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📍 Gizé

Pirâmides de Gizé: a única maravilha do mundo antigo que resistiu a 4.500 anos

Panorama das três grandes pirâmides do planalto de Gizé, no Egito

Foto: Ricardo Liberato / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

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Por volta de 2560 a.C., no planalto rochoso à beira do deserto egípcio, um exército de pedreiros começou a empilhar blocos de calcário e granito que, quase quatro milênios e meio depois, ainda estariam de pé. A Grande Pirâmide de Gizé, erguida como túmulo do faraó Quéops (Khufu, na grafia egípcia), é a mais antiga das Sete Maravilhas do Mundo Antigo listadas pelos gregos — e a única que sobreviveu até hoje.

Um túmulo construído em cerca de vinte anos

A pirâmide foi erguida durante a IV dinastia egípcia, num período estimado entre dez e vinte anos. Sua altura original era de 146,59 metros; hoje mede 137,19 metros, já que perdeu o revestimento externo de calcário polido e parte do topo ao longo dos séculos. A base ocupa uma área de cerca de 53 mil metros quadrados, com os quatro lados alinhados quase perfeitamente aos pontos cardeais — um feito de agrimensura notável para uma civilização sem bússolas ou instrumentos óticos modernos.

A estrutura é formada por aproximadamente 2,3 milhões de blocos de pedra, com peso médio de 2,5 toneladas cada um — alguns blocos internos, usados nas câmaras funerárias, chegam a pesar mais de 50 toneladas. Até hoje não há consenso definitivo entre arqueólogos sobre a técnica exata usada para erguer os blocos a essa altura; rampas, alavancas e sistemas de roldanas primitivas estão entre as hipóteses mais aceitas.

Vista aproximada da Pirâmide de Quéops, a maior do complexo de Gizé

A Pirâmide de Quéops, a maior das três grandes pirâmides do planalto de Gizé.

Quem realmente ergueu as pirâmides

Por séculos, a crença popular — reforçada por relatos tardios como os do historiador grego Heródoto, que escreveu quase dois mil anos após a construção — atribuía a obra a massas de escravos chicoteados. Escavações conduzidas na década de 1990 pelos arqueólogos Zahi Hawass e Mark Lehner mudaram esse quadro ao descobrir, a poucos metros das pirâmides, uma vila de trabalhadores organizada pelo Estado egípcio. As evidências encontradas ali contam outra história:

  • Padarias, cervejarias e açougues industriais indicam que os trabalhadores recebiam rações diárias de pão, cerveja e carne bovina — uma dieta relativamente farta para o Egito Antigo.
  • Esqueletos exumados no cemitério dos operários mostram fraturas ósseas tratadas e realinhadas, evidência de que recebiam cuidados médicos.
  • Muitos eram camponeses recrutados durante a época da cheia anual do Nilo, quando os campos ficavam submersos e a mão de obra agrícola ficava disponível para o Estado.
  • Grafites deixados nas câmaras internas da pirâmide registram nomes de equipes de trabalho, como "Amigos de Quéops", sugerindo rivalidade e orgulho entre os grupos.

A Esfinge e um patrimônio da humanidade

A poucos metros da pirâmide de Quéops está a Grande Esfinge, uma escultura de 73 metros de comprimento e cerca de 20 metros de altura, esculpida a partir de um único afloramento de calcário do próprio planalto. A maioria dos egiptólogos atribui seu rosto ao faraó Quefrém, filho de Quéops e construtor da segunda maior pirâmide do complexo — que, junto com a pirâmide de Miquerinos, forma o trio que hoje define a paisagem de Gizé.

A Grande Esfinge de Gizé, esculpida em um único afloramento de calcário

A Grande Esfinge, com o corpo de leão e rosto atribuído ao faraó Quefrém.

Em 1979, a Unesco reconheceu como Patrimônio Mundial da Humanidade o conjunto formado pelas ruínas de Mênfis, antiga capital do Egito, e suas necrópoles — incluindo os monumentos de Gizé, Saqqara e Dahshur. É um reconhecimento tardio para um lugar que já era considerado antigo pelos próprios turistas da Antiguidade: quando os romanos visitavam Gizé, as pirâmides já tinham mais de 2.500 anos.

Quando a Catedral de Lincoln, na Inglaterra, ultrapassou sua altura em 1311, a Grande Pirâmide já reinava havia quase 3.800 anos como a estrutura mais alta já erguida por mãos humanas — um recorde que nenhuma outra obra da Antiguidade chegou perto de igualar.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Necrópole de Gizé — Wikipédia

Foto: Wikimedia Commons.

Onde fica

  • Grande Pirâmide de Gizé (Pirâmide de Quéops) Histórico
    Necrópole de Gizé, Gizé, Egito

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📍 Edimburgo
📍 Dica rápida

Sheep Heid Inn: a pista de boliche de 1880 nos fundos do pub mais antigo da Escócia

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Fora do centro turístico, na aldeia de Duddingston, aos pés do Arthur's Seat, o Sheep Heid Inn reivindica uma data que nenhum outro pub da Escócia consegue: c. 1360. Se a conta estiver certa, é a licença de bebidas mais antiga ainda em funcionamento no país. Vale a ressalva honesta: o prédio atual tem núcleo do século XVIII, com alterações posteriores — o negócio é que seria antigo, não as paredes.

O nome vem de um presente. Conta-se que Jaime VI deu ao estalajadeiro, em 1580, uma caixa de rapé ornamentada em forma de cabeça de carneiro — sheep heid, em escocês. A original acabou vendida ao conde de Rosebery; atrás do balcão fica hoje uma réplica do século XIX. Maria, Rainha dos Escoceses, também teria parado por ali e jogado boliche no pátio.

E boliche ainda se joga. Nos fundos do pub existe uma pista de skittles construída por volta de 1880, tida como a última do gênero ainda em uso na Escócia. Ela não é atração de museu: o Trotters Club, fundado em 1882, continua se reunindo lá uma vez por mês, como faz há mais de 140 anos.

O prédio é tombado na categoria B pela Historic Environment Scotland (registro LB30077). Fica a uma caminhada curta do Holyrood Park, o que faz dele a parada natural de quem desce do Arthur's Seat.

A fachada do Sheep Heid Inn, em Duddingston, Edimburgo

Foto: Paul Farmer, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Onde fica

  • The Sheep Heid Inn Bar
    43–45 The Causeway, Duddingston, Edimburgo EH15 3QA, Escócia, Reino Unido
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📍 Salzburgo

Fortaleza de Hohensalzburg: o castelo que um arcebispo começou em 1077 e nenhum exército tomou à força

Fortaleza de Hohensalzburg vista do oeste, no alto do Festungsberg, em Salzburgo

Foto: Jakub Hałun / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

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Quem chega a Salzburgo vê a fortaleza antes de ver qualquer outra coisa. Ela ocupa o topo do Festungsberg, acima do centro histórico, e se estende por 250 metros de comprimento e até 150 de largura — é considerada um dos maiores castelos medievais da Europa e, segundo o turismo oficial da cidade, o maior castelo totalmente preservado da Europa Central. Mais de um milhão de pessoas sobem até lá por ano, o que a torna a atração mais visitada da Áustria fora de Viena.

Um arcebispo com medo do imperador

A construção começou em 1077, por ordem do arcebispo Gebhard. Era o auge da Querela das Investiduras, a disputa entre o papa e o imperador sobre quem nomeava bispos, e Gebhard estava do lado do papa. Salzburgo era governada por príncipes-arcebispos, que acumulavam poder religioso e político, e precisavam se proteger. A primeira fortificação era modesta: uma torre residencial cercada por um muro de madeira.

Nos séculos seguintes, cada arcebispo acrescentou alguma coisa — muralhas, torres, bastiões. A fortaleza ganhou a aparência que tem hoje por volta de 1500, sob Leonhard von Keutschach, que governou de 1495 a 1519. Ele foi quem mais deixou marcas no lugar, literalmente: seu brasão, um nabo branco sobre fundo preto, aparece até 58 vezes pelas paredes da fortaleza. A lenda local diz que, quando menino, ele ia mal na escola e um tio atirou um nabo nele; e o nabo acabou no brasão.

O único cerco, e a rendição sem luta

Em mais de 900 anos, a fortaleza foi sitiada uma única vez. Em 1525, durante a Guerra dos Camponeses, camponeses e mineiros revoltados cercaram o príncipe-arcebispo Matthäus Lang lá dentro de 5 de julho a 31 de agosto. Não conseguiram entrar. A frase que se repete em Salzburgo — "nunca foi tomada" — precisa de um asterisco: nas Guerras Napoleônicas, a guarnição entregou a fortaleza às tropas francesas sem lutar. Tomada à força, de fato, nunca foi.

Essa segurança ajudou a preservar o interior. Os aposentos do príncipe foram montados a partir de 1498. A sala mais famosa é a Goldene Stube, a "sala dourada", com o teto de madeira em caixotões salpicado de botões dourados que representam as estrelas do céu.

Um touro de 1502 e um trem de 1460

Keutschach também encomendou, em 1502, o Salzburger Stier, o "touro de Salzburgo": um órgão mecânico de tubos. O acorde em fá maior soa como um touro mugindo, e daí veio o nome. É o instrumento musical mecânico mais antigo ainda tocado com regularidade, segundo o turismo de Salzburgo. Ele toca todos os dias logo depois das 7h, 11h e 18h, em sequência ao carrilhão da cidade velha, e tem melodias compostas por Johann Eberlin e por Leopold Mozart, o pai de Wolfgang.

Outra peça rara é o Reisszug, um elevador de carga sobre trilhos que puxa mercadorias encosta acima. Matthäus Lang o descreveu em 1515, mas vestígios arqueológicos indicam que ele já existia por volta de 1460. É apontado como o funicular mais antigo preservado do mundo e ainda funciona, só para carga — visitante não sobe nele. Para os visitantes existe a FestungsBahn, inaugurada em 1892: são 191 metros de trilho, 99 metros de desnível e rampa de até 62%. Quem preferir pode subir a pé pela trilha que sai da cidade velha, em 15 a 20 minutos.

Lá em cima ficam ainda três museus: o da fortaleza, o de marionetes e o do Regimento Rainer, dedicado ao antigo regimento da cidade.

Perguntas frequentes

Quanto custa visitar a Fortaleza de Hohensalzburg? O ingresso básico custa € 14,20 e o completo, com todas as áreas internas, € 17,80. A fortaleza abre todos os dias do ano.

Precisa pegar o funicular? Não. A subida a pé leva de 15 a 20 minutos a partir do centro histórico. O funicular poupa a ladeira.

Quando ouvir o Salzburger Stier? Logo depois das 7h, 11h e 18h, dá para ouvir de vários pontos da cidade velha.

Onde fica

  • Fortaleza de Hohensalzburg (Festung Hohensalzburg) Histórico
    Mönchsberg 34, 5020 Salzburgo, Áustria

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Caffè Pedrocchi: o café de Pádua que ficou de portas abertas dia e noite por quase um século

Fachada neoclássica do Caffè Pedrocchi em Pádua, Itália

Foto: Camelia.boban / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Durante quase cem anos, o Caffè Pedrocchi não teve uma única fechadura. Literalmente: entre a inauguração, em 1831, e o ano de 1916, o salão de Pádua ficava aberto dia e noite, sem portas para trancar, o que lhe rendeu o apelido de "il caffè senza porte" — o café sem portas. Era uma declaração de intenções do seu criador, Antonio Pedrocchi, filho de um comerciante de café de Bergamo: transformar o pequeno estabelecimento herdado do pai em, nas palavras da época, "o café mais bonito da Terra".

Um palácio neoclássico para tomar café

Para isso, Pedrocchi contratou o arquiteto Giuseppe Jappelli, que assinou um edifício neoclássico com pórticos abertos para a rua e colunas jônicas, inaugurado em 1831. Em 1836, Jappelli somou ao conjunto um anexo em estilo neogótico, a chamada Pedrocchino, destinada à confeitaria. O interior foi dividido em salas com funções distintas: a Sala Verde, de acesso gratuito, onde qualquer pessoa podia entrar para se aquecer ou ler jornais sem consumir nada; a Sala Bianca, também aberta ao público; e salões reservados a clientes pagantes, decorados com afrescos de inspiração egípcia, grega, etrusca e mourisca. Perto da Universidade de Pádua — fundada em 1222 e uma das mais antigas do mundo —, o café virou ponto de encontro natural de estudantes, professores, artistas e viajantes estrangeiros.

Átrio interno do Caffè Pedrocchi com colunas e mesas

O átrio interno do Pedrocchi, com as colunas desenhadas por Giuseppe Jappelli.

O tiro que marcou a Sala Bianca

Essa proximidade com a vida universitária custou caro em 8 de fevereiro de 1848. Estudantes e cidadãos de Pádua se levantaram contra a dominação austríaca dentro e nos arredores do café, em um dos episódios que anteciparam a Primeira Guerra de Independência italiana e a onda revolucionária conhecida como "Primavera dos Povos". Soldados austríacos reprimiram o levante à força: sete pessoas morreram nos confrontos, e a universidade expulsou 73 estudantes e quatro professores envolvidos no protesto. Até hoje, uma placa marca na Sala Bianca o ponto exato atingido por um disparo durante o confronto — o buraco de bala ficou preservado na parede como testemunho do episódio, e a data batiza a própria rua onde o café fica, a Via VIII Febbraio.

De ponto de resistência a patrimônio da cidade

  • Em 1891, após a morte de Antonio Pedrocchi, seu filho adotivo, Domenico Cappellato Pedrocchi, doou o edifício inteiro à cidade de Pádua.
  • Parte do complexo abriga hoje o Museu do Risorgimento e da Idade Contemporânea, dedicado justamente à unificação italiana.
  • O café continua em funcionamento, servindo seu prato mais famoso: o "caffè alla Pedrocchi", um espresso em xícara de cappuccino com creme de menta e cacau.
Xilogravura histórica do Caffè Pedrocchi no século XIX

Gravura do século XIX retratando o movimento do café pouco depois de sua inauguração.

Todos os anos, os estudantes de Pádua ainda relembram 8 de fevereiro de 1848 com uma festa própria, a "tribuna", perpetuando a memória do dia em que um salão pensado para servir café virou, por algumas horas, palco de um confronto que ajudou a mudar o mapa da Itália.

Onde fica

  • Caffè Pedrocchi Cafeteria
    Caffè Pedrocchi, Via VIII Febbraio, Pádua, Itália

💬 Comentários (1)

Pedro Souza 07/08/2026

Ótimo lugar para tomar um café.
Parabéns pelo artigo, Muito útil.


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