Na Avenida de Mayo, uma das ruas mais importantes do centro histórico de Buenos Aires, o Café Tortoni abriu em 1858 e reivindica o título de café mais antigo ainda em funcionamento na cidade. Inspirado nos grandes cafés parisienses do século XIX — inclusive batizado em homenagem a um café de Paris —, o Tortoni se tornou ao longo de mais de 160 anos um dos símbolos culturais mais importantes da capital argentina.
Point da vida intelectual portenha
Desde o início do século XX, o Tortoni atraiu escritores, pintores, músicos e políticos, consolidando-se como point central da vida cultural de Buenos Aires. O escritor Jorge Luis Borges, um dos nomes mais importantes da literatura argentina e mundial, era frequentador assíduo, assim como o poeta e diplomata mexicano Alfonso Reyes e diversos outros nomes da chamada geração literária do início do século XX.
Carlos Gardel e o tango
O Tortoni também tem ligação direta com a história do tango: Carlos Gardel, o mais célebre cantor do gênero, frequentava o café, e hoje o subsolo do estabelecimento abriga apresentações regulares de tango ao vivo, mantendo viva essa conexão entre o café e um dos símbolos culturais mais reconhecidos da Argentina no mundo.
O salão principal preserva vitrais, mármore e mobiliário de fins do século XIX.
Academia Nacional do Tango
No andar superior do prédio funciona a Academia Nacional del Tango, instituição dedicada a preservar e estudar a história do gênero musical — mais uma camada da relação profunda entre o Tortoni e a identidade cultural argentina, que vai muito além de simplesmente servir café e doces.
Estátuas de bronze de frequentadores históricos, como Borges, decoram o salão.
Dicas para a visita
Vale reservar com antecedência para os espetáculos de tango no subsolo, que costumam esgotar rapidamente, especialmente em alta temporada turística. A localização na Avenida de Mayo facilita combinar a visita com um passeio até a Casa Rosada e a Plaza de Mayo, ambas a poucos minutos a pé.