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La Bodeguita del Medio: o bar em Havana onde Hemingway supostamente bebia mojito

Fachada de La Bodeguita del Medio, em Havana

Foto: Yasniel Mederos / Wikimedia Commons (CC0)

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Numa rua estreita da Havana Velha, o centro histórico da capital cubana, um bar minúsculo e sempre lotado é parada praticamente obrigatória para quem visita Cuba. La Bodeguita del Medio abriu em 1942 como uma pequena mercearia que também vendia bebidas, e ao longo das décadas se transformou num dos bares mais famosos do mundo, conhecido sobretudo pelo mojito e por paredes completamente cobertas de assinaturas de visitantes.

A lenda do mojito de Hemingway

A frase mais repetida sobre o bar — "Mi mojito en la Bodeguita, mi daiquiri en El Floridita" — é atribuída ao escritor americano Ernest Hemingway, que viveu em Cuba por temporadas e é apontado como cliente frequente de ambos os bares. Historiadores debatem o quanto dessa história é fato e o quanto é lenda construída ao longo dos anos, mas a frase, supostamente escrita à mão pelo próprio Hemingway numa das paredes, virou parte central do marketing e da identidade do bar.

Paredes como livro de visitas

Desde os primeiros anos, clientes começaram a deixar assinaturas, frases e desenhos diretamente nas paredes do bar — uma tradição que nunca foi interrompida e hoje cobre praticamente cada centímetro disponível do espaço. Nomes de celebridades, políticos e escritores dividem espaço com turistas anônimos, criando uma espécie de mural coletivo que só cresce com o tempo.

Interior de La Bodeguita del Medio

O espaço pequeno e sempre cheio faz parte do charme do bar.

Point da vida cultural cubana

Além do turismo internacional, o bar historicamente também funcionou como ponto de encontro de artistas e intelectuais cubanos, incluindo o poeta Nicolás Guillén. A música ao vivo, geralmente son cubano tocado por pequenos grupos, é parte constante da experiência, com o espaço apertado criando uma proximidade quase inevitável entre música, bebida e clientes.

Paredes cobertas de assinaturas em La Bodeguita del Medio

Milhares de assinaturas cobrem as paredes ao longo de mais de oito décadas.

Dicas para a visita

O espaço é pequeno e costuma lotar rapidamente, especialmente à noite — ir no início da tarde é uma boa estratégia para experimentar o mojito com mais calma. Vale ter em mente que, por ser um ponto turístico extremamente popular, os preços costumam ser mais altos que os de bares menos conhecidos de Havana.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

La Bodeguita del Medio — Wikipédia

Foto: Yasniel Mederos / Wikimedia Commons (CC0).

Onde fica

  • La Bodeguita del Medio Bar
    Empedrado 207, Havana, Cuba

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📍 Nova Orleans
📍 Dica rápida

Antoine's: o restaurante que está com a mesma família desde 1840

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Em 1840, Antoine Alciatore abriu um negócio em Nova Orleans que era metade restaurante, metade pensão — hospedava imigrantes e marinheiros mercantes, e alimentava quem passasse. O empreendimento cresceu, mudou para o endereço atual na St. Louis Street e nunca saiu das mãos da família. Quase dois séculos depois, o Antoine's é o restaurante familiar mais antigo em operação nos Estados Unidos, hoje na quinta geração de descendentes do fundador.

A lista do que aconteceu enquanto ele continuava servindo é mais impressionante que a idade: a Guerra Civil, duas guerras mundiais, a Lei Seca, a Grande Depressão e o furacão Katrina. O modelo de pensão foi abandonado no fim do século XIX, quando Jules, filho do fundador, assumiu o comando e transformou a casa em restaurante em tempo integral.

Foi também Jules quem criou o prato que tornou o endereço famoso fora da cidade. Faltava escargot, e ele improvisou com o que Nova Orleans tinha de sobra: ostras. O resultado foi um molho verde tão rico que o prato ganhou o nome do homem mais rico do país na época — Oysters Rockefeller. A receita nunca foi divulgada. Continua sendo segredo de família, e quem tenta reproduzir o prato está chutando os ingredientes.

O salão principal é apenas um dos vários ambientes da casa, que ocupa um conjunto de salas com décadas de memória acumulada em paredes, menus antigos e retratos. É um restaurante formal, do tipo em que o garçom conhece o cardápio de cor porque ele quase não muda — e essa, no fim, é a mesma razão pela qual ele ainda existe.

Fachada do restaurante Antoine's, na St. Louis Street, em Nova Orleans

Foto: Fotografia de domínio público, via Wikimedia Commons

Onde fica

  • Antoine's Restaurant Restaurante
    713 St. Louis St, New Orleans, LA 70130, Estados Unidos
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📍 Cracóvia

Wawel: a colina onde a Polônia coroou e enterrou seus reis

A Colina de Wawel vista do rio Vístula, em Cracóvia

Foto: Jakub Hałun / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Há uma elevação de calcário à beira do rio Vístula, no sul de Cracóvia, que a Polônia trata como se fosse um documento constitucional feito de pedra. Chama-se Wawel. Sobre ela ficam uma catedral e um castelo, e não é exagero dizer que quase tudo o que o país entende por si mesmo passou por ali: as coroações, os enterros, a humilhação da ocupação estrangeira e a decisão nacional de reconstruir tudo, tijolo por tijolo.

A diocese de Cracóvia foi fundada por volta do ano 1000, e desde então houve igreja em Wawel. A que se vê hoje é essencialmente gótica, do século XIV, mas o prédio não esconde as camadas: restam vestígios românicos das construções anteriores, e sobre o gótico vieram capelas renascentistas, acréscimos barrocos e intervenções neoclássicas. É menos um edifício do que uma pilha cronológica.

A catedral onde se virava rei

A Catedral de Wawel foi o palco da maioria das coroações e dos funerais reais da Polônia. Nas criptas repousam monarcas que qualquer estudante polonês reconhece de imediato: Casimiro III, o Grande, que reformou o direito e a economia do reino no século XIV; Vladislau II Jagelão, fundador da dinastia que uniu Polônia e Lituânia; João III Sobieski, o rei que comandou a cavalaria em Viena, em 1683.

Essa concentração faz da catedral algo que poucos países têm num só endereço: uma necrópole real e, ao mesmo tempo, um panteão nacional. Não é um museu de reis mortos — é onde a continuidade do Estado polonês foi encenada, século após século, diante de quem importava.

Zygmunt, o sino de onze toneladas

Na torre do sino da catedral está pendurado o objeto mais famoso da colina. O Dzwon Zygmunt, o sino Zygmunt, foi fundido em Cracóvia em 1520 pelo fundidor Hans Behem, vindo de Nuremberg. Tem cerca de 2,5 metros de diâmetro, 2 metros de altura e pesa aproximadamente 11 toneladas — desde a fundição, foi o maior sino da Polônia.

Quem o encomendou foi o rei Sigismundo I, o Velho, com uma instrução registrada: que o sino tocasse não só para a glória de Deus, mas também para a glória da Casa dos Jagelões e do Reino da Polônia. Era propaganda de Estado em bronze, e funcionou. Zygmunt não toca por hora nem por missa comum. Soa nas grandes festas religiosas e em momentos de peso nacional. No passado, anunciava o nascimento de filhos dos reis e se despedia dos monarcas que partiam para a última viagem. Quando os poloneses ouvem Zygmunt, sabem que algo aconteceu.

Quando Wawel virou quartel

A parte da história que os folhetos costumam abreviar é a do século XIX. Em 1846, com a extinção da Cidade Livre de Cracóvia, Wawel foi convertido em cidadela austríaca. A colina real virou instalação militar: primeiro hospital, depois quartel. O exército austríaco levantou estruturas defensivas e demoliu boa parte do casario medieval que existia no alto da colina. O símbolo máximo da soberania polonesa passou décadas ocupado pela tropa de um império que havia repartido o país.

Os austríacos deixaram Wawel entre 1905 e 1911, e começou então uma das maiores obras de restauro da Europa Central. A catedral foi restaurada na virada do século; a conservação do castelo, conduzida primeiro pelo arquiteto Zygmunt Hendel, depois por Adolf Szyszko-Bohusz de 1916 até a Segunda Guerra, e mais tarde sobretudo por Alfred Majewski, se estendeu por décadas. O castelo se tornou museu em 1930. Em 1978, o Centro Histórico de Cracóvia — Wawel incluído — entrou na primeira lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

Perguntas frequentes

Quantos reis poloneses estão sepultados em Wawel? A catedral abriga a maior parte dos monarcas da Polônia, entre eles Casimiro III, o Grande, Vladislau II Jagelão e João III Sobieski, além de figuras nacionais posteriores. É o principal panteão do país.

Dá para ouvir o sino Zygmunt em qualquer visita? Não. Ele é tocado apenas nas festas religiosas mais importantes e em ocasiões de significado nacional. Fora dessas datas, é possível subir à torre e ver o sino, mas não ouvi-lo em funcionamento.

E a lenda do dragão de Wawel? A história do Smok Wawelski, o dragão que viveria numa caverna sob a colina, é folclore polonês antigo, não registro histórico. A caverna existe de verdade e pode ser visitada; o dragão, não.

Onde fica

  • Colina e Castelo Real de Wawel Ponto Turístico
    Wawel 5, 31-001 Cracóvia, Polônia

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Cemitério da Recoleta: como a horta de um convento virou o endereço mais visitado dos mortos ilustres de Buenos Aires

Vista de uma das avenidas internas do Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, ladeada por mausoléus de mármore

Foto: Wikimedia Commons

Existe um bairro em Buenos Aires com mais de 4.500 endereços, ruas internas com esquinas e até uma igreja bem no meio — mas nenhum dos moradores sai de casa há mais de um século. É o Cemitério da Recoleta, e sua origem é bem menos solene do que a fama de necrópole monumental sugere: tudo começou como a horta de um convento.

Da horta dos frades ao primeiro cemitério público

No início do século 18, frades franciscanos da ordem dos Recoletos Descalzos se instalaram na região e ergueram, em 1732, a igreja dedicada a Nossa Senhora do Pilar — que ainda hoje está de pé, encostada no muro do cemitério. Foi o apelido do convento, "la Recoleta", que acabou batizando todo o bairro.

Em 1822, o governo de Buenos Aires dissolveu a ordem religiosa dentro de uma reforma eclesiástica mais ampla, e a horta do convento foi escolhida para abrigar o primeiro cemitério público da cidade. Inaugurado em 17 de novembro daquele ano e batizado inicialmente de Cementerio del Norte, o traçado geométrico do local — com avenidas centrais e quarteirões de túmulos — foi projetado pelo engenheiro francês Próspero Catelin. Décadas depois, em 1881, o primeiro intendente de Buenos Aires, Torcuato de Alvear, mandou reformar a entrada, criando o pórtico neoclássico de colunas dóricas que os visitantes atravessam até hoje.

Hoje o cemitério ocupa cerca de 5,5 hectares e reúne mais de 4.500 mausoléus e bóvedas, em estilos que vão do neogótico ao art nouveau, passando por réplicas de templos gregos e até uma pequena pirâmide egípcia. Mais de 90 dessas construções foram declaradas Monumento Histórico Nacional pela Argentina. Aos finais de semana e feriados, o governo da cidade oferece visitas guiadas gratuitas pelos corredores, e o portão de acesso segue aberto todos os dias, das 9h às 17h.

A moradora mais visitada

Nenhum túmulo recebe mais visitantes do que o da família Duarte, a 200 metros do portão principal. Ali, cinco metros abaixo do solo, protegidos por duas placas de aço, estão os restos de Eva Perón.

A história para ela chegar até aqui foi longa. Evita morreu em 26 de julho de 1952, vítima de câncer, e seu corpo foi embalsamado pelo médico espanhol Pedro Ara para ficar em exposição pública. Por quase três anos ele permaneceu velado na sede da CGT, a central sindical peronista, até o golpe de 1955 derrubar o governo de Juan Perón. Os novos militares no poder ordenaram o sequestro do corpo, que desapareceu por quase 16 anos, enterrado secretamente na Itália sob o nome falso de María Maggi. Só voltou às mãos da família em 1971, em Madri, e somente em 1974 — já com o peronismo de volta ao poder — os restos foram repatriados e depositados na bóveda dos Duarte, de linhas art déco dos anos 1930, atrás de uma porta de bronze com festões de flores e folhas. Desde então, os dois metros de aço sob a bóveda funcionam como garantia de que a história não vai se repetir.

Detalhe da bóveda da família Duarte, onde está sepultada Eva Perón

A bóveda da família Duarte recebe fluxo constante de visitantes e homenagens.

Vizinhos ilustres e uma lenda que assombra os corredores

Eva Perón divide os corredores da Recoleta com boa parte do panteão argentino:

  • Domingo Faustino Sarmiento, presidente e escritor, um dos nomes mais citados da história do país;
  • Luis Federico Leloir, único argentino a vencer um Nobel de Química, sepultado entre generais e ex-presidentes;
  • Rufina Cambaceres, jovem de 19 anos enterrada em 1902 após ser dada como morta durante um ataque de catalepsia — e cujo corpo, segundo a lenda mais famosa do cemitério, teria sido encontrado depois fora do caixão, arranhando a tampa por dentro.

Seja qual for o grau de verdade nas histórias de fantasmas, é essa mistura de política, arte funerária e mito popular que faz da Recoleta um dos poucos cemitérios do mundo tratados como monumento nacional e ponto turístico ao mesmo tempo — uma horta de convento que, dois séculos depois, virou um dos endereços mais concorridos de Buenos Aires, mesmo sem nenhum morador vivo.

Onde fica

  • Cementerio de la Recoleta Histórico
    Cementerio de la Recoleta, Junín 1760, Buenos Aires, Argentina

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