Tem Café Aí Tem Café Aí Guia de destinos, sabores e histórias
Bandeira de Estados Unidos Estados Unidos
📍 Nova Orleans

Catedral de São Luís: a igreja de Nova Orleans que precisou ser erguida três vezes

Fachada da Catedral de São Luís, em Nova Orleans, vista da Jackson Square

Foto: APK, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

História Concisa dos Estados Unidos da América
📦 Recomendação RadarCompraHistória Concisa dos Estados Unidos da AméricaR$ 88,41 R$ 107,00Ver no RadarCompra →

Do outro lado da Jackson Square, no coração do French Quarter, está a catedral católica em uso contínuo mais antiga dos Estados Unidos. A frase soa como superlativo de folheto, mas esconde algo menos confortável: o prédio que está lá hoje é o terceiro. Os dois anteriores caíram — um por fogo, outro em parte pela própria obra de ampliação. O que nunca se interrompeu foi o culto, e é disso que vem o título.

A paróquia veio antes da cidade estar de pé

A paróquia foi criada em 1720, quando Nova Orleans mal passava de um projeto francês de duas décadas de idade às margens do Mississippi. O primeiro templo no terreno abriu em 1727. Era uma construção modesta, coerente com uma colônia que ainda dependia de barcos para quase tudo, e ficou de pé por seis décadas.

O fim veio numa data que a cidade não esqueceu: Sexta-Feira Santa, 21 de março de 1788. O Grande Incêndio de Nova Orleans varreu boa parte do núcleo urbano e levou a igreja junto. A cidade que ardeu naquele dia já não era francesa — a Luisiana havia passado para a Espanha —, e isso mudou quem pagou a reconstrução e como ela ficou.

Reconstruída sob bandeira espanhola

A pedra fundamental do novo templo foi assentada em 1789, e a obra foi concluída em 1794, ainda no período espanhol. No meio do caminho, em 1793, a igreja foi elevada à condição de catedral, como sede da recém-criada Diocese de Nova Orleans. É esse detalhe administrativo, e não a arquitetura, que sustenta o título de catedral mais antiga em uso contínuo do país: desde então a função nunca foi transferida para outro endereço.

A dedicação a São Luís, rei da França, permaneceu mesmo com a colônia sob administração espanhola — uma das várias camadas sobrepostas que fazem do French Quarter um bairro de nome francês e traçado urbano espanhol.

A torre que desabou no meio da reforma

Em meados do século XIX, a catedral de 1794 já era pequena para a cidade. Começou então uma ampliação que deu o desfecho mais dramático da história do prédio: em 1850, durante as obras, a torre central desabou. A queda arrastou telhado e paredes e obrigou uma reconstrução extensa, que se estendeu pelo resto da década.

O resultado dessa reconstrução é a fachada que aparece em praticamente toda fotografia de Nova Orleans: três torres, a central mais alta e afilada, emolduradas pela praça e pela estátua equestre de Andrew Jackson. Ou seja, o cartão-postal mais reproduzido da cidade é fruto de um acidente de obra.

A catedral continua em funcionamento, com missa celebrada diariamente. Não é um museu com horário de visitação e cordão de isolamento: é uma igreja de paróquia que por acaso carrega quase trezentos anos de registros e três reconstruções nas costas.

Perguntas frequentes

A Catedral de São Luís é mesmo a mais antiga dos Estados Unidos?
É a catedral católica em uso contínuo mais antiga do país. O título se refere à continuidade da função desde 1793, não à idade das paredes — a estrutura atual é resultado da reconstrução dos anos 1850.

Dá para entrar?
Sim. A catedral segue aberta como igreja em atividade, com missa diária, e fica na Jackson Square, no French Quarter.

O que sobrou da igreja original de 1727?
Nada acima do solo. Ela foi destruída no Grande Incêndio de 21 de março de 1788, uma Sexta-Feira Santa.

Onde fica

  • Catedral-Basílica de São Luís, Rei da França Local
    4431 Lindell Blvd, St. Louis, MO 63108, United States

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Continue explorando Nova Orleans


Continue lendo

Bandeira de Estados Unidos Estados Unidos
Bandeira de Nova York Nova York
📍 Dica rápida

Grand Central Terminal: o ícone ferroviário de Nova York

Relógio de Parede Vintage Estilo Estação Ferroviária
📦 Recomendação RadarCompraRelógio de Parede Vintage Estilo Estação FerroviáriaR$ 351,96Ver no RadarCompra →

A Grand Central Terminal é um dos marcos mais fotografados de Nova York, com seu salão principal de teto pintado com constelações. Vale a visita mesmo sem pegar trem.

Salão principal da Grand Central Terminal em Nova York

Foto: Axel_Tschentscher / Wikimedia Commons

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): O HUB

Onde fica

  • Grand Central Terminal Ponto Turístico
    Grand Central Terminal, 89 E 42nd St, New York, Estados Unidos
(0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Brasil Brasil
Bandeira de Minas Gerais Minas Gerais

Conjunto Moderno da Pampulha: a igreja que a Igreja Católica recusou por 14 anos

Vista da Igreja de São Francisco de Assis com a Lagoa da Pampulha ao fundo, em Belo Horizonte

Foto: Paulo SP/ Wikimedia / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Oscar Niemeyer: Uma Arquitetura da Sedução
📦 Recomendação RadarCompraOscar Niemeyer: Uma Arquitetura da SeduçãoR$ 31,08 R$ 120,00Ver no RadarCompra →

Por 14 anos, uma das igrejas mais fotografadas do Brasil ficou sem poder celebrar batizados, casamentos ou missas regulares. O motivo não foi falta de fiéis nem de padres: foi um cachorro pintado por Cândido Portinari em um afresco ao lado de São Francisco de Assis, considerado inaceitável demais para a arquidiocese de Belo Horizonte consagrar o templo.

Uma aposta modernista às margens da lagoa

A história começa em 1940, quando o prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, decidiu transformar as margens de uma lagoa artificial recém-criada na região da Pampulha em um polo de lazer e arquitetura de vanguarda. Para desenhar os edifícios, JK chamou um arquiteto de 33 anos ainda pouco conhecido: Oscar Niemeyer. O paisagismo ficou com Roberto Burle Marx, os painéis decorativos com Cândido Portinari e parte das esculturas com Alfredo Ceschiatti.

O conjunto foi inaugurado em 16 de maio de 1943, com a presença do presidente Getúlio Vargas e do governador de Minas Gerais, Benedito Valadares. Quatro construções ao redor da lagoa formam o núcleo do projeto:

  • o Cassino da Pampulha, hoje Museu de Arte da Pampulha;
  • a Casa do Baile, um salão de festas sobre uma pequena ilha;
  • o Iate Tênis Clube;
  • a Igreja de São Francisco de Assis, conhecida como "Igrejinha da Pampulha".

Do jogo proibido à arte

O Cassino da Pampulha nasceu como point da elite mineira, com noites de jogatina e festas que atraíam visitantes de outros estados. A festa durou pouco: em 30 de abril de 1946, o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu os jogos de azar em todo o país, e o cassino fechou as portas apenas três anos depois de inaugurado. O prédio de curvas livres e painéis de vidro ficou fechado por mais de uma década até que, em 1957, reabriu como Museu de Arte da Pampulha, sob direção do arquiteto Sylvio de Vasconcellos.

Fachada do Museu de Arte da Pampulha, antigo Cassino da Pampulha, em Belo Horizonte

O antigo Cassino da Pampulha, fechado em 1946, reabriu como museu de arte em 1957.

A igreja que dividiu a cidade

Enquanto o cassino driblava a lei do jogo, a pequena igreja curva enfrentava outro tipo de resistência. O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Antônio Santos Cabral, recusou-se a consagrar o templo, classificando a obra como "inteiramente particular, na qual o clero não teve a mínima participação". As formas ousadas de Niemeyer e, sobretudo, o painel de Portinari em que um cão aparece ao lado do santo — lido por críticos da época como referência a um lobo, animal ligado à lenda de São Francisco — foram tratados como afronta ao bom gosto religioso.

Sem consagração, a Igrejinha da Pampulha funcionou por 14 anos apenas como capela aberta à visitação, sem celebrar os sacramentos que dependem desse rito. A situação só mudou em 1959, quando Dom Antônio Santos Cabral foi sucedido por Dom João Resende Costa, que autorizou a consagração pouco depois de assumir a arquidiocese.

Fachada curva da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, Belo Horizonte

As curvas de concreto armado da Igreja de São Francisco de Assis, projeto de 1943 de Oscar Niemeyer.

De obra controversa a patrimônio da humanidade

Décadas depois da polêmica, o julgamento mudou de sinal. Em 16 de julho de 2016, durante a 40ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, em Istambul, o Conjunto Moderno da Pampulha foi reconhecido como Patrimônio Mundial — o primeiro bem cultural do planeta a receber o título na categoria de Paisagem Cultural do Patrimônio Moderno. O próprio Niemeyer, que viveu até os 104 anos e assinou obras como o Palácio do Planalto e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, chegou a considerar a Pampulha um dos capítulos mais importantes de sua carreira: foi ali que testou, pela primeira vez em escala real, as curvas livres de concreto que se tornariam sua marca registrada.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Uma boa caminhada na beira da lagoa, com muita história.

Onde fica

  • Conjunto Moderno da Pampulha Histórico
    Pampulha

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Brasil Brasil
Bandeira de Rio de Janeiro Rio de Janeiro
📍 Dica rápida

Escadaria Selarón: os 215 degraus coloridos entre Lapa e Santa Teresa

Kit de Mosaico para Adultos (Azulejos de Vidro Coloridos)
📦 Recomendação RadarCompraKit de Mosaico para Adultos (Azulejos de Vidro Coloridos)R$ 109,56Ver no RadarCompra →

Criada pelo artista chileno Jorge Selarón a partir de 1990, a escadaria liga os bairros da Lapa e Santa Teresa com 215 degraus cobertos por azulejos vindos de mais de 120 países. Está aberta 24 horas e é um dos símbolos mais fotografados do Rio.

Escadaria Selarón coberta de azulejos coloridos, entre Lapa e Santa Teresa

Foto: Rjcastillo / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Um ponto bem instagramável

Onde fica

  • Escadaria Selarón Ponto Turístico
    Rua Manuel Carneiro, Santa Teresa, Rio de Janeiro, Brasil
(0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Carregando mais destinos…