No coração da Cidade Velha de Jerusalém, um muro de pedras calcárias de quase dois mil anos é considerado o local mais sagrado onde judeus podem rezar atualmente. O Muro das Lamentações, também chamado de Muro Ocidental, não é parte do templo religioso em si, mas sim um remanescente do muro de contenção construído pelo rei Herodes, no século I a.C., para sustentar a plataforma onde ficava o Segundo Templo de Jerusalém.
O que restou após a destruição do templo
O Segundo Templo foi destruído pelos romanos no ano 70 d.C., durante a repressão a uma revolta judaica, num dos eventos mais marcantes da história do povo judeu, associado ao início de um longo período de diáspora. Dos muros de contenção que sustentavam o monte onde ficava o templo, o trecho ocidental é o que ficou mais acessível e preservado ao longo dos séculos seguintes, tornando-se ponto de peregrinação e oração.
Por que "Lamentações"
O nome em português e em outras línguas ocidentais remete à tradição de judeus visitarem o local para lamentar a destruição do templo e orar por sua reconstrução, prática documentada desde pelo menos a Idade Média. Em hebraico, o local é chamado de Kotel, forma abreviada de "Kotel Maarabi" (Muro Ocidental), termo mais neutro e o preferido oficialmente.
É tradição inserir pequenos papéis com orações escritas nas fendas entre as pedras do muro.
A tradição dos bilhetes de oração
Uma das práticas mais conhecidas associadas ao muro é a de escrever pedidos ou orações em pequenos papéis e inseri-los nas fendas entre as pedras — tradição que atrai não apenas judeus praticantes, mas visitantes de diferentes religiões e nacionalidades. Duas vezes por ano, antes das festas judaicas de Rosh Hashaná e Pessach, os bilhetes acumulados são recolhidos e enterrados em local separado, conforme a tradição judaica para textos sagrados.
O local recebe visitantes e fiéis a qualquer hora do dia ou da noite.
Dicas para a visita
O acesso ao muro é gratuito e aberto ao público em geral, mas exige vestimenta respeitosa e separação entre as áreas de oração masculina e feminina, conforme a tradição judaica ortodoxa. Fotografias são permitidas durante a semana, mas costumam ser evitadas durante o sábado (Shabat) e feriados religiosos, por respeito aos fiéis presentes.