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📍 Olinda

Olinda: a colina que sobreviveu ao fogo holandês para se tornar Patrimônio da Humanidade

Vista do centro histórico colonial de Olinda, com telhados e igrejas na colina

Foto: Wikimedia Commons

Subir a ladeira que leva ao Alto da Sé, em Olinda, é caminhar sobre pedras que já viram uma capital nascer, queimar até as cinzas e recomeçar. Do topo da colina mais alta da cidade, a vista alcança telhados coloniais, o litoral de Pernambuco e torres de igrejas que resistem desde o século XVI — um dos raros conjuntos urbanos das Américas que atravessou quase cinco séculos sem perder a escala original.

Da aldeia Marim à capital do açúcar

Olinda nasceu em 1535, quando o fidalgo português Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, escolheu o alto de uma colina litorânea, onde havia uma pequena aldeia indígena chamada Marim, para instalar a sede de suas terras. A tradição local conta que, ao avistar o lugar, ele teria exclamado "ó, linda situação para se construir uma vila" — frase que teria dado origem ao nome da cidade, embora o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen considerasse essa origem pouco provável, sugerindo em vez disso uma referência a um topônimo português ou a uma personagem do romance de cavalaria Amadis de Gaula.

Em apenas dois anos o povoado já havia crescido o suficiente para ser elevado à categoria de vila, em 1537. Como capital da capitania, Olinda concentrou a administração dos engenhos de cana-de-açúcar que se multiplicavam pela região, tornando-se, ao longo do século XVI, um dos núcleos urbanos mais ricos do Brasil colônia — um polo de igrejas, conventos e casas nobres erguido sobre o dinheiro do açúcar.

Catedral da Sé de Olinda, a igreja mais antiga da cidade, fundada em 1540

A Catedral da Sé, fundada em 1540, é a igreja mais antiga de Olinda

O incêndio que transferiu a capital para o Recife

Tanta riqueza atraiu cobiça. Em 1630, tropas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais invadiram Pernambuco em busca do controle da produção açucareira. Um ano depois, em 1631, os holandeses concluíram que a posição elevada de Olinda dificultava a defesa e o controle do porto vizinho — e decidiram abandonar e incendiar a vila, transferindo o centro administrativo para o Recife, que até então funcionava apenas como o porto de Olinda. O incêndio reduziu igrejas, conventos e casarões a ruínas e selou, ali, a ascensão do Recife como nova capital de Pernambuco — posição que a cidade nunca mais perderia.

Da ruína ao Patrimônio da Humanidade

Com a expulsão dos holandeses e a restauração do domínio português em Pernambuco, em 1654, Olinda foi pouco a pouco reconstruída, mas já sem recuperar o papel de centro político — tornou-se, em vez disso, uma cidade de vocação religiosa e intelectual, coberta por igrejas, mosteiros e conventos que ainda hoje definem sua paisagem. O conjunto é hoje formado por 22 igrejas e 11 capelas, a maioria erguida entre os séculos XVI e XVII, entre elas:

  • A Catedral da Sé (Igreja de São Salvador do Mundo), fundada em 1540, a mais antiga da cidade e a maior igreja quinhentista do Brasil;
  • O Mosteiro de São Bento, erguido entre 1597 e 1599, o primeiro mosteiro beneditino fundado no Brasil;
  • O Convento de Nossa Senhora das Neves, dos franciscanos, um dos mais antigos conventos do país.

Esse patrimônio levou o Congresso Nacional a declarar o Sítio Histórico de Olinda Monumento Nacional em 1980, e a UNESCO a reconhecê-lo como Patrimônio Mundial da Humanidade em 1982 — o segundo título desse tipo concedido a uma cidade brasileira, depois de Ouro Preto.

Fachada do Mosteiro de São Bento em Olinda, primeiro mosteiro beneditino do Brasil

Há uma ironia bonita nessa história: a mesma colina que os holandeses julgaram indefensável, e que abrigou séculos de vida monástica silenciosa, é hoje tomada todo ano por um dos carnavais mais populares do Brasil, com bonecos gigantes, frevo e blocos como o Homem da Meia-Noite subindo as mesmas ladeiras de pedra. A cidade que nasceu do açúcar, sobreviveu ao fogo e se reinventou como santuário de fé terminou, séculos depois, virando também sinônimo de festa — sem que suas torres do século XVI deixassem, um único carnaval, de continuar de pé sobre a colina.

Onde fica

  • Sítio Histórico de Olinda Histórico
    Olinda, Pernambuco

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Les Deux Magots: o café que viu nascer o existencialismo em Saint-Germain

Aberto no fim do século 19 na Place Saint-Germain-des-Prés, o Les Deux Magots leva o nome das duas estátuas de mandarins chineses que decoram o salão. Foi mesa fixa de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, além de Hemingway e Picasso.

Hoje segue servindo café, chocolate quente e pratos clássicos franceses na mesma esquina boêmia.

Fachada e terraço do café Les Deux Magots em Paris

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Les Deux Magots Cafeteria
    6 Place Saint-Germain-des-Prés, Paris, França
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Armação dos Búzios: como o verão de Brigitte Bardot em 1964 transformou uma vila de pescadores

Vista da orla de Armação dos Búzios, no litoral do Rio de Janeiro

Foto: Ignacio Urruty / Wikimedia Commons (CC0)

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Muito antes de virar sinônimo de charme e badalação no litoral fluminense, Armação dos Búzios era uma península de pescadores conhecida havia séculos pelos indígenas tupinambás, isolada do resto do estado e vivendo quase exclusivamente da pesca artesanal. A história do lugar mudou de rumo em dois momentos separados por quase quatrocentos anos: a instalação de uma armação baleeira no século 17 e a chegada inesperada de uma atriz francesa em pleno verão de 1964.

A armação que deu nome à península

O topônimo Búzios vem justamente dessa vocação pesqueira antiga. No século 17, colonizadores portugueses instalaram na região uma "armação" — estrutura de terra usada para o abate e processamento de baleias, atividade econômica relevante na costa fluminense da época. Por gerações, a península seguiu como terceiro distrito do vizinho município de Cabo Frio, sem infraestrutura urbana ou comercial digna de nota, num cenário que a imprensa descreveria décadas depois como um verdadeiro "paraíso secreto".

O verão de 1964 que mudou tudo

Foi justamente esse isolamento que atraiu, em 1964, a atriz Brigitte Bardot, então um dos maiores símbolos do cinema europeu e perseguida por fotógrafos no mundo todo. Ela esteve na região duas vezes naquele ano: em janeiro, quando passou cerca de quatro meses hospedada no bairro de Manguinhos ao lado do produtor Bob Zagury, e em dezembro, numa segunda estadia que atraiu muito mais atenção da imprensa. A circulação de Bardot pelas praias e o contato direto com os moradores chamaram a atenção de jornalistas e fotógrafos estrangeiros, e a repercussão internacional tirou Búzios do anonimato quase da noite para o dia — um fenômeno que a imprensa da época comparou ao que Saint-Tropez havia vivido na França.

Monumento aos Três Pescadores, em Armação dos Búzios, referência à origem da cidade como vila de pescadores

Monumento aos Três Pescadores relembra a origem de Búzios como vila de pescadores

De distrito pesqueiro a município independente

O crescimento turístico acelerou uma outra transformação: a busca por autonomia política. O movimento pela emancipação de Búzios em relação a Cabo Frio ganhou força entre os moradores a partir de 1980 e chegou pela primeira vez à Câmara de Cabo Frio em 1985. O primeiro plebiscito sobre a separação ocorreu em 30 de junho de 1991; um segundo, realizado em 12 de novembro de 1995, confirmou a vontade popular com 96% dos votos favoráveis à emancipação. Armação dos Búzios tornou-se município independente, com a primeira legislatura de sua Câmara Municipal funcionando entre 1997 e 2000.

Praia Brava, em Armação dos Búzios, uma das praias que passaram a atrair turistas a partir da década de 1960

A Praia Brava é uma das praias que ajudaram a consolidar a fama turística de Búzios

A orla que carrega o nome da atriz

A cidade não deixou a memória daquele verão de 1964 se apagar. Em 1999, a prefeitura inaugurou a Orla Bardot, na região central de Búzios, com uma escultura em bronze da atriz assinada pela artista Christina Motta — a obra retrata Bardot sentada, descalça, em pose relaxada, integrada à paisagem da orla. A própria atriz, porém, acompanhou a transformação do lugar com sentimentos contraditórios: anos depois da visita, chegou a lamentar publicamente que o lado selvagem que a havia seduzido tinha dado lugar a algo bem diferente do que conheceu em 1964. Ainda assim, mais de sessenta anos depois daquele verão, a Orla Bardot segue sendo um dos principais cartões-postais e ferramentas de promoção turística da cidade que a atriz ajudou, sem querer, a colocar no mapa do mundo.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Armação dos Búzios — Wikipédia

Foto: Ignacio Urruty / Wikimedia Commons (CC0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): a "Saint-Tropez brasileira"

Onde fica

  • Orla Bardot Histórico
    Av. José Bento Ribeiro Dantas, 100 - Centro, Armação dos Búzios - RJ, 28950-000

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Muro das Lamentações: o que resta do Segundo Templo e por que o local é sagrado há dois mil anos

Muro das Lamentações e sua praça, em Jerusalém

Foto: Someone35 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

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No coração da Cidade Velha de Jerusalém, um muro de pedras calcárias de quase dois mil anos é considerado o local mais sagrado onde judeus podem rezar atualmente. O Muro das Lamentações, também chamado de Muro Ocidental, não é parte do templo religioso em si, mas sim um remanescente do muro de contenção construído pelo rei Herodes, no século I a.C., para sustentar a plataforma onde ficava o Segundo Templo de Jerusalém.

O que restou após a destruição do templo

O Segundo Templo foi destruído pelos romanos no ano 70 d.C., durante a repressão a uma revolta judaica, num dos eventos mais marcantes da história do povo judeu, associado ao início de um longo período de diáspora. Dos muros de contenção que sustentavam o monte onde ficava o templo, o trecho ocidental é o que ficou mais acessível e preservado ao longo dos séculos seguintes, tornando-se ponto de peregrinação e oração.

Por que "Lamentações"

O nome em português e em outras línguas ocidentais remete à tradição de judeus visitarem o local para lamentar a destruição do templo e orar por sua reconstrução, prática documentada desde pelo menos a Idade Média. Em hebraico, o local é chamado de Kotel, forma abreviada de "Kotel Maarabi" (Muro Ocidental), termo mais neutro e o preferido oficialmente.

Visitantes junto ao Muro das Lamentações

É tradição inserir pequenos papéis com orações escritas nas fendas entre as pedras do muro.

A tradição dos bilhetes de oração

Uma das práticas mais conhecidas associadas ao muro é a de escrever pedidos ou orações em pequenos papéis e inseri-los nas fendas entre as pedras — tradição que atrai não apenas judeus praticantes, mas visitantes de diferentes religiões e nacionalidades. Duas vezes por ano, antes das festas judaicas de Rosh Hashaná e Pessach, os bilhetes acumulados são recolhidos e enterrados em local separado, conforme a tradição judaica para textos sagrados.

Muro das Lamentações iluminado à noite

O local recebe visitantes e fiéis a qualquer hora do dia ou da noite.

Dicas para a visita

O acesso ao muro é gratuito e aberto ao público em geral, mas exige vestimenta respeitosa e separação entre as áreas de oração masculina e feminina, conforme a tradição judaica ortodoxa. Fotografias são permitidas durante a semana, mas costumam ser evitadas durante o sábado (Shabat) e feriados religiosos, por respeito aos fiéis presentes.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Muro das Lamentações — Wikipédia

Foto: Someone35 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Onde fica

  • Muro das Lamentações Histórico
    Cidade Velha, Jerusalém

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