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📍 Quioto

O que fazer em Quioto: 5 paradas escolhidas

Caminho de torii vermelhos no Fushimi Inari Taisha, em Quioto

Foto: Luka Peternel / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Um roteiro com 5 paradas em Quioto, Japão: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. Fushimi Inari Taisha
  2. Kiyomizu-dera
  3. Hanamikoji-dori (Ichiriki Chaya)
  4. Nishiki Market
  5. Ippodo Tea (loja principal)

O que visitar

1. Fushimi Inari Taisha

Caminho de torii vermelhos no Fushimi Inari Taisha, em Quioto
Foto: Luka Peternel / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No sopé da montanha sagrada Inari, ao sul de Quioto, milhares de portões torii vermelhos formam túneis que sobem por trilhas de mais de 4 quilômetros. O Fushimi Inari Taisha foi fundado em 711, o que o torna um dos santuários xintoístas mais antigos do Japão, e é hoje a cabeça de uma rede de mais de 30 mil santuários dedicados a Inari espalhados pelo país.

Segundo a tradição, um membro do clã Hata chamado Hata no Irogu consagrou as divindades nos três picos do monte Inari. Cada torii do caminho — batizado de Senbon Torii, ou "mil portões" — foi doado por uma empresa ou pessoa física em troca de prosperidade nos negócios, uma prática que se intensificou a partir do período Edo (1603-1867) e continua até hoje: os nomes dos doadores aparecem gravados na base de cada portão.

Endereço: 68 Fukakusa Yabunouchicho, Fushimi-ku, Kyoto 612-0882, Japão

2. Kiyomizu-dera

Palco de madeira do Kiyomizu-dera, em Quioto
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Fundado em 778 pelo monge Enchin, o Kiyomizu-dera é famoso pelo palco de madeira que se projeta 13 metros acima da encosta de Higashiyama — construído inteiramente sem um único prego. A estrutura atual é de 1633, reconstruída depois que um incêndio destruiu o salão principal em 1629, e se apoia em 139 grandes pilares de zelkova encaixados por juntas de madeira entrelaçada (a técnica kigumi), com o piso formado por 410 tábuas de cipreste igualmente unidas sem metal.

É esse sistema de encaixes, e não pregos, que permitiu ao palco sobreviver a quase quatro séculos de terremotos. O templo integra a lista de Monumentos Históricos da Antiga Quioto, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial em 1994.

Endereço: 294 Kiyomizu, Higashiyama-ku, Kyoto 605-0862, Japão

História

3. Hanamikoji-dori (Ichiriki Chaya)

Rua Hanamikoji, no bairro de Gion, em Quioto
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Hanamikoji é a rua de pedra que corta o coração de Gion, o bairro de gueixas mais famoso de Quioto, ladeada por casas de chá (ochaya) preservadas — desde 2001 sem fiação elétrica aérea, o que mantém a paisagem quase intacta desde o período Edo. No auge, no início do século 20, Gion chegou a abrigar mais de 700 ochaya e 3 mil gueixas e maiko (aprendizes) trabalhando na região.

Na esquina de Hanamikoji com a Shijo-dori fica o Ichiriki Chaya, a casa de chá mais famosa de Quioto, em atividade contínua desde 1701. É o mesmo local onde, segundo a tradição, Oishi Kuranosuke — líder dos lendários 47 ronin — se refugiou para planejar em segredo a vingança de seu senhor, e que voltou a servir de ponto de encontro para líderes rebeldes durante o período Bakumatsu, no fim do xogunato. O acesso ao Ichiriki é reservado a convidados, mas caminhar por Hanamikoji ao entardecer ainda é a melhor chance de avistar uma maiko a caminho de um compromisso.

Endereço: Higashiyama Ward, Kyoto, Japan

Onde comer

4. Nishiki Market

Galeria coberta do Nishiki Market, em Quioto
Foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O primeiro comércio de peixes na rua onde hoje fica o Nishiki Market abriu por volta de 1310, atraído pela água subterrânea gelada do local — refrigeração natural séculos antes da eletricidade. Em 1615, o governo da época oficializou o local como mercado de peixes de Quioto, dando início a uma história documentada de mais de 400 anos.

Foi só no período Meiji, e principalmente depois de 1928 — quando uma associação de comerciantes locais incentivou os lojistas a diversificar além do peixe, somando frutas, verduras, carnes, tofu e conservas — que o mercado ganhou o apelido que carrega até hoje: "a cozinha de Quioto". Atualmente mais de 130 barracas dividem uma galeria coberta de cerca de 400 metros de extensão, vendendo desde vegetais típicos de Quioto (kyoyasai) até doces wagashi e petiscos como o tako tamago, um mini-polvo recheado com ovo de codorna.

Endereço: 609 Higashiuoya-cho, Nakagyo-ku, Kyoto 604-8055, Japão · site oficial

Onde tomar café

5. Ippodo Tea (loja principal)

Loja da Ippodo Tea, na rua Teramachi, em Quioto
Foto: Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Em 1717, o comerciante Rihei Watanabe abriu uma loja chamada Omiya para vender chá e cerâmica na rua Teramachi, perto do Palácio Imperial de Quioto. Em 1846, a loja foi rebatizada de Ippodo — "preservar uma coisa só" — a pedido do Príncipe Yamashina, apreciador do chá da casa, que queria que o negócio mantivesse para sempre um único compromisso: a qualidade.

Mais de 300 anos depois, a Ippodo continua no mesmo endereço, vendendo cerca de 30 variedades de chá — incluindo matcha, gyokuro, sencha e bancha — e reabriu recentemente sua sala de chá Kaboku, onde o matcha é preparado na frente do cliente e servido com doces sazonais japoneses.

Endereço: Japão, 〒604-0915 Kyoto, Nakagyo Ward, Tokiwagicho, 52 · site oficial

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • Fushimi Inari Taisha — foto: Luka Peternel / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Kiyomizu-dera — foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Hanamikoji-dori (Ichiriki Chaya) — foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Nishiki Market — foto: Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) · site oficial
  • Ippodo Tea (loja principal) — foto: Wikimedia Commons (CC BY 4.0) · site oficial

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📍 Orlando

Walt Disney World: o segredo por trás da compra do terreno na Flórida

Castelo da Cinderela no Magic Kingdom, no Walt Disney World Resort, em Orlando

Foto: Wikimedia Commons

Walt Disney: O Triunfo da Imaginação Americana
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Em 1965, jornalistas do Orlando Sentinel passaram meses tentando descobrir quem estava comprando, silenciosamente, dezenas de fazendas e pântanos no centro da Flórida através de empresas com nomes genéricos como "Reedy Creek Ranch Corporation" e "Ayefour Corporation". A resposta, quando veio, explicava tudo: era a Walt Disney Productions, e o comprador misterioso mudaria para sempre o mapa turístico dos Estados Unidos.

Um segredo bem guardado

Depois do sucesso da Disneylândia na Califórnia, aberta em 1955, Walt Disney percebeu um problema: o parque tinha pouco espaço para crescer, e hotéis e atrações concorrentes brotavam ao redor sem que a empresa lucrasse com eles. Para o novo projeto, batizado internamente de "Florida Project", Walt queria terreno de sobra — e comprou com discrição justamente para evitar que a especulação imobiliária disparasse os preços antes da hora.

A estratégia funcionou por um bom tempo: a Disney adquiriu cerca de 11 mil hectares a valores que chegavam a apenas 90 dólares o hectare. Quando o Orlando Sentinel publicou a manchete revelando a empresa por trás das compras, em outubro de 1965, o preço da terra na região disparou da noite para o dia. Um mês depois, em 15 de novembro de 1965, Walt Disney e seu irmão Roy anunciaram oficialmente o projeto ao lado do governador da Flórida, Haydon Burns.

Walt Disney em coletiva de imprensa apresentando os planos da Flórida

Walt Disney apresentou o projeto da Flórida a jornalistas nos anos 1960.

Da cidade do amanhã ao Reino Mágico

O sonho original de Walt ia muito além de um parque temático. Ele imaginava a EPCOT — sigla para "Experimental Prototype Community of Tomorrow" — como uma cidade de verdade, habitada por 20 mil moradores, com centro urbano coberto, transporte público que dispensaria carros e um design radial inspirado nas ideias urbanísticas mais avançadas da época. Walt chegou a gravar um filme de 25 minutos explicando o projeto aos investidores, em outubro de 1966. Dois meses depois, em 15 de dezembro de 1966, ele morreu de câncer no pulmão, aos 65 anos, sem ver nenhuma pá de terra revirada na Flórida.

Coube ao irmão mais velho, Roy O. Disney, adiar a própria aposentadoria para tocar a obra adiante. Roy simplificou o projeto: a cidade-conceito de Walt se tornaria, décadas depois, o parque Epcot, enquanto a prioridade imediata virou um parque de diversões nos moldes da Disneylândia. Em maio de 1967, o estado da Flórida criou o Reedy Creek Improvement District, um distrito especial que deu à Disney poderes quase municipais sobre suas próprias terras — de zoneamento a serviços públicos. A construção começou em 1967, e o Castelo da Cinderela, símbolo do futuro Magic Kingdom, só ficou pronto três meses antes da inauguração, em 1º de outubro de 1971.

De um parque a quatro portões

O Magic Kingdom foi só o começo. Nas décadas seguintes, o resort ganhou mais três parques temáticos:

  • Epcot (1982) — a versão final, e bem diferente da original, do sonho urbano de Walt, com a esfera geodésica Spaceship Earth como ícone.
  • Disney-MGM Studios (1989), renomeado Disney's Hollywood Studios em 2008 — dedicado ao cinema e à televisão.
  • Disney's Animal Kingdom (1998) — parque de conservação e vida selvagem, o maior dos quatro em área.

Hoje o Walt Disney World Resort ocupa cerca de 100 quilômetros quadrados em Orlando e Lake Buena Vista — uma área maior do que a ilha de Manhattan, em Nova York — com dezenas de hotéis, dois parques aquáticos e um distrito de compras e entretenimento.

Vista aérea de área do Walt Disney World Resort em Orlando, Flórida

O resort hoje ocupa uma área maior do que a ilha de Manhattan.

Foi Roy quem decidiu, pouco antes da inauguração, que o parque não se chamaria apenas "Disney World", mas "Walt Disney World" — para que ninguém esquecesse de quem tinha sido aquele sonho. Roy dedicou o resort ao irmão em uma cerimônia em outubro de 1971 e morreu menos de três meses depois, em 20 de dezembro daquele ano, encerrando pessoalmente o capítulo que Walt não viveu para ver completo.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Um segredo que virou magia e atrai milhões de pessoas por ano.

Onde fica

  • Walt Disney World Resort (Magic Kingdom) Histórico
    Walt Disney World Resort, Orlando, Flórida, Estados Unidos

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📍 Gizé
📍 Dica rápida

Sultan Lounge: drinques ao pôr do sol no hotel histórico Mena House

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Dentro do Mena House, hotel que recebe hóspedes ilustres desde o século 19, o Sultan Lounge é o point certo para ver o sol se pôr atrás das pirâmides com uma taça na mão. O ambiente combina decoração árabe clássica e jardins históricos.

Jardim do hotel histórico Mena House com as pirâmides de Gizé ao fundo

Foto: Wikimedia Commons

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📍 Brasília

Catedral Metropolitana de Brasília: as 16 colunas de Niemeyer que formam uma coroa de espinhos

Vista externa da Catedral Metropolitana de Brasília com suas colunas hiperboloides na Esplanada dos Ministérios

Foto: Adeilton O. de Souza / Wikimedia Commons (CC0)

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De longe, antes mesmo de qualquer porta ou fachada, o que se vê é uma coroa. Dezesseis colunas de concreto branco se curvam para cima e se afinam na ponta, como se alguém tivesse cravado espinhos gigantes na Esplanada dos Ministérios. Não há torre, não há nave visível, não há o desenho que qualquer brasileiro reconheceria como "igreja" — e é exatamente por isso que a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida se tornou, para muita gente, o símbolo mais forte de Brasília.

Uma estrutura pensada de baixo para cima

O projeto é de Oscar Niemeyer, mas a obra só existe de pé graças ao engenheiro Joaquim Cardozo, responsável pelo cálculo estrutural que tornou possível erguer pilares de seção parabólica em formato hiperboloide — uma curva que, até então, quase nenhuma construção no mundo tinha ousado em escala tão grande. A pedra fundamental foi lançada em 12 de setembro de 1958, ainda nos primeiros meses de construção da nova capital. Em 1960, quando Brasília foi inaugurada, a estrutura das dezesseis colunas — cada uma pesando 90 toneladas — já estava de pé, formando uma área circular de 70 metros de diâmetro, mas sem vidro, sem acabamento, praticamente um esqueleto exposto ao céu do Planalto Central.

A catedral só ficaria pronta dez anos depois. A inauguração oficial aconteceu em 31 de maio de 1970, já com os painéis de vidro colocados entre as colunas — translúcidos o bastante para deixar a luz entrar e transformar o interior num só ambiente aberto, sem paredes internas dividindo o espaço.

Detalhe das colunas de concreto curvo da Catedral Metropolitana de Brasília

As dezesseis colunas hiperboloides, de 90 toneladas cada, sustentam toda a estrutura sem paredes internas.

A passagem pelo túnel escuro

Poucas igrejas no mundo pensam a chegada do visitante como um percurso dramático, mas a Catedral de Brasília faz exatamente isso. Não se entra pela frente: o acesso à nave é feito por uma rampa que desce ao subsolo, atravessando um túnel escuro e baixo. É só depois desse trecho de penumbra que o espaço se abre repentinamente para cima, inundado pela luz colorida dos vitrais assinados pela artista franco-brasileira Marianne Peretti — um contraste que Niemeyer projetou de propósito, quase como uma travessia entre a terra e o céu. Na entrada, quatro esculturas de bronze representando os Evangelistas, também de autoria de Alfredo Ceschiatti, recebem quem chega.

Os três anjos suspensos

Dentro da nave, presos por cabos de aço quase invisíveis, pairam os anjos mais fotografados do Brasil. São três esculturas de fibra de vidro criadas por Alfredo Ceschiatti, cada uma representando um arcanjo:

  • São Miguel — a maior, com 4,45 metros e cerca de 300 quilos
  • São Gabriel — intermediária, com 3,40 metros e 200 quilos
  • São Rafael — a menor, com 2,20 metros e 100 quilos

Vistos de baixo, contra o fundo azul e amarelo dos vitrais de Marianne Peretti, os anjos parecem flutuar sem apoio algum — efeito que se tornou uma das imagens mais reproduzidas da arquitetura brasileira do século 20.

Os anjos suspensos de Alfredo Ceschiatti no interior da Catedral de Brasília

Os três anjos de fibra de vidro, suspensos por cabos de aço, representam os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

Niemeyer nunca escondeu que a forma da catedral admite mais de uma leitura: para uns, as colunas erguidas lembram mãos postas em oração; para outros, é a coroa de espinhos de Cristo desenhada em concreto contra o céu do Planalto. O próprio arquiteto preferia deixar a ambiguidade em aberto — prova de que, mais de meio século depois de pronta, a catedral continua sendo menos uma resposta e mais uma pergunta em forma de arquitetura.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Vá pela experiência sensorial proporcionada pelo teto de vidro.

Onde fica

  • Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida Ponto Turístico
    Catedral Metropolitana de Brasília, Esplanada dos Ministérios, Brasília, Distrito Federal

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