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📍 Dica rápida

Think Coffee: cafeteria local com grãos de origem cuidada

A Think Coffee é uma cafeteria local, com grãos selecionados de pequenos produtores. O espaço é amplo, ótimo para começar o dia antes de explorar a cidade.

Fachada da cafeteria Think Coffee em Nova York ao entardecer

Foto: Wikimedia Commons

Onde fica

  • Think Coffee Cafeteria
    Think Coffee, 123 4th Avenue, Nova York, Estados Unidos
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📍 Petra

Petra: a cidade cor-de-rosa que os nabateus esculpiram na rocha do deserto

Fachada de Al-Khazneh, o Tesouro de Petra, esculpida na rocha arenítica cor-de-rosa

Foto: Wikimedia Commons

No sul da Jordânia, entre montanhas de arenito que mudam de tom conforme a luz do sol, existe uma cidade inteira esculpida diretamente na rocha. Petra foi erguida pelos nabateus, um povo árabe nômade que se fixou na região por volta do século 6 a.C. e transformou o local em capital de um reino próspero. Fundada por volta de 312 a.C., a cidade cresceu graças à sua posição estratégica: ali cruzavam as rotas de caravanas que levavam incenso, especiarias e seda entre a Arábia, o Egito e a Síria. Hoje Petra é Patrimônio Mundial da UNESCO e uma das paradas mais procuradas do Oriente Médio, mas por séculos ela simplesmente desapareceu dos mapas ocidentais.

Uma cidade de mercadores no meio do deserto

Os nabateus não eram apenas comerciantes: eram também engenheiros hábeis em captar e armazenar água, o que permitiu que uma cidade de dezenas de milhares de habitantes prosperasse em pleno deserto. Represas, canais e cisternas escavados na rocha abasteciam Petra mesmo nas estações mais secas. O acesso à cidade se dá por um desfiladeiro estreito chamado Siq, uma fenda natural de mais de um quilômetro entre paredões que chegam a 80 metros de altura. É ao final desse corredor apertado que o visitante se depara de repente com Al-Khazneh, o Tesouro — a fachada mais famosa de Petra, com cerca de 40 metros de altura, esculpida diretamente na pedra arenítica rosada que dá à cidade seu apelido. Apesar do nome, o Tesouro nunca guardou riquezas: acredita-se que tenha sido construído no século 1 a.C. como mausoléu de um rei nabateu.

O Tesouro de Petra visto pela fenda estreita do Siq, o corredor de acesso à cidade

A primeira visão do Tesouro ao final do desfiladeiro do Siq

Roma chega, e a cidade começa a esvaziar

O reino nabateu manteve sua independência por séculos, negociando e às vezes enfrentando o Império Romano, até ser anexado pelos romanos em 106 d.C. e transformado na província da Arábia Pétrea. Com o tempo, as rotas comerciais marítimas passaram a competir com as caravanas terrestres, e Petra foi perdendo importância econômica. Um terremoto no século 4 e outro no século 8 danificaram estruturas da cidade, e aos poucos a população foi diminuindo até restarem apenas grupos beduínos que conheciam o local, mas mantinham sua localização em segredo dos viajantes europeus.

Redescoberta em 1812 e reconhecimento mundial

Foi só em 22 de agosto de 1812 que o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt voltou a apresentar Petra ao Ocidente. Disfarçado de viajante muçulmano e falando árabe fluentemente, ele convenceu um guia local a levá-lo até as ruínas sob o pretexto de fazer um sacrifício em um santuário próximo. O relato de Burckhardt despertou o interesse de arqueólogos e viajantes europeus, e ao longo do século 20 escavações revelaram templos, tumbas, um teatro romano esculpido na rocha para quase 4 mil espectadores e a monumental Ad-Deir, o Monastério — uma fachada ainda maior que a do Tesouro, com 45 metros de altura, situada no alto de uma trilha íngreme nas montanhas que cercam a cidade.

Fachada de Ad-Deir, o Monastério de Petra, no alto das montanhas da cidade

Ad-Deir, o Monastério, no alto das montanhas de Petra

Em 1985, a UNESCO declarou Petra Patrimônio Mundial da Humanidade, descrevendo-a como "um dos bens culturais mais preciosos do patrimônio da humanidade". Em 2007, a cidade foi eleita uma das novas Sete Maravilhas do Mundo em uma votação popular internacional. Hoje, arqueólogos estimam que apenas uma pequena fração de Petra foi escavada — a maior parte da antiga cidade nabateia ainda permanece soterrada sob a areia do deserto jordaniano, à espera de ser revelada.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Nomeada pelos Gregos, Petra é uma cidade de cair o queixo, pois foi inteiramente esculpida na pedra de cima para baixo.

Onde fica

  • Petra (Al-Khazneh e Ad-Deir) Histórico
    30°19'44" N, 35°26'41" E

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Maxim's de Paris: o bistrô de um garçom que virou templo art nouveau da Belle Époque

Fachada verde e dourada do restaurante Maxim's de Paris, na Rue Royale

Foto: Wikimedia Commons

Na esquina da Rue Royale com a Place de la Concorde, em Paris, uma fachada verde-escura emoldurada em ferro dourado esconde um dos salões mais fotografados — e menos visitados por dentro — da cidade. Passar pela porta do Maxim's é entrar numa cápsula do tempo que resume toda a extravagância da Belle Époque francesa, quando o restaurante virou sinônimo de luxo, escândalo e alta sociedade.

De bistrô de esquina a ponto de encontro da elite

O endereço 3 Rue Royale abrigava, em 1893, apenas um modesto café de bairro. Foi ali que o garçom Maxim Gaillard decidiu abrir seu próprio estabelecimento, batizando-o com o próprio nome. O pequeno bistrô ganhou popularidade rápido entre a burguesia parisiense, mas foi a virada do século que transformaria o Maxim's de simples ponto de encontro em símbolo internacional de sofisticação.

A reforma que criou um marco art nouveau

Entre 1899 e 1900, o maître d'hôtel Eugène Cornuché comprou o restaurante e contratou o arquiteto-decorador Louis Marnez para prepará-lo às pressas para a Exposição Universal de 1900. O resultado foi um dos interiores art nouveau mais completos já preservados na França: painéis de mogno, espelhos biselados, ornamentos em bronze e cobre entrelaçados em motivos florais e afrescos nas paredes assinados pelo pintor Léon Sonnier. A decoração, quase intacta até hoje, rendeu ao salão principal reconhecimento como patrimônio histórico.

Fachada do restaurante Maxim's no número 3 da Rue Royale, em Paris

A fachada do Maxim's na Rue Royale, entre a Place de la Concorde e a Madeleine.

O palco das noites mais badaladas de Paris

Ao longo da Belle Époque e das décadas seguintes, as mesas do Maxim's reuniram aristocratas, cortesãs, escritores e artistas em um ambiente reservado e badalado. Entre os frequentadores mais citados pela história do restaurante estão:

  • Marcel Proust e Jean Cocteau, que levaram o clima do salão para suas obras;
  • Salvador Dalí, com suas aparições tão extravagantes quanto seus quadros;
  • a atriz Grace Kelly, já como princesa de Mônaco;
  • a soprano Maria Callas, o cineasta Alfred Hitchcock e o artista Andy Warhol.

Foi também nesse período que o Maxim's ganhou vida na cultura popular: a personagem Chegrette e o próprio nome do restaurante aparecem na opereta "A Viúva Alegre", de Franz Lehár, estreada em 1905, ambientada justamente entre suas mesas.

De Pierre Cardin ao museu acima do salão

Em maio de 1981, o estilista Pierre Cardin comprou o Maxim's por um valor nunca revelado publicamente, estimado em mais de 20 milhões de dólares, e transformou o nome em marca internacional, com filiais em outras cidades e uma linha de produtos derivados, de porcelanas a perfumes. Colecionador de peças art nouveau havia décadas, Cardin instalou no andar acima do salão principal o Musée Art Nouveau — Maxim's, com mais de 550 objetos de nomes como Louis Majorelle, Louis Comfort Tiffany, Émile Gallé e Henri de Toulouse-Lautrec.

Retrato de Arlette Dorgère feito no verso de um menu do Maxim's em 16 de abril de 1908

Retrato feito no verso de um cardápio do Maxim's, em 16 de abril de 1908 — um dos muitos vestígios das noites boêmias do salão.

Mais de 130 anos depois de Maxim Gaillard servir seus primeiros clientes, o pequeno bistrô que ele batizou com o próprio nome continua funcionando na mesma esquina da Rue Royale — hoje como um dos raros interiores art nouveau da virada do século ainda em uso diário, servindo jantares sob os mesmos afrescos que testemunharam a Belle Époque.

📝 Nota do editor (Peter Goldstein): Muitos dizem ser o almoço perfeito em Paris. Reserve com antecedência.

Onde fica

  • Maxim's de Paris Restaurante
    Maxim's de Paris, 3 Rue Royale, Paris, França

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Estação da Luz: o marco de ferro inglês que virou símbolo de São Paulo

Fachada histórica da Estação da Luz, em São Paulo

Foto: Wikimedia Commons

Com sua torre do relógio, estrutura de ferro e ares de estação vitoriana inglesa, a Estação da Luz destoa propositalmente da paisagem do centro de São Paulo — e é exatamente essa origem britânica que explica boa parte de sua história. Inaugurada em 1901, a estação foi construída para atender a São Paulo Railway, companhia inglesa responsável por ligar a capital paulista ao porto de Santos, essencial para escoar a produção de café que sustentava a economia do estado no fim do século XIX.

Peças importadas da Inglaterra

Boa parte da estrutura metálica do prédio foi fabricada na Inglaterra e transportada de navio até o Brasil, sendo montada em São Paulo peça por peça — método comum em construções ferroviárias da época, mas que reforçou o apelido do prédio como um pedaço da Inglaterra vitoriana em pleno centro paulistano. O estilo arquitetônico, combinando ferro, tijolo aparente e uma torre de relógio central, remete diretamente às estações de trem britânicas do período.

Palco de um incêndio histórico

Em 1946, um incêndio destruiu parte importante da estrutura original, incluindo o corpo central e a torre do relógio, que precisaram ser reconstruídos. Apesar da perda, a reconstrução manteve a fachada e o estilo arquitetônico original, preservando a identidade visual que torna a Luz reconhecível até hoje.

Vista da Estação da Luz em São Paulo

A estrutura de ferro remete diretamente às estações vitorianas inglesas do século XIX.

De estação de trem a museu

Com o declínio do transporte ferroviário de passageiros ao longo do século XX, parte do prédio passou por uma requalificação cultural: desde 2006, abriga o Museu da Língua Portuguesa, um dos museus mais visitados do Brasil até um incêndio em 2015 que atingiu o museu (não a estrutura histórica da estação em si) e levou a uma reforma, reaberta ao público em 2021. A estação continua funcionando normalmente para os trens da CPTM e do Metrô de São Paulo.

Torre do relógio da Estação da Luz

A torre do relógio é um dos pontos mais fotografados do centro de São Paulo.

Dicas para a visita

Além de conhecer o Museu da Língua Portuguesa dentro da própria estação, vale aproveitar a visita para caminhar até o Parque da Luz, jardim histórico ao lado do prédio, e a Pinacoteca de São Paulo, museu de arte que fica a poucos minutos a pé — um dos trios culturais mais concentrados do centro paulistano.

Onde fica

  • Estação da Luz Histórico
    Praça da Luz, 1, Luz, São Paulo - SP

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