faces estão 68 estátuas, das quais 64 podem ser vistas do chão. Não são santos nem generais: são personagens dos romances e poemas de Scott, esculpidos por vários artistas escoceses. Subir os 287 degraus é uma escalada apertada — a escada em espiral estreita conforme se sobe —, mas o mirante entrega Princes Street, a Cidade Velha e o castelo numa tacada só.

Endereço: East Princes Street Gardens, Princes Street, Edimburgo EH2 2EJ, Escócia, Reino Unido

Onde comer

3. Valvona & Crolla

A fachada da Valvona & Crolla, na Elm Row, em Edimburgo
Foto: Steve Fareham, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Alfonso Crolla saiu de Fontitune, um povoado do Lácio entre Roma e Nápoles, e foi parar em Edimburgo. Em 1934 ele abriu na 19 Elm Row o que começou como uma banca de mercado e virou a delicatéssen mais antiga da Escócia — e também sua mais antiga casa de vinhos italianos.

No começo, a clientela era basicamente a pequena comunidade italiana da cidade. O salto veio nos anos 1950, quando a britânica Elizabeth David — a autora que ensinou a Grã-Bretanha do pós-guerra a cozinhar com ingredientes mediterrâneos — passou a citar a Valvona & Crolla em seus livros como fornecedora recomendada de azeite de oliva extra virgem. Num país onde azeite ainda era coisa de farmácia, aquilo mudou o endereço de patamar.

A casa segue com a mesma família: os Contini. Mary Contini é diretora, o marido Philip é presidente, e a filha Francesca Contini Mackie ocupa a direção executiva. Além da loja e da adega, funcionam no mesmo endereço um caffè bar nos fundos e uma seção de livros e presentes.

Vale entrar mesmo sem comprar nada: as prateleiras vão do chão ao teto, e boa parte do estoque de massas, queijos e conservas vem dos mesmos produtores italianos há décadas.

Endereço: 19 Elm Row, Edimburgo EH7 4AA, Escócia, Reino Unido

Onde beber

4. The Sheep Heid Inn

A fachada do Sheep Heid Inn, em Duddingston, Edimburgo
Foto: Paul Farmer, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Fora do centro turístico, na aldeia de Duddingston, aos pés do Arthur's Seat, o Sheep Heid Inn reivindica uma data que nenhum outro pub da Escócia consegue: c. 1360. Se a conta estiver certa, é a licença de bebidas mais antiga ainda em funcionamento no país. Vale a ressalva honesta: o prédio atual tem núcleo do século XVIII, com alterações posteriores — o negócio é que seria antigo, não as paredes.

O nome vem de um presente. Conta-se que Jaime VI deu ao estalajadeiro, em 1580, uma caixa de rapé ornamentada em forma de cabeça de carneiro — sheep heid, em escocês. A original acabou vendida ao conde de Rosebery; atrás do balcão fica hoje uma réplica do século XIX. Maria, Rainha dos Escoceses, também teria parado por ali e jogado boliche no pátio.

E boliche ainda se joga. Nos fundos do pub existe uma pista de skittles construída por volta de 1880, tida como a última do gênero ainda em uso na Escócia. Ela não é atração de museu: o Trotters Club, fundado em 1882, continua se reunindo lá uma vez por mês, como faz há mais de 140 anos.

O prédio é tombado na categoria B pela Historic Environment Scotland (registro LB30077). Fica a uma caminhada curta do Holyrood Park, o que faz dele a parada natural de quem desce do Arthur's Seat.

Endereço: 43–45 The Causeway, Duddingston, Edimburgo EH15 3QA, Escócia, Reino Unido

5. Café Royal

O balcão oval e os azulejos do Café Royal, em Edimburgo
Foto: Afmell, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

O prédio da 17–19 West Register Street, na Cidade Nova de Edimburgo, não nasceu bar. Projetado pelo arquiteto Robert Paterson e datado de 1861, ele abriu como showroom de instalações de gás e material sanitário. Em 8 de julho de 1863 o Café Royal se mudou para lá, e o showroom virou hotel e bar.

O que faz o lugar valer a visita está nas paredes. O salão principal tem seis murais de azulejo Doulton retratando inventores: Benjamin Franklin, Michael Faraday, Robert Peel (a estamparia de tecidos), William Caxton, George Stephenson e James Watt, este último ao lado de Matthew Boulton. Os painéis foram desenhados por John Eyre e pintados por Katherine Sturgeon e W. J. W. Nunn.

E eles não foram encomendados para o bar: o dono os comprou em 1886, prontos, na Exposição Internacional de Ciência, Indústria e Arte de Edimburgo. Um bar do século XIX decorado com o que sobrou de uma feira de tecnologia.

Atrás de um biombo ornamentado fica o Oyster Bar, o restaurante, com mais murais e oito vitrais representando esportistas britânicos, feitos pela oficina Ballantine & Gardiner, de Edimburgo. O conjunto é tombado na categoria A — a mais alta da Escócia — desde 1997, reconhecido como um dos melhores exemplares de pub vitoriano do país.

Endereço: 17–19 West Register Street, Edimburgo EH2 2AA, Escócia, Reino Unido

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Greyfriars Kirkyard — foto: Scglossop1, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
  • The Sheep Heid Inn — foto: Paul Farmer, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
  • Café Royal — foto: Afmell, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
  • Valvona & Crolla — foto: Steve Fareham, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
  • Scott Monument — foto: Daniel Kraft, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

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