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📍 Cidade do Cabo
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Perseverance Tavern: o pub mais antigo da Cidade do Cabo, aberto desde 1808

Conhecido como 'the Percy', o Perseverance Tavern abriu as portas em 1808 no bairro de Gardens e é hoje o pub mais antigo da Cidade do Cabo ainda em funcionamento.

Depois de passar por reformas, voltou a operar todos os dias, com cozinha própria e clima de bairro pra fechar o dia com uma cerveja.

Fachada do Perseverance Tavern na Buitenkant Street, Cidade do Cabo

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Perseverance Tavern Bar
    Perseverance Tavern, 83 Buitenkant Street, Cidade do Cabo, África do Sul
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Muro das Lamentações: o que resta do Segundo Templo e por que o local é sagrado há dois mil anos

Muro das Lamentações e sua praça, em Jerusalém

Foto: Wikimedia Commons

No coração da Cidade Velha de Jerusalém, um muro de pedras calcárias de quase dois mil anos é considerado o local mais sagrado onde judeus podem rezar atualmente. O Muro das Lamentações, também chamado de Muro Ocidental, não é parte do templo religioso em si, mas sim um remanescente do muro de contenção construído pelo rei Herodes, no século I a.C., para sustentar a plataforma onde ficava o Segundo Templo de Jerusalém.

O que restou após a destruição do templo

O Segundo Templo foi destruído pelos romanos no ano 70 d.C., durante a repressão a uma revolta judaica, num dos eventos mais marcantes da história do povo judeu, associado ao início de um longo período de diáspora. Dos muros de contenção que sustentavam o monte onde ficava o templo, o trecho ocidental é o que ficou mais acessível e preservado ao longo dos séculos seguintes, tornando-se ponto de peregrinação e oração.

Por que "Lamentações"

O nome em português e em outras línguas ocidentais remete à tradição de judeus visitarem o local para lamentar a destruição do templo e orar por sua reconstrução, prática documentada desde pelo menos a Idade Média. Em hebraico, o local é chamado de Kotel, forma abreviada de "Kotel Maarabi" (Muro Ocidental), termo mais neutro e o preferido oficialmente.

Visitantes junto ao Muro das Lamentações

É tradição inserir pequenos papéis com orações escritas nas fendas entre as pedras do muro.

A tradição dos bilhetes de oração

Uma das práticas mais conhecidas associadas ao muro é a de escrever pedidos ou orações em pequenos papéis e inseri-los nas fendas entre as pedras — tradição que atrai não apenas judeus praticantes, mas visitantes de diferentes religiões e nacionalidades. Duas vezes por ano, antes das festas judaicas de Rosh Hashaná e Pessach, os bilhetes acumulados são recolhidos e enterrados em local separado, conforme a tradição judaica para textos sagrados.

Muro das Lamentações iluminado à noite

O local recebe visitantes e fiéis a qualquer hora do dia ou da noite.

Dicas para a visita

O acesso ao muro é gratuito e aberto ao público em geral, mas exige vestimenta respeitosa e separação entre as áreas de oração masculina e feminina, conforme a tradição judaica ortodoxa. Fotografias são permitidas durante a semana, mas costumam ser evitadas durante o sábado (Shabat) e feriados religiosos, por respeito aos fiéis presentes.

Onde fica

  • Muro das Lamentações Histórico
    Cidade Velha, Jerusalém

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Armação dos Búzios: como o verão de Brigitte Bardot em 1964 transformou uma vila de pescadores

Vista da orla de Armação dos Búzios, no litoral do Rio de Janeiro

Foto: Wikimedia Commons

Muito antes de virar sinônimo de charme e badalação no litoral fluminense, Armação dos Búzios era uma península de pescadores conhecida havia séculos pelos indígenas tupinambás, isolada do resto do estado e vivendo quase exclusivamente da pesca artesanal. A história do lugar mudou de rumo em dois momentos separados por quase quatrocentos anos: a instalação de uma armação baleeira no século 17 e a chegada inesperada de uma atriz francesa em pleno verão de 1964.

A armação que deu nome à península

O topônimo Búzios vem justamente dessa vocação pesqueira antiga. No século 17, colonizadores portugueses instalaram na região uma "armação" — estrutura de terra usada para o abate e processamento de baleias, atividade econômica relevante na costa fluminense da época. Por gerações, a península seguiu como terceiro distrito do vizinho município de Cabo Frio, sem infraestrutura urbana ou comercial digna de nota, num cenário que a imprensa descreveria décadas depois como um verdadeiro "paraíso secreto".

O verão de 1964 que mudou tudo

Foi justamente esse isolamento que atraiu, em 1964, a atriz Brigitte Bardot, então um dos maiores símbolos do cinema europeu e perseguida por fotógrafos no mundo todo. Ela esteve na região duas vezes naquele ano: em janeiro, quando passou cerca de quatro meses hospedada no bairro de Manguinhos ao lado do produtor Bob Zagury, e em dezembro, numa segunda estadia que atraiu muito mais atenção da imprensa. A circulação de Bardot pelas praias e o contato direto com os moradores chamaram a atenção de jornalistas e fotógrafos estrangeiros, e a repercussão internacional tirou Búzios do anonimato quase da noite para o dia — um fenômeno que a imprensa da época comparou ao que Saint-Tropez havia vivido na França.

Monumento aos Três Pescadores, em Armação dos Búzios, referência à origem da cidade como vila de pescadores

Monumento aos Três Pescadores relembra a origem de Búzios como vila de pescadores

De distrito pesqueiro a município independente

O crescimento turístico acelerou uma outra transformação: a busca por autonomia política. O movimento pela emancipação de Búzios em relação a Cabo Frio ganhou força entre os moradores a partir de 1980 e chegou pela primeira vez à Câmara de Cabo Frio em 1985. O primeiro plebiscito sobre a separação ocorreu em 30 de junho de 1991; um segundo, realizado em 12 de novembro de 1995, confirmou a vontade popular com 96% dos votos favoráveis à emancipação. Armação dos Búzios tornou-se município independente, com a primeira legislatura de sua Câmara Municipal funcionando entre 1997 e 2000.

Praia Brava, em Armação dos Búzios, uma das praias que passaram a atrair turistas a partir da década de 1960

A Praia Brava é uma das praias que ajudaram a consolidar a fama turística de Búzios

A orla que carrega o nome da atriz

A cidade não deixou a memória daquele verão de 1964 se apagar. Em 1999, a prefeitura inaugurou a Orla Bardot, na região central de Búzios, com uma escultura em bronze da atriz assinada pela artista Christina Motta — a obra retrata Bardot sentada, descalça, em pose relaxada, integrada à paisagem da orla. A própria atriz, porém, acompanhou a transformação do lugar com sentimentos contraditórios: anos depois da visita, chegou a lamentar publicamente que o lado selvagem que a havia seduzido tinha dado lugar a algo bem diferente do que conheceu em 1964. Ainda assim, mais de sessenta anos depois daquele verão, a Orla Bardot segue sendo um dos principais cartões-postais e ferramentas de promoção turística da cidade que a atriz ajudou, sem querer, a colocar no mapa do mundo.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): a "Saint-Tropez brasileira"

Onde fica

  • Orla Bardot Histórico
    Av. José Bento Ribeiro Dantas, 100 - Centro, Armação dos Búzios - RJ, 28950-000

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Bandeira de Havana Havana

La Bodeguita del Medio: o bar em Havana onde Hemingway supostamente bebia mojito

Fachada de La Bodeguita del Medio, em Havana

Foto: Wikimedia Commons

Numa rua estreita da Havana Velha, o centro histórico da capital cubana, um bar minúsculo e sempre lotado é parada praticamente obrigatória para quem visita Cuba. La Bodeguita del Medio abriu em 1942 como uma pequena mercearia que também vendia bebidas, e ao longo das décadas se transformou num dos bares mais famosos do mundo, conhecido sobretudo pelo mojito e por paredes completamente cobertas de assinaturas de visitantes.

A lenda do mojito de Hemingway

A frase mais repetida sobre o bar — "Mi mojito en la Bodeguita, mi daiquiri en El Floridita" — é atribuída ao escritor americano Ernest Hemingway, que viveu em Cuba por temporadas e é apontado como cliente frequente de ambos os bares. Historiadores debatem o quanto dessa história é fato e o quanto é lenda construída ao longo dos anos, mas a frase, supostamente escrita à mão pelo próprio Hemingway numa das paredes, virou parte central do marketing e da identidade do bar.

Paredes como livro de visitas

Desde os primeiros anos, clientes começaram a deixar assinaturas, frases e desenhos diretamente nas paredes do bar — uma tradição que nunca foi interrompida e hoje cobre praticamente cada centímetro disponível do espaço. Nomes de celebridades, políticos e escritores dividem espaço com turistas anônimos, criando uma espécie de mural coletivo que só cresce com o tempo.

Interior de La Bodeguita del Medio

O espaço pequeno e sempre cheio faz parte do charme do bar.

Point da vida cultural cubana

Além do turismo internacional, o bar historicamente também funcionou como ponto de encontro de artistas e intelectuais cubanos, incluindo o poeta Nicolás Guillén. A música ao vivo, geralmente son cubano tocado por pequenos grupos, é parte constante da experiência, com o espaço apertado criando uma proximidade quase inevitável entre música, bebida e clientes.

Paredes cobertas de assinaturas em La Bodeguita del Medio

Milhares de assinaturas cobrem as paredes ao longo de mais de oito décadas.

Dicas para a visita

O espaço é pequeno e costuma lotar rapidamente, especialmente à noite — ir no início da tarde é uma boa estratégia para experimentar o mojito com mais calma. Vale ter em mente que, por ser um ponto turístico extremamente popular, os preços costumam ser mais altos que os de bares menos conhecidos de Havana.

Onde fica

  • La Bodeguita del Medio Bar
    Empedrado 207, Havana, Cuba

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