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D.O.M.: como Alex Atala colocou os ingredientes da Amazônia na alta gastronomia

Vista do bairro Jardins, em São Paulo, onde fica o restaurante D.O.M.

Foto: Tiago Pestana / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Poucos restaurantes brasileiros mudaram tanto a forma como o mundo enxerga a nossa cozinha quanto o D.O.M., em São Paulo. Aberto no fim dos anos 1990 pelo chef paulistano Alex Atala, o restaurante ficou conhecido por fazer o caminho inverso do que se esperava de um chef brasileiro naquela época: em vez de reproduzir técnicas francesas com ingredientes importados, Atala foi buscar na Amazônia e no interior do Brasil produtos que praticamente ninguém levava a sério na alta gastronomia.

O que significa o nome

D.O.M. é a sigla de "Deo Optimo Maximo", expressão em latim que significa algo como "a Deus, o melhor e o maior" — tradicionalmente usada em rótulos de destilados e conventos beneditinos. O nome dá o tom de um lugar que trata cada prato como uma celebração, mas o conceito por trás da cozinha é bem menos solene: valorizar ingredientes brasileiros pouco conhecidos, como a formiga saúva, a priprioca (raiz aromática usada tradicionalmente na perfumaria amazônica) e peixes de rio como o tucunaré.

Reconhecimento internacional

Ao longo dos anos 2000 e 2010, o D.O.M. apareceu repetidamente entre os melhores restaurantes do mundo em rankings internacionais como o The World's 50 Best Restaurants, chegando à quarta colocação global — a mais alta já obtida por um restaurante sul-americano até então. O reconhecimento colocou São Paulo, e o Brasil, no radar de críticos e chefs que antes olhavam quase exclusivamente para a Europa e os Estados Unidos.

O chef Alex Atala

Alex Atala se tornou um dos rostos mais conhecidos da gastronomia brasileira no exterior.

Amazônia no prato

Um dos pratos mais associados ao restaurante é o ovo com farofa de banana e formigas saúva, servido em uma casca de ovo — uma forma de apresentar um ingrediente amazônico tradicional de um jeito que surpreende sem parecer um truque. A cozinha do D.O.M. costuma trabalhar com produtores de pequena escala e comunidades ribeirinhas, o que ajudou a colocar em discussão temas como sustentabilidade e valorização de saberes indígenas dentro do circuito da alta gastronomia — um debate que, décadas depois, se tornou padrão em restaurantes de ponta ao redor do mundo.

O bairro dos Jardins

O restaurante fica no Jardim Paulista, região conhecida simplesmente como Jardins, um dos bairros mais sofisticados de São Paulo, com ruas arborizadas, grifes internacionais e uma concentração grande de restaurantes premiados. A localização central facilita o acesso tanto para paulistanos quanto para turistas que incluem o D.O.M. no roteiro gastronômico da cidade.

Dicas para a visita

Por ser um restaurante de alta gastronomia com menu degustação, a experiência costuma durar entre duas e três horas, e a reserva antecipada é praticamente obrigatória — em períodos de alta demanda, a espera pode chegar a semanas. Vale se programar com antecedência e reservar um horário mais cedo na noite para aproveitar com calma cada etapa do menu.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

D.O.M. — Wikipédia

Foto: Tiago Pestana / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Se você gosta de sabores, este restaurante irá te surpreender.

Onde fica

  • D.O.M. Restaurante
    Rua Barão de Capanema, 549, Jardim Paulista, São Paulo - SP

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Venda do Bom Jesus: petiscos e música na entrada da rua mais boêmia do Recife Antigo

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Sobrados coloniais coloridos da Rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, onde fica a Venda do Bom Jesus

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Venda do Bom Jesus Bar
    Rua Barão de Rodrigues Mendes, Recife Antigo, Recife, Brasil
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📍 Olinda

Olinda: a colina que sobreviveu ao fogo holandês para se tornar Patrimônio da Humanidade

Vista do centro histórico colonial de Olinda, com telhados e igrejas na colina

Foto: Wikimedia Commons

Subir a ladeira que leva ao Alto da Sé, em Olinda, é caminhar sobre pedras que já viram uma capital nascer, queimar até as cinzas e recomeçar. Do topo da colina mais alta da cidade, a vista alcança telhados coloniais, o litoral de Pernambuco e torres de igrejas que resistem desde o século XVI — um dos raros conjuntos urbanos das Américas que atravessou quase cinco séculos sem perder a escala original.

Da aldeia Marim à capital do açúcar

Olinda nasceu em 1535, quando o fidalgo português Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, escolheu o alto de uma colina litorânea, onde havia uma pequena aldeia indígena chamada Marim, para instalar a sede de suas terras. A tradição local conta que, ao avistar o lugar, ele teria exclamado "ó, linda situação para se construir uma vila" — frase que teria dado origem ao nome da cidade, embora o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen considerasse essa origem pouco provável, sugerindo em vez disso uma referência a um topônimo português ou a uma personagem do romance de cavalaria Amadis de Gaula.

Em apenas dois anos o povoado já havia crescido o suficiente para ser elevado à categoria de vila, em 1537. Como capital da capitania, Olinda concentrou a administração dos engenhos de cana-de-açúcar que se multiplicavam pela região, tornando-se, ao longo do século XVI, um dos núcleos urbanos mais ricos do Brasil colônia — um polo de igrejas, conventos e casas nobres erguido sobre o dinheiro do açúcar.

Catedral da Sé de Olinda, a igreja mais antiga da cidade, fundada em 1540

A Catedral da Sé, fundada em 1540, é a igreja mais antiga de Olinda

O incêndio que transferiu a capital para o Recife

Tanta riqueza atraiu cobiça. Em 1630, tropas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais invadiram Pernambuco em busca do controle da produção açucareira. Um ano depois, em 1631, os holandeses concluíram que a posição elevada de Olinda dificultava a defesa e o controle do porto vizinho — e decidiram abandonar e incendiar a vila, transferindo o centro administrativo para o Recife, que até então funcionava apenas como o porto de Olinda. O incêndio reduziu igrejas, conventos e casarões a ruínas e selou, ali, a ascensão do Recife como nova capital de Pernambuco — posição que a cidade nunca mais perderia.

Da ruína ao Patrimônio da Humanidade

Com a expulsão dos holandeses e a restauração do domínio português em Pernambuco, em 1654, Olinda foi pouco a pouco reconstruída, mas já sem recuperar o papel de centro político — tornou-se, em vez disso, uma cidade de vocação religiosa e intelectual, coberta por igrejas, mosteiros e conventos que ainda hoje definem sua paisagem. O conjunto é hoje formado por 22 igrejas e 11 capelas, a maioria erguida entre os séculos XVI e XVII, entre elas:

  • A Catedral da Sé (Igreja de São Salvador do Mundo), fundada em 1540, a mais antiga da cidade e a maior igreja quinhentista do Brasil;
  • O Mosteiro de São Bento, erguido entre 1597 e 1599, o primeiro mosteiro beneditino fundado no Brasil;
  • O Convento de Nossa Senhora das Neves, dos franciscanos, um dos mais antigos conventos do país.

Esse patrimônio levou o Congresso Nacional a declarar o Sítio Histórico de Olinda Monumento Nacional em 1980, e a UNESCO a reconhecê-lo como Patrimônio Mundial da Humanidade em 1982 — o segundo título desse tipo concedido a uma cidade brasileira, depois de Ouro Preto.

Fachada do Mosteiro de São Bento em Olinda, primeiro mosteiro beneditino do Brasil

Há uma ironia bonita nessa história: a mesma colina que os holandeses julgaram indefensável, e que abrigou séculos de vida monástica silenciosa, é hoje tomada todo ano por um dos carnavais mais populares do Brasil, com bonecos gigantes, frevo e blocos como o Homem da Meia-Noite subindo as mesmas ladeiras de pedra. A cidade que nasceu do açúcar, sobreviveu ao fogo e se reinventou como santuário de fé terminou, séculos depois, virando também sinônimo de festa — sem que suas torres do século XVI deixassem, um único carnaval, de continuar de pé sobre a colina.

Onde fica

  • Sítio Histórico de Olinda Histórico
    Olinda, Pernambuco

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Sant'Eustachio Il Caffè: o espresso mais tradicional de Roma

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Aberta desde 1938 a poucos passos do Panteão, a Sant'Eustachio Il Caffè torra os próprios grãos e serve um espresso naturalmente adocicado, batido antes de servir. É parada obrigatória para quem quer provar o café como os romanos bebem.

Fachada da cafeteria Sant'Eustachio Il Caffè em Roma

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Sant'Eustachio Il Caffè Cafeteria
    Piazza Sant'Eustachio 82, Roma, Itália
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