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Bar La Ópera: o balaço de Pancho Villa que ainda mora no teto dourado da Cidade do México

Fachada do Bar La Ópera no Centro Histórico da Cidade do México

Foto: Ivanmartinez / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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Há mais de cem anos, uma bala de revólver segue alojada no teto dourado de um bar no coração da Cidade do México — e, de propósito, ninguém jamais a removeu. O buraco pertence ao Bar La Ópera, uma cantina que resiste desde o século 19 na Avenida 5 de Mayo, no Centro Histórico, e que viu passar tanto jantares da elite porfirista quanto tropas revolucionárias armadas.

De confeitaria francesa a ponto de encontro da elite

O endereço não nasceu como bar. Em 1876, as irmãs francesas Boulangeot abriram ali uma confeitaria de luxo na esquina da antiga rua San Juan de Letrán com a Avenida Juárez — terreno onde hoje se ergue a Torre Latinoamericana. Em 1895, o negócio mudou de local e de vocação: passou a funcionar na esquina da Avenida 5 de Mayo com a rua Filomeno Mata, endereço que ocupa até hoje, já como cantina voltada à clientela mais refinada da capital.

Entre os frequentadores da nova fase estavam o presidente Porfirio Díaz e sua esposa, Carmelita Romero Rubio, além do então ministro da Fazenda, José Ives Limantour. O bar tornou-se um símbolo do chamado Porfiriato, período de mais de três décadas de governo de Díaz marcado pela tentativa de europeizar os costumes da capital mexicana — daí o nome "La Ópera" e a decoração que remete aos teatros de espetáculo da Europa do fim do século 19.

A noite em que Pancho Villa disparou no teto

Em dezembro de 1914, tropas de Francisco "Pancho" Villa e Emiliano Zapata ocuparam a Cidade do México após a queda do governo de Victoriano Huerta, no auge da Revolução Mexicana. Segundo o relato mais repetido sobre o episódio, transmitido de geração em geração pelos próprios funcionários do bar, Villa entrou no La Ópera, sentou-se para conversar com seus homens e, incomodado por não conseguir atenção, sacou a arma e disparou um tiro para o alto. A bala nunca foi retirada do teto ornamentado e segue visível até hoje, próxima a um pequeno letreiro que conta a história aos visitantes.

Há uma ironia conhecida pelos guias locais: ao contrário da fama de bebedor pesado que o cinema atribuiu a outros líderes revolucionários, Villa era abstêmio — seu vício declarado era milk-shake de morango, não tequila ou pulque.

Interior decorado do Bar La Ópera na Cidade do México

O salão interno do Bar La Ópera, com teto ornamentado e balcão de madeira.

Um teto de folha de ouro e um balcão vindo de Nova Orleans

A decoração do La Ópera segue o estilo afrancesado que dominava a arquitetura da capital mexicana na virada do século 19 para o 20, misturando traços barrocos com o Art Nouveau então em voga. Entre os elementos que sobrevivem até hoje estão:

  • Um teto trabalhado com molduras cobertas por folha de ouro;
  • Um balcão esculpido em madeira maciça de nogueira, encomendado e transportado de Nova Orleans;
  • Espelhos de vidro biselado emoldurados por talha em madeira escura;
  • Detalhes metálicos e vitrines que reforçam a atmosfera de teatro de ópera europeu.

Com o avanço da Revolução, o bar deixou de ser um espaço fechado à elite porfirista e passou a servir também tequila e pulque a um público mais amplo, consolidando-se como uma das cantinas mais tradicionais do Centro Histórico da capital mexicana — categoria de bar que, no México, guarda rituais e regras de sociabilidade próprios há mais de um século.

Rua 5 de Mayo no Centro Histórico da Cidade do México, onde fica o Bar La Ópera

A rua 5 de Mayo, no Centro Histórico da Cidade do México.

O escritor mexicano Salvador Novo definiu as cantinas tradicionais da capital como "templos de duas portas", numa referência às entradas duplas que antigamente separavam o acesso de homens e mulheres nesses espaços de socialização. O Bar La Ópera, com suas portas na esquina de 5 de Mayo com Filomeno Mata, segue aberto como bar e restaurante mais de cento e trinta anos depois de virar cantina — mantendo, no teto dourado do salão principal, a mesma bala que um disparo de revólver transformou em parte permanente da sua história.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): É ponto de parada obrigatória para turistas interessados na história da Revolução Mexicana.

Onde fica

  • Bar La Ópera Bar
    Bar La Ópera, Avenida 5 de Mayo 10, Cidade do México, México

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Bandeira de Estados Unidos Estados Unidos
📍 Orlando

O que fazer em Orlando: 5 paradas escolhidas

Esfera geodésica Spaceship Earth no EPCOT, em Orlando

Foto: Wikimedia Commons

Um roteiro com 5 paradas em Orlando, Estados Unidos: o que visitar, onde comer, onde tomar café e onde beber. Cada parada traz o endereço completo e o motivo de valer o desvio, para você montar o dia na ordem que fizer sentido.

As paradas

  1. EPCOT
  2. Disney's Hollywood Studios
  3. Disney's Animal Kingdom
  4. Universal Studios Florida
  5. Islands of Adventure

O que visitar

1. EPCOT

Esfera geodésica Spaceship Earth no EPCOT, em Orlando
Foto: chensiyuan This photo was taken with Nikon D90 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O EPCOT é um dos quatro parques do Walt Disney World Resort, reconhecido pela esfera geodésica Spaceship Earth na entrada. O parque é dividido entre atrações de inovação e o World Showcase, com pavilhões que recriam a culinária e a cultura de mais de dez países.

É uma parada obrigatória para quem quer combinar tecnologia, gastronomia internacional e passeio tranquilo em um só lugar.

Endereço: EPCOT, 200 Epcot Center Dr, Bay Lake, Estados Unidos

2. Disney's Hollywood Studios

Hollywood Boulevard, a avenida de entrada do Disney's Hollywood Studios, em Orlando
Foto: Kickelohm / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Disney's Hollywood Studios recria a época de ouro de Hollywood logo na entrada, na Hollywood Boulevard, e reúne atrações baseadas em franquias como Star Wars, Toy Story e Guardiões da Galáxia.

É um parque mais compacto que o Magic Kingdom, ideal para quem quer aliar cenografia temática a brinquedos radicais em um único dia.

Endereço: Disney's Hollywood Studios, 351 S Studio Dr, Lake Buena Vista, Estados Unidos

3. Disney's Animal Kingdom

Árvore da Vida, o marco central do Disney's Animal Kingdom, em Orlando
Foto: Wikimedia Commons

O Disney's Animal Kingdom tem como marca a Árvore da Vida, esculpida com centenas de animais, e reúne um safári africano de verdade, trilhas com fauna real e a área Pandora, inspirada no filme Avatar.

É a opção mais verde entre os parques de Orlando, com bastante caminhada ao ar livre entre as atrações.

Endereço: Disney's Animal Kingdom, 2901 Osceola Pkwy, Lake Buena Vista, Estados Unidos

4. Universal Studios Florida

Entrada do parque Universal Studios Florida, em Orlando
Foto: Theme Park Tourist / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Universal Studios Florida reúne áreas temáticas de franquias como Harry Potter (Diagon Alley), Minions e Homem-Aranha, além de simuladores baseados em filmes clássicos da Universal.

É o parque mais indicado para quem gosta de brinquedos com efeitos especiais e cenografia bem detalhada.

Endereço: Universal Studios Florida, 6000 Universal Blvd, Orlando, Estados Unidos

5. Islands of Adventure

Vista do parque Islands of Adventure, da Universal, em Orlando
Foto: Robert Linsdell / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O Islands of Adventure é dividido em ilhas temáticas, com destaque para a Ilha de Marvel, o Jurassic Park e Hogsmeade, cenário de Harry Potter com montanha-russa dentro do castelo de Hogwarts.

É o parque com as atrações mais radicais de Orlando, indicado para quem procura adrenalina em meio à cenografia detalhada.

Endereço: Universal's Islands of Adventure, 6000 Universal Blvd, Orlando, Estados Unidos

A história por trás desses lugares

Fontes e créditos

Imagens e links oficiais de cada parada:

  • EPCOT — foto: chensiyuan This photo was taken with Nikon D90 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Disney's Hollywood Studios — foto: Kickelohm / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
  • Disney's Animal Kingdom — foto: Wikimedia Commons
  • Universal Studios Florida — foto: Theme Park Tourist / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
  • Islands of Adventure — foto: Robert Linsdell / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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📝 Nota do editor (Peter Goldstein): [foto sem procedência: origem não registrada pela ingestão antiga, sem correspondente no Commons e sem autor na EXIF — precisa ser re-obtida ou removida]

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Bandeira de Áustria Áustria
📍 Salzburgo
📍 Dica rápida

Café Konditorei Fürst: a confeitaria que inventou a Mozartkugel em 1890 e nunca pediu patente

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Paul Fürst nasceu em 1856 em Sierning, no interior da Áustria, e passou onze anos aprendendo confeitaria fora de casa — Viena, Budapeste, Paris e Nice. Em 1884 abriu a própria loja na Brodgasse 13, num prédio que funcionava como padaria da corte desde 1391. Seis anos depois, em 1890, depois de muitas tentativas, apresentou o doce que chamou de "Mozart-Bonbon": uma bola de marzipã de pistache, envolta numa camada de nougat e mergulhada em chocolate amargo.

O palito que faz a bola

O segredo do formato está num palito de madeira: cada bola é espetada nele para ser banhada no chocolate, o que garante a esfera perfeita. O embrulho é o que se reconhece de longe: papel prateado com o retrato de Mozart em azul. Em 1905 o doce ganhou diploma de honra e medalha numa exposição internacional em Paris. Até 2024 a produção era toda manual, cerca de 2,75 milhões de unidades por ano; com a fábrica nova em Elsbethen, parte do trabalho passou para uma linha de produção. A receita segue a do caderno escrito à mão por Paul Fürst em 1915, e a casa está na quinta geração, comandada por Martin Fürst desde 2015.

Por que existe "Mozartkugel" em todo lugar

Fürst nunca patenteou a invenção, e "Mozartkugel" virou nome genérico — qualquer fabricante pode usar. O que ficou exclusivo, por decisão judicial de 1996, é a expressão "Original Salzburger Mozartkugel". Há até regra de formato: entre as industriais, só as da Mirabell podem ser totalmente redondas; as outras precisam ter um lado achatado.

Mozartkugeln da Konditorei Fürst embrulhadas em papel prateado com o retrato de Mozart em azul

Foto: Panoramafotos.net / Wikimedia Commons (CC BY 2.5)

Onde fica

  • Café Konditorei Fürst Cafeteria
    Brodgasse 13, 5020 Salzburgo, Áustria
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Bandeira de Brasil Brasil
📍 Brasília

Catedral Metropolitana de Brasília: as 16 colunas de Niemeyer que formam uma coroa de espinhos

Vista externa da Catedral Metropolitana de Brasília com suas colunas hiperboloides na Esplanada dos Ministérios

Foto: Adeilton O. de Souza / Wikimedia Commons (CC0)

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De longe, antes mesmo de qualquer porta ou fachada, o que se vê é uma coroa. Dezesseis colunas de concreto branco se curvam para cima e se afinam na ponta, como se alguém tivesse cravado espinhos gigantes na Esplanada dos Ministérios. Não há torre, não há nave visível, não há o desenho que qualquer brasileiro reconheceria como "igreja" — e é exatamente por isso que a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida se tornou, para muita gente, o símbolo mais forte de Brasília.

Uma estrutura pensada de baixo para cima

O projeto é de Oscar Niemeyer, mas a obra só existe de pé graças ao engenheiro Joaquim Cardozo, responsável pelo cálculo estrutural que tornou possível erguer pilares de seção parabólica em formato hiperboloide — uma curva que, até então, quase nenhuma construção no mundo tinha ousado em escala tão grande. A pedra fundamental foi lançada em 12 de setembro de 1958, ainda nos primeiros meses de construção da nova capital. Em 1960, quando Brasília foi inaugurada, a estrutura das dezesseis colunas — cada uma pesando 90 toneladas — já estava de pé, formando uma área circular de 70 metros de diâmetro, mas sem vidro, sem acabamento, praticamente um esqueleto exposto ao céu do Planalto Central.

A catedral só ficaria pronta dez anos depois. A inauguração oficial aconteceu em 31 de maio de 1970, já com os painéis de vidro colocados entre as colunas — translúcidos o bastante para deixar a luz entrar e transformar o interior num só ambiente aberto, sem paredes internas dividindo o espaço.

Detalhe das colunas de concreto curvo da Catedral Metropolitana de Brasília

As dezesseis colunas hiperboloides, de 90 toneladas cada, sustentam toda a estrutura sem paredes internas.

A passagem pelo túnel escuro

Poucas igrejas no mundo pensam a chegada do visitante como um percurso dramático, mas a Catedral de Brasília faz exatamente isso. Não se entra pela frente: o acesso à nave é feito por uma rampa que desce ao subsolo, atravessando um túnel escuro e baixo. É só depois desse trecho de penumbra que o espaço se abre repentinamente para cima, inundado pela luz colorida dos vitrais assinados pela artista franco-brasileira Marianne Peretti — um contraste que Niemeyer projetou de propósito, quase como uma travessia entre a terra e o céu. Na entrada, quatro esculturas de bronze representando os Evangelistas, também de autoria de Alfredo Ceschiatti, recebem quem chega.

Os três anjos suspensos

Dentro da nave, presos por cabos de aço quase invisíveis, pairam os anjos mais fotografados do Brasil. São três esculturas de fibra de vidro criadas por Alfredo Ceschiatti, cada uma representando um arcanjo:

  • São Miguel — a maior, com 4,45 metros e cerca de 300 quilos
  • São Gabriel — intermediária, com 3,40 metros e 200 quilos
  • São Rafael — a menor, com 2,20 metros e 100 quilos

Vistos de baixo, contra o fundo azul e amarelo dos vitrais de Marianne Peretti, os anjos parecem flutuar sem apoio algum — efeito que se tornou uma das imagens mais reproduzidas da arquitetura brasileira do século 20.

Os anjos suspensos de Alfredo Ceschiatti no interior da Catedral de Brasília

Os três anjos de fibra de vidro, suspensos por cabos de aço, representam os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

Niemeyer nunca escondeu que a forma da catedral admite mais de uma leitura: para uns, as colunas erguidas lembram mãos postas em oração; para outros, é a coroa de espinhos de Cristo desenhada em concreto contra o céu do Planalto. O próprio arquiteto preferia deixar a ambiguidade em aberto — prova de que, mais de meio século depois de pronta, a catedral continua sendo menos uma resposta e mais uma pergunta em forma de arquitetura.

Referências

Este texto é da redação do Tem Café Aí. Abaixo, onde conferir os dados do lugar e de onde vem a foto — não é a origem do texto, é onde você pode se aprofundar.

Catedral Metropolitana de Brasília — Wikipédia

Foto: Adeilton O. de Souza / Wikimedia Commons (CC0).

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Vá pela experiência sensorial proporcionada pelo teto de vidro.

Onde fica

  • Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida Ponto Turístico
    Catedral Metropolitana de Brasília, Esplanada dos Ministérios, Brasília, Distrito Federal

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