Tem Café Aí Tem Café Aí Guia de destinos, sabores e histórias
Bandeira de Hungria Hungria
📍 Budapeste
📍 Dica rápida

Mercado Central de Budapeste: 10 mil m² sob um telhado de cerâmica Zsolnay

Páprica Defumada Companhia das Ervas 100g
📦 Recomendação RadarCompraPáprica Defumada Companhia das Ervas 100gR$ 19,71Ver no RadarCompra →

A ideia partiu de Károly Kamermayer, o primeiro prefeito de Budapeste, e virou resolução da assembleia municipal em 1891. Seis anos depois, em 15 de fevereiro de 1897, ele mesmo participou da inauguração do Nagyvásárcsarnok — o Grande Mercado Coberto, projetado por Samu Pecz.

São cerca de 10 mil metros quadrados cobertos por uma estrutura de aço, num desenho que mistura neogótico e neorrenascentista. O detalhe que salta aos olhos de fora é o telhado, revestido de cerâmica colorida Zsolnay, a porcelana de Pécs que também aparece nos telhados da Igreja Matias e do Museu de Artes Aplicadas. A Segunda Guerra danificou o prédio seriamente, e ele passou décadas se deteriorando; a restauração completa só veio em 1991.

Hoje o mercado funciona em três andares com lógica clara. O térreo é o dos húngaros de verdade: açougues, peixarias, hortifrúti, e as fileiras de páprica — em molhos pendurados, em latas, doce e defumada — que são o souvenir comestível mais honesto da Hungria, junto do salame e do vinho Tokaji. O primeiro andar é o de artesanato e bordado, mais turístico, com uma fileira de balcões de comida onde se come lángos, a massa frita coberta de creme azedo e queijo. O subsolo tem peixe, conservas e um supermercado.

Onde fica: Vámház körút 1-3, na praça Fővám, no fim da rua Váci utca e ao pé da Ponte da Liberdade. Dica: fecha aos domingos e fecha cedo aos sábados — vá em dia útil pela manhã, quando ainda é mercado e não passarela.

Interior do Mercado Central de Budapeste, com estrutura de aço e três andares de bancas

Foto: P. Hughes (Indies1), CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Onde fica

  • Nagyvásárcsarnok (Mercado Central) Local
    Vámház körút 1-3, 1093 Budapeste, Hungria
(0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Continue explorando Budapeste


Continue lendo

Bandeira de Hungria Hungria
📍 Budapeste
📍 Dica rápida

Termas Széchenyi: a maior casa de banhos da Europa e os enxadristas dentro d’água

Jogo de Xadrez em Madeira Reflorestada Dobrável com Peças Clássicas
📦 Recomendação RadarCompraJogo de Xadrez em Madeira Reflorestada Dobrável com Peças ClássicasR$ 145,26 R$ 169,90Ver no RadarCompra →

A história começa com um homem cavando um buraco. Em 1868, o engenheiro de minas Vilmos Zsigmondy começou a perfurar o Parque da Cidade atrás de água termal. Passou dez anos sem achar nada. Só em 1878, a 970 metros de profundidade, encontrou a fonte quente artesiana que procurava. Uma casa de banhos provisória abriu no local em 1881.

O complexo definitivo demorou mais. O projeto neobarroco é de Győző Czigler, desenhado em 1903; quando a obra enfim começou, em 1909, o arquiteto já havia morrido, e Ede Dvorák e Kálmán Gerster tocaram a construção seguindo o desenho dele. As termas abriram em 16 de junho de 1913 e receberam mais de 200 mil visitantes só no primeiro ano. Hoje a água medicinal chega à superfície pelo segundo poço mais profundo de Budapeste, de 1.246 metros, e o Széchenyi é a maior casa de banhos medicinais da Europa.

O que todo mundo fotografa, porém, não estava no projeto de ninguém: os homens jogando xadrez dentro da piscina externa, com o tabuleiro flutuando sobre a água a 38 graus. O costume começou nos anos 1960, quando as termas eram um dos poucos lugares de convívio livre da Hungria comunista, e os frequentadores precisavam ocupar a cabeça durante sessões longas de imersão. Não é encenação para turista: é gente da casa, jogando a sério, inclusive no inverno, com a névoa subindo da água.

Onde fica: Állatkerti körút 9-11, no Városliget (Parque da Cidade), com estação de metrô Széchenyi fürdő na porta. Dica: leve chinelo e toalha própria — alugar no local sai caro.

Piscina externa das Termas Széchenyi, em Budapeste, cercada pelo prédio amarelo neobarroco

Foto: Slyronit, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Onde fica

  • Széchenyi Gyógyfürdő (Termas Széchenyi) Local
    Állatkerti körút 9-11, 1146 Budapeste, Hungria
(0 avaliações)

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Portugal Portugal
Bandeira de Lisboa Lisboa

Mosteiro dos Jerónimos: o monumento que a pimenta pagou para agradecer a Vasco da Gama

Fachada do Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, Lisboa

Foto: Wikimedia Commons

Antes de gastar um único escudo com pedra ou entalhe, D. Manuel I já sabia como pagaria a conta: um imposto de 5% sobre tudo o que os navios portugueses trouxessem da África e do Oriente. Batizada de "Vintena da Pimenta", a taxa rendia por volta de 70 quilos de ouro por ano aos cofres reais — dinheiro suficiente para erguer, ao longo de um século, um dos monumentos mais ambiciosos da Europa: o Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, Lisboa.

Um voto para agradecer a Vasco da Gama

A obra nasceu de uma promessa. Em 1497, antes de zarpar rumo à Índia, Vasco da Gama teria orado numa pequena ermida à beira do Tejo, erguida décadas antes por ordem do infante D. Henrique. Quando a expedição voltou, em 1499, com a rota marítima para o Oriente enfim aberta, D. Manuel I decidiu substituir a ermida por um mosteiro grandioso, dedicado à Virgem de Belém e entregue aos monges da Ordem de São Jerónimo. A primeira pedra foi lançada em 6 de janeiro de 1501, e as obras se estenderiam, com avanços e pausas, por praticamente cem anos.

Cem anos de canteiro, dois grandes mestres

O projeto inicial coube a Diogo de Boitaca, arquiteto que ajudou a criar a linguagem que hoje chamamos de manuelino — um estilo genuinamente português, que mistura o gótico tardio com motivos ligados ao mar: cordas entalhadas em pedra, corais, esferas armilares e a cruz da Ordem de Cristo se espalham por portais e colunas. A partir de 1517, o espanhol João de Castilho assumiu o canteiro e conduziu a obra para um vocabulário mais próximo do Renascimento, sem romper com o desenho original. O claustro de dois andares, com seus arcos rendilhados, só ficou pronto em 1544, quando nenhum dos dois arquitetos originais já trabalhava ali.

Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, com arcos manuelinos de dois andares

O claustro de dois andares, concluído em 1544, reúne o gótico tardio de Boitaca ao vocabulário renascentista trazido por João de Castilho.

Sob o coro alto da igreja estão dois túmulos que resumem por que o edifício importa tanto para Portugal: o de Vasco da Gama, o navegador que abriu caminho para a Índia, e o de Luís de Camões, o poeta que transformou essa viagem em epopeia n'Os Lusíadas. Nenhum dos dois foi sepultado ali originalmente — os restos de Gama só chegaram ao mosteiro no século XIX, já como símbolo nacional dos Descobrimentos.

Terremoto, exílio e museus

O mosteiro atravessou o terremoto de 1755, que destruiu boa parte de Lisboa, com danos relativamente pequenos — os historiadores atribuem a sorte ao terreno arenoso de Belém, distante do centro mais castigado da cidade. O golpe mais duro veio depois, em 1833 e 1834, quando um decreto liberal extinguiu as ordens religiosas em Portugal. Os monges jerónimos, que viviam ali havia mais de três séculos, deixaram o mosteiro, e o edifício foi entregue à Real Casa Pia de Lisboa, que abrigou órfãos e crianças carentes em suas dependências até 1940. A igreja, por sua vez, passou a funcionar como paróquia de Santa Maria de Belém, função que mantém até hoje.

Túmulo de Vasco da Gama na igreja do Mosteiro dos Jerónimos

O túmulo de Vasco da Gama, sob o coro alto da igreja, junto ao de Luís de Camões.

Em 1983, a UNESCO declarou o Mosteiro dos Jerónimos Patrimônio Mundial, num mesmo reconhecimento que incluiu a vizinha Torre de Belém. Hoje o antigo dormitório dos monges abriga o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu de Marinha, enquanto a igreja segue aberta para missas e visitas.

Algumas curiosidades ajudam a entender por que o lugar segue despertando fascínio:

  • A "Vintena da Pimenta" tornou o mosteiro um dos raros grandes monumentos europeus pagos quase inteiramente com receita do comércio internacional, e não com impostos gerais da Coroa.
  • Em 16 de outubro de 1985, no cinquentenário de sua morte, os restos do poeta Fernando Pessoa foram trasladados para a ala norte do claustro — mas, segundo relatos de época, seu túmulo acabou ficando praticamente vazio, já que grande parte de seus ossos não pôde ser identificada com certeza no antigo jazigo de família.
  • A fachada sul da igreja, voltada para o rio, tem mais de 40 metros de largura e é considerada um dos maiores exemplares contínuos de escultura manuelina do mundo.

Onde fica

  • Mosteiro dos Jerónimos Histórico
    Mosteiro dos Jerónimos, Praça do Império, Lisboa, Portugal

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Bandeira de Marrocos Marrocos
📍 Marrakech

Mesquita Koutoubia: o minarete de 900 anos que Churchill pintou para Roosevelt

Mesquita Koutoubia e seu minarete, em Marrakech

Foto: Jakub Hałun / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Luminária de Mesa Mosaico Marroquino DEMMEX
📦 Recomendação RadarCompraLuminária de Mesa Mosaico Marroquino DEMMEXR$ 508,38Ver no RadarCompra →

No coração de Marrakech, o minarete de 77 metros da Mesquita Koutoubia domina o horizonte da cidade há mais de 800 anos. É o monumento mais fotografado do Marrocos e o ponto de referência a partir do qual toda a medina se orienta — mas sua história guarda também um episódio inesperado da Segunda Guerra Mundial.

Erguida pelos almóadas depois da conquista de Marrakech

A construção da mesquita começou pouco depois de 1147, quando o califa almóada Abd al-Mumin conquistou Marrakech e decidiu marcar a vitória com um novo templo à altura da capital do seu império, que na época se estendia do Marrocos à Espanha muçulmana. O minarete, elemento mais célebre do conjunto, só ficou pronto décadas mais tarde, por volta de 1199, sob o califa Yacoub al-Mansour.

Com seus 77 metros, é o mais antigo dos três grandes minaretes almóadas que sobrevivem até hoje — os outros dois são a Giralda, em Sevilha, e a Torre Hassan, em Rabat. A semelhança entre as três torres não é coincidência: as três foram erguidas pela mesma dinastia, e a Giralda é explicitamente inspirada no modelo de Marrakech.

Um nome que vem dos livreiros

"Koutoubia" deriva de "koutoub", livro em árabe. O nome existe porque, na época em que a mesquita foi erguida, um mercado de livreiros e copistas funcionava nas proximidades — um detalhe que lembra que Marrakech já era, no século XII, um centro de comércio e de produção de manuscritos.

A única pintura de Churchill na Segunda Guerra

Em janeiro de 1943, logo após a Conferência de Casablanca, Winston Churchill convenceu Franklin Roosevelt a conhecer Marrakech antes de voltar para casa, dizendo que não se podia vir até o norte da África sem ver o pôr do sol sobre as montanhas do Atlas. Depois que a delegação americana partiu, Churchill ficou mais um dia na cidade, hospedado no hotel La Mamounia, e pintou a torre da Koutoubia vista do jardim do hotel.

Foi a única pintura que Churchill fez durante toda a Segunda Guerra Mundial. Ele deu o quadro de presente a Roosevelt. Décadas depois, a obra passou pelas mãos de diversos colecionadores até chegar ao casal Angelina Jolie e Brad Pitt, que a venderam em leilão na Christie's em março de 2021 por US$ 11,5 milhões — recorde de preço para uma obra de Churchill.

Perguntas frequentes

Dá para visitar o interior da mesquita?
Não. Como em praticamente todas as mesquitas em atividade no Marrocos, o acesso ao interior é restrito a muçulmanos praticantes. Visitantes de fora podem admirar o exterior e os jardins ao redor, de onde a vista do minarete já vale a visita.

De onde é a melhor vista da Koutoubia?
Dos jardins públicos ao redor da mesquita, ou — como Churchill descobriu em 1943 — do jardim do hotel La Mamounia, a poucos passos dali.

Onde fica

  • Mesquita Koutoubia Histórico
    Avenue Mohammed V, Marrakech 40000, Marrocos

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.


Carregando mais destinos…