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Don Julio: a parrilla de bairro em Buenos Aires que virou referência mundial em carnes

Fachada da parrilla Don Julio, em Buenos Aires

Foto: Roberto Fiadone / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

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Numa esquina do bairro de Palermo, em Buenos Aires, uma parrilla de bairro aberta em 1999 se tornou, poucas décadas depois, uma das referências mundiais em carnes grelhadas. O Don Julio começou como um restaurante de vizinhança, sem grandes pretensões, e foi crescendo em reputação até ser eleito, em anos recentes, o melhor restaurante da América Latina e chegar ao top 3 da lista The World's 50 Best Restaurants — um feito raro para uma parrilla tradicional argentina.

Tradição da parrilla argentina

O conceito de parrilla — grelha de carnes assadas lentamente sobre brasas — é central na cultura gastronômica argentina, e o Don Julio se destacou justamente por elevar essa tradição sem abandonar sua essência simples: cortes de carne bovina de alta qualidade, temperados basicamente com sal grosso e assados no ponto certo, sem excesso de sofisticação desnecessária.

A adega que virou cartão de visitas

Um dos diferenciais mais conhecidos do restaurante são as garrafas de vinho vazias, autografadas por clientes ao longo dos anos, que cobrem as paredes internas do salão — uma espécie de mural involuntário que virou parte da identidade visual do Don Julio e é frequentemente fotografado por quem visita o restaurante pela primeira vez.

Interior da parrilla Don Julio

Garrafas de vinho autografadas por clientes cobrem as paredes do salão.

Reconhecimento internacional

A ascensão do Don Julio nos rankings internacionais ajudou a reposicionar a culinária argentina no mapa da alta gastronomia mundial, historicamente mais associada a restaurantes de países como Peru, Brasil e México nesse tipo de lista. O sucesso do restaurante também impulsionou o próprio bairro de Palermo, hoje repleto de restaurantes e bares que se beneficiam do fluxo de turistas gastronômicos atraídos pela fama da parrilla.

Grelha de carnes na parrilla Don Julio

Cortes de carne bovina argentina grelhados lentamente são a base do cardápio.

Dicas para a visita

O Don Julio não aceita reservas online para os melhores horários — muitos clientes chegam com bastante antecedência e aguardam numa fila que, em dias de alta demanda, pode se formar horas antes da abertura. Vale reservar por telefone com antecedência sempre que possível, ou se programar para chegar cedo.

Onde fica

  • Don Julio Restaurante
    Guatemala 4699, Palermo, Buenos Aires, Argentina

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Bar La Ópera: o balaço de Pancho Villa que ainda mora no teto dourado da Cidade do México

Fachada do Bar La Ópera no Centro Histórico da Cidade do México

Foto: Ivanmartinez / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Há mais de cem anos, uma bala de revólver segue alojada no teto dourado de um bar no coração da Cidade do México — e, de propósito, ninguém jamais a removeu. O buraco pertence ao Bar La Ópera, uma cantina que resiste desde o século 19 na Avenida 5 de Mayo, no Centro Histórico, e que viu passar tanto jantares da elite porfirista quanto tropas revolucionárias armadas.

De confeitaria francesa a ponto de encontro da elite

O endereço não nasceu como bar. Em 1876, as irmãs francesas Boulangeot abriram ali uma confeitaria de luxo na esquina da antiga rua San Juan de Letrán com a Avenida Juárez — terreno onde hoje se ergue a Torre Latinoamericana. Em 1895, o negócio mudou de local e de vocação: passou a funcionar na esquina da Avenida 5 de Mayo com a rua Filomeno Mata, endereço que ocupa até hoje, já como cantina voltada à clientela mais refinada da capital.

Entre os frequentadores da nova fase estavam o presidente Porfirio Díaz e sua esposa, Carmelita Romero Rubio, além do então ministro da Fazenda, José Ives Limantour. O bar tornou-se um símbolo do chamado Porfiriato, período de mais de três décadas de governo de Díaz marcado pela tentativa de europeizar os costumes da capital mexicana — daí o nome "La Ópera" e a decoração que remete aos teatros de espetáculo da Europa do fim do século 19.

A noite em que Pancho Villa disparou no teto

Em dezembro de 1914, tropas de Francisco "Pancho" Villa e Emiliano Zapata ocuparam a Cidade do México após a queda do governo de Victoriano Huerta, no auge da Revolução Mexicana. Segundo o relato mais repetido sobre o episódio, transmitido de geração em geração pelos próprios funcionários do bar, Villa entrou no La Ópera, sentou-se para conversar com seus homens e, incomodado por não conseguir atenção, sacou a arma e disparou um tiro para o alto. A bala nunca foi retirada do teto ornamentado e segue visível até hoje, próxima a um pequeno letreiro que conta a história aos visitantes.

Há uma ironia conhecida pelos guias locais: ao contrário da fama de bebedor pesado que o cinema atribuiu a outros líderes revolucionários, Villa era abstêmio — seu vício declarado era milk-shake de morango, não tequila ou pulque.

Interior decorado do Bar La Ópera na Cidade do México

O salão interno do Bar La Ópera, com teto ornamentado e balcão de madeira.

Um teto de folha de ouro e um balcão vindo de Nova Orleans

A decoração do La Ópera segue o estilo afrancesado que dominava a arquitetura da capital mexicana na virada do século 19 para o 20, misturando traços barrocos com o Art Nouveau então em voga. Entre os elementos que sobrevivem até hoje estão:

  • Um teto trabalhado com molduras cobertas por folha de ouro;
  • Um balcão esculpido em madeira maciça de nogueira, encomendado e transportado de Nova Orleans;
  • Espelhos de vidro biselado emoldurados por talha em madeira escura;
  • Detalhes metálicos e vitrines que reforçam a atmosfera de teatro de ópera europeu.

Com o avanço da Revolução, o bar deixou de ser um espaço fechado à elite porfirista e passou a servir também tequila e pulque a um público mais amplo, consolidando-se como uma das cantinas mais tradicionais do Centro Histórico da capital mexicana — categoria de bar que, no México, guarda rituais e regras de sociabilidade próprios há mais de um século.

Rua 5 de Mayo no Centro Histórico da Cidade do México, onde fica o Bar La Ópera

A rua 5 de Mayo, no Centro Histórico da Cidade do México.

O escritor mexicano Salvador Novo definiu as cantinas tradicionais da capital como "templos de duas portas", numa referência às entradas duplas que antigamente separavam o acesso de homens e mulheres nesses espaços de socialização. O Bar La Ópera, com suas portas na esquina de 5 de Mayo com Filomeno Mata, segue aberto como bar e restaurante mais de cento e trinta anos depois de virar cantina — mantendo, no teto dourado do salão principal, a mesma bala que um disparo de revólver transformou em parte permanente da sua história.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): É ponto de parada obrigatória para turistas interessados na história da Revolução Mexicana.

Onde fica

  • Bar La Ópera Bar
    Bar La Ópera, Avenida 5 de Mayo 10, Cidade do México, México

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📍 Cracóvia
📍 Dica rápida

A trombeta que para no meio em Cracóvia, de hora em hora, há séculos

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Fique na Praça Principal de Cracóvia esperando dar a hora cheia. Do alto da torre mais alta da Basílica de Santa Maria, uma janela se abre e um trompetista toca uma melodia curta. Você vai ouvi-la duas, três vezes — e nas quatro direções. E as quatro vezes vão terminar do mesmo jeito estranho: no meio de uma nota, sem resolução, como se alguém tivesse arrancado o instrumento da boca do músico.

É o hejnał mariacki, e ele acontece a cada hora, 24 horas por dia, 365 dias por ano. A interrupção não é falha nem estilo: segundo a tradição, ela lembra um trompetista do século XIII que tocava o alarme para avisar a cidade de um ataque mongol e foi atingido na garganta por uma flecha antes de terminar. A cidade foi avisada. Ele, não terminou.

A basílica ao redor dessa cena tem outro tesouro, este perfeitamente documentado. No altar-mor está o retábulo esculpido em madeira por Veit Stoss — Wit Stwosz, para os poloneses —, entalhado entre 1477 e 1489. Stoss era alemão de nascimento, mas morou e trabalhou em Cracóvia por mais de vinte anos, e a obra que deixou é uma das peças-chave da escultura gótica europeia: figuras em tamanho quase natural, dobras de tecido que parecem pesar, rostos que não idealizam nada.

Repare também nas duas torres da fachada, de alturas visivelmente diferentes — a assimetria é uma das assinaturas visuais da cidade. Em 1978, a basílica entrou para o Patrimônio Mundial da UNESCO junto com todo o Centro Histórico de Cracóvia.

Vale programar a visita para chegar alguns minutos antes da hora cheia, na praça, e só depois entrar. O interior explica a arquitetura; a trombeta explica a cidade.

Fachada e torres desiguais da Basílica de Santa Maria, em Cracóvia

Foto: Jar.ciurus / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 pl)

Onde fica

  • Basílica de Santa Maria (Kościół Mariacki) Ponto Turístico
    plac Mariacki 5, 31-042 Cracóvia, Polônia
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📍 Dica rápida

Lombardi's Pizza: a primeira pizzaria dos Estados Unidos

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Fundada por Gennaro Lombardi em 1905, foi a primeira pizzaria licenciada dos Estados Unidos. Ainda hoje assa pizzas em forno a carvão em Little Italy.

Fachada da Lombardi's Pizza em Little Italy, Nova York

Foto: Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

Onde fica

  • Lombardi's Pizza Restaurante
    Lombardi's Pizza, 32 Spring St, New York, Estados Unidos
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