Quem entra no Real Alcázar de Sevilha e vê os arcos recortados, os azulejos geométricos e as inscrições em árabe nas paredes costuma concluir que está num palácio mouro. Em boa parte, não está. O trecho mais famoso do conjunto foi erguido nos anos 1360 por um rei cristão, Pedro I de Castela, que contratou artesãos formados na tradição islâmica para fazer um palácio mais árabe do que muitos palácios árabes. Uma inscrição em latim na fachada traz o ano de 1364; outra, em árabe, no Salón de Embajadores, traz 1366. É esse cruzamento de mundos que faz do Alcázar um dos lugares mais estranhos, e mais bonitos, da Espanha.
Antes dos cristãos
O terreno já era sede de poder muito antes de Pedro I. No século XI, o rei abádida al-Mu'tamid ampliou o complexo para o sul e para o leste com um palácio novo, chamado al-Mubarak, "o Abençoado". No século XII, o Califado Almóada passou a desenvolver Sevilha como sua capital na Península Ibérica, e em 1163 o califa Abu Yaqub Yusuf fez do Alcázar a sua residência principal. Depois da conquista castelhana de 1248, os reis cristãos não derrubaram nada: foram se instalando por cima. Afonso X, que reinou de 1252 a 1284, construiu ali um palácio gótico, e é dele a cisterna abobadada que hoje os visitantes conhecem como Baños de Doña María de Padilla.
O palácio de Pedro I
O coração do Alcázar é o palácio mudéjar de Pedro I, organizado em torno do Patio de las Doncellas, um pátio retangular com um espelho d'água comprido no centro. O jardim que existia ali ficou soterrado por séculos e só foi recuperado depois das escavações de 2002 a 2005. Ao lado fica o Salón de Embajadores, a sala do trono, coberta por uma cúpula de madeira dourada. Foi nessa sala que, em 1526, o imperador Carlos V se casou com Isabel de Portugal.
O Alcázar também esteve no centro da expansão espanhola pelo Atlântico: em 1503 foi criada ali a Casa de Contratación, o órgão que controlava o comércio e a navegação com as Américas.
Um palácio ainda em uso
O Alcázar é considerado o palácio real em uso mais antigo da Europa. Os andares superiores continuam reservados à família real espanhola, que se hospeda ali quando visita Sevilha. Em 1987, a UNESCO inscreveu o conjunto como Patrimônio Mundial, junto com a Catedral e o Archivo de Indias, seus vizinhos. Em 2019, recebeu mais de 2 milhões de visitantes, e parte deles chega por causa da televisão: o Alcázar foi uma das locações da quinta temporada de Game of Thrones, rodada na província de Sevilha.
Perguntas frequentes
O Alcázar é árabe ou cristão? Os dois. Há partes do período islâmico (abádida e almóada), um palácio gótico de Afonso X e o palácio mudéjar de Pedro I, construído por um rei cristão em estilo de inspiração islâmica.
A família real ainda usa o palácio? Sim. Os andares superiores são residência oficial da família real espanhola nas visitas a Sevilha.



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